Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Media

Os jornalistas são os "órfãos" dos direitos de autor

Nemesio Rodríguez, presidente da FAPE – Federación de Asociaciones de Periodistas de España, defendeu o reconhecimento dos direitos de autor de jornalistas e fotojornalistas no novo sistema digital. Nos termos da Lei de Propriedade Intelectual em vigor em Espanha, não há um reconhecimento explícito destes direitos, do que resulta que os trabalhos destes profissionais “podem ser reutilizados noutros meios de um mesmo grupo, revendidos a terceiros, comercializados quantas vezes queiram os editores, em qualquer suporte e em qualquer parte do mundo, sem que os informadores recebam um cêntimo do que recolhem os empresários”.
Falando numa mesa redonda do I Congresso Internacional sobre os Direitos de Autor e a Propriedade Intelectual, realizado durante a Feira do Livro de Madrid, Nemesio Rodríguez afirmou que os jornalistas continuam a ser os “órfãos” em matéria de direitos de autor, apesar de o documento da Comissão Europeia “Um mercado único para os direitos de propriedade intelectual”, de 24 de Maio de 2001, estabelecer que são eles “os autores”.

Segundo o relato da sua intervenção, que aqui citamos da Asociación de la Prensa de Madrid  - com a qual mantemos um acordo de parceria -  o presidente da FAPE acrescentou que “só com um jornalismo de qualidade, redigido por um autor identificado, que é verdadeiro, está verificado e inclui o contraditório, e se rege por elevados padrões de ética, se pode enfrentar a avalancha de notícias falsas que circulam pelas redes”.

 

Nemesio Rodrígues disse ainda que chegou a hora de “as grandes plataformas pagarem pelos conteúdos que pertencem originalmente aos meios de comunicação e aos seus jornalistas, e que essa retribuição deve ser repartida de forma justa e equitativa entre as partes criadoras”.

 

“Fazer jornalismo de qualidade custa muito. Portanto, tem de deixar de ser considerado um produto gratuito. O seu valor é muito alto, visto se tratar de uma profissão com grandes responsabilidades, por estar ligada a direitos fundamentais, como os da liberdade de expressão e de informação”  -  acrescentou.

 

 

Mais informação nas notícias da APM e da FAPE

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


ver mais >
Opinião
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
Uma das coisas em que a informação sobre o mercado publicitário português peca é na análise das contas que são ganhas pelas agências de meios aqui em Portugal. Volta e meia vejo notícias do género a marca X decidiu atribuir a sua conta de publicidade em Portugal à agência Y. Quando se vai a ver, o que aconteceu é que a marca internacional X decidiu num qualquer escritório em Londres, Paris ou Berlim,...
Agenda
16
Set
16
Set
Ferramentas Google para Jornalistas
09:00 @ Cenjor,Lisboa
19
Set
Local Media Fal(l) School
09:00 @ Covilhã
23
Set
Radio Broadcasters Convention of Southern Africa
09:00 @ Johannesburg, África do Sul