Sábado, 17 de Agosto, 2019
Cultura

Historiadora distinguida com Prémio Helena Vaz da Silva

A historiadora britânica Bettany Hughes, também editora e apresentadora de programas de televisão e rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018, segundo foi anunciado pelo respectivo júri. A escolha “tem por objectivo homenagear a personalidade excepcional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante”, tendo ainda em conta a necessidade “vital de construir uma visão da nossa identidade multifacetada”, numa era de nacionalismos e populismos, como se lê na declaração agora divulgada. A cerimónia de entrega do Prémio realiza-se no dia 15 de Novembro deste ano na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura (CNC), em cooperação com a “Europa Nostra”, que o CNC representa em Portugal, e o Clube Português de Imprensa, este prémio distingue “contribuições excepcionais para a protecção e divulgação do património cultural e dos ideais europeus”.

O prémio conta com o apoio do Ministério da Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.

 

“Bettany Hughes conta histórias do passado que atravessaram milénios, mantendo o seu significado nos dias de hoje”, lê-se na declaração da presidente do CNC, Maria Calado, feita em nome do júri. “Na sociedade actual, a influência do nacionalismo e do populismo parecem crescer facilmente, tornando-se vital construir uma visão da nossa identidade multifacetada e abrir as portas para a rica herança de que beneficiamos”.

 

No comunicado sobre a atribuição do prémio, Bettany Hughes reconhece-se “muito emocionada com a decisão do júri”:

 

“Foi uma surpresa maravilhosa e sinto-me verdadeiramente honrada, tanto pela escolha como pela associação ao nome de Helena Vaz da Silva. Este prémio inspira-me a redobrar os meus esforços no sentido de apoiar, celebrar e salvar o património da Europa”, disse.

 

Bettany Hughes é uma reconhecida historiadora e autora, que dedicou os últimos 25 anos à comunicação do passado. A sua especialidade é a História e Cultura da Antiguidade e da Idade Média. Membro da Universidade de Oxford, deu aulas nessa Universidade e em Cambridge, e também em Cornell, Bristol, na UCL, Maastricht, Utrecht e Manchester. É tutor do Institute of Continuing Education da Universidade de Cambridge e Research Fellow do King's College de Londres. Este ano juntar-se-á ao New College of the Humanities como Professora Visitante. 

O seu primeiro livro, “Helena de Troia: Deusa, Princesa, Prostituta” (2005) foi traduzido para dez idiomas e publicado em Portugal (Alêtheia, 2008). O seu segundo livro, “The Hemlock Cup: Socrates, Athens and the Search for the Good Life” (2010) foi bestseller do New York Times e esteve entre os finalistas do Writers Guild Award

Escreveu e apresentou mais de 50 programas de rádio e TV para a BBC, Channel 4, Discovery, PBS, Canal História, National Geographic, Discovery, BBC World e ITV. Os seus programas já foram vistos por mais de 250 milhões de espectadores em todo o mundo. Bettany Hughes tem também chamado a atenção para a posição das mulheres na sociedade, tanto no passado como no presente. 

Este Prémio Europeu, que tem o nome de Helena Vaz da Silva (1939- 2002), recorda a jornalista portuguesa, escritora, activista cultural e política, e a sua notável contribuição para a divulgação do património cultural e dos ideais europeus. 

O escritor italiano Claudio Magris  foi o primeiro laureado do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, em 2013.

Seguiram-se o escritor turco e Prémio Nobel da Literatura Orhan Pamuk, em 2014, o músico catalão Jordi Savall, em 2015, o cartoonista francês Jean Plantureux, conhecido como Plantu, e o ensaísta português Eduardo Lourenço, ex aequo, em 2016, e o cineasta Wim Wenders em 2017.

Connosco
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No decorrer de uma década, e em plena crise económica e do jornalismo,  a Spainmedia ocupou o seu lugar de editora de revistas internacionais na área designada por  lifestyle  - trazendo para o mercado espanhol a versão local de marcas como a Esquire e a Forbes, entre outras.  A história do seu êxito neste espaço é também a de um jornalista, Andrés Rodríguez, que se torna um director editorial bem sucedido  -  e é essa, naturalmente, a primeira pergunta da entrevista que lhe é feita por Media-tics.

A sua resposta é que foi na base de “paixão, entusiasmo e inconsciência”, e muito por tentativa e erro. Logo acrescenta:

“Aprendi, também, a dirigir recursos humanos  - e que, se não formos rentáveis, fechamos mais tarde ou mais cedo. Os media podem sobreviver algum tempo sem rentabilidade mas, por fim, impõe-se a conta dos resultados.”

Reconhece que aprendeu muito na Prisa, mas ficou frustrado com a fronteira marcada entre o sector jornalístico e o financeiro e publicitário. Como explica,  “pensava que para fazer a minha revista eu tinha que poder vender, ter alianças, mas na Prisa isso não podia ser feito por um jornalista”:

“Se alguma coisa corria bem, resultava do êxito do jornalista e do gestor; se corria mal, era resultado do jornalista. Eu queria ser responsável pelo que fizesse mal.”

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Muitos chegam ao jornalismo com o sonho de fazer reportagem que comunique “impacto, conhecimento e inspiração”. Mas quando encontram o espaço ocupado principalmente por notícias negativas, sem caminho de saída, desanimam e chegam a desistir da profissão.

A jornalista argentina Liza Gross conta que passou por isto, tendo deixado o jornalismo “porque estava esgotada a todos os níveis, não só pelo modelo económico como também pelo modo como nós, jornalistas, estávamos a fazer o nosso trabalho”.

O rumo que seguiu levou-a à rede Solutions Journalism Network [Red de Periodismo de Soluciones  nos países de língua espanhola], cujos métodos promove, no sentido de alterar a imagem clássica do jornalista, que deixa de ser apenas o watchdog (“cão de guarda”) que vigia os poderes e denuncia o que está mal, para se tornar o “cão-piloto” capaz de de fazer “a cobertura rigorosa e baseada na evidência de respostas a problemas sociais”.

A reflexão é desenvolvida em dois textos que aqui citamos, da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, que trabalha em parceria com a Red de Periodismo de Soluciones  para dar formação nesta nova disciplina.

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Quando retomarmos a actualização  das nossas páginas, no inicio de Setembro, contamos com a renovação do interesse dos Associados do Clube e dos milhares de outros frequentadores regulares,  que nos acompanham  em número crescente e que  se revêem neste espaço, formatado no rigor e na independência em que todos nos reconhecemos,  como  valor matricial do Clube, desde a sua fundação,  há quase meio século.   


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