Segunda-feira, 16 de Julho, 2018
Media

Combater as "fake news" é fundamental para a democracia

A fiabilidade das fontes e o rigor da verificação constituem dois passos indispensáveis na produção de notícias autênticas, muito mais em tempos de “distribuição deliberada de desinformação e boatos”  - hoje feita por meio da Internet. “Sem fonte não há notícia. Sem ‘checagem’ não há a possibilidade de descobrir ‘o mínimo de verdade’. Leon Sigal (1979) conclui que a notícia não é aquilo que os jornalistas pensam, mas o que as fontes dizem. Notícia sem fonte pode ser notícia? Notícia falsa pode ser notícia? Se é falso é notícia?” 

É este o teor da reflexão do jornalista Edgar Leite, em texto publicado no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O tema das chamadas fake news preocupa o mundo jornalístico. Segundo o autor que citamos, nunca foi tão importante fazer esta verificação: 

“Aliás, o jornalismo faz-se com ‘checagem’ das fontes, conversas ‘olho no olho’, muitas vezes demoradas, com a confirmação de dados apresentados pela fonte. É simplesmente uma obrigação. Em um mundo cada vez mais veloz em que a Internet exige que a notícia seja publicada ‘imediatamente’, segundos ou minutos após a produção (antigamente era um dia depois, nos casos dos jornais impressos), a prática de esmiuçar, ‘destroçar’ algo que a fonte passou para ser publicado passa despercebida. Uma grande falha pode custar caro.” (…) 

Portanto, se algo que se publica é falso, “pode ser tudo (qualquer nome que se queira dar ao fenómeno), menos notícia”. (…)

O autor que citamos acrescenta: 

“Combater as fake news é fundamental para o bem da democracia, do direito de ‘clarear a cena dos factos’ para que o cidadão possa tirar suas conclusões. É bem verdade que há uma discussão longa sobre imparcialidade (que pode não ser neutralidade) — mas que deixaremos para uma próxima discussão.” 

Mas prossegue advertindo que é preciso “redobrar cuidados para ‘que a dose do remédio não seja tão forte que deixe o paciente ainda mais debilitado do que já está’, havendo uma linha ténue entre o desejo do combate e a possibilidade de um controlo de conteúdos que pode aproximar-se de censura, em alguns casos”. 

Edgar Leite menciona “projectos de lei na Câmara dos Deputados que, se não forem bem avaliados, podem, de alguma maneira, prejudicar, no futuro, a liberdade de expressão”. (…) 

E deixa, na forma de perguntas, as questões de fundo: 

“É importante saber: o que é notícia falsa? Mais importante ainda: quem vai dizer se a notícia é falsa? Vamos transformar o cidadão em juiz ou julgador? Ou vamos atribuir a entidades privadas ou públicas essa responsabilidade? Ou aos órgãos de comunicação?” 

“Quem julga está livre de interesses futuros? Quem julga está isento de motivações económicas e políticas?” (...) 

O seu conselho final ao leitor é que seja também “investigador”, que “duvide dos exageros, do sensacionalismo” e procure identificar as fontes primárias da alegada notícia, em sites noticiosos reconhecidos. 


O artigo citado, na íntegra, no Observatório da Imprensa

 

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