Segunda-feira, 22 de Outubro, 2018
Media

Como captar audiência e ser fiel ao bom jornalismo

A crise que tem atingido os meios de comunicação, nos últimos anos, com a queda constante das receitas da publicidade e a dependência incerta da adesão dos leitores, tem conduzido editores e jornalistas a apostarem sobretudo nesta segunda direcção. Reatar relações de confiança e construir “audiências leais em torno de um jornalismo de qualidade”, parece ser o único caminho sólido, mesmo que não seja fácil. Os fundamentos da próxima geração de modelos sustentáveis de receita para os media “serão contribuições directas da sua audiência, apoiados por altos níveis de compromisso dos leitores”.

Portanto, uma espécie de “contrato social”, pelo lado do meio de comunicação e dos seus jornalistas, e uma espécie de “conversão pessoal”, pelo lado dos leitores. É esta a linha desenvolvida por um recente estudo do Tow Center for Digital Journalism, da Universidade de Columbia, nos EUA, aqui comentado em artigo publicado na 36ª edição de Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

Segundo o autor do texto que citamos, a mudança brusca no modelo de negócio tradicional colheu muitos media de surpresa, deixando-os em dificuldades para procederem a esta reorientação de sentido: “conseguir que os leitores, os utentes, paguem pelos produtos e serviços de informação que lhes oferecem, principalmente no meio digital”. 

O documento produzido pelo Tow Center for Digital Journalism é precisamente um guia teórico e prático para aconselhamento dos media neste processo de conseguirem “estabelecer uma relação sólida e estreita com as suas audiências”. 

Publicado em Fevereiro de 2018, e redigido pelas investigadoras Elizabeth Hansen e Emily Goligoski, este Guide to Audience Revenue and Engagement  parte de centenas de conversas e entrevistas com jornalistas, editores e sócios de meios de comunicação muito diferentes, mas todos envolvidos nesta experiência de procurar as novas fontes de receita apostando numa maior participação da audiência. 

Há três modelos possíveis de fazer esta recolha: 

A doação, ou contribuição directa, em que se pede à audiência “que dedique tempo ou dinheiro para apoiar uma causa ou valores comuns representados pelo meio de comunicação” envolvido. 

A assinatura, pela qual “o utente paga para ter acesso ao produto ou serviço informativo oferecido pelo meio”. 

E a ‘membrasia’, pela qual se convida a audiência a “dar o seu tempo, dinheiro, contactos, experiência profissional e distribuição pelas suas redes, ou ideias, para apoiar uma causa em que crêem”. Implica um outro nível de compromisso entre os membros dessa audiência, tornados ‘sócios’ ou ‘membros’, e o meio de comunicação. 

Um dos casos exemplares de ‘membrasia’, de que temos falado neste site, é o do jornal holandês De Correspondent, e do Membership Puzzle Project, criado por Jay Rosen, da Universidade de Nova Iorque, que mantém uma base de dados com exemplos de meios de comunicação de todo o mundo que seguiram este caminho. 

Um ponto muito curioso, entre as nove conclusões do estudo, é o seu ponto 7., que trata de uma pesquisa sobre o utente, para “compreender em profundidade as necessidades, preferências e hábitos diários da audiência”. O seu desenvolvimento passa pelos degraus de expor os conteúdos e atrair os seus desejados utentes, contactar e aprofundar a proximidade com eles, convertê-los em ‘membros’ ou assinantes, e depois manter essa relação por meio de estratégias efectivas de envolvimento [engagement, no original]. 

A última conclusão refere-se à necessária “mudança da cultura da redacção”. Também esta é chamada a uma “conversão”, neste caso impulsionada pela audiência, e especialmente pelos ‘sócios’ [previamente convertidos a esta condição]. No fundo, chegar a um “compromisso bi-direccional entre o meio e a sua audiência”  - que pode gerar algum incómodo entre jornalistas que “esperam uma fronteira clara entre a equipa da redacção e [o público]”. 

Mas, segundo as autoras do estudo, esta “mudança de cultura é possível”.

 

O artigo citado, de Ismael Nafría, jornalista perito em meios digitais, em Cuadernos de Periodistas.
O Guide to Audience Revenue and Engagement

Connosco
Jornalista e historiador de Macau vencem Prémio de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia Ver galeria

O Júri dos Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia, instituídos pelo Jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, escolheu, por unanimidade, na primeira categoria, o trabalho "Ler sem limites", da jornalista Catarina Brites Soares, publicado no semanário Plataforma, em Macau.

Na categoria Ensaio, atribuída este ano pela primeira vez, foi distinguido o original do historiador António Aresta, de Macau, intitulado "Miguel Torga: um poeta português em Macau".

Editorial de Khashoggi defende liberdade de expressão no mundo árabe Ver galeria

O mundo árabe “encheu-se de esperança durante a Primavera de 2011; jornalistas, académicos e a população estavam cheios de entusiasmo por uma sociedade árabe livre nos seus países”, mas as expectativas foram frustradas e “estas sociedades voltaram ao antigo status quo, ou tiveram que enfrentar condições ainda mais duras do que tinham antes”.

É esta a reflexão do último editorial de Jamal Khashoggi, o jornalista saudita interrogado e morto no consulado do seu país em Istambul, segundo apontam cada vez mais as informações que vão chegando. A editora de opinião do jornal The Washington Post, do qual era colaborador regular há um ano, conta que recebeu o texto do seu tradutor e ajudante, um dia depois do desaparecimento. Foi decidido adiar a publicação, na esperança de que ele voltasse e a edição final fosse feita por ambos. Segundo Karen Attiah, o texto “capta na perfeição a sua dedicação e paixão pela liberdade no mundo árabe, uma liberdade pela qual, aparentemente, deu a sua vida”.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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Na edição de 15 de Setembro o Expresso inseria como manchete, ao alto da primeira página, o seguinte titulo: “Acordo à vista para manter a PGR”. Como se viu, o semanário, habitualmente tido por bem informado, falhou redondamente.

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Trump contra o jornalismo
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