Quarta-feira, 19 de Setembro, 2018
Mundo

Uma redacção global e virtual integrada por jornalistas “freelancer”

Houve um tempo em que editores de jornais ou outros meios de comunicação, quando acontecia alguma coisa e não tinham jornalistas disponíveis para lá mandar fazer a cobertura, iam procurá-los nas redes sociais  -  até que um jornalista americano, com capacidades de empreendedor, teve a ideia de um ponto de encontro para estabelecerem esta ligação. Foi assim que nasceu, há três anos, HackPack, uma espécie de redacção virtual que já reune mais de 12 mil membros de 160 países, e continua a crescer.

 

“O nosso propósito é fornecer o contacto de jornalistas no terreno, quando há situações de grande conflito”  -  explica Justin Varilek, o autor do projecto. “Assim, quando há notícias de última hora, em qualquer parte do mundo, já existe uma comunidade de especialistas com quem se pode trabalhar.” 

Mesmo que não aconteçam coisas dessa natureza, a plataforma proporciona aos jornalistas uma oportunidade de alimentarem a sua lista de contactos e competências  -  e ganharem algum dinheiro, eventualmente. 

HackPack é aberta e fácil de usar por freeelancers. Depois de registarem uma conta, os utentes podem indicar as línguas que usam, a localidade e as suas áreas de competência. Na base desta informação, recebem regularmente informação sobre subsídios, bolsas, empregos a tempo inteiro ou oportunidades freelance.” 

“Acrescentando o seu número de telefone, passam a estar disponíveis para receber chamadas urgentes para notícias de última hora ou pedidos de serviços rápidos. Há ainda uma newsletter semanal que assinala oportunidades para jornalistas e revela membros da comunidade que podem ser contactados para fazer o seguimento ou o arranque de reportagens.” 

“Os jornalistas também podem usar de modo mais activo o HackPack, propondo artigos directamente aos editores. Quando acontece qualquer coisa em grande no seu país, basta escreverem:  - ‘Está a acontecer isto assim-assim... Eu estou disponível para fazer a cobertura.’ Os editores vão ler e estão em condições de os contactar para pedirem um artigo ou trabalharem como eventuais. As melhores ideias são assim propostas a editores de todo o mundo.” (...) 

Alguns grandes meios já estão a fazê-lo, usando o HackPack para pesquisa de talentos  -  como a NPR – National Public Radio, a BBC e a Spoon Agency

“O próprio Justin Varilek trabalhou como freelancer, e com outros, o suficiente para conhecer as armadilhas deste modo de vida. O seu conselho aos freelancers é a diversificação”: 

“Procurem ter um ou dois empregadores mais ou menos constantes, que dêem para pagar as contas maiores, e depois acrescentem o número de outros clientes que possam trazer mais algum dinheiro e serviços interessantes.” (...) 

“O maior problema de um freelancer é que acaba por se aborrecer”  - diz Varilek. “Uma pessoa está em casa, a escrever artigos, e já não tem esta redacção onde podia falar com as pessoas e conviver. Sendo assim, criámos uma redacção virtual, que se pode levar no bolso.” (...)

 

O artigo aqui citado, na íntegra, na International Journalists’ Network. Mais informação no European Journalism Observatory

Connosco
Plataformas tecnológicas estão a sentar-se no coração do jornalismo Ver galeria

Na relação difícil que se tem desenvolvido, nestes últimos anos, entre as plataformas tecnológicas e os publishers dos media, a iniciativa foi sempre das primeiras e a intimidade nunca foi tanta como agora, com as plataformas “a tomarem mais decisões deliberadas que afectam o jornalismo e a colocação e distribuição das notícias”. Embora já haja editores a praticarem um “desacoplamento consciente” da sua dependência das plataformas, do lado destas vem um movimento muito claro de se envolverem cada vez mais no “apoio financeiro directo a determinados tipos de jornalismo”. Isto significa que plataformas “movidas pelo lucro” estão a “sentar-se desconfortavelmente no coração do jornalismo e das notícias”.

É esta a reflexão inicial de Emily Bell, directora do Tow Center for Digital Journalism  - que esteve em Lisboa, na cimeira da Global Editors Network -  no texto de apresentação de um relatório sobre o estado das relações entre publishers e plataformas.

Empresas de Media alimentam monstros que as fazem passar fome... Ver galeria

Tanto a Google como o Facebook têm estado a enviar dinheiro para apoio a projectos jornalísticos. Só nestes últimos três anos, as duas empresas juntas já destinaram mais de 500 milhões de dólares a vários programas ou parcerias com os media. Estas mega plataformas contam-se agora entre as maiores financiadoras do jornalismo. A ironia é que foi o desmantelamento da publicidade tradicional, em grande parte cometido por elas, que deixou as empresas jornalísticas neste sufoco de necessidade. O resultado é uma aliança disfuncional. Mesmo os que recebem estes apoios acham que as doações são “dinheiro culpado”, enquanto as gigantes tecnológicas procuram melhorar a imagem e conquistar amigos numa comunidade jornalística que  - sobretudo agora -  parece abertamente hostil.

O Clube

Lançado em Novembro de 2015, este site do Clube Português de Imprensa tem desenvolvido, desde então, um trabalho de acompanhamento das tendências dominantes, quer no mercado de Imprensa, quer nos media audiovisuais em geral e na Internet em particular.

Interessa-nos, também, debater o jornalismo e o modo como é exercido, em Portugal e fora de fronteiras,  cumprindo um objectivo que está na génese desta Associação.


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