null, 21 de Julho, 2019
Media

Perspectivas para o jornal impresso na próxima década

Os editores dos jornais impressos “carregam agora uma mochila de duas décadas de aventura digital, e estão a dois anos de chegar à barreira que o mundo tecnológico marcou como o necessário antes e depois  - 2020”. Muitos dos editores, “animados pela controvérsia das fake news”, admitem que o futuro ainda pode estar “cheio de oportunidades, mesmo para o papel”. A revista mensal Editor & Publisher reuniu um grupo de editores dos EUA para que, à luz do relatório publicado em 2017 por The New York Times, no qual explicava os seus próprios planos para 2020, estes dissessem agora de sua justiça. Os editores consultados não trazem uma proposta muito diferente, “mas o que contam é revelador”. É esta a reflexão inicial de um texto publicado em Media-tics, sobre a próxima década da Imprensa.

“Se há uma palavra que todos eles repetem, é ‘qualidade’. E uma das razões está no modelo de negócio que reune consenso como possível salvador desta indústria: as assinaturas pagas. Não estão a inventar a roda, porque toda a vida se pagou para ler jornais e só nas últimas duas décadas é que se divulgou de graça um produto que custa tanto a fazer.” 

“O êxito dos nossos jornais vai depender de como fizermos bem o nosso compromisso de proporcionar conteúdo ‘imprescindível’ aos nossos leitores”  - explica Mark Adams, o director executivo do Adams Publishing Group

“Também significa investir constantemente na nossa redacção e na tecnologia, de modo a que as pessoas estejam dispostas a pagar por conteúdo de alta qualidade, único, abundante e criador de hábitos”  - acrescenta. (...) 

“Entre as receitas para encarar com êxito a próxima década, os editores consultados, para além da qualidade, citam conceitos como a aposta na tecnologia, sem deixar de lado o negócio em papel, a melhoria do tratamento multi-plataforma dos conteúdos e a reafirmação do jornalismo local como ferramenta para criar envolvimento com os leitores.” (...) 

A má experiência tida com as redes sociais, que trazem no mesmo saco tanto os que fazem jornalismo como os que o torpedeiam com mentiras, leva agora os editores a preferirem outras formas de contacto directo com os leitores. 

“As newsletters são um formato que está no auge em quase todos os grandes editores, que o exploram pela facilidade do seu funcionamento e pelos resultados positivos que geralmente trazem. Chegar directamente à porta de entrada do correio electrónico dos leitores é o mais parecido com aparecer no seu mural de Facebook ou na sua timeline do Twitter, com a diferença de que, com uma newsletter, quem dispõe do utente e dos dados de navegação é o meio de comunicação.” (...) 

“Nesta demanda da emancipação dos media também se inclui reverter algumas das medidas tomadas durante a crise económica: é necessário recuperar as redacções, voltar a apostar em jornalistas bem formados, investir na produção de conteúdos de qualidade que façam a diferença e retomar o controlo de áreas de negócio que foram deixadas nas mãos de terceiros para poupar despesa.” 

“Algumas funções da nossa operação diária foram subcontratadas”  - reconhece Nadie McBride, presidente e editora do Norwich Bulletin. “Vejo nisto uma debilidade” – adverte. (...)

 

O artigo citado, na íntegra, em Media-tics,  e a notícia da Editor & Publisher, cuja imagem aqui incluimos.

Connosco
A formação académica do jornalismo profisional em debate Ver galeria

A FAPE – Federación de Asociaciones de Periodistas de España, que reune mais de 19 mil associados, declarou em Junho de 2019 que vai deixar de admitir nesta qualidade jornalistas que não estejam habilitados com um título académico de jornalismo, mesmo que estejam exercendo a profissão. O seu presidente, Nemesio Rodriguez, disse a eldiario.es  que o objectivo era “valorizar o título de jornalista e resolver o problema da intrusão”.

Uma consequência inesperada, entre várias críticas chegadas, foi a desvinculação, da sua pertença à FAPE, decidida pela AECC – Asociación Española de Comunicación Científica, cujos profissionais, especializados na comunicação científica, detêm maioritariamente outras licenciaturas. O seu presidente, Antonio Calvo, declarou que não fazia sentido “continuar a pertencer a uma associação onde não podem entrar metade dos nossos sócios”.

Este episódio reacendeu um debate que se alarga à própria vocação das associações de jornalistas. Sobre ambas as questões, e outras relacionadas, a  Red Ética da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano  organizou um tweet-debate marcado para 18 de Julho, de cujas conclusões daremos conta quando forem publicadas.

Apelo de investigadores contra "fake news" em divulgação científica Ver galeria

Será que a ciência é “distorcida” pelos media, por incapacidade de fazerem uma divulgação rigorosa, ou por qualquer outro motivo?
É para responder a este problema que o colectivo denominado NoFakeScience, composto por duas dezenas de cientistas e especialistas na divulgação de ciência, redigiu e publica no diário francês L’Opinion um texto que apela a um “trabalho de mãos dadas” entre jornalistas e cientistas. Juntaram-se a eles outros 230 grandes nomes da investigação, de todo o mundo, perfazendo assim um total de 250 signatários deste apelo.

“Nesta hora em que a desconfiança nos media e nas instituições chega ao extremo, apelamos a um questionamento profundo de toda a cadeia de informação, para que os temas de natureza científica possam ser restituídos a todos sem deformação sensacionalista nem ideológica, e para que a confiança possa ser, a longo prazo, restaurada entre os cientistas, os meios de comunicação e os cidadãos”  -  afirma o primeiro parágrafo do texto.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
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Agenda
01
Ago
Composição Fotográfica
09:00 @ Cenjor,Lisboa
21
Ago
Edinburgh TV Festival
09:00 @ Edinburgo, Escócia
27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigéria
04
Set
Infocomm China
09:00 @ Chengdu, Sichuan Province, China