Terça-feira, 21 de Janeiro, 2020
Fórum

Polémica na protecção de dados entre o poder de escolha e a exclusão

O que sucedeu com a entrada em vigor do Regulamento Geral de Protecção de Dados foi que, de um dia para o outro, todo o ciber-espaço teve de adaptar o seu funcionamento aos direitos dos mais de 500 milhões de cidadãos dos Estados membros da União Europeia. Esteja onde estiver um website, desde que um cidadão europeu o visite, tem de se encontrar adaptado à nova norma. Alguns media norte-americanos reagiram suspendendo o acesso, mas outros gastaram o tempo que foi preciso até definirem o que faltava fazer para serem cumpridores rigorosos do RGPD. Foi o caso de Oath, o grupo resultante da fusão da AOL com a Yahoo. O modo como se explicam aos seus utentes é um exemplo que nos pode ser útil. O trabalho que citamos é de Miguel Ángel Ossorio Veja, em Media-tics.

Agora, ao entrar no espaço da Oath, é solicitado ao utente o consentimento para instalar cookies no dispositivo que utiliza, “para utilizar os seus dados de busca, localização e navegação para entender os seus interesses e personalizar e medir anúncios aos nossos produtos”. 

Até recentemente, as mensagens sobre cookies explicavam apenas que se fazia uso delas e que era necessária a sua aceitação para continuar no site

A empresa vai ao ponto de explicar ao visitante que, quando este pesquisa um filme, por exemplo, a sua localização é utilizada para lhe serem mostrados os cinemas mais próximos… 

A Oath explica que “quando deslizas os dedos pelos nossos sites e aplicações, começamos a tomar conhecimento dos teus gostos e vamos melhorando progressivamente as histórias, os vídeos e os anúncios que te mostramos”. 

O autor do artigo que citamos acrescenta: 

“A priori, parece uma explicação superficial, mas é possível chegar a pormenores que, por um lado, metem medo (embora já soubéssemos que tudo isto acontecia), mas, por outro, demonstram que, pela primeira vez em muito tempo, voltamos a ter algum poder sobre os nossos dados.” (…) 

Ossorio Veja faz uma lista de pontos sobre os quais esta vigilância incide  -  a pessoa do utente, os dispositivos que está a utilizar, a sua localização, os clicks que faz, e fontes terceiras  -  para demonstrar até que ponto podemos, agora com conhecimento de causa, tomar decisões que nos interessem e nos defendam. 

E como tudo isto começou quando os utentes passaram a ser olhados mais como consumidores do que como cidadãos, vale a pena saberem que podem, finalmente, “escolher” os anúncios que não se importam de receber. 

Mas até neste pormenor o autor reserva a sua opinião até ver melhor o que vai acontecer, com novas empresas a serem anunciadas em espaços já “autorizados” para outras: 

“Só o tempo dirá como vai ser, realmente, implementado o RGPD”. 


O artigo citado, na íntegra, em Media-tics.

Connosco
Novas ferramentas para gerir os "media online" Ver galeria

O Instituto Internacional de Imprensa (IPI) divulgou uma nova ferramenta para moderadores online dos media lidarem com situações de abuso que ocorrem nas redes sociais. 

As ferramentas e estratégias para gerir os debates no Facebook e no Twitter fazem parte da plataforma do IPI Newsrooms Ontheline, que reúne várias sugestões sobre como combater o assédio online contra jornalistas.

O objectivo é explicar de que forma os moderadores podem gerir as redes sociais e como devem aplicar essas ferramentas, bem como as opções disponíveis pelas próprias plataformas das redes, de forma a conseguirem dar resposta ao abuso online e às ameaças contra os media e jornalistas individuais.
As medidas definidas são o resultado de várias entrevistas com peritos em audiências dos principais media da Europa. Devido à constante evolução, estas estratégias estão sujeitas a revisão e actualização constantes.

A maioria dos peritos, consultados pela IPI, salienta que existem várias ferramentas que podem ser utilizadas para a moderação de mensagens abusivas no Twitter, entre as quais o muting e o bloqueio. 

Em relação ao Facebook, os moderadores podem apagar os comentários, esconder comentários com conteúdo abusivo, banir um utilizador das páginas do medium, remover o utilizador de uma página, desactivar os comentários, bloquear determinadas palavras ou, ainda, reportar uma página ou um post.

Crise gera em Espanha modelos jornalísticos inovadores Ver galeria

A indústria do jornalismo em Espanha está em crise há mais de uma década. O colapso do crescimento económico afectou todas as áreas. Os fabricantes reduziram orçamentos de publicidade, o desemprego reduziu o poder de compra das famílias, que, por sua vez,  diminuíram as suas despesas, incluindo as dos meios de comunicação social.
O autor analisa os novos modelos de projetos que procuram responder aos desafios informativos actuais,  com apostas diferentes dos convencionais, baseados na verificação informativa, no uso dos mecanismos de transparência, na contextualização informativa, no jornalismo de dados ou na visualização.

Os meios de comunicação social também reduziram as suas despesas, entre 2005 e 2008, pelo menos 12 200 empregos foram suprimidos, segundo dados do Relatório da Profissão Jornalística de 2015. E em 2018, o investimento em publicidade ainda era 30% inferior ao de 2008.

O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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Opinião
Apoiar a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral
O Presidente da República voltou a falar na necessidade de o Estado tomar medidas de apoio à comunicação social. Marcelo Rebelo de Sousa discursava na apresentação de um programa do “Público” para dar a estudantes universitários acesso gratuito a assinaturas daquele jornal, com o apoio de entidades privadas que pagam metade dos custos envolvidos. O Presidente entende, e bem, que o Estado tem responsabilidades neste campo e...
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