null, 24 de Março, 2019
Mundo

Directiva sobre Direitos de Autor chumbada no Parlamento Europeu

O plenário do Parlamento Europeu chumbou o projecto da nova Directiva sobre os Direitos de Autor no Mercado Único Digital, que tinha passado a 20 de Junho, em votação renhida, no Comité para os Assuntos Legais (JURI). Desta vez, com um resultado final de 318 votos contra, 278 a favor e 31 abstenções, o documento terá de ser revisto e novamente discutido pelos eurodeputados. O ministro austríaco dos Assuntos Europeus, Gernot Blumel, disse ao Expresso que espera “um voto positivo do Parlamento Europeu em Setembro”. A Áustria assume, neste momento, a presidência rotativa da União Europeia.

A directiva criou polémica sobretudo por causa de dois artigos: o 11.º e o 13.º 

“Segundo o primeiro, a partilha de hiperligações em sites, plataformas ou até mesmo em redes sociais, torna-se mais difícil. O objectivo é tentar proteger os meios de comunicação da partilha dos seus conteúdos por outros, o que faria com que o utilizador pudesse ter acesso aos artigos do jornal, televisões ou rádios, apenas nos sites próprios, aumentando o tráfego directo.” 

“No entanto, os opositores afirmam que esta nova medida vai diminuir a exposição das publicações. Um grupo de 169 académicos chegou mesmo a escrever uma carta aberta a criticar a impossibilidade de partilha das notícias nas plataformas e redes sociais.” 

“Já o artigo 13.º – o que poderá pôr em causa a continuidade dos memes – pretende responsabilizar as plataformas pela divulgação dos conteúdos com direitos de autor. (...) Mas agora a questão torna-se mais abrangente: paródias musicais, vídeos de videojogos e outros conteúdos que utilizem qualquer imagem, música ou vídeo protegido pelos direitos de autor, vão deixar de poder ser publicados. A ser aprovada, esta medida traz mais impedimentos burocráticos para as startups do que para as grandes plataformas.” (...) 

Segundo Media-tics, “a Internet, tal como a conhecemos, está salva  - pelo menos por agora”: 

“A polémica em torno da legislação levou Tim Berners-Lee, o criador da WorldWideWeb, a aliar-se a empresas como a Google e a plataformas como a Wikipedia para protestar contra uma medida que chegaram a classificar como ‘uma ameaça contra a Internet’.” 

“De facto, a Wikipedia passou dois dias a impedir a consulta dos seus conteúdos em sinal de protesto, passando no lugar deles uma mensagem em que apelava aos utentes para enviarem e-mails aos eurodeputados, explicando-lhes por que motivo, em seu entender, a nova legislação implica tal ameaça.”

 

 

Connosco
O jornalismo entre os "apóstolos da certeza" e a "política da dúvida" Ver galeria

Há uma grande diferença entre um jornalismo “de elite” e aquele que vive dependente do clickbait. Há uma grande diferença, temporal, entre o que se faz hoje e o que se fazia há poucos anos  - tratando-se de tecnologia digital, “o que aconteceu há cinco anos é história”. E há uma grande diferença entre entender o que está a acontecer aos jornalistas e entender o que os jornalistas acham que lhes está a acontecer.

A reflexão inicial é de C.W. Anderson, que se define como um etnógrafo dedicado a estudar o modo como o jornalismo está a mudar com o tempo. Foi co-autor, com Emily Bell e Clay Shirky, do Relatório do Jornalismo Pós-Industrial, em 2012, na Universidade de Columbia. O seu trabalho mais recente é Apóstolos da Certeza: Jornalismo de Dados e a Política da Dúvida, livro em que analisa como a ideia de jornalismo de dados mudou ao longo do tempo.

Cidadão dos EUA, C.W. Anderson é hoje professor na Escola de Jornalismo da Universidade de Leeds, no Reino Unido. A entrevista que aqui citamos foi publicada no Farol Jornalismo, do Medium, e reproduzida no Obervatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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