Segunda-feira, 25 de Junho, 2018
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Polémica na protecção de dados entre o poder de escolha e a exclusão

O que sucedeu com a entrada em vigor do Regulamento Geral de Protecção de Dados foi que, de um dia para o outro, todo o ciber-espaço teve de adaptar o seu funcionamento aos direitos dos mais de 500 milhões de cidadãos dos Estados membros da União Europeia. Esteja onde estiver um website, desde que um cidadão europeu o visite, tem de se encontrar adaptado à nova norma. Alguns media norte-americanos reagiram suspendendo o acesso, mas outros gastaram o tempo que foi preciso até definirem o que faltava fazer para serem cumpridores rigorosos do RGPD. Foi o caso de Oath, o grupo resultante da fusão da AOL com a Yahoo. O modo como se explicam aos seus utentes é um exemplo que nos pode ser útil. O trabalho que citamos é de Miguel Ángel Ossorio Veja, em Media-tics.

Agora, ao entrar no espaço da Oath, é solicitado ao utente o consentimento para instalar cookies no dispositivo que utiliza, “para utilizar os seus dados de busca, localização e navegação para entender os seus interesses e personalizar e medir anúncios aos nossos produtos”. 

Até recentemente, as mensagens sobre cookies explicavam apenas que se fazia uso delas e que era necessária a sua aceitação para continuar no site

A empresa vai ao ponto de explicar ao visitante que, quando este pesquisa um filme, por exemplo, a sua localização é utilizada para lhe serem mostrados os cinemas mais próximos… 

A Oath explica que “quando deslizas os dedos pelos nossos sites e aplicações, começamos a tomar conhecimento dos teus gostos e vamos melhorando progressivamente as histórias, os vídeos e os anúncios que te mostramos”. 

O autor do artigo que citamos acrescenta: 

“A priori, parece uma explicação superficial, mas é possível chegar a pormenores que, por um lado, metem medo (embora já soubéssemos que tudo isto acontecia), mas, por outro, demonstram que, pela primeira vez em muito tempo, voltamos a ter algum poder sobre os nossos dados.” (…) 

Ossorio Veja faz uma lista de pontos sobre os quais esta vigilância incide  -  a pessoa do utente, os dispositivos que está a utilizar, a sua localização, os clicks que faz, e fontes terceiras  -  para demonstrar até que ponto podemos, agora com conhecimento de causa, tomar decisões que nos interessem e nos defendam. 

E como tudo isto começou quando os utentes passaram a ser olhados mais como consumidores do que como cidadãos, vale a pena saberem que podem, finalmente, “escolher” os anúncios que não se importam de receber. 

Mas até neste pormenor o autor reserva a sua opinião até ver melhor o que vai acontecer, com novas empresas a serem anunciadas em espaços já “autorizados” para outras: 

“Só o tempo dirá como vai ser, realmente, implementado o RGPD”. 


O artigo citado, na íntegra, em Media-tics.

Connosco
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