Sábado, 17 de Novembro, 2018
Media

Pagar ou não pagar para ler notícias online em debate no Laboratório de Jornalismo da APM

A questão da sustentabilidade económica do jornalismo, posta em causa pela cultura da informação grátis, muito popular na era da Internet, esteve no centro dos debates durante a XII edição do Laboratorio de Periodismo da APM – Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria. O título escolhido para o encontro deste ano era uma pergunta: “Vamos pagar por ler notícias online?”  - e todas as respostas foram no sentido de reabilitar o valor profissional do jornalismo, pela sua qualidade e credibilidade, antes do seu valor como custo.

Esta jornada de reflexão teve como moderador Nemesio Rodríguez, vice-presidente da APM e presidente da FAPEFederación de Asociaciones de Periodistas de España, para quem “o ‘completamente gratuito’ criou nas pessoas a percepção de que o jornalismo e o trabalho do jornalista não valem nada e qualquer um pode fazê-lo”. 

Por seu lado, Jesús Maraña, director editorial do InfoLibre, afirmou: 

“A equação que fizémos, de que a Internet é igual a gratuitidade, e jornalismo igual a comunicação, revelou-se fatal. Defendamos o valor do jornalismo e então encontraremos os caminhos  - que são muito complicados -  para o financiar.”

“O que fica em primeiro lugar é a credibilidade, o fazer bom jornalismo. Eu não pagaria por um meio em que não acredito. Na profissão há um grande problema de credibilidade”  -  declarou José Sanclemente, presidente de eldiario.es. Na sua opinião, “se forem feitos meios de comunicação credíveis, e com a suficiente independência, as pessoas vão tornar-se assinantes deles”. (...) 

Mas, como explicou a seguir, estas condições têm de estar presentes nos meios que pretendam cobrar pelos seus conteúdos: que provem ser independentes, o que “exige uma transparência e nudez absoluta”; que ofereçam um jornalismo de qualidade, não brincando ao sensacionalismo e à “guerra dos clics”; que conquistem influência e utilidade, de modo a que os leitores notem “que as suas informações têm consequências sobre a sociedade”; e que constituam uma comunidade de utentes fiéis, com “diálogo constante entre os jornalistas e os utentes”. (...) 

“É muito edificante voltar a pôr o foco no leitor, em vez de no anunciante”  - afirmou Rosalía Lloret, directora de Relações Públicas e Institucionais da Online Publishers Association Europe, que reflectiu sobre os números avassaladores da concentração das receitas publicitárias nas grandes plataformas, na Espanha como no resto do mundo, para concluir que “o futuro do modelo cuja sobrevivência depende apenas da publicidade é muito negro, mas começa a abrir-se o futuro de pagar pelas notícias”. (...) 

As questões da limitação de acesso (paywalls) e da utilização crescente de “bloqueadores de anúncios” também foram abordadas pelos intervenientes. 

“A informação deve ser paga como se paga o pão, mas as paywalls só podem funcionar nos grandes títulos”  - afirmou Mar Abad, jornalista e co-fundadora da Yorokobu.  

E segundo Miguel Ormaetxea, editor de Ecointeligencia Editorial, “as paywalls têm de ser apenas uma das cinco ou seis principais fontes de receita dos media digitais”. (...)

 

A reportagem aqui citada, na íntegra, na APM, onde é também possível abrir o vídeo de síntese do Laboratorio de Periodismo.

Connosco
Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
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As notícias falsas e a internet
Francisco Sarsfield Cabral
As redes sociais são, hoje, a principal fonte de informação, se não mesmo a única, para imensa gente. O combate às “fake news” tem que ser feito, não pela censura, mas pela consciencialização dos utilizadores da net. Jair Bolsonaro foi eleito presidente do Brasil graças à utilização maciça das redes sociais. A maioria dos jornais brasileiros de referência não o apoiou, o...
1.Segundo um estudo da Marktest sobre a utilização que os portugueses fazem das redes sociais 65.9% dos inquiridos referem o Facebook, 16.4% indicam o Instagram, 8.3% oWhatsApp, 4% o Youtube e 5.4% outras redes. O estudo sublinha que esta predominância do Facebook não é transversal a toda a população: “Entre os jovens utilizadores de redes sociais, os resultados de 2018 mostram uma inversão das redes visitadas com mais...
Há cerca de um ano, António Barreto  costumava assinar uma assertiva coluna de opinião no Diário de Noticias, entretanto desaparecida como outras, sem deixar rasto. Numa delas,  reconhecia ser “simplesmente desmoralizante. Ver e ouvir os serviços de notícias das três ou quatro estações de televisão” . E comentava, a propósito,  que  “a vulgaridade é sinal de verdade. A...
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