Terça-feira, 21 de Agosto, 2018
Estudo

Aumentam assinaturas pagas de meios digitais com algumas surpresas...

As assinaturas pagas são a “tábua de salvação” dos jornais digitais, mas cobrar pelas notícias, neste terreno, é uma estratégia difícil de implementar. Muitos meios de comunicação hesitam em dar este passo, pelo receio de perderem leitores. No entanto, dezenas de outros tiveram êxito, seguindo estratégias diferentes e, também, com diversos graus de sucesso. A FIPP  - Federação Internacional da Imprensa Periódica -  editou recentemente o seu primeiro Global Digital Subscription Snapshot, que permite consultar a tabela com os principais meios online, comparar os seus números de assinantes e preços cobrados e, assim, obter ideias úteis para os que procuram chegar ao desejado equilíbrio financeiro sem terem de perder público.

O trabalho foi realizado sobre um universo de dez milhões de assinaturas e, numa avaliação sumária, o texto de apresentação, no site da FIPP, declara que “o êxito dos conteúdos pagos exige investimento, uma aplicação inteligente dos dados analisados, boa compreensão do mercado local e alavancagem da ligação emocional à marca”. 

Não há surpresas quanto ao primeiro lugar: The New York Times é o jornal com mais assinaturas pagas na sua edição digital, chegando aos 2,8 milhões, que pagam cerca de 8,66 dólares mensais para acederem às suas notícias. 

Vêm a seguir The Wall Street Journal, com quase 1,39 milhões, pagando 36,99 dólares por mês,  e The Washington Post, com um milhão de assinantes, a 10,83 dólares por mês. 

Em quarto lugar aparece o britânico Financial Times, com 720 mil assinantes, mas no segundo lugar de preço, com o equivalente a 36 dólares americanos; e em quinto o alemão Bild, com quase 390.500 assinantes, a 5,83 dólares americanos. 

Os outros cinco lugares deste Top Ten repartem-se entre mais três jornais britânicos, The Economist, The Guardian e The Times, o sueco Aftonbladet e o francês Le Monde, por esta ordem. Só os dois primeiros chegam ou passam acima do patamar dos 300 mil assinantes. 

Segundo Media-tics, que aqui citamos, “o primeiro diário ibero-americano é o brasileiro Folha de São Paulo, no 12º posto graças aos seus 150 mil assinantes, que pagam cerca de 12,80 dólares por mês. O argentino Clarín está no 18º posto, com 100 mil assinantes, à razão de 3,65 dólares por mês, e La Nación no 24º, com 82 mil e um custo de cerca de 4,92 dólares”. 

“A presença ibero-americana [nesta recolha dos primeiros 45] fecha com o espanhol elDiario.es, no 40º posto. Passa acima dos 20.500 assinantes, que pagam cerca de 5,85 dólares mensais. Este diário digital é gratuito, mas o pagamento permite omitir a publicidade e aceder a vantagens para os ‘sócios’  - como chama aos seus assinantes.” (...) 

O artigo citado, em Media-tics, e a notícia no site da FIPP, cujas imagens aqui incluimos. 
O relatório em PDF

Connosco
A crise de identidade nos jornais de prestígio e a “anarquia digital” Ver galeria

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“O marco da anarquia digital é 1996, ninguém previu o novo ciclo e ele se inicia para implantar o caos e desorganizar a segurança conservadora, principalmente dos grandes grupos de comunicação.”

A reflexão é do jornalista Luís Sérgio Santos, docente de Desenho Editorial na Universidade Federal do Ceará, e o seu texto multiplica termos como “ameaça”, “abismo”, “conflito”, “incerteza”. Mas trata-se apenas de uma abordagem à “crise de identidade dos jornais de prestígio”  - título que escolheu para este artigo, publicado no Observatório da Imprensa do Brasil.

O perigo de instrumentalizar a Rede para uma "guerra digital" Ver galeria

A relação entre os poderes instituídos e o novo poder das redes sociais passou por diversas fases. Houve um tempo em que alguns governos temeram a voz do povo na Internet, e fenómenos como as Primaveras Árabes, que derrubaram regimes instalados, levaram ao bloqueio destas plataformas. “Mas agora muitos governos descobriram que é mais útil intoxicar nas redes sociais do que proibi-las. E os trolls encarregam-se do resto.”

É esta a reflexão inicial do jornalista e empreendedor no meio digital Miguel Ossorio Vega, que faz uma síntese do ocorrido neste terreno nos últimos anos, chamando a atenção para o que considera serem os maiores perigos da ciberguerra em curso.

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