Quinta-feira, 17 de Janeiro, 2019
Media

Os jornalistas são os "órfãos" dos direitos de autor

Nemesio Rodríguez, presidente da FAPE – Federación de Asociaciones de Periodistas de España, defendeu o reconhecimento dos direitos de autor de jornalistas e fotojornalistas no novo sistema digital. Nos termos da Lei de Propriedade Intelectual em vigor em Espanha, não há um reconhecimento explícito destes direitos, do que resulta que os trabalhos destes profissionais “podem ser reutilizados noutros meios de um mesmo grupo, revendidos a terceiros, comercializados quantas vezes queiram os editores, em qualquer suporte e em qualquer parte do mundo, sem que os informadores recebam um cêntimo do que recolhem os empresários”.
Falando numa mesa redonda do I Congresso Internacional sobre os Direitos de Autor e a Propriedade Intelectual, realizado durante a Feira do Livro de Madrid, Nemesio Rodríguez afirmou que os jornalistas continuam a ser os “órfãos” em matéria de direitos de autor, apesar de o documento da Comissão Europeia “Um mercado único para os direitos de propriedade intelectual”, de 24 de Maio de 2001, estabelecer que são eles “os autores”.

Segundo o relato da sua intervenção, que aqui citamos da Asociación de la Prensa de Madrid  - com a qual mantemos um acordo de parceria -  o presidente da FAPE acrescentou que “só com um jornalismo de qualidade, redigido por um autor identificado, que é verdadeiro, está verificado e inclui o contraditório, e se rege por elevados padrões de ética, se pode enfrentar a avalancha de notícias falsas que circulam pelas redes”.

 

Nemesio Rodrígues disse ainda que chegou a hora de “as grandes plataformas pagarem pelos conteúdos que pertencem originalmente aos meios de comunicação e aos seus jornalistas, e que essa retribuição deve ser repartida de forma justa e equitativa entre as partes criadoras”.

 

“Fazer jornalismo de qualidade custa muito. Portanto, tem de deixar de ser considerado um produto gratuito. O seu valor é muito alto, visto se tratar de uma profissão com grandes responsabilidades, por estar ligada a direitos fundamentais, como os da liberdade de expressão e de informação”  -  acrescentou.

 

 

Mais informação nas notícias da APM e da FAPE

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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Opinião
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Francisco Sarsfield Cabral
O caso da participação num programa matinal da TVI de um racista, já condenado e tendo cumprido pena de prisão, Mário Machado, suscitou polémica. Ainda bem, porque as questões em causa são importantes. Mas, como é costume, o debate rapidamente derivou para um confronto entre a esquerda indignada por se ter dado tempo de antena a um criminoso fascista e a direita defendendo a liberdade de expressão e a dualidade de...
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Informar ou depender…
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O título deste texto corresponde a um livro publicado nos anos 70 por Francisco Balsemão, numa altura em que já se ‘contavam espingardas’ para pôr termo ao Estado Novo, como veio a acontecer com o derrube de Marcello Caetano, em 25 de Abril de 74.  A obra foi polémica à época e justamente considerada um ‘grito de alma’, assinada por quem começara a sua vida profissional num jornal controlado pela família...
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O jornalismo estará a render-se à subjetividade, rainha e senhora de certas redes sociais. As ‘fake news’ e o futuro dos media foram dos temas mais falados na edição de 2018, da Web Summit. Usadas como arma de arremesso político e de intoxicação, as notícias falsas são uma praga. Invadem o espaço público, distorcem os factos, desviam a atenção, comprometem a reflexão. E pelo caminho...