Sexta-feira, 22 de Fevereiro, 2019
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Ensinar os Media a "tomarem o pulso" aos seus leitores

Quando se trata da relação entre os media e a sua audiência, há uma pergunta que pode passar esquecida: o que é que o leitor, ouvinte ou espectador, precisa realmente de saber? Há programas para treinarem os jornalistas na pesquisa do que os utentes querem saber, mas não tanto sobre o que precisam. Informação sobre o tempo ou o tráfego é sempre útil, e reflexões de fundo sobre temas da comunidade podem ser úteis, mas Sarah Alvarez, uma advogada de formação, interessada por causas de direitos cívicos, e agora a trabalhar numa rádio pública, procurava o terreno intermédio onde os meios de comunicação podem encontrar a sua utilidade e vocação. Foi daqui que chegou ao projecto Pulse  - que procura, literalmente, “tomar o pulso” a uma comunidade e identificar o que lhe falta.

Sarah começou pela diferença entre as necessidades e as lacunas [gaps, no original] de informação. Como explica, “uma necessidade de informação é apenas isso, qualquer coisa que se deseja saber, mas só  se torna uma lacuna se não se consegue encontrar a informação”. 

Sarah Alvarez e Andrew Haeg, o fundador da ferramenta de envolvimento via SMS denominada GroundSource, que se tornou seu colaborador no projecto, adaptaram às redacções dos meios de comunicação um formato de inquérito criado na Google para antecipar as necessidades dos utentes. O método foi testado em vários media, baseando-se na formação de grupos representativos das suas comunidades, e compostos por pessoas disponíveis para participarem, às quais eram enviadas três vezes por dia perguntas como: 

O que precisa de saber, ou compreender melhor, neste preciso momento? Tem conseguido encontrar esta informação? (respostas possíveis  - Sim / Não / Não estou satisfeito com o que encontrei). Esta informação podia, ou conseguiu, ajudá-lo a  - Tomar uma decisão? / Responder a uma pergunta? / Esclarecer alguma coisa? / Mais do que uma destas respostas? 

Numa escala de 1 a 3, qual era a sua necessidade desta informação? (1 – Precisava muito, 2 – Teria ajudado, 3 – Só tinha curiosidade). 

No final de cada dia, havia mais as seguintes perguntas: 

Conseguiu a informação que procurava a partir de meios noticiosos que utiliza? (respostas possíveis  - Não consegui procurar ou perguntar / Procurei ou perguntei, mas não tive resposta / Sim). 

Se tivesse um jornalista pessoal, a trabalhar para si, o que lhe interessava que ele pesquisasse? 

Sarah experimentou o projecto no website Chalkbeat Detroit, sobre temas de educação, e ela e Andrew levaram-no também à rádio pública californiana KQED, para pesquisar as necessidades de informação dos residentes em San Jose. 

A experiência revelou-se surpreendente, tanto pela disponibilidade das pessoas em participarem como pelo tipo de informação que assinalaram como desejando receber mais  - por exemplo, sobre a situação dos sem-abrigo nas suas comunidades. 

Tonya Mosley, que dirige a delegação da KQED no Silicon Valley, disse que, “como editora reflectindo sobre isto, por vezes há coisas que pomos de lado para nos focarmos sobre uma história que tenha apelo junto da nossa audiência mais ampla, e não tão centrada sobre a comunidade local”: 

“Mas as pessoas estão interessadas nestas histórias centradas na comunidade, porque são aplicáveis à sociedade no seu todo. Isto abriu-me os olhos.” (...) 

Tanto Sarah como Andrew estão a tentar levar os meios noticiosos a pensarem de modo um pouco diferente sobre a informação  - não necessariamente o conteúdo -  que fornecem. 

“Temos esta questão incómoda de saber por que motivo isto não tem mais prioridade nas redacções, e é o modo como temos tradicionalmente feito as coisas”  - disse Andrew Haeg. “Realmente nunca considerámos prioritário sair mesmo e ir ver quais são as necessidades de informação das pessoas.”

 

O artigo citado, na íntegra, no NiemanLab, cuja imagem também incluimos

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“Esperamos respostas tão breve quanto possível, porque ainda há muitas questões”  - afirmou.
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Um fotojornalista português, Mário Cruz, da Agência Lusa, figura entre os nomeados para o World Press Photo 2019, o mais prestigiado prémio de fotojornalismo do mundo, cuja identidade e trabalhos a concurso foram agora conhecidos. A Fundação organizadora introduziu também uma nova categoria a ser premiada, a História do Ano, destinada a “fotógrafos cuja criatividade e habilidades visuais produziram uma história com excelente edição e sequenciamento, que captura ou representa um evento ou assunto de grande importância jornalística”.

A imagem de Mário Cruz, intitulada “Viver entre o que foi deixado para trás”, mostra uma criança recolhendo material reciclável, deitada num colchão cercado por lixo, enquanto flutua no rio Pasig, em Manila, nas Filipinas.

Os vencedores do concurso serão conhecidos na cerimónia marcada para 11 de Abril, em Amesterdão, na Holanda.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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