Quarta-feira, 19 de Setembro, 2018
Media

Combater as "fake news" é fundamental para a democracia

A fiabilidade das fontes e o rigor da verificação constituem dois passos indispensáveis na produção de notícias autênticas, muito mais em tempos de “distribuição deliberada de desinformação e boatos”  - hoje feita por meio da Internet. “Sem fonte não há notícia. Sem ‘checagem’ não há a possibilidade de descobrir ‘o mínimo de verdade’. Leon Sigal (1979) conclui que a notícia não é aquilo que os jornalistas pensam, mas o que as fontes dizem. Notícia sem fonte pode ser notícia? Notícia falsa pode ser notícia? Se é falso é notícia?” 

É este o teor da reflexão do jornalista Edgar Leite, em texto publicado no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O tema das chamadas fake news preocupa o mundo jornalístico. Segundo o autor que citamos, nunca foi tão importante fazer esta verificação: 

“Aliás, o jornalismo faz-se com ‘checagem’ das fontes, conversas ‘olho no olho’, muitas vezes demoradas, com a confirmação de dados apresentados pela fonte. É simplesmente uma obrigação. Em um mundo cada vez mais veloz em que a Internet exige que a notícia seja publicada ‘imediatamente’, segundos ou minutos após a produção (antigamente era um dia depois, nos casos dos jornais impressos), a prática de esmiuçar, ‘destroçar’ algo que a fonte passou para ser publicado passa despercebida. Uma grande falha pode custar caro.” (…) 

Portanto, se algo que se publica é falso, “pode ser tudo (qualquer nome que se queira dar ao fenómeno), menos notícia”. (…)

O autor que citamos acrescenta: 

“Combater as fake news é fundamental para o bem da democracia, do direito de ‘clarear a cena dos factos’ para que o cidadão possa tirar suas conclusões. É bem verdade que há uma discussão longa sobre imparcialidade (que pode não ser neutralidade) — mas que deixaremos para uma próxima discussão.” 

Mas prossegue advertindo que é preciso “redobrar cuidados para ‘que a dose do remédio não seja tão forte que deixe o paciente ainda mais debilitado do que já está’, havendo uma linha ténue entre o desejo do combate e a possibilidade de um controlo de conteúdos que pode aproximar-se de censura, em alguns casos”. 

Edgar Leite menciona “projectos de lei na Câmara dos Deputados que, se não forem bem avaliados, podem, de alguma maneira, prejudicar, no futuro, a liberdade de expressão”. (…) 

E deixa, na forma de perguntas, as questões de fundo: 

“É importante saber: o que é notícia falsa? Mais importante ainda: quem vai dizer se a notícia é falsa? Vamos transformar o cidadão em juiz ou julgador? Ou vamos atribuir a entidades privadas ou públicas essa responsabilidade? Ou aos órgãos de comunicação?” 

“Quem julga está livre de interesses futuros? Quem julga está isento de motivações económicas e políticas?” (...) 

O seu conselho final ao leitor é que seja também “investigador”, que “duvide dos exageros, do sensacionalismo” e procure identificar as fontes primárias da alegada notícia, em sites noticiosos reconhecidos. 


O artigo citado, na íntegra, no Observatório da Imprensa

 

Connosco
Plataformas tecnológicas estão a sentar-se no coração do jornalismo Ver galeria

Na relação difícil que se tem desenvolvido, nestes últimos anos, entre as plataformas tecnológicas e os publishers dos media, a iniciativa foi sempre das primeiras e a intimidade nunca foi tanta como agora, com as plataformas “a tomarem mais decisões deliberadas que afectam o jornalismo e a colocação e distribuição das notícias”. Embora já haja editores a praticarem um “desacoplamento consciente” da sua dependência das plataformas, do lado destas vem um movimento muito claro de se envolverem cada vez mais no “apoio financeiro directo a determinados tipos de jornalismo”. Isto significa que plataformas “movidas pelo lucro” estão a “sentar-se desconfortavelmente no coração do jornalismo e das notícias”.

É esta a reflexão inicial de Emily Bell, directora do Tow Center for Digital Journalism  - que esteve em Lisboa, na cimeira da Global Editors Network -  no texto de apresentação de um relatório sobre o estado das relações entre publishers e plataformas.

Empresas de Media alimentam monstros que as fazem passar fome... Ver galeria

Tanto a Google como o Facebook têm estado a enviar dinheiro para apoio a projectos jornalísticos. Só nestes últimos três anos, as duas empresas juntas já destinaram mais de 500 milhões de dólares a vários programas ou parcerias com os media. Estas mega plataformas contam-se agora entre as maiores financiadoras do jornalismo. A ironia é que foi o desmantelamento da publicidade tradicional, em grande parte cometido por elas, que deixou as empresas jornalísticas neste sufoco de necessidade. O resultado é uma aliança disfuncional. Mesmo os que recebem estes apoios acham que as doações são “dinheiro culpado”, enquanto as gigantes tecnológicas procuram melhorar a imagem e conquistar amigos numa comunidade jornalística que  - sobretudo agora -  parece abertamente hostil.

O Clube

Lançado em Novembro de 2015, este site do Clube Português de Imprensa tem desenvolvido, desde então, um trabalho de acompanhamento das tendências dominantes, quer no mercado de Imprensa, quer nos media audiovisuais em geral e na Internet em particular.

Interessa-nos, também, debater o jornalismo e o modo como é exercido, em Portugal e fora de fronteiras,  cumprindo um objectivo que está na génese desta Associação.


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