Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Tecnologias

Agência “Xinhua” em vantagem na ‘inteligência artificial’

No início do ano, a Xinhua, maior agência noticiosa estatal da China, divulgou o desenvolvimento de aplicação da ‘inteligência artificial’ para construir “um novo tipo de redacção, baseada na tecnologia de informação e utilizando colaboração entre o homem e a máquina”. Estava então a equipar-se com a plataforma Media Brain, que aplica a parafernália corrente designada por IA (inteligência artificial), Internet das coisas, big data e cloud computing a todas as fases da produção de notícias, desde a criação dos leads à agregação, edição, distribuição e análise de feedback.

Agora anunciou um update ao Media Brain, que vai usar MGC – machine generated content  para uma produção noticiosa de alta velocidade, que pode criar um vídeo de modo automático em cerca de dez segundos. O presidente da Xinhua, Cai Mingzaho, disse que a agência usará a IA para criar uma “informação individualizada e personalizada” que pode tomar muitas formas, desde portais noticiosos personalizados até títulos e artigos ajustados para leitores individuais  -  “e, provavelmente, para propaganda”. A informação é de um artigo de Kelsey Ables, assistente editorial na Columbia Journalism Review.

A Xinhua tem uma presença internacional crescente, com mais de 170 delegações no estrangeiro e o maior número de correspondentes de qualquer agência noticiosa em todo o mundo. 

“Antigamente, a Xinhua admirava a Reuters e a AP – Associated Press, e queria chegar lá”  -  diz Xin Xin, um ex-jornalista da Xinhua, hoje docente de Comunicações Internacionais na Universidade de Westminster. “Mas, subitamente, a Xinhua apercebeu-se de que continuava a expandir-se, enquanto as outras agências de notícias reduziam a dimensão.” Naturalmente, como agência estatal, a Xinhua não depende de receitas da publicidade. 

Sean Gourley, fundador e CEO da Primer, uma empresa de machine intelligence, com sede em San Francisco, sublinha que a Xinhua pode juntar-se ao grupo das grandes redes noticiosas muito depressa  -  e adquirir muita influência: 

“Temos a AP, a Reuters, a emissão da CNN, e algumas outras, mas não são muitas, e estas redes reverberam [replicam-se] maciçamente”  - afirma. “As agências noticiosas têm um papel enorme em dar o tom da conversa, muito mais do que lhes atribuímos.” (...) 

Conforme a autora do artigo que citamos, “se a ‘inteligência artificial’ amplificar a voz da Xinhua para fora da China, a agência vai ter um impacto global dramático sobre o modo como as notícias são espalhadas”: 

“A agência estatal tem má reputação pelas suas palavras proibidas, pontos sem acesso sobre questões de direitos humanos, acusações de espionagem e, mais recentemente, por ter feito a lista das contas Twitter de The New York Times que adquiriam falsos seguidores.” 

“Em 2016, depois de ter publicado o que se crê ser uma confissão forçada de um editor aparentemente raptado, Guo Minhai, os Repórteres sem Fronteiras pediram sanções da União Europeia contra a Xinhua, denunciando-a como uma ‘arma de propaganda de massas’ que tinha de facto ‘deixado de ser uma agência noticiosa’.” (...) 

“Além de bloquear palavras ou excluir conteúdos do noticiário, o governo controla cuidadosamente os media requerendo o uso do conteúdo da Xinhua. 

“A primeira prioridade do Partido Comunista Chinês é a de irradiar narrativas positivas sobre a China, contando a ‘boa história chinesa’”  - explica Sarah Cook, analista da Ásia Oriental na Freedom House

“Trata-se de apresentar o governo comunista e o regime autoritário a uma luz positiva, retratando-o como benigno, desvalorizando os problemas dos direitos humanos, sublinhando os sucessos económicos e, ao mesmo tempo, suprimindo as vozes críticas e, se necessário, usando estas vias para vilipendiar os críticos.” (...) 

Sarah Cook define isto como “censura positiva”. Se aparecer cobertura de acontecimentos negativos ou temas politicamente sensíveis, como tensões crescentes no mar do Sul da China ou [referências à] independência de Taiwan, o governo frequentemente requere o uso da versão da Xinhua

“Temos então basicamente a mesma reportagem, em todos os jornais ou websites, exactamente com as mesmas palavras.” (...)

E quando aparecem reportagens que não se ajustam à narrativa preferida pelo Partido Comunista Chinês, a Xinhua tem procurado lançar sementes de dúvida sobre a validade dessas histórias. (...) 

“Do ponto de vista de alguém que tem trabalhado nos media, há uma forte ênfase em ser-se o primeiro, no que respeita à experimentação”  -  afirma Jarrod Dicker, que dirigiu um laboratório de investigação digital  em The Washington Post, sobre a utilização da IA na redacções de todo o mundo. 

“Trata-se de ver se isto funciona antes de mais ninguém.” E não é só a Xinhua que quer ser a primeira; outras empresas de media estão também a integrar a IA no seu funcionamento  - incluindo a Associated Press e a Reuters. (...) 

 

O artigo citado, na íntegra, na Columbia Journalism Review.  E a notícia de Janeiro, sobre o início desta tecnologia na Xinhua.
Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


ver mais >
Opinião
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
Uma das coisas em que a informação sobre o mercado publicitário português peca é na análise das contas que são ganhas pelas agências de meios aqui em Portugal. Volta e meia vejo notícias do género a marca X decidiu atribuir a sua conta de publicidade em Portugal à agência Y. Quando se vai a ver, o que aconteceu é que a marca internacional X decidiu num qualquer escritório em Londres, Paris ou Berlim,...
Agenda
16
Set
16
Set
Ferramentas Google para Jornalistas
09:00 @ Cenjor,Lisboa
19
Set
Local Media Fal(l) School
09:00 @ Covilhã
23
Set
Radio Broadcasters Convention of Southern Africa
09:00 @ Johannesburg, África do Sul