Sábado, 17 de Novembro, 2018
Media

Jornalista veterano toma conta da direcção editorial do "LA Times"

O novo editor executivo de Los Angeles Times, Norman Pearlstine, não é novo na idade. A primeira pergunta da entrevista aqui citada é como se sente um homem que se reforma aos 75 anos de um posto importante na Time Inc para vir dirigir um jornal que sobreviveu com dificuldade a quase duas décadas na posse do grupo Tronc, de Chicago, para ser agora adquirido por um médico multimilionário cheio de ambições de competitividade. E uma das que se seguem é como explica uma frase sua que ganhou o prémio da melhor citação nas Reliable Sources, em que Pearlstine diz que “os media são a cocaína de Trump”. Norman Pearlstine tem ideias sólidas sobre o que pode fazer, e a primeira é a de que o jornal tem de começar já a pensar sobre a “próxima geração de liderança”  - que não será a sua.

A prioridade absoluta é a de recuperar o jornal do tumultuoso período de 19 anos sob a direcção dos proprietários em Chicago, em que o Los Angeles Times era principalmente citado nos noticiários pela sua situação de “turbulência, cortes de despesa, fricção e despedimentos”. Norman Pearlstine diz que o jornal “tem mais talento do que tinha pensado olhando de fora”, e que é urgente conhecê-lo, avaliá-lo e ver o que se lhe pode acrescentar. 

Quanto ao seu próprio lugar neste processo, admite com realismo:  

“Por muito que eu gostasse de ser a pessoa responsável por uma reformulação de dez anos, no Los Angeles Times, acho que isso não seria provavelmente bom para a empresa, nem bom para mim pensar nesses termos.” (...) 

Sobre a frase a respeito de Trump, que o celebrizou, Pearlstine conta que o conhece bem, pessoalmente, que ele é “uma criatura instintiva”, e que o sentido daquela citação é simplesmente que ele “adora ter a atenção da Imprensa”. 

Isto implica que adora, igualmente, “pegar-se” constantemente com ela. Quando fica furioso, pode cortar o acesso da CNN, ou do New York Times, a algum evento, mas isso não o impede de ter dado a Maggie Haberman [a correspondente do NYT em assuntos da Casa Branca] algumas boas entrevistas. 

“Se eu fosse mais delicado  - diz Pearlstine -  acho que teria dito que se trata de uma relação simbiótica, ou qualquer coisa como isso. Mas sim, é a cocaína dele.” (...) 

Sobre as ambições do novo proprietário, Soon-Shiong, que quer pôr Los Angeles Times a competir directamente com os maiores jornais americanos de projecção mundial, como The New York Times e The Washington Post, admite que isso pode acontecer em determinados casos, mas adverte: 

“Precisamos de ter algum senso a respeito da rapidez com que podemos andar, mas eu não queria ficar ligado a uma data específica em termos de realizações. Neste momento ainda estou a avaliar quais são os nossos activos presentes, e de que modo estão aplicados.” (...) A primeira prioridade é reconhecer o talento que cá temos e garantir que estamos a utilizar em pleno e a tirar partido de algumas pessoas realmente brilhantes, que podem não ter sentido que eram escutadas, ou que tinham oportunidade de assumir mais autoridade ou responsabilidade.” (...) 

Partindo do facto da anterior experiência de Norman Pearlstine ter passado por jornais com tradição sindical interna, foi-lhe perguntado se essa sua experiência de “negociação colectiva” vai continuar com o Los Angeles Times, em que o movimento esteve contra o grupo Tronc

“Não quero entrar na discussão dos pormenores, porque não estive envolvido, mas o voto sindical foi a expressão de preocupações muito profundas da parte de muitas pessoas que aqui trabalham. E havendo ou não um sindicato, temos de tomar a sério essas preocupações. Tive um encontro  - não numa sessão formal, mas informalmente -  com pessoas que têm estado identificadas com o movimento sindical, e penso que há muita sinceridade nas suas preocupações, e que devemos estar preparados para as tomar a sério. Eu não acho que a existência de um sindicato implique qualquer impedimento de termos boas relações com as pessoas que aqui trabalham.” (...) 

E sobre o novo proprietário, Soon-Shiong, sublinha a importância desta oportunidade de “escutar as pessoas e procurar obter ideias da base para cima, em termos daquilo que estamos a fazer”: 

“É muito bom termos um patrão para quem é importante uma força de trabalho diferente, e um local de trabalho diferente. É fabuloso termos um patrão que, apesar do seu sucesso pessoal, continua a ver-se a si mesmo como uma espécie de oprimido [underdog, no original] desejoso de confrontar o establishment, na medicina ou em qualquer outro terreno. E que tem grande capacidade de escutar. Tenho aprendido muito com ele, sempre que estivémos juntos. Acho que é especialmente importante, em face do tumulto dos últimos anos, que possamos escutar cuidadosamente e tentar então dar resposta às melhores ideias que nos cheguem.” (...)

 

A entrevista com Norman Pearlstine, na íntegra, na Columbia Journalism Review

Connosco
Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


ver mais >
Opinião
O jornalismo estará a render-se à subjetividade, rainha e senhora de certas redes sociais. As ‘fake news’ e o futuro dos media foram dos temas mais falados na edição de 2018, da Web Summit. Usadas como arma de arremesso político e de intoxicação, as notícias falsas são uma praga. Invadem o espaço público, distorcem os factos, desviam a atenção, comprometem a reflexão. E pelo caminho...
As notícias falsas e a internet
Francisco Sarsfield Cabral
As redes sociais são, hoje, a principal fonte de informação, se não mesmo a única, para imensa gente. O combate às “fake news” tem que ser feito, não pela censura, mas pela consciencialização dos utilizadores da net. Jair Bolsonaro foi eleito presidente do Brasil graças à utilização maciça das redes sociais. A maioria dos jornais brasileiros de referência não o apoiou, o...
1.Segundo um estudo da Marktest sobre a utilização que os portugueses fazem das redes sociais 65.9% dos inquiridos referem o Facebook, 16.4% indicam o Instagram, 8.3% oWhatsApp, 4% o Youtube e 5.4% outras redes. O estudo sublinha que esta predominância do Facebook não é transversal a toda a população: “Entre os jovens utilizadores de redes sociais, os resultados de 2018 mostram uma inversão das redes visitadas com mais...
Há cerca de um ano, António Barreto  costumava assinar uma assertiva coluna de opinião no Diário de Noticias, entretanto desaparecida como outras, sem deixar rasto. Numa delas,  reconhecia ser “simplesmente desmoralizante. Ver e ouvir os serviços de notícias das três ou quatro estações de televisão” . E comentava, a propósito,  que  “a vulgaridade é sinal de verdade. A...
Agenda
19
Nov
21
Nov
22
Nov
Westminster Forum Projects
09:00 @ Londres, Reino Unido
23
Nov
#6COBCIBER – VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo
09:00 @ Faculdade de Letras da Universidade do Porto