Sábado, 17 de Agosto, 2019
Mundo

Directiva sobre Direitos de Autor chumbada no Parlamento Europeu

O plenário do Parlamento Europeu chumbou o projecto da nova Directiva sobre os Direitos de Autor no Mercado Único Digital, que tinha passado a 20 de Junho, em votação renhida, no Comité para os Assuntos Legais (JURI). Desta vez, com um resultado final de 318 votos contra, 278 a favor e 31 abstenções, o documento terá de ser revisto e novamente discutido pelos eurodeputados. O ministro austríaco dos Assuntos Europeus, Gernot Blumel, disse ao Expresso que espera “um voto positivo do Parlamento Europeu em Setembro”. A Áustria assume, neste momento, a presidência rotativa da União Europeia.

A directiva criou polémica sobretudo por causa de dois artigos: o 11.º e o 13.º 

“Segundo o primeiro, a partilha de hiperligações em sites, plataformas ou até mesmo em redes sociais, torna-se mais difícil. O objectivo é tentar proteger os meios de comunicação da partilha dos seus conteúdos por outros, o que faria com que o utilizador pudesse ter acesso aos artigos do jornal, televisões ou rádios, apenas nos sites próprios, aumentando o tráfego directo.” 

“No entanto, os opositores afirmam que esta nova medida vai diminuir a exposição das publicações. Um grupo de 169 académicos chegou mesmo a escrever uma carta aberta a criticar a impossibilidade de partilha das notícias nas plataformas e redes sociais.” 

“Já o artigo 13.º – o que poderá pôr em causa a continuidade dos memes – pretende responsabilizar as plataformas pela divulgação dos conteúdos com direitos de autor. (...) Mas agora a questão torna-se mais abrangente: paródias musicais, vídeos de videojogos e outros conteúdos que utilizem qualquer imagem, música ou vídeo protegido pelos direitos de autor, vão deixar de poder ser publicados. A ser aprovada, esta medida traz mais impedimentos burocráticos para as startups do que para as grandes plataformas.” (...) 

Segundo Media-tics, “a Internet, tal como a conhecemos, está salva  - pelo menos por agora”: 

“A polémica em torno da legislação levou Tim Berners-Lee, o criador da WorldWideWeb, a aliar-se a empresas como a Google e a plataformas como a Wikipedia para protestar contra uma medida que chegaram a classificar como ‘uma ameaça contra a Internet’.” 

“De facto, a Wikipedia passou dois dias a impedir a consulta dos seus conteúdos em sinal de protesto, passando no lugar deles uma mensagem em que apelava aos utentes para enviarem e-mails aos eurodeputados, explicando-lhes por que motivo, em seu entender, a nova legislação implica tal ameaça.”

 

 

Connosco
História de um editor espanhol de sucesso em tempo de crise Ver galeria

No decorrer de uma década, e em plena crise económica e do jornalismo,  a Spainmedia ocupou o seu lugar de editora de revistas internacionais na área designada por  lifestyle  - trazendo para o mercado espanhol a versão local de marcas como a Esquire e a Forbes, entre outras.  A história do seu êxito neste espaço é também a de um jornalista, Andrés Rodríguez, que se torna um director editorial bem sucedido  -  e é essa, naturalmente, a primeira pergunta da entrevista que lhe é feita por Media-tics.

A sua resposta é que foi na base de “paixão, entusiasmo e inconsciência”, e muito por tentativa e erro. Logo acrescenta:

“Aprendi, também, a dirigir recursos humanos  - e que, se não formos rentáveis, fechamos mais tarde ou mais cedo. Os media podem sobreviver algum tempo sem rentabilidade mas, por fim, impõe-se a conta dos resultados.”

Reconhece que aprendeu muito na Prisa, mas ficou frustrado com a fronteira marcada entre o sector jornalístico e o financeiro e publicitário. Como explica,  “pensava que para fazer a minha revista eu tinha que poder vender, ter alianças, mas na Prisa isso não podia ser feito por um jornalista”:

“Se alguma coisa corria bem, resultava do êxito do jornalista e do gestor; se corria mal, era resultado do jornalista. Eu queria ser responsável pelo que fizesse mal.”

"Jornalismo de soluções" como mito ou alternativa Ver galeria

Muitos chegam ao jornalismo com o sonho de fazer reportagem que comunique “impacto, conhecimento e inspiração”. Mas quando encontram o espaço ocupado principalmente por notícias negativas, sem caminho de saída, desanimam e chegam a desistir da profissão.

A jornalista argentina Liza Gross conta que passou por isto, tendo deixado o jornalismo “porque estava esgotada a todos os níveis, não só pelo modelo económico como também pelo modo como nós, jornalistas, estávamos a fazer o nosso trabalho”.

O rumo que seguiu levou-a à rede Solutions Journalism Network [Red de Periodismo de Soluciones  nos países de língua espanhola], cujos métodos promove, no sentido de alterar a imagem clássica do jornalista, que deixa de ser apenas o watchdog (“cão de guarda”) que vigia os poderes e denuncia o que está mal, para se tornar o “cão-piloto” capaz de de fazer “a cobertura rigorosa e baseada na evidência de respostas a problemas sociais”.

A reflexão é desenvolvida em dois textos que aqui citamos, da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, que trabalha em parceria com a Red de Periodismo de Soluciones  para dar formação nesta nova disciplina.

O Clube

É tempo de férias. E este site do Clube Português de Imprensa (CPI) não foge à regra e volta a respeitar Agosto,  como o mês mais procurado pelos seus visitantes para uma pausa nos afazeres. Suspendemos, por isso,  a  actualização diária,  a partir do  fim de semana. 

Quando retomarmos a actualização  das nossas páginas, no inicio de Setembro, contamos com a renovação do interesse dos Associados do Clube e dos milhares de outros frequentadores regulares,  que nos acompanham  em número crescente e que  se revêem neste espaço, formatado no rigor e na independência em que todos nos reconhecemos,  como  valor matricial do Clube, desde a sua fundação,  há quase meio século.   


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