Sábado, 17 de Novembro, 2018
Mundo

Uma redacção global e virtual integrada por jornalistas “freelancer”

Houve um tempo em que editores de jornais ou outros meios de comunicação, quando acontecia alguma coisa e não tinham jornalistas disponíveis para lá mandar fazer a cobertura, iam procurá-los nas redes sociais  -  até que um jornalista americano, com capacidades de empreendedor, teve a ideia de um ponto de encontro para estabelecerem esta ligação. Foi assim que nasceu, há três anos, HackPack, uma espécie de redacção virtual que já reune mais de 12 mil membros de 160 países, e continua a crescer.

 

“O nosso propósito é fornecer o contacto de jornalistas no terreno, quando há situações de grande conflito”  -  explica Justin Varilek, o autor do projecto. “Assim, quando há notícias de última hora, em qualquer parte do mundo, já existe uma comunidade de especialistas com quem se pode trabalhar.” 

Mesmo que não aconteçam coisas dessa natureza, a plataforma proporciona aos jornalistas uma oportunidade de alimentarem a sua lista de contactos e competências  -  e ganharem algum dinheiro, eventualmente. 

HackPack é aberta e fácil de usar por freeelancers. Depois de registarem uma conta, os utentes podem indicar as línguas que usam, a localidade e as suas áreas de competência. Na base desta informação, recebem regularmente informação sobre subsídios, bolsas, empregos a tempo inteiro ou oportunidades freelance.” 

“Acrescentando o seu número de telefone, passam a estar disponíveis para receber chamadas urgentes para notícias de última hora ou pedidos de serviços rápidos. Há ainda uma newsletter semanal que assinala oportunidades para jornalistas e revela membros da comunidade que podem ser contactados para fazer o seguimento ou o arranque de reportagens.” 

“Os jornalistas também podem usar de modo mais activo o HackPack, propondo artigos directamente aos editores. Quando acontece qualquer coisa em grande no seu país, basta escreverem:  - ‘Está a acontecer isto assim-assim... Eu estou disponível para fazer a cobertura.’ Os editores vão ler e estão em condições de os contactar para pedirem um artigo ou trabalharem como eventuais. As melhores ideias são assim propostas a editores de todo o mundo.” (...) 

Alguns grandes meios já estão a fazê-lo, usando o HackPack para pesquisa de talentos  -  como a NPR – National Public Radio, a BBC e a Spoon Agency

“O próprio Justin Varilek trabalhou como freelancer, e com outros, o suficiente para conhecer as armadilhas deste modo de vida. O seu conselho aos freelancers é a diversificação”: 

“Procurem ter um ou dois empregadores mais ou menos constantes, que dêem para pagar as contas maiores, e depois acrescentem o número de outros clientes que possam trazer mais algum dinheiro e serviços interessantes.” (...) 

“O maior problema de um freelancer é que acaba por se aborrecer”  - diz Varilek. “Uma pessoa está em casa, a escrever artigos, e já não tem esta redacção onde podia falar com as pessoas e conviver. Sendo assim, criámos uma redacção virtual, que se pode levar no bolso.” (...)

 

O artigo aqui citado, na íntegra, na International Journalists’ Network. Mais informação no European Journalism Observatory

Connosco
Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

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O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
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Francisco Sarsfield Cabral
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