null, 23 de Setembro, 2018
Opinião

A morte anunciada do “DN” em papel

por Dinis de Abreu

Ao ler no centenário “Diário de Noticias” a noticia da extinção formal da sua edição em papel, de Segunda–Feira a Sábado , a partir de Julho, fica a saber-se que o seu actual director, o  jornalista Ferreira Fernandes, entrou em “oito cafés(…) a caminho do cinema S. Jorge onde decorreu a apresentação do novo jornal” e só “contou três pessoas a ler o jornal em papel”.   

Feito este exaustivo (e cansativo) inquérito de rua, o mesmo director concluiu, segundo ainda o “DN”,  que os únicos dias onde "há recorde de vendas em banca" são os sábados e os domingos. E, com base nesta expressiva amostragem, detectada  em “oito cafés”, é feito o enquadramento editorial para uma mudança histórica de um jornal, que se despede, na prática, das bancas, onde regista vendas residuais.

Depois de  trocar um edifício construído de raiz para ser a sua sede,  na avenida da Liberdade, pela quase anonimato num condomínio partilhado numa das Torres Lisboa, o vetusto “DN”, que já foi de referência , quase desiste do papel em que arquivou século e meio de História portuguesa, e envereda pelo digital, com uma redacção  reduzida a metade da que tinha, quando era um matutino influente.

Nada que surpreenda. Os erros acumulados pagam-se caro e as dependências também. Publicar a única edição em papel ao domingo , quando os postos de venda estão reduzidos a um terço, é a prova de uma resignação. E uma desculpa para o futuro.

Bem pode Daniel Proença de Carvalho, investido no papel de “chairman” da empresa, anunciar que "o DN ultrapassou todas as crises porque soube rejuvenescer-se e adaptar-se às realidades".  É uma frase feita, inócua e piedosa, do advogado astucioso, há muito com um pé nos media.    

É uma afirmação tão gratuita e oca como a de proclamar que o “DN” deu “um salto para se aproximar dos seus leitores”. Só se foi um salto no escuro, perante a contínua  deserção de leitores.

É um facto que a Imprensa em suporte de papel tem vindo a perder terreno e Portugal não é excepção. Convirá, todavia, sublinhar, que as tiragens irrisórias a que desceu o “DN” não têm comparação com as de outros jornais, diários e semanários, que se publicam em Portugal.

Com este passo, o jornal fundado em 1864  por Eduardo Coelho recolhe ao digital e adopta, em papel,  uma camuflagem “multimarcas”, que constitui o novo jargão modernaço para impressionar os convertidos, a quem cabe recitar  o catecismo de uma religião na moda. Estamos assim.

Connosco
CPI e "Tribuna de Macau" instituem Prémios de Ensaio e de Jornalismo da Lusofonia Ver galeria

O Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído há um ano por iniciativa do jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, com o patrocínio da Fundação Jorge Álvares e o apoio do JL – Jornal de Artes, Letras e Ideias, reparte-se, nesta sua segunda edição, por dois: um aberto a textos originais, que passa a designar-se o Prémio Ensaio da Lusofonia, e outro que mantém o título de Prémio de Jornalismo da Lusofonia, destinado a textos já publicados, em suporte papel ou digital.

Mantém-se o espírito original de distinguir trabalhos “no quadro do desejado aprofundamento de todos os aspectos ligados à Língua Portuguesa, com relevo para a singularidade do posicionamento de Macau no seu papel de plataforma de ligação entre países de Língua Oficial Portuguesa”.

O Regulamento do Prémio de Lusofonia vem incluído na segunda imagem que acompanha este texto.

O efeito da revolução digital sobre a arquitectura das redacções Ver galeria

A transformação, no jornalismo, é tão rápida que até os novos termos ficam desactualizados sem que demos conta disso. Pior ainda, sem que os tenhamos sequer assimilado correctamente. É o caso da “convergência redaccional”, ou integração dos vários elementos da redacção no seu espaço reajustado. Esta reflexão é desenvolvida por Félix Bahón, jornalista, docente e investigador do Instituto para la Innovación Periodística, e foi publicada no nº 22 de Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

Lançado em Novembro de 2015, este site do Clube Português de Imprensa tem desenvolvido, desde então, um trabalho de acompanhamento das tendências dominantes, quer no mercado de Imprensa, quer nos media audiovisuais em geral e na Internet em particular.

Interessa-nos, também, debater o jornalismo e o modo como é exercido, em Portugal e fora de fronteiras,  cumprindo um objectivo que está na génese desta Associação.


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