Segunda-feira, 10 de Dezembro, 2018
Estudo

Aumentam assinaturas pagas de meios digitais com algumas surpresas...

As assinaturas pagas são a “tábua de salvação” dos jornais digitais, mas cobrar pelas notícias, neste terreno, é uma estratégia difícil de implementar. Muitos meios de comunicação hesitam em dar este passo, pelo receio de perderem leitores. No entanto, dezenas de outros tiveram êxito, seguindo estratégias diferentes e, também, com diversos graus de sucesso. A FIPP  - Federação Internacional da Imprensa Periódica -  editou recentemente o seu primeiro Global Digital Subscription Snapshot, que permite consultar a tabela com os principais meios online, comparar os seus números de assinantes e preços cobrados e, assim, obter ideias úteis para os que procuram chegar ao desejado equilíbrio financeiro sem terem de perder público.

O trabalho foi realizado sobre um universo de dez milhões de assinaturas e, numa avaliação sumária, o texto de apresentação, no site da FIPP, declara que “o êxito dos conteúdos pagos exige investimento, uma aplicação inteligente dos dados analisados, boa compreensão do mercado local e alavancagem da ligação emocional à marca”. 

Não há surpresas quanto ao primeiro lugar: The New York Times é o jornal com mais assinaturas pagas na sua edição digital, chegando aos 2,8 milhões, que pagam cerca de 8,66 dólares mensais para acederem às suas notícias. 

Vêm a seguir The Wall Street Journal, com quase 1,39 milhões, pagando 36,99 dólares por mês,  e The Washington Post, com um milhão de assinantes, a 10,83 dólares por mês. 

Em quarto lugar aparece o britânico Financial Times, com 720 mil assinantes, mas no segundo lugar de preço, com o equivalente a 36 dólares americanos; e em quinto o alemão Bild, com quase 390.500 assinantes, a 5,83 dólares americanos. 

Os outros cinco lugares deste Top Ten repartem-se entre mais três jornais britânicos, The Economist, The Guardian e The Times, o sueco Aftonbladet e o francês Le Monde, por esta ordem. Só os dois primeiros chegam ou passam acima do patamar dos 300 mil assinantes. 

Segundo Media-tics, que aqui citamos, “o primeiro diário ibero-americano é o brasileiro Folha de São Paulo, no 12º posto graças aos seus 150 mil assinantes, que pagam cerca de 12,80 dólares por mês. O argentino Clarín está no 18º posto, com 100 mil assinantes, à razão de 3,65 dólares por mês, e La Nación no 24º, com 82 mil e um custo de cerca de 4,92 dólares”. 

“A presença ibero-americana [nesta recolha dos primeiros 45] fecha com o espanhol elDiario.es, no 40º posto. Passa acima dos 20.500 assinantes, que pagam cerca de 5,85 dólares mensais. Este diário digital é gratuito, mas o pagamento permite omitir a publicidade e aceder a vantagens para os ‘sócios’  - como chama aos seus assinantes.” (...) 

O artigo citado, em Media-tics, e a notícia no site da FIPP, cujas imagens aqui incluimos. 
O relatório em PDF

Connosco
O fascínio pelas imagens de motins como nova cultura dos Media Ver galeria

Um pequeno video das manifestações em Paris, feito na manhã de 2 de Dezembro e colocado no Twitter, mostra umas dezenas de indivíduos de capuz, a correr na rua, com um fogo em segundo plano. Uma legenda diz que os desordeiros [casseurs, no original] põem a polícia em fuga. Três horas depois de ser publicada, a sequência já teve 45 mil visualizações. À tarde, o contador regista 145 mil e no dia seguinte o dobro, sem contar com a sua reprodução nos media. No YouTube, no Reddit e outros meios semelhantes, estes vídeos chegam facilmente aos milhões.

“Este fascínio pelas imagens de motins  - ou de revolta, segundo o ponto de vista -  é agora chamado riot porn  - designando o prazer (um pouco culpado) de ver ou partilhar um certo tipo de imagens, como o food porn, de pratos de comida, ou o sky porn para imagens do céu e de cenas de pôr-de-sol.”

A reflexão é de Emilie Tôn, em L’Express, num trabalho que aborda o voyeurisme da violência nas ruas, em que todos podemos ser protagonistas, mesmo que involuntários, espectadores ou realizadores de documentário, com um telemóvel na mão.

A “missão impossível” dos repórteres árabes de investigação Ver galeria

A auto-confiança com que actuaram os executores de Jamal Khashoggi tem várias razões, e uma delas tem a ver connosco, jornalistas. Quando chegou, finalmente, a admissão do crime, jornalistas por todo o mundo árabe vieram em defesa de Riade. “Eles não sabiam nada  - mas escreveram o que lhes foi dito que escrevessem. E de cada vez que mudava a versão oficial, eles mudavam a sua para se ajustar, sem embaraço ou hesitação.”

“E não estavam sozinhos. Os sauditas tinham uma segunda linha de defesa: um grupo menor, mas não menos influente, de jornalistas do Ocidente, que tinham passado mais de um ano a contar a história de uma Arábia Saudita reformista, acabada de retocar, de ventos de mudança soprando no deserto, com as suas visões e ambições comoventes louvadas por todo o mundo.”

A reflexão é da jornalista jordana Rana Sabbagh, que está à frente da Rede de Jornalismo de Investigação Árabe (membro da Global Investigative Journalism Network) e foi a primeira mulher árabe a dirigir um jornal político no Médio Oriente, o Jordan Times.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
O Presidente Marcelo é um dos poucos políticos portugueses com legitimidade para colocar a questão dos apoios do estado à produção jornalística porque ele é produtor e produto do sistema mediático.A sua biografia confunde-se com a liberdade de imprensa e a pergunta que Marcelo faz é, para ele, uma questão de consciência presidencial.Dito isto, pergunto:O que diríamos nós se fosse Donald Trump a...
Perante a bem conhecida e infelizmente bem real crise da comunicação social o Presidente da República questionou, há dias, se o Estado não tem a obrigação de intervir. Para Marcelo Rebelo de Sousa há uma "situação de emergência", que já constitui um problema democrático e de regime. A crise está longe de ser apenas portuguesa: é mundial. E tem sobretudo a ver com o facto de cada vez mais...
Há, na ideia de uma comunicação social estatizada ou ajudada pelo governo, uma contradição incontornável: como pode a imprensa depender da entidade que mais se queixa da imprensa? Uma parte da comunicação social portuguesa – televisão, rádio, imprensa escrita — é deficitária, está endividada e admite “problemas de tesouraria”. Mas acima desse, há outro problema, mais grave:...
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