Quinta-feira, 4 de Junho, 2020
Media

Perspectivas para o jornal impresso na próxima década

Os editores dos jornais impressos “carregam agora uma mochila de duas décadas de aventura digital, e estão a dois anos de chegar à barreira que o mundo tecnológico marcou como o necessário antes e depois  - 2020”. Muitos dos editores, “animados pela controvérsia das fake news”, admitem que o futuro ainda pode estar “cheio de oportunidades, mesmo para o papel”. A revista mensal Editor & Publisher reuniu um grupo de editores dos EUA para que, à luz do relatório publicado em 2017 por The New York Times, no qual explicava os seus próprios planos para 2020, estes dissessem agora de sua justiça. Os editores consultados não trazem uma proposta muito diferente, “mas o que contam é revelador”. É esta a reflexão inicial de um texto publicado em Media-tics, sobre a próxima década da Imprensa.

“Se há uma palavra que todos eles repetem, é ‘qualidade’. E uma das razões está no modelo de negócio que reune consenso como possível salvador desta indústria: as assinaturas pagas. Não estão a inventar a roda, porque toda a vida se pagou para ler jornais e só nas últimas duas décadas é que se divulgou de graça um produto que custa tanto a fazer.” 

“O êxito dos nossos jornais vai depender de como fizermos bem o nosso compromisso de proporcionar conteúdo ‘imprescindível’ aos nossos leitores”  - explica Mark Adams, o director executivo do Adams Publishing Group

“Também significa investir constantemente na nossa redacção e na tecnologia, de modo a que as pessoas estejam dispostas a pagar por conteúdo de alta qualidade, único, abundante e criador de hábitos”  - acrescenta. (...) 

“Entre as receitas para encarar com êxito a próxima década, os editores consultados, para além da qualidade, citam conceitos como a aposta na tecnologia, sem deixar de lado o negócio em papel, a melhoria do tratamento multi-plataforma dos conteúdos e a reafirmação do jornalismo local como ferramenta para criar envolvimento com os leitores.” (...) 

A má experiência tida com as redes sociais, que trazem no mesmo saco tanto os que fazem jornalismo como os que o torpedeiam com mentiras, leva agora os editores a preferirem outras formas de contacto directo com os leitores. 

“As newsletters são um formato que está no auge em quase todos os grandes editores, que o exploram pela facilidade do seu funcionamento e pelos resultados positivos que geralmente trazem. Chegar directamente à porta de entrada do correio electrónico dos leitores é o mais parecido com aparecer no seu mural de Facebook ou na sua timeline do Twitter, com a diferença de que, com uma newsletter, quem dispõe do utente e dos dados de navegação é o meio de comunicação.” (...) 

“Nesta demanda da emancipação dos media também se inclui reverter algumas das medidas tomadas durante a crise económica: é necessário recuperar as redacções, voltar a apostar em jornalistas bem formados, investir na produção de conteúdos de qualidade que façam a diferença e retomar o controlo de áreas de negócio que foram deixadas nas mãos de terceiros para poupar despesa.” 

“Algumas funções da nossa operação diária foram subcontratadas”  - reconhece Nadie McBride, presidente e editora do Norwich Bulletin. “Vejo nisto uma debilidade” – adverte. (...)

 

O artigo citado, na íntegra, em Media-tics,  e a notícia da Editor & Publisher, cuja imagem aqui incluimos.

Connosco
O paradoxo no Brasil entre a ética jornalística e a ética empresarial Ver galeria

Os jornalistas brasileiros estão a ser confrontados com novos obstáculos, impostos à profissão pela Covid-19. É o caso teletrabalho,  que veio alterar, profundamente, o “modus operandi” das redacções e da investigação jornalística. 

Há, contudo, outras questões, ainda mais preocupantes, a serem discutidas por estes profissionais, como é o caso da ética jornalística, reiterou Silvia Meirelles Leite num artigo publicado na revista “objETHOS” e reproduzido no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

De acordo com a autora, enquanto os jornalistas continuam a desempenhar as suas funções e a manter a população informada, as empresas detentoras dos “media” têm de garantir apoios financeiros.

Isto leva a que, não raramente, a televisão pública seja obrigada a suprimir certas peças jornalísticas. Caso contrário, este serviço deixaria de receber financiamento governamental.

A cobertura do coronavírus reforçou a credibilidade jornalística Ver galeria

A pandemia de Covid-19 afectou praticamente todos os sectores da sociedade e influenciou a vida dos cidadãos, um pouco por todo o mundo.

Assim, os jornalistas têm vindo a assumir um papel essencial, mantendo a  população informada sobre os impactos da doença, bem como sobre as suas mutações.

Desta forma, os “media” tradicionais voltaram a merecer a atenção e “lealdade” do público, que deixou de informar-se através das redes sociais que são, tendencialmente, uma plataforma de desinformação,

considerou o jornalista Michel Ribeiro num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Perante a actual crise sanitária, recorda o autor, o jornalismo televisivo conquistou uma audiência significativa e os jornais “online” registaram um tráfego sem precedentes. Da mesma forma, mais consumidores decidiram assinar fontes de informação fidedignas e ouvir rádio para se manterem informados.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas