Quarta-feira, 19 de Setembro, 2018
Mundo

Directiva sobre Direitos de Autor chumbada no Parlamento Europeu

O plenário do Parlamento Europeu chumbou o projecto da nova Directiva sobre os Direitos de Autor no Mercado Único Digital, que tinha passado a 20 de Junho, em votação renhida, no Comité para os Assuntos Legais (JURI). Desta vez, com um resultado final de 318 votos contra, 278 a favor e 31 abstenções, o documento terá de ser revisto e novamente discutido pelos eurodeputados. O ministro austríaco dos Assuntos Europeus, Gernot Blumel, disse ao Expresso que espera “um voto positivo do Parlamento Europeu em Setembro”. A Áustria assume, neste momento, a presidência rotativa da União Europeia.

A directiva criou polémica sobretudo por causa de dois artigos: o 11.º e o 13.º 

“Segundo o primeiro, a partilha de hiperligações em sites, plataformas ou até mesmo em redes sociais, torna-se mais difícil. O objectivo é tentar proteger os meios de comunicação da partilha dos seus conteúdos por outros, o que faria com que o utilizador pudesse ter acesso aos artigos do jornal, televisões ou rádios, apenas nos sites próprios, aumentando o tráfego directo.” 

“No entanto, os opositores afirmam que esta nova medida vai diminuir a exposição das publicações. Um grupo de 169 académicos chegou mesmo a escrever uma carta aberta a criticar a impossibilidade de partilha das notícias nas plataformas e redes sociais.” 

“Já o artigo 13.º – o que poderá pôr em causa a continuidade dos memes – pretende responsabilizar as plataformas pela divulgação dos conteúdos com direitos de autor. (...) Mas agora a questão torna-se mais abrangente: paródias musicais, vídeos de videojogos e outros conteúdos que utilizem qualquer imagem, música ou vídeo protegido pelos direitos de autor, vão deixar de poder ser publicados. A ser aprovada, esta medida traz mais impedimentos burocráticos para as startups do que para as grandes plataformas.” (...) 

Segundo Media-tics, “a Internet, tal como a conhecemos, está salva  - pelo menos por agora”: 

“A polémica em torno da legislação levou Tim Berners-Lee, o criador da WorldWideWeb, a aliar-se a empresas como a Google e a plataformas como a Wikipedia para protestar contra uma medida que chegaram a classificar como ‘uma ameaça contra a Internet’.” 

“De facto, a Wikipedia passou dois dias a impedir a consulta dos seus conteúdos em sinal de protesto, passando no lugar deles uma mensagem em que apelava aos utentes para enviarem e-mails aos eurodeputados, explicando-lhes por que motivo, em seu entender, a nova legislação implica tal ameaça.”

 

 

Connosco
Plataformas tecnológicas estão a sentar-se no coração do jornalismo Ver galeria

Na relação difícil que se tem desenvolvido, nestes últimos anos, entre as plataformas tecnológicas e os publishers dos media, a iniciativa foi sempre das primeiras e a intimidade nunca foi tanta como agora, com as plataformas “a tomarem mais decisões deliberadas que afectam o jornalismo e a colocação e distribuição das notícias”. Embora já haja editores a praticarem um “desacoplamento consciente” da sua dependência das plataformas, do lado destas vem um movimento muito claro de se envolverem cada vez mais no “apoio financeiro directo a determinados tipos de jornalismo”. Isto significa que plataformas “movidas pelo lucro” estão a “sentar-se desconfortavelmente no coração do jornalismo e das notícias”.

É esta a reflexão inicial de Emily Bell, directora do Tow Center for Digital Journalism  - que esteve em Lisboa, na cimeira da Global Editors Network -  no texto de apresentação de um relatório sobre o estado das relações entre publishers e plataformas.

Empresas de Media alimentam monstros que as fazem passar fome... Ver galeria

Tanto a Google como o Facebook têm estado a enviar dinheiro para apoio a projectos jornalísticos. Só nestes últimos três anos, as duas empresas juntas já destinaram mais de 500 milhões de dólares a vários programas ou parcerias com os media. Estas mega plataformas contam-se agora entre as maiores financiadoras do jornalismo. A ironia é que foi o desmantelamento da publicidade tradicional, em grande parte cometido por elas, que deixou as empresas jornalísticas neste sufoco de necessidade. O resultado é uma aliança disfuncional. Mesmo os que recebem estes apoios acham que as doações são “dinheiro culpado”, enquanto as gigantes tecnológicas procuram melhorar a imagem e conquistar amigos numa comunidade jornalística que  - sobretudo agora -  parece abertamente hostil.

O Clube

Lançado em Novembro de 2015, este site do Clube Português de Imprensa tem desenvolvido, desde então, um trabalho de acompanhamento das tendências dominantes, quer no mercado de Imprensa, quer nos media audiovisuais em geral e na Internet em particular.

Interessa-nos, também, debater o jornalismo e o modo como é exercido, em Portugal e fora de fronteiras,  cumprindo um objectivo que está na génese desta Associação.


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