Sábado, 17 de Novembro, 2018
Media

Perspectivas para o jornal impresso na próxima década

Os editores dos jornais impressos “carregam agora uma mochila de duas décadas de aventura digital, e estão a dois anos de chegar à barreira que o mundo tecnológico marcou como o necessário antes e depois  - 2020”. Muitos dos editores, “animados pela controvérsia das fake news”, admitem que o futuro ainda pode estar “cheio de oportunidades, mesmo para o papel”. A revista mensal Editor & Publisher reuniu um grupo de editores dos EUA para que, à luz do relatório publicado em 2017 por The New York Times, no qual explicava os seus próprios planos para 2020, estes dissessem agora de sua justiça. Os editores consultados não trazem uma proposta muito diferente, “mas o que contam é revelador”. É esta a reflexão inicial de um texto publicado em Media-tics, sobre a próxima década da Imprensa.

“Se há uma palavra que todos eles repetem, é ‘qualidade’. E uma das razões está no modelo de negócio que reune consenso como possível salvador desta indústria: as assinaturas pagas. Não estão a inventar a roda, porque toda a vida se pagou para ler jornais e só nas últimas duas décadas é que se divulgou de graça um produto que custa tanto a fazer.” 

“O êxito dos nossos jornais vai depender de como fizermos bem o nosso compromisso de proporcionar conteúdo ‘imprescindível’ aos nossos leitores”  - explica Mark Adams, o director executivo do Adams Publishing Group

“Também significa investir constantemente na nossa redacção e na tecnologia, de modo a que as pessoas estejam dispostas a pagar por conteúdo de alta qualidade, único, abundante e criador de hábitos”  - acrescenta. (...) 

“Entre as receitas para encarar com êxito a próxima década, os editores consultados, para além da qualidade, citam conceitos como a aposta na tecnologia, sem deixar de lado o negócio em papel, a melhoria do tratamento multi-plataforma dos conteúdos e a reafirmação do jornalismo local como ferramenta para criar envolvimento com os leitores.” (...) 

A má experiência tida com as redes sociais, que trazem no mesmo saco tanto os que fazem jornalismo como os que o torpedeiam com mentiras, leva agora os editores a preferirem outras formas de contacto directo com os leitores. 

“As newsletters são um formato que está no auge em quase todos os grandes editores, que o exploram pela facilidade do seu funcionamento e pelos resultados positivos que geralmente trazem. Chegar directamente à porta de entrada do correio electrónico dos leitores é o mais parecido com aparecer no seu mural de Facebook ou na sua timeline do Twitter, com a diferença de que, com uma newsletter, quem dispõe do utente e dos dados de navegação é o meio de comunicação.” (...) 

“Nesta demanda da emancipação dos media também se inclui reverter algumas das medidas tomadas durante a crise económica: é necessário recuperar as redacções, voltar a apostar em jornalistas bem formados, investir na produção de conteúdos de qualidade que façam a diferença e retomar o controlo de áreas de negócio que foram deixadas nas mãos de terceiros para poupar despesa.” 

“Algumas funções da nossa operação diária foram subcontratadas”  - reconhece Nadie McBride, presidente e editora do Norwich Bulletin. “Vejo nisto uma debilidade” – adverte. (...)

 

O artigo citado, na íntegra, em Media-tics,  e a notícia da Editor & Publisher, cuja imagem aqui incluimos.

Connosco
Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
O jornalismo estará a render-se à subjetividade, rainha e senhora de certas redes sociais. As ‘fake news’ e o futuro dos media foram dos temas mais falados na edição de 2018, da Web Summit. Usadas como arma de arremesso político e de intoxicação, as notícias falsas são uma praga. Invadem o espaço público, distorcem os factos, desviam a atenção, comprometem a reflexão. E pelo caminho...
As notícias falsas e a internet
Francisco Sarsfield Cabral
As redes sociais são, hoje, a principal fonte de informação, se não mesmo a única, para imensa gente. O combate às “fake news” tem que ser feito, não pela censura, mas pela consciencialização dos utilizadores da net. Jair Bolsonaro foi eleito presidente do Brasil graças à utilização maciça das redes sociais. A maioria dos jornais brasileiros de referência não o apoiou, o...
1.Segundo um estudo da Marktest sobre a utilização que os portugueses fazem das redes sociais 65.9% dos inquiridos referem o Facebook, 16.4% indicam o Instagram, 8.3% oWhatsApp, 4% o Youtube e 5.4% outras redes. O estudo sublinha que esta predominância do Facebook não é transversal a toda a população: “Entre os jovens utilizadores de redes sociais, os resultados de 2018 mostram uma inversão das redes visitadas com mais...
Há cerca de um ano, António Barreto  costumava assinar uma assertiva coluna de opinião no Diário de Noticias, entretanto desaparecida como outras, sem deixar rasto. Numa delas,  reconhecia ser “simplesmente desmoralizante. Ver e ouvir os serviços de notícias das três ou quatro estações de televisão” . E comentava, a propósito,  que  “a vulgaridade é sinal de verdade. A...
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