Sábado, 17 de Novembro, 2018
Prémio

A religião do jornalismo é a decência para o Melhor Jornalista espanhol do Ano

Antonio García Ferreras, director do canal de televisão laSexta, foi reconhecido pela Asociación de la Prensa de Madrid como o Melhor Jornalista do Ano de 2017  -  com referência especial ao modo como conduziu a cobertura do conflito na Catalunha. Entrevistado pela APM  - com a qual mantemos um acordo de parceria -  García Ferreras assume que o prémio distingue toda a equipa que dirige, pelo seu nível de “cumplicidade e interligação”:

“As equipas têm que estar sempre acima dos egos. (...) Sem esse fio fundamental que une as diferentes pessoas que fazem parte da redacção, nada seria possível.”

“Esta profissão é melhor do que julgamos e por vezes esquecemos. Assenta em dois ou três códigos básicos que a tornam apaixonante. Para mim, um desses códigos é a humildade. Outro é a indignação diante das injustiças, em defesa da dignidade daqueles que têm menos voz ou menos força. Para mim, é isso que devia fazer parte do ADN do jornalismo.” 

“Mas não creio que seja a única função: indignação perante a injustiça, consciência crítica mas com humildade, contar o que está a acontecer e esforçar-se por revelar aquilo que os poderes acham que devia continuar escondido. Acho sempre que o melhor desinfectante numa sociedade é a luz do sol  - quer dizer, a transparência.” (...) 

Sobre as questões da desinformação, boatos e fake news, García Ferreras recorda que sempre as houve na profissão, estando agora mais aceleradas pela natureza das redes sociais. Defende que o antídoto é a valorização e procura constante da verdade, “mas praticando sempre a religião do jornalismo, que é a decência”: 

“O desafio principal do jornalismo é a decência. E é isso que traz, com o tempo, a credibilidade.” (...) 

E acrescenta que não é preciso qualificar (ou desqualificar) o jornalismo actual por comparação com o anterior: 

“Em todas as épocas há elementos que nos podem deslumbrar, de coragem, de seriedade, rigor e força, e outros muito mais questionáveis. (...) Há bom jornalismo a ser feito agora, como há mau jornalismo. Como sempre, mas num ecossistema diferente e com outras velocidades.” (...) 

Sobre o programa de debate que dirige, Al rojo vivo  -  por vezes louvado por estar a fazer o “serviço público” que nem sempre fará a própria televisão estatal, ou, por outras pessoas, criticado pelo ambiente de “debate crispado” em que pode cair, García Ferreras responde: 

“Fazemos aquilo que cremos que temos de fazer. (...) Creio que todos os jornalistas procuram fazer um serviço público, estejam onde estiverem. Não discutimos se somos os substitutos de qualquer televisão pública. Fazemo-lo porque acreditamos nele.” (...) 

“Não gosto dos programas de debate político com crispação ou com briga. Creio que a paixão é aceitável. A emoção, a paixão, o debate, o cruzamento de opiniões diferentes.” (...) 

“É verdade que o tom de voz, neste tipo de debate, pode ficar crispado. Mas eu afasto-me da crispação, não gosto, mesmo que algumas pessoas achem que isso pode dar audiência. Não me interessa a audiência se é assente na crispação. O que me interessa é a informação, as chaves [de compreensão], procurar  decifrar as causas do que acontece.” (...) 

E em resposta à pergunta sobre se se considera um jornalista “incómodo, combativo e insistente”, afirma: 

“O jornalismo crítico significa arriscar. O jornalismo não pode ter sangue de cobarde, e isso faz com que, por vezes, sejamos incómodos e nos coloquemos em posições que, evidentemente, inplicam que não nos levantamos de manhã para fazer amigos. Acredito num jornalismo que tenha capacidade de incomodar o poder. E quando falo do poder não é só do governo, mas dos poderes: financeiros, políticos, empresariais, laborais...”

 

A entrevista na íntegra, na APM

Connosco
Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

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O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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