Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Mundo

Uma redacção global e virtual integrada por jornalistas “freelancer”

Houve um tempo em que editores de jornais ou outros meios de comunicação, quando acontecia alguma coisa e não tinham jornalistas disponíveis para lá mandar fazer a cobertura, iam procurá-los nas redes sociais  -  até que um jornalista americano, com capacidades de empreendedor, teve a ideia de um ponto de encontro para estabelecerem esta ligação. Foi assim que nasceu, há três anos, HackPack, uma espécie de redacção virtual que já reune mais de 12 mil membros de 160 países, e continua a crescer.

 

“O nosso propósito é fornecer o contacto de jornalistas no terreno, quando há situações de grande conflito”  -  explica Justin Varilek, o autor do projecto. “Assim, quando há notícias de última hora, em qualquer parte do mundo, já existe uma comunidade de especialistas com quem se pode trabalhar.” 

Mesmo que não aconteçam coisas dessa natureza, a plataforma proporciona aos jornalistas uma oportunidade de alimentarem a sua lista de contactos e competências  -  e ganharem algum dinheiro, eventualmente. 

HackPack é aberta e fácil de usar por freeelancers. Depois de registarem uma conta, os utentes podem indicar as línguas que usam, a localidade e as suas áreas de competência. Na base desta informação, recebem regularmente informação sobre subsídios, bolsas, empregos a tempo inteiro ou oportunidades freelance.” 

“Acrescentando o seu número de telefone, passam a estar disponíveis para receber chamadas urgentes para notícias de última hora ou pedidos de serviços rápidos. Há ainda uma newsletter semanal que assinala oportunidades para jornalistas e revela membros da comunidade que podem ser contactados para fazer o seguimento ou o arranque de reportagens.” 

“Os jornalistas também podem usar de modo mais activo o HackPack, propondo artigos directamente aos editores. Quando acontece qualquer coisa em grande no seu país, basta escreverem:  - ‘Está a acontecer isto assim-assim... Eu estou disponível para fazer a cobertura.’ Os editores vão ler e estão em condições de os contactar para pedirem um artigo ou trabalharem como eventuais. As melhores ideias são assim propostas a editores de todo o mundo.” (...) 

Alguns grandes meios já estão a fazê-lo, usando o HackPack para pesquisa de talentos  -  como a NPR – National Public Radio, a BBC e a Spoon Agency

“O próprio Justin Varilek trabalhou como freelancer, e com outros, o suficiente para conhecer as armadilhas deste modo de vida. O seu conselho aos freelancers é a diversificação”: 

“Procurem ter um ou dois empregadores mais ou menos constantes, que dêem para pagar as contas maiores, e depois acrescentem o número de outros clientes que possam trazer mais algum dinheiro e serviços interessantes.” (...) 

“O maior problema de um freelancer é que acaba por se aborrecer”  - diz Varilek. “Uma pessoa está em casa, a escrever artigos, e já não tem esta redacção onde podia falar com as pessoas e conviver. Sendo assim, criámos uma redacção virtual, que se pode levar no bolso.” (...)

 

O artigo aqui citado, na íntegra, na International Journalists’ Network. Mais informação no European Journalism Observatory

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
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