Sexta-feira, 22 de Fevereiro, 2019
Opinião

A morte anunciada do “DN” em papel

por Dinis de Abreu

Ao ler no centenário “Diário de Noticias” a noticia da extinção formal da sua edição em papel, de Segunda–Feira a Sábado , a partir de Julho, fica a saber-se que o seu actual director, o  jornalista Ferreira Fernandes, entrou em “oito cafés(…) a caminho do cinema S. Jorge onde decorreu a apresentação do novo jornal” e só “contou três pessoas a ler o jornal em papel”.   

Feito este exaustivo (e cansativo) inquérito de rua, o mesmo director concluiu, segundo ainda o “DN”,  que os únicos dias onde "há recorde de vendas em banca" são os sábados e os domingos. E, com base nesta expressiva amostragem, detectada  em “oito cafés”, é feito o enquadramento editorial para uma mudança histórica de um jornal, que se despede, na prática, das bancas, onde regista vendas residuais.

Depois de  trocar um edifício construído de raiz para ser a sua sede,  na avenida da Liberdade, pela quase anonimato num condomínio partilhado numa das Torres Lisboa, o vetusto “DN”, que já foi de referência , quase desiste do papel em que arquivou século e meio de História portuguesa, e envereda pelo digital, com uma redacção  reduzida a metade da que tinha, quando era um matutino influente.

Nada que surpreenda. Os erros acumulados pagam-se caro e as dependências também. Publicar a única edição em papel ao domingo , quando os postos de venda estão reduzidos a um terço, é a prova de uma resignação. E uma desculpa para o futuro.

Bem pode Daniel Proença de Carvalho, investido no papel de “chairman” da empresa, anunciar que "o DN ultrapassou todas as crises porque soube rejuvenescer-se e adaptar-se às realidades".  É uma frase feita, inócua e piedosa, do advogado astucioso, há muito com um pé nos media.    

É uma afirmação tão gratuita e oca como a de proclamar que o “DN” deu “um salto para se aproximar dos seus leitores”. Só se foi um salto no escuro, perante a contínua  deserção de leitores.

É um facto que a Imprensa em suporte de papel tem vindo a perder terreno e Portugal não é excepção. Convirá, todavia, sublinhar, que as tiragens irrisórias a que desceu o “DN” não têm comparação com as de outros jornais, diários e semanários, que se publicam em Portugal.

Com este passo, o jornal fundado em 1864  por Eduardo Coelho recolhe ao digital e adopta, em papel,  uma camuflagem “multimarcas”, que constitui o novo jargão modernaço para impressionar os convertidos, a quem cabe recitar  o catecismo de uma religião na moda. Estamos assim.

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Um fotojornalista português, Mário Cruz, da Agência Lusa, figura entre os nomeados para o World Press Photo 2019, o mais prestigiado prémio de fotojornalismo do mundo, cuja identidade e trabalhos a concurso foram agora conhecidos. A Fundação organizadora introduziu também uma nova categoria a ser premiada, a História do Ano, destinada a “fotógrafos cuja criatividade e habilidades visuais produziram uma história com excelente edição e sequenciamento, que captura ou representa um evento ou assunto de grande importância jornalística”.

A imagem de Mário Cruz, intitulada “Viver entre o que foi deixado para trás”, mostra uma criança recolhendo material reciclável, deitada num colchão cercado por lixo, enquanto flutua no rio Pasig, em Manila, nas Filipinas.

Os vencedores do concurso serão conhecidos na cerimónia marcada para 11 de Abril, em Amesterdão, na Holanda.

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Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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