Segunda-feira, 16 de Julho, 2018
Opinião

A morte anunciada do “DN” em papel

por Dinis de Abreu

Ao ler no centenário “Diário de Noticias” a noticia da extinção formal da sua edição em papel, de Segunda–Feira a Sábado , a partir de Julho, fica a saber-se que o seu actual director, o  jornalista Ferreira Fernandes, entrou em “oito cafés(…) a caminho do cinema S. Jorge onde decorreu a apresentação do novo jornal” e só “contou três pessoas a ler o jornal em papel”.   

Feito este exaustivo (e cansativo) inquérito de rua, o mesmo director concluiu, segundo ainda o “DN”,  que os únicos dias onde "há recorde de vendas em banca" são os sábados e os domingos. E, com base nesta expressiva amostragem, detectada  em “oito cafés”, é feito o enquadramento editorial para uma mudança histórica de um jornal, que se despede, na prática, das bancas, onde regista vendas residuais.

Depois de  trocar um edifício construído de raiz para ser a sua sede,  na avenida da Liberdade, pela quase anonimato num condomínio partilhado numa das Torres Lisboa, o vetusto “DN”, que já foi de referência , quase desiste do papel em que arquivou século e meio de História portuguesa, e envereda pelo digital, com uma redacção  reduzida a metade da que tinha, quando era um matutino influente.

Nada que surpreenda. Os erros acumulados pagam-se caro e as dependências também. Publicar a única edição em papel ao domingo , quando os postos de venda estão reduzidos a um terço, é a prova de uma resignação. E uma desculpa para o futuro.

Bem pode Daniel Proença de Carvalho, investido no papel de “chairman” da empresa, anunciar que "o DN ultrapassou todas as crises porque soube rejuvenescer-se e adaptar-se às realidades".  É uma frase feita, inócua e piedosa, do advogado astucioso, há muito com um pé nos media.    

É uma afirmação tão gratuita e oca como a de proclamar que o “DN” deu “um salto para se aproximar dos seus leitores”. Só se foi um salto no escuro, perante a contínua  deserção de leitores.

É um facto que a Imprensa em suporte de papel tem vindo a perder terreno e Portugal não é excepção. Convirá, todavia, sublinhar, que as tiragens irrisórias a que desceu o “DN” não têm comparação com as de outros jornais, diários e semanários, que se publicam em Portugal.

Com este passo, o jornal fundado em 1864  por Eduardo Coelho recolhe ao digital e adopta, em papel,  uma camuflagem “multimarcas”, que constitui o novo jargão modernaço para impressionar os convertidos, a quem cabe recitar  o catecismo de uma religião na moda. Estamos assim.

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Vantagens dos Conselhos de Imprensa na autoregulação e deontologia profissional Ver galeria
Ao longo do séc. XX e início do XXI, muitos países instituíram os seus Conselhos de Imprensa, como órgãos profissionais de autoregulação da Comunicação Social. Há cerca de uma centena, dos quais 30 em países europeus. Mas é o Conselho de Imprensa do Québec, no Canadá  - agora com 45 anos -  que vem descrito como aquele com “a reputação mais forte”, sendo o que inspirou muitos dos que vieram a seguir. Não se trata, no texto que citamos, de o apresentar como modelo, porque “cada país tem, nesta matéria, uma história e uma abordagem próprias”, mas para aprender com a sua experiência e avaliar os limites do empreendimento.
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