Quarta-feira, 24 de Abril, 2019
Media

Como captar audiência e ser fiel ao bom jornalismo

A crise que tem atingido os meios de comunicação, nos últimos anos, com a queda constante das receitas da publicidade e a dependência incerta da adesão dos leitores, tem conduzido editores e jornalistas a apostarem sobretudo nesta segunda direcção. Reatar relações de confiança e construir “audiências leais em torno de um jornalismo de qualidade”, parece ser o único caminho sólido, mesmo que não seja fácil. Os fundamentos da próxima geração de modelos sustentáveis de receita para os media “serão contribuições directas da sua audiência, apoiados por altos níveis de compromisso dos leitores”.

Portanto, uma espécie de “contrato social”, pelo lado do meio de comunicação e dos seus jornalistas, e uma espécie de “conversão pessoal”, pelo lado dos leitores. É esta a linha desenvolvida por um recente estudo do Tow Center for Digital Journalism, da Universidade de Columbia, nos EUA, aqui comentado em artigo publicado na 36ª edição de Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

Segundo o autor do texto que citamos, a mudança brusca no modelo de negócio tradicional colheu muitos media de surpresa, deixando-os em dificuldades para procederem a esta reorientação de sentido: “conseguir que os leitores, os utentes, paguem pelos produtos e serviços de informação que lhes oferecem, principalmente no meio digital”. 

O documento produzido pelo Tow Center for Digital Journalism é precisamente um guia teórico e prático para aconselhamento dos media neste processo de conseguirem “estabelecer uma relação sólida e estreita com as suas audiências”. 

Publicado em Fevereiro de 2018, e redigido pelas investigadoras Elizabeth Hansen e Emily Goligoski, este Guide to Audience Revenue and Engagement  parte de centenas de conversas e entrevistas com jornalistas, editores e sócios de meios de comunicação muito diferentes, mas todos envolvidos nesta experiência de procurar as novas fontes de receita apostando numa maior participação da audiência. 

Há três modelos possíveis de fazer esta recolha: 

A doação, ou contribuição directa, em que se pede à audiência “que dedique tempo ou dinheiro para apoiar uma causa ou valores comuns representados pelo meio de comunicação” envolvido. 

A assinatura, pela qual “o utente paga para ter acesso ao produto ou serviço informativo oferecido pelo meio”. 

E a ‘membrasia’, pela qual se convida a audiência a “dar o seu tempo, dinheiro, contactos, experiência profissional e distribuição pelas suas redes, ou ideias, para apoiar uma causa em que crêem”. Implica um outro nível de compromisso entre os membros dessa audiência, tornados ‘sócios’ ou ‘membros’, e o meio de comunicação. 

Um dos casos exemplares de ‘membrasia’, de que temos falado neste site, é o do jornal holandês De Correspondent, e do Membership Puzzle Project, criado por Jay Rosen, da Universidade de Nova Iorque, que mantém uma base de dados com exemplos de meios de comunicação de todo o mundo que seguiram este caminho. 

Um ponto muito curioso, entre as nove conclusões do estudo, é o seu ponto 7., que trata de uma pesquisa sobre o utente, para “compreender em profundidade as necessidades, preferências e hábitos diários da audiência”. O seu desenvolvimento passa pelos degraus de expor os conteúdos e atrair os seus desejados utentes, contactar e aprofundar a proximidade com eles, convertê-los em ‘membros’ ou assinantes, e depois manter essa relação por meio de estratégias efectivas de envolvimento [engagement, no original]. 

A última conclusão refere-se à necessária “mudança da cultura da redacção”. Também esta é chamada a uma “conversão”, neste caso impulsionada pela audiência, e especialmente pelos ‘sócios’ [previamente convertidos a esta condição]. No fundo, chegar a um “compromisso bi-direccional entre o meio e a sua audiência”  - que pode gerar algum incómodo entre jornalistas que “esperam uma fronteira clara entre a equipa da redacção e [o público]”. 

Mas, segundo as autoras do estudo, esta “mudança de cultura é possível”.

 

O artigo citado, de Ismael Nafría, jornalista perito em meios digitais, em Cuadernos de Periodistas.
O Guide to Audience Revenue and Engagement

Connosco
Os sete elementos decisivos para os leitores confiarem nos Media Ver galeria

Sete elementos fundamentais foram identificados como decisivos na confiança que os leitores depositam num meio de comunicação  - e os três primeiros, votados a grande distância de todos os outros, são o equilíbrio, a honestidade e a profundidade de tratamento dos temas.

Esta recolha foi elaborada a partir de um inquérito realizado por vários media associados à TrustingNews.org, na forma de 81 entrevistas pessoais com leitores escolhidos como representantes de diversos pontos de vista.

Rob Jones, um estudante na Escola de Jornalismo do Missouri, pesquisou os temas mais presentes em todas as respostas e organizou-os no estudo agora divulgado pelo Instituto Reynolds de Jornalismo. A informação é publicada na Red Ética, da FNPI – Fundación para el Nuevo Periodismo Iberoamericano.
Quando o jornalismo procura o passado para ler o futuro Ver galeria

O futuro que foi imaginado pela literatura do passado nem sempre coincide com o que vemos hoje. Tanto pelo seu lado mais luminoso, como pelo mais sombrio, podemos reencontrar “imagens das histórias utópicas ou distópicas já contadas”.
Mas, “em tempos de esperança reduzida, em que pouco se vê além da poeira levantada pela vida agitada deste momento, as distopias têm voltado a ser mais lembradas”.

É esta a reflexão inicial de Vanessa Pedro, docente de jornalismo e pesquisadora do ObjEthos, num artigo sobre este gosto presente pelos zombies, “as histórias dos mortos-vivos, que nem se vão nos deixando em paz e nem voltam mesmo à vida como um milagre que poderia trazer esperanças de renovação”.

Neste tipo de leitura  - como acrescenta -  “o passado acaba sendo um ideal mais interessante e feliz do que o futuro”:

“E aí vemos diversos agendamentos, inclusive como pauta do Jornalismo e da sociedade de forma geral. O período da ditadura militar brasileira passa a ser idolatrado, defendido e desejado, quase festejado. (...)  Até as décadas que antecedem e sucedem a Segunda Guerra Mundial entraram na disputa, têm sido citadas, defendidas, atacadas, recontadas para serem usadas como narrativas de um mundo ideal, ou ideal para ser repelido.” (...)

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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