Terça-feira, 23 de Outubro, 2018
Estudo

Aumentam assinaturas pagas de meios digitais com algumas surpresas...

As assinaturas pagas são a “tábua de salvação” dos jornais digitais, mas cobrar pelas notícias, neste terreno, é uma estratégia difícil de implementar. Muitos meios de comunicação hesitam em dar este passo, pelo receio de perderem leitores. No entanto, dezenas de outros tiveram êxito, seguindo estratégias diferentes e, também, com diversos graus de sucesso. A FIPP  - Federação Internacional da Imprensa Periódica -  editou recentemente o seu primeiro Global Digital Subscription Snapshot, que permite consultar a tabela com os principais meios online, comparar os seus números de assinantes e preços cobrados e, assim, obter ideias úteis para os que procuram chegar ao desejado equilíbrio financeiro sem terem de perder público.

O trabalho foi realizado sobre um universo de dez milhões de assinaturas e, numa avaliação sumária, o texto de apresentação, no site da FIPP, declara que “o êxito dos conteúdos pagos exige investimento, uma aplicação inteligente dos dados analisados, boa compreensão do mercado local e alavancagem da ligação emocional à marca”. 

Não há surpresas quanto ao primeiro lugar: The New York Times é o jornal com mais assinaturas pagas na sua edição digital, chegando aos 2,8 milhões, que pagam cerca de 8,66 dólares mensais para acederem às suas notícias. 

Vêm a seguir The Wall Street Journal, com quase 1,39 milhões, pagando 36,99 dólares por mês,  e The Washington Post, com um milhão de assinantes, a 10,83 dólares por mês. 

Em quarto lugar aparece o britânico Financial Times, com 720 mil assinantes, mas no segundo lugar de preço, com o equivalente a 36 dólares americanos; e em quinto o alemão Bild, com quase 390.500 assinantes, a 5,83 dólares americanos. 

Os outros cinco lugares deste Top Ten repartem-se entre mais três jornais britânicos, The Economist, The Guardian e The Times, o sueco Aftonbladet e o francês Le Monde, por esta ordem. Só os dois primeiros chegam ou passam acima do patamar dos 300 mil assinantes. 

Segundo Media-tics, que aqui citamos, “o primeiro diário ibero-americano é o brasileiro Folha de São Paulo, no 12º posto graças aos seus 150 mil assinantes, que pagam cerca de 12,80 dólares por mês. O argentino Clarín está no 18º posto, com 100 mil assinantes, à razão de 3,65 dólares por mês, e La Nación no 24º, com 82 mil e um custo de cerca de 4,92 dólares”. 

“A presença ibero-americana [nesta recolha dos primeiros 45] fecha com o espanhol elDiario.es, no 40º posto. Passa acima dos 20.500 assinantes, que pagam cerca de 5,85 dólares mensais. Este diário digital é gratuito, mas o pagamento permite omitir a publicidade e aceder a vantagens para os ‘sócios’  - como chama aos seus assinantes.” (...) 

O artigo citado, em Media-tics, e a notícia no site da FIPP, cujas imagens aqui incluimos. 
O relatório em PDF

Connosco
Jornalista e historiador de Macau vencem Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia Ver galeria

O Júri dos Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia, instituídos pelo Jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, escolheu, por unanimidade, na primeira categoria, o trabalho "Ler sem limites", da jornalista Catarina Brites Soares, publicado no semanário Plataforma, em Macau.

Na categoria Ensaio, atribuída este ano pela primeira vez, foi distinguido o original do historiador António Aresta, de Macau, intitulado "Miguel Torga: um poeta português em Macau".
A Acta do Júri destaca, no primeiro caso, que Catarina Brito Soares  consegue desenhar com o seu texto “uma panorâmica das leituras mais frequentes em Macau, com um levantamento de livros e autores que circulam livremente no território, incluindo alguns que, por diferentes razões, têm limites de acesso fora da RAEM”.
O semanário Plataforma Macau é publicado em Macau, em português e chinês. 

Na categoria Ensaio, o Júri deliberou, também por unanimidade, atribuir o Prémio ao trabalho de António Aresta, considerando tratar-se de “uma narrativa consequente sobre a visita histórica do grande poeta a Macau, com passagem por Cantão e Hong Kong”.

Universidades apoiam e investem no jornalismo de investigação Ver galeria

A sociedade necessita de um jornalismo de investigação que fica caro, e esta necessidade “chega num momento de grande tensão financeira para uma indústria maciçamente perturbada pelas novas tecnologias e alterações económicas”.

“Acreditamos que este tipo de jornalismo, em defesa do povo americano, é mais importante do que nunca na presente cacofonia de informação confusa, contraditória e enganadora, já para não falar de cepticismo  - ou por vezes rejeição absoluta -  dos factos.”

Esta reflexão é assinada por Christopher Callahan e Leonard Downie Jr., docentes na Universidade Estatal do Arizona, sobre a criação de dois centros de ensino de jornalismo de investigação, um na Universidade referida, outro na de Maryland. Tendo em conta a “proliferação de centros de reportagem de investigação independentes, sem objectivo de lucro, em grande parte financiados por [mecenato] filantrópico”, as universidades “estão prontas a assumir funções de liderança neste novo ecossistema de jornalismo de investigação”  - afirmam no seu texto.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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Opinião
Como está o papel?
Manuel Falcão
Durante muitos anos a imprensa – jornais e revistas – captava a segunda maior fatia do investimento publicitário, logo a seguir à televisão, que sensivelmente fica com metade do total do bolo publicitário. Mas desde o princípio desta década a queda do investimento em imprensa foi sempre aumentando e, agora, desceu para a quinta posição, atrás, por esta ordem, da TV, digital, outdoor e rádio. Ao ritmo a que...

Na edição de 15 de Setembro o Expresso inseria como manchete, ao alto da primeira página, o seguinte titulo: “Acordo à vista para manter a PGR”. Como se viu, o semanário, habitualmente tido por bem informado, falhou redondamente.

Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

Trump contra o jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
Numa iniciativa inédita, mais de 300 órgãos de comunicação dos EUA manifestaram na quinta-feira repúdio contra os violentos ataques de Trump ao jornalismo.  Como jornalista com muitos anos de profissão, tenho pena de reconhecer que a qualidade do produto jornalístico baixou ao longo das últimas décadas. Mas importa perceber porquê. No século XIX o jornalismo resumia-se a… jornais impressos....
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
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