Sábado, 30 de Maio, 2020
Fórum

Abecedário para combater vulnerabilidade à desinformação

A facilidade com que se propaga a desinformação nas redes sociais tem vindo a ser objecto de estudo, para identificar as suas causas e propor um antídoto eficaz. O simples facto de os conteúdos de fraca qualidade se espalharem tão depressa sugere que, tanto as pessoas como os algoritmos na estrutura das plataformas, são vulneráveis à manipulação. Dois investigadores na Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, procuraram identificar três tipos dominantes de preconceito, ou tendenciosismo, e os seus espaços de actuação, para desenvolverem depois as ferramentas tecnológicas indicadas para tornar as pessoas conscientes desses perigos e agirem em conformidade. 

Segundo o seu estudo, a “parcialidade” que nos torna vulneráveis ao engano pode revelar-se desde logo no cérebro, viciando o processo cognitivo; ou na sociedade, por efeito de imitação e “câmara de eco”; ou nos aparelhos que usamos, computadores ou telemóveis, por desvio do objectivo inicial dos algoritmos instalados. 

O nosso primeiro problema é que o cérebro está preparado para lidar com uma quantidade finita de informação, e o excesso de estímulos pode causar um efeito de sobrecarga. A “competição intensa pela atenção limitada dos utentes implica que determinadas ideias se tornam ‘virais’ apesar da sua fraca qualidade, e mesmo que as pessoas prefiram partilhar conteúdos de alta qualidade”. 

O acto de decidirmos se fazemos ou não o reenvio de uma história acabada de chegar deixa-nos mais vulneráveis, por exemplo, às conotações emocionais de um título  - que pode não ser o melhor critério sobre a sua autenticidade. “É mais importante saber quem o escreveu.” 

Em termos de relações sociais, tendemos a identificar-nos, no nosso tráfego online, cada vez mais com um grupo determinado. A investigação citada pelos dois autores revela que “é possível determinar a inclinação política de um utente do Twitter olhando simplesmente para as preferências partidárias dos seus amigos”. 

A estrutura destes grupos torna-os muito eficazes na partilha de informação  - verdadeira ou não  - “quando são muito coesos e desligados de outras partes da sociedade”. Isto explica de que modo tantas conversas online descambam em confrontos de “nós contra eles”. 

O terceiro tipo de tendenciosismo vem directamente dos algoritmos usados tanto pelas plataformas das redes sociais como pelos motores de busca. Estas “tecnologias de personalização” reforçam as preferências detectadas, tornando os utentes cada vez mais vulneráveis à manipulação. 

“Por exemplo, as ferramentas de publicidade inseridas em muitas plataformas de redes sociais permitem aos autores de campanhas de desinformação explorar as tendências de confirmação, fornecendo mensagens ajustadas a pessoas já inclinadas a acreditarem nelas.” (...) 

Para qualquer destes três territórios principais, os investigadores do estudo citado, no Observatory of Social Media da Universidade de Indiana, desenvolveram ferramentas específicas: 

Para o primeiro, apresentam Fakey, um jogo de literacia mediática destinado a dispositivos móveis, no qual se ganham pontos quando se faz o reenvio de notícias de fontes sérias ou se assinalam conteúdos suspeitos para fact-checking

Para o tendenciosismo de origem colectiva, propõem Hoaxy, um sistema que identifica de forma visual a disseminação de conteúdos de baixa credibilidade e o modo como estas disputam espaço aos esforços de fact-checking

Para o último, desenvolveram o Botometer, à letra um uma ferramenta para detectar robots sociais. “Não é perfeito, mas revelou que pelo menos 15% das contas do Twitter mostram sinais de que se trata de robots.” (...) 

“Ferramentas como estas oferecem aos utentes da Internet mais informação sobre a desinformação e, portanto, algum grau de protecção contra os seus malefícios. As soluções não serão exclusivamente tecnológicas, embora tenham provavelmente alguns aspectos técnicos. Mas devem ter em conta os aspectos cognitivos e sociais do problema.” 

O artigo citado, na íntegra, no NiemanLab, com um vídeo de apresentação destas ferramentas

Connosco
Na era digital a máquina é o “braço direito” do jornalista ... Ver galeria

A era digital fez-se acompanhar de uma profunda alteração nos modelos de actividade e de negócio, entre os quais se destaca o sector mediático, segundo aponta o mais recente relatório do Obercom.

De acordo com o estudo, essas mudanças caracterizam-se, sobretudo, pela implementação de algoritmos e pela automatização dos sistemas.

Se, por um lado, a digitalização trouxe alguns problemas ao sector mediático, que, durante décadas estudou a adaptação a um mundo globalizado, onde a informação nunca pára, por outro, veio facilitar o trabalho aos jornalistas.

Este fenómeno é, aparentemente, paradoxal, mas a verdade é que os processos automáticos ajudam os profissionais a responderem, eficazmente, à necessidade da produção “sôfrega” de conteúdos noticiosos.

Trocando por miúdos: se as máquinas existem, porque não “pedir-lhes ajuda”?

Assim, os “media” actuais dependem, cada vez mais, de algoritmos que permitem analisar a preferências dos leitores, bem como de sistemas que facilitam a actualização de “websites” ao minuto.

A urgência de proteger jornalistas em países onde falha a liberdade de imprensa Ver galeria

A violência contra os jornalistas é uma realidade cada vez mais presente no mundo contemporâneo, já que várias entidades, insatisfeitas com a sua independência, estão a desenvolver novos mecanismos para impedir a publicação de artigos incómodos para o poder instituído.

Os atentados mais graves contra a liberdade de imprensa ocorrem em países onde esta está condicionada, mas, igualmente, noutros onde era suposto haver protecção para o trabalho jornalístico.

De acordo com um artigo do “Guardian”, esta realidade distópica ficou  mais evidente com o aparecimento do coronavírus.

A título de exemplo, alguns governos criaram medidas extraordinárias, visando a restrição do trabalho jornalístico. Foi o caso da Hungria, onde Viktor Órban instituiu a lei “coronavírus”, que criminaliza a difusão de “notícias falsas” sobre a pandemia. 

Da mesma forma, tanto a China como o Irão censuraram a informação respeitante aos surtos nestes países.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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Acordaram para o incumprimento reiterado de alguns órgãos de informação em matéria deontológica? Só perceberam agora. Não deram pela cobertura dos casos Sócrates e companhia, não assistiram à novela Rosa Grilo? Perceberam finalmente que se pratica em Portugal, às vezes e em alguns casos senão mau, pelo menos péssimo jornalismo? Não estamos todos no mesmo saco. Não somos todos iguais....
O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas