Quarta-feira, 17 de Julho, 2019
Colectânea

Combater as "fake news" é fundamental para a democracia

A fiabilidade das fontes e o rigor da verificação constituem dois passos indispensáveis na produção de notícias autênticas, muito mais em tempos de “distribuição deliberada de desinformação e boatos”  - hoje feita por meio da Internet. “Sem fonte não há notícia. Sem ‘checagem’ não há a possibilidade de descobrir ‘o mínimo de verdade’. Leon Sigal (1979) conclui que a notícia não é aquilo que os jornalistas pensam, mas o que as fontes dizem. Notícia sem fonte pode ser notícia? Notícia falsa pode ser notícia? Se é falso é notícia?” 

É este o teor da reflexão do jornalista Edgar Leite, em texto publicado no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O tema das chamadas fake news preocupa o mundo jornalístico. Segundo o autor que citamos, nunca foi tão importante fazer esta verificação: 

“Aliás, o jornalismo faz-se com ‘checagem’ das fontes, conversas ‘olho no olho’, muitas vezes demoradas, com a confirmação de dados apresentados pela fonte. É simplesmente uma obrigação. Em um mundo cada vez mais veloz em que a Internet exige que a notícia seja publicada ‘imediatamente’, segundos ou minutos após a produção (antigamente era um dia depois, nos casos dos jornais impressos), a prática de esmiuçar, ‘destroçar’ algo que a fonte passou para ser publicado passa despercebida. Uma grande falha pode custar caro.” (…) 

Portanto, se algo que se publica é falso, “pode ser tudo (qualquer nome que se queira dar ao fenómeno), menos notícia”. (…)

O autor que citamos acrescenta: 

“Combater as fake news é fundamental para o bem da democracia, do direito de ‘clarear a cena dos factos’ para que o cidadão possa tirar suas conclusões. É bem verdade que há uma discussão longa sobre imparcialidade (que pode não ser neutralidade) — mas que deixaremos para uma próxima discussão.” 

Mas prossegue advertindo que é preciso “redobrar cuidados para ‘que a dose do remédio não seja tão forte que deixe o paciente ainda mais debilitado do que já está’, havendo uma linha ténue entre o desejo do combate e a possibilidade de um controlo de conteúdos que pode aproximar-se de censura, em alguns casos”. 

Edgar Leite menciona “projectos de lei na Câmara dos Deputados que, se não forem bem avaliados, podem, de alguma maneira, prejudicar, no futuro, a liberdade de expressão”. (…) 

E deixa, na forma de perguntas, as questões de fundo: 

“É importante saber: o que é notícia falsa? Mais importante ainda: quem vai dizer se a notícia é falsa? Vamos transformar o cidadão em juiz ou julgador? Ou vamos atribuir a entidades privadas ou públicas essa responsabilidade? Ou aos órgãos de comunicação?” 

“Quem julga está livre de interesses futuros? Quem julga está isento de motivações económicas e políticas?” (...) 

O seu conselho final ao leitor é que seja também “investigador”, que “duvide dos exageros, do sensacionalismo” e procure identificar as fontes primárias da alegada notícia, em sites noticiosos reconhecidos. 


O artigo citado, na íntegra, no Observatório da Imprensa

 

Connosco
Prémio Europeu Helena Vaz da Silva atribuído à Directora do CERN Ver galeria

A cientista italiana Fabiola Gianotti, especializada em física de partículas e, desde 2016, Directora-Geral do CERN (acrónimo da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear), foi distinguida com o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2019.

“O conhecimento é como uma arte”  - afirmou Fabiola Gianotti ao agradecer a nomeação. “Ambos são as mais altas expressões da mente humana e o CERN é o lugar perfeito para as alcançar.”

“O conhecimento científico pertence a todos”  - disse ainda. “Como cientistas, devemos fazer os maiores esforços para compartilhar com a sociedade em geral as nossas descobertas e promover uma ciência aberta, acessível a todos. Ao longo das décadas, o CERN tem defendido os valores da excelência científica, ciência aberta e colaboração entre os países europeus e do resto do mundo.”

O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural foi instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura, em cooperação com a Europa Nostra, que representa em Portugal, e também com o Clube Português de Imprensa.

O Júri do Prémio deste ano atribuíu Menções Especiais a duas outras personalidades: o Director do Royal Danish Theatre,  Kasper Holten, pelo seu esforço em prol da compreensão do património cultural, e o italiano Angelo Castiglioni, que dedicou a sua vida a explorações arqueológicas e etnográficas.

A cerimónia de entrega do Prémio terá lugar no dia 25 de Novembro na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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Francisco Sarsfield Cabral
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Ago
Composição Fotográfica
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21
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09:00 @ Edinburgo, Escócia
27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigéria
16
Set