Sábado, 30 de Maio, 2020
Media

Pagar ou não pagar para ler notícias online em debate no Laboratório de Jornalismo da APM

A questão da sustentabilidade económica do jornalismo, posta em causa pela cultura da informação grátis, muito popular na era da Internet, esteve no centro dos debates durante a XII edição do Laboratorio de Periodismo da APM – Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria. O título escolhido para o encontro deste ano era uma pergunta: “Vamos pagar por ler notícias online?”  - e todas as respostas foram no sentido de reabilitar o valor profissional do jornalismo, pela sua qualidade e credibilidade, antes do seu valor como custo.

Esta jornada de reflexão teve como moderador Nemesio Rodríguez, vice-presidente da APM e presidente da FAPEFederación de Asociaciones de Periodistas de España, para quem “o ‘completamente gratuito’ criou nas pessoas a percepção de que o jornalismo e o trabalho do jornalista não valem nada e qualquer um pode fazê-lo”. 

Por seu lado, Jesús Maraña, director editorial do InfoLibre, afirmou: 

“A equação que fizémos, de que a Internet é igual a gratuitidade, e jornalismo igual a comunicação, revelou-se fatal. Defendamos o valor do jornalismo e então encontraremos os caminhos  - que são muito complicados -  para o financiar.”

“O que fica em primeiro lugar é a credibilidade, o fazer bom jornalismo. Eu não pagaria por um meio em que não acredito. Na profissão há um grande problema de credibilidade”  -  declarou José Sanclemente, presidente de eldiario.es. Na sua opinião, “se forem feitos meios de comunicação credíveis, e com a suficiente independência, as pessoas vão tornar-se assinantes deles”. (...) 

Mas, como explicou a seguir, estas condições têm de estar presentes nos meios que pretendam cobrar pelos seus conteúdos: que provem ser independentes, o que “exige uma transparência e nudez absoluta”; que ofereçam um jornalismo de qualidade, não brincando ao sensacionalismo e à “guerra dos clics”; que conquistem influência e utilidade, de modo a que os leitores notem “que as suas informações têm consequências sobre a sociedade”; e que constituam uma comunidade de utentes fiéis, com “diálogo constante entre os jornalistas e os utentes”. (...) 

“É muito edificante voltar a pôr o foco no leitor, em vez de no anunciante”  - afirmou Rosalía Lloret, directora de Relações Públicas e Institucionais da Online Publishers Association Europe, que reflectiu sobre os números avassaladores da concentração das receitas publicitárias nas grandes plataformas, na Espanha como no resto do mundo, para concluir que “o futuro do modelo cuja sobrevivência depende apenas da publicidade é muito negro, mas começa a abrir-se o futuro de pagar pelas notícias”. (...) 

As questões da limitação de acesso (paywalls) e da utilização crescente de “bloqueadores de anúncios” também foram abordadas pelos intervenientes. 

“A informação deve ser paga como se paga o pão, mas as paywalls só podem funcionar nos grandes títulos”  - afirmou Mar Abad, jornalista e co-fundadora da Yorokobu.  

E segundo Miguel Ormaetxea, editor de Ecointeligencia Editorial, “as paywalls têm de ser apenas uma das cinco ou seis principais fontes de receita dos media digitais”. (...)

 

A reportagem aqui citada, na íntegra, na APM, onde é também possível abrir o vídeo de síntese do Laboratorio de Periodismo.

Connosco
Na era digital a máquina é o “braço direito” do jornalista ... Ver galeria

A era digital fez-se acompanhar de uma profunda alteração nos modelos de actividade e de negócio, entre os quais se destaca o sector mediático, segundo aponta o mais recente relatório do Obercom.

De acordo com o estudo, essas mudanças caracterizam-se, sobretudo, pela implementação de algoritmos e pela automatização dos sistemas.

Se, por um lado, a digitalização trouxe alguns problemas ao sector mediático, que, durante décadas estudou a adaptação a um mundo globalizado, onde a informação nunca pára, por outro, veio facilitar o trabalho aos jornalistas.

Este fenómeno é, aparentemente, paradoxal, mas a verdade é que os processos automáticos ajudam os profissionais a responderem, eficazmente, à necessidade da produção “sôfrega” de conteúdos noticiosos.

Trocando por miúdos: se as máquinas existem, porque não “pedir-lhes ajuda”?

Assim, os “media” actuais dependem, cada vez mais, de algoritmos que permitem analisar a preferências dos leitores, bem como de sistemas que facilitam a actualização de “websites” ao minuto.

A urgência de proteger jornalistas em países onde falha a liberdade de imprensa Ver galeria

A violência contra os jornalistas é uma realidade cada vez mais presente no mundo contemporâneo, já que várias entidades, insatisfeitas com a sua independência, estão a desenvolver novos mecanismos para impedir a publicação de artigos incómodos para o poder instituído.

Os atentados mais graves contra a liberdade de imprensa ocorrem em países onde esta está condicionada, mas, igualmente, noutros onde era suposto haver protecção para o trabalho jornalístico.

De acordo com um artigo do “Guardian”, esta realidade distópica ficou  mais evidente com o aparecimento do coronavírus.

A título de exemplo, alguns governos criaram medidas extraordinárias, visando a restrição do trabalho jornalístico. Foi o caso da Hungria, onde Viktor Órban instituiu a lei “coronavírus”, que criminaliza a difusão de “notícias falsas” sobre a pandemia. 

Da mesma forma, tanto a China como o Irão censuraram a informação respeitante aos surtos nestes países.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas