Sábado, 25 de Maio, 2019
Cultura

Historiadora distinguida com Prémio Helena Vaz da Silva

A historiadora britânica Bettany Hughes, também editora e apresentadora de programas de televisão e rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018, segundo foi anunciado pelo respectivo júri. A escolha “tem por objectivo homenagear a personalidade excepcional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante”, tendo ainda em conta a necessidade “vital de construir uma visão da nossa identidade multifacetada”, numa era de nacionalismos e populismos, como se lê na declaração agora divulgada. A cerimónia de entrega do Prémio realiza-se no dia 15 de Novembro deste ano na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura (CNC), em cooperação com a “Europa Nostra”, que o CNC representa em Portugal, e o Clube Português de Imprensa, este prémio distingue “contribuições excepcionais para a protecção e divulgação do património cultural e dos ideais europeus”.

O prémio conta com o apoio do Ministério da Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.

 

“Bettany Hughes conta histórias do passado que atravessaram milénios, mantendo o seu significado nos dias de hoje”, lê-se na declaração da presidente do CNC, Maria Calado, feita em nome do júri. “Na sociedade actual, a influência do nacionalismo e do populismo parecem crescer facilmente, tornando-se vital construir uma visão da nossa identidade multifacetada e abrir as portas para a rica herança de que beneficiamos”.

 

No comunicado sobre a atribuição do prémio, Bettany Hughes reconhece-se “muito emocionada com a decisão do júri”:

 

“Foi uma surpresa maravilhosa e sinto-me verdadeiramente honrada, tanto pela escolha como pela associação ao nome de Helena Vaz da Silva. Este prémio inspira-me a redobrar os meus esforços no sentido de apoiar, celebrar e salvar o património da Europa”, disse.

 

Bettany Hughes é uma reconhecida historiadora e autora, que dedicou os últimos 25 anos à comunicação do passado. A sua especialidade é a História e Cultura da Antiguidade e da Idade Média. Membro da Universidade de Oxford, deu aulas nessa Universidade e em Cambridge, e também em Cornell, Bristol, na UCL, Maastricht, Utrecht e Manchester. É tutor do Institute of Continuing Education da Universidade de Cambridge e Research Fellow do King's College de Londres. Este ano juntar-se-á ao New College of the Humanities como Professora Visitante. 

O seu primeiro livro, “Helena de Troia: Deusa, Princesa, Prostituta” (2005) foi traduzido para dez idiomas e publicado em Portugal (Alêtheia, 2008). O seu segundo livro, “The Hemlock Cup: Socrates, Athens and the Search for the Good Life” (2010) foi bestseller do New York Times e esteve entre os finalistas do Writers Guild Award

Escreveu e apresentou mais de 50 programas de rádio e TV para a BBC, Channel 4, Discovery, PBS, Canal História, National Geographic, Discovery, BBC World e ITV. Os seus programas já foram vistos por mais de 250 milhões de espectadores em todo o mundo. Bettany Hughes tem também chamado a atenção para a posição das mulheres na sociedade, tanto no passado como no presente. 

Este Prémio Europeu, que tem o nome de Helena Vaz da Silva (1939- 2002), recorda a jornalista portuguesa, escritora, activista cultural e política, e a sua notável contribuição para a divulgação do património cultural e dos ideais europeus. 

O escritor italiano Claudio Magris  foi o primeiro laureado do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, em 2013.

Seguiram-se o escritor turco e Prémio Nobel da Literatura Orhan Pamuk, em 2014, o músico catalão Jordi Savall, em 2015, o cartoonista francês Jean Plantureux, conhecido como Plantu, e o ensaísta português Eduardo Lourenço, ex aequo, em 2016, e o cineasta Wim Wenders em 2017.

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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