null, 26 de Maio, 2019
Estudo

Aumentam assinaturas pagas de meios digitais com algumas surpresas...

As assinaturas pagas são a “tábua de salvação” dos jornais digitais, mas cobrar pelas notícias, neste terreno, é uma estratégia difícil de implementar. Muitos meios de comunicação hesitam em dar este passo, pelo receio de perderem leitores. No entanto, dezenas de outros tiveram êxito, seguindo estratégias diferentes e, também, com diversos graus de sucesso. A FIPP  - Federação Internacional da Imprensa Periódica -  editou recentemente o seu primeiro Global Digital Subscription Snapshot, que permite consultar a tabela com os principais meios online, comparar os seus números de assinantes e preços cobrados e, assim, obter ideias úteis para os que procuram chegar ao desejado equilíbrio financeiro sem terem de perder público.

O trabalho foi realizado sobre um universo de dez milhões de assinaturas e, numa avaliação sumária, o texto de apresentação, no site da FIPP, declara que “o êxito dos conteúdos pagos exige investimento, uma aplicação inteligente dos dados analisados, boa compreensão do mercado local e alavancagem da ligação emocional à marca”. 

Não há surpresas quanto ao primeiro lugar: The New York Times é o jornal com mais assinaturas pagas na sua edição digital, chegando aos 2,8 milhões, que pagam cerca de 8,66 dólares mensais para acederem às suas notícias. 

Vêm a seguir The Wall Street Journal, com quase 1,39 milhões, pagando 36,99 dólares por mês,  e The Washington Post, com um milhão de assinantes, a 10,83 dólares por mês. 

Em quarto lugar aparece o britânico Financial Times, com 720 mil assinantes, mas no segundo lugar de preço, com o equivalente a 36 dólares americanos; e em quinto o alemão Bild, com quase 390.500 assinantes, a 5,83 dólares americanos. 

Os outros cinco lugares deste Top Ten repartem-se entre mais três jornais britânicos, The Economist, The Guardian e The Times, o sueco Aftonbladet e o francês Le Monde, por esta ordem. Só os dois primeiros chegam ou passam acima do patamar dos 300 mil assinantes. 

Segundo Media-tics, que aqui citamos, “o primeiro diário ibero-americano é o brasileiro Folha de São Paulo, no 12º posto graças aos seus 150 mil assinantes, que pagam cerca de 12,80 dólares por mês. O argentino Clarín está no 18º posto, com 100 mil assinantes, à razão de 3,65 dólares por mês, e La Nación no 24º, com 82 mil e um custo de cerca de 4,92 dólares”. 

“A presença ibero-americana [nesta recolha dos primeiros 45] fecha com o espanhol elDiario.es, no 40º posto. Passa acima dos 20.500 assinantes, que pagam cerca de 5,85 dólares mensais. Este diário digital é gratuito, mas o pagamento permite omitir a publicidade e aceder a vantagens para os ‘sócios’  - como chama aos seus assinantes.” (...) 

O artigo citado, em Media-tics, e a notícia no site da FIPP, cujas imagens aqui incluimos. 
O relatório em PDF

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
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14
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