Sábado, 25 de Maio, 2019
Estudo

Jornalistas e leitores divergem sobre conceitos de jornalismo

O modo como os jornalistas imaginam o seu público pode ser bastante diferente do modo como este entende o jornalismo. Tudo depende das questões concretas que são postas. Um estudo muito recente, baseado num inquérito a mais de 2000 leitores e a cerca de 1000 jornalistas, nos Estados Unidos, revela que, quanto à importância do rigor e de uma atitude de clareza sobre as fontes de informação, o acordo é muito elevado. Mas a maioria dos jornalistas atribuía aos seus leitores mais ignorância sobre determinadas diferenças do que realmente ficou provado. Tom Rosenstiel, director executivo do American Press Institute (a instituição promotora deste inquérito) declarou, sobre os resultados, que, “mesmo que os leitores não entendam exactamente muitos dos conceitos do jornalismo, são consumidores mais atentos e activos do que os jornalistas pensam”.

Um exemplo é a compreensão, pelo público, das diferenças entre analista e comentador, entre repórter e colunista, entre editorial e notícia, ou entre notícia e press-release. Menos de um terço do público declarou sentir menos familiaridade com qualquer destas distinções. Mas os jornalistas calcularam que seriam 60%, ou mais, em cada caso. 

Como disse Rosenstiel, os jornalistas podem recolher mais confiança “por meio de iniciativas para aumentar a transparência, eliminar o jargão profissional e abrir as notícias à participação do público”. 

Os que responderam ao inquérito desejam que as notícias tenham algum enquadramento e análise (63%). “Mas muitos acham que encontram frequentemente comentário e opinião, que consideram muito menos útil (42%). Em consequência disto, muitos evitam ler ou escutar os conteúdos mais opiniosos que encontram.” (...) 

Segundo o texto que citamos, de Rick Edmonds, analista do Poynter Institute, “as fake news não eram o tema principal deste estudo, mas os jornalistas podem ficar surpreendidos pelas implicações do que ficou revelado”: 

“O público atribui múltiplos significados a esta expressão. Na sua maioria (71%), adoptou [a definição] ‘histórias inventadas provenientes de sites noticiosos que não existem’ como uma forma de fake news. Mas um número substancial também pensa que são ‘jornalistas de meios de comunicação reais a inventarem coisas’ (62%), podendo ainda incluir-se ‘histórias incorrectas ou toscas’ (43%).” 

“Isto sugere que o Presidente Trump e os seus apoiantes tiveram um êxito considerável ao expropriarem o termo do seu sentido original. (E as diferenças entre apoiantes e opositores de Trump, na definição do que são as fake news, não são muito grandes).” 

Rick Edmonds chama a atenção para outras duas conclusões: 

“Mais de metade dos inquiridos revelaram saber o que são fontes anónimas. Mas apenas 35% disseram que mesmo os seus websites favoritos procedem correctamente explicando o uso destas fontes.” 

“E embora muitos achem que o jornalismo, de modo geral, vai por mau caminho, 32% dizem que mantêm a confiança nos seus órgãos de comunicação favoritos mais do que há um ano atrás.” (...) 

O estudo foi realizado pelo Media Insight Project  -  uma iniciativa do American Press Institute, com o Associated Press – NORC Center for Public Affairs Research

 

O estudo citado, no Poynter.org e no American Press Institute - a que pertence a imagem incluída - e mais referências em Media-tics

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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