Quarta-feira, 17 de Julho, 2019
Media

Pagar ou não pagar para ler notícias online em debate no Laboratório de Jornalismo da APM

A questão da sustentabilidade económica do jornalismo, posta em causa pela cultura da informação grátis, muito popular na era da Internet, esteve no centro dos debates durante a XII edição do Laboratorio de Periodismo da APM – Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria. O título escolhido para o encontro deste ano era uma pergunta: “Vamos pagar por ler notícias online?”  - e todas as respostas foram no sentido de reabilitar o valor profissional do jornalismo, pela sua qualidade e credibilidade, antes do seu valor como custo.

Esta jornada de reflexão teve como moderador Nemesio Rodríguez, vice-presidente da APM e presidente da FAPEFederación de Asociaciones de Periodistas de España, para quem “o ‘completamente gratuito’ criou nas pessoas a percepção de que o jornalismo e o trabalho do jornalista não valem nada e qualquer um pode fazê-lo”. 

Por seu lado, Jesús Maraña, director editorial do InfoLibre, afirmou: 

“A equação que fizémos, de que a Internet é igual a gratuitidade, e jornalismo igual a comunicação, revelou-se fatal. Defendamos o valor do jornalismo e então encontraremos os caminhos  - que são muito complicados -  para o financiar.”

“O que fica em primeiro lugar é a credibilidade, o fazer bom jornalismo. Eu não pagaria por um meio em que não acredito. Na profissão há um grande problema de credibilidade”  -  declarou José Sanclemente, presidente de eldiario.es. Na sua opinião, “se forem feitos meios de comunicação credíveis, e com a suficiente independência, as pessoas vão tornar-se assinantes deles”. (...) 

Mas, como explicou a seguir, estas condições têm de estar presentes nos meios que pretendam cobrar pelos seus conteúdos: que provem ser independentes, o que “exige uma transparência e nudez absoluta”; que ofereçam um jornalismo de qualidade, não brincando ao sensacionalismo e à “guerra dos clics”; que conquistem influência e utilidade, de modo a que os leitores notem “que as suas informações têm consequências sobre a sociedade”; e que constituam uma comunidade de utentes fiéis, com “diálogo constante entre os jornalistas e os utentes”. (...) 

“É muito edificante voltar a pôr o foco no leitor, em vez de no anunciante”  - afirmou Rosalía Lloret, directora de Relações Públicas e Institucionais da Online Publishers Association Europe, que reflectiu sobre os números avassaladores da concentração das receitas publicitárias nas grandes plataformas, na Espanha como no resto do mundo, para concluir que “o futuro do modelo cuja sobrevivência depende apenas da publicidade é muito negro, mas começa a abrir-se o futuro de pagar pelas notícias”. (...) 

As questões da limitação de acesso (paywalls) e da utilização crescente de “bloqueadores de anúncios” também foram abordadas pelos intervenientes. 

“A informação deve ser paga como se paga o pão, mas as paywalls só podem funcionar nos grandes títulos”  - afirmou Mar Abad, jornalista e co-fundadora da Yorokobu.  

E segundo Miguel Ormaetxea, editor de Ecointeligencia Editorial, “as paywalls têm de ser apenas uma das cinco ou seis principais fontes de receita dos media digitais”. (...)

 

A reportagem aqui citada, na íntegra, na APM, onde é também possível abrir o vídeo de síntese do Laboratorio de Periodismo.

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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09:00 @ Lagos, Nigéria
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