Quarta-feira, 19 de Setembro, 2018
Media

Perspectivas para o jornal impresso na próxima década

Os editores dos jornais impressos “carregam agora uma mochila de duas décadas de aventura digital, e estão a dois anos de chegar à barreira que o mundo tecnológico marcou como o necessário antes e depois  - 2020”. Muitos dos editores, “animados pela controvérsia das fake news”, admitem que o futuro ainda pode estar “cheio de oportunidades, mesmo para o papel”. A revista mensal Editor & Publisher reuniu um grupo de editores dos EUA para que, à luz do relatório publicado em 2017 por The New York Times, no qual explicava os seus próprios planos para 2020, estes dissessem agora de sua justiça. Os editores consultados não trazem uma proposta muito diferente, “mas o que contam é revelador”. É esta a reflexão inicial de um texto publicado em Media-tics, sobre a próxima década da Imprensa.

“Se há uma palavra que todos eles repetem, é ‘qualidade’. E uma das razões está no modelo de negócio que reune consenso como possível salvador desta indústria: as assinaturas pagas. Não estão a inventar a roda, porque toda a vida se pagou para ler jornais e só nas últimas duas décadas é que se divulgou de graça um produto que custa tanto a fazer.” 

“O êxito dos nossos jornais vai depender de como fizermos bem o nosso compromisso de proporcionar conteúdo ‘imprescindível’ aos nossos leitores”  - explica Mark Adams, o director executivo do Adams Publishing Group

“Também significa investir constantemente na nossa redacção e na tecnologia, de modo a que as pessoas estejam dispostas a pagar por conteúdo de alta qualidade, único, abundante e criador de hábitos”  - acrescenta. (...) 

“Entre as receitas para encarar com êxito a próxima década, os editores consultados, para além da qualidade, citam conceitos como a aposta na tecnologia, sem deixar de lado o negócio em papel, a melhoria do tratamento multi-plataforma dos conteúdos e a reafirmação do jornalismo local como ferramenta para criar envolvimento com os leitores.” (...) 

A má experiência tida com as redes sociais, que trazem no mesmo saco tanto os que fazem jornalismo como os que o torpedeiam com mentiras, leva agora os editores a preferirem outras formas de contacto directo com os leitores. 

“As newsletters são um formato que está no auge em quase todos os grandes editores, que o exploram pela facilidade do seu funcionamento e pelos resultados positivos que geralmente trazem. Chegar directamente à porta de entrada do correio electrónico dos leitores é o mais parecido com aparecer no seu mural de Facebook ou na sua timeline do Twitter, com a diferença de que, com uma newsletter, quem dispõe do utente e dos dados de navegação é o meio de comunicação.” (...) 

“Nesta demanda da emancipação dos media também se inclui reverter algumas das medidas tomadas durante a crise económica: é necessário recuperar as redacções, voltar a apostar em jornalistas bem formados, investir na produção de conteúdos de qualidade que façam a diferença e retomar o controlo de áreas de negócio que foram deixadas nas mãos de terceiros para poupar despesa.” 

“Algumas funções da nossa operação diária foram subcontratadas”  - reconhece Nadie McBride, presidente e editora do Norwich Bulletin. “Vejo nisto uma debilidade” – adverte. (...)

 

O artigo citado, na íntegra, em Media-tics,  e a notícia da Editor & Publisher, cuja imagem aqui incluimos.

Connosco
Plataformas tecnológicas estão a sentar-se no coração do jornalismo Ver galeria

Na relação difícil que se tem desenvolvido, nestes últimos anos, entre as plataformas tecnológicas e os publishers dos media, a iniciativa foi sempre das primeiras e a intimidade nunca foi tanta como agora, com as plataformas “a tomarem mais decisões deliberadas que afectam o jornalismo e a colocação e distribuição das notícias”. Embora já haja editores a praticarem um “desacoplamento consciente” da sua dependência das plataformas, do lado destas vem um movimento muito claro de se envolverem cada vez mais no “apoio financeiro directo a determinados tipos de jornalismo”. Isto significa que plataformas “movidas pelo lucro” estão a “sentar-se desconfortavelmente no coração do jornalismo e das notícias”.

É esta a reflexão inicial de Emily Bell, directora do Tow Center for Digital Journalism  - que esteve em Lisboa, na cimeira da Global Editors Network -  no texto de apresentação de um relatório sobre o estado das relações entre publishers e plataformas.

Empresas de Media alimentam monstros que as fazem passar fome... Ver galeria

Tanto a Google como o Facebook têm estado a enviar dinheiro para apoio a projectos jornalísticos. Só nestes últimos três anos, as duas empresas juntas já destinaram mais de 500 milhões de dólares a vários programas ou parcerias com os media. Estas mega plataformas contam-se agora entre as maiores financiadoras do jornalismo. A ironia é que foi o desmantelamento da publicidade tradicional, em grande parte cometido por elas, que deixou as empresas jornalísticas neste sufoco de necessidade. O resultado é uma aliança disfuncional. Mesmo os que recebem estes apoios acham que as doações são “dinheiro culpado”, enquanto as gigantes tecnológicas procuram melhorar a imagem e conquistar amigos numa comunidade jornalística que  - sobretudo agora -  parece abertamente hostil.

O Clube

Lançado em Novembro de 2015, este site do Clube Português de Imprensa tem desenvolvido, desde então, um trabalho de acompanhamento das tendências dominantes, quer no mercado de Imprensa, quer nos media audiovisuais em geral e na Internet em particular.

Interessa-nos, também, debater o jornalismo e o modo como é exercido, em Portugal e fora de fronteiras,  cumprindo um objectivo que está na génese desta Associação.


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