Terça-feira, 23 de Outubro, 2018
Fórum

Polémica na protecção de dados entre o poder de escolha e a exclusão

O que sucedeu com a entrada em vigor do Regulamento Geral de Protecção de Dados foi que, de um dia para o outro, todo o ciber-espaço teve de adaptar o seu funcionamento aos direitos dos mais de 500 milhões de cidadãos dos Estados membros da União Europeia. Esteja onde estiver um website, desde que um cidadão europeu o visite, tem de se encontrar adaptado à nova norma. Alguns media norte-americanos reagiram suspendendo o acesso, mas outros gastaram o tempo que foi preciso até definirem o que faltava fazer para serem cumpridores rigorosos do RGPD. Foi o caso de Oath, o grupo resultante da fusão da AOL com a Yahoo. O modo como se explicam aos seus utentes é um exemplo que nos pode ser útil. O trabalho que citamos é de Miguel Ángel Ossorio Veja, em Media-tics.

Agora, ao entrar no espaço da Oath, é solicitado ao utente o consentimento para instalar cookies no dispositivo que utiliza, “para utilizar os seus dados de busca, localização e navegação para entender os seus interesses e personalizar e medir anúncios aos nossos produtos”. 

Até recentemente, as mensagens sobre cookies explicavam apenas que se fazia uso delas e que era necessária a sua aceitação para continuar no site

A empresa vai ao ponto de explicar ao visitante que, quando este pesquisa um filme, por exemplo, a sua localização é utilizada para lhe serem mostrados os cinemas mais próximos… 

A Oath explica que “quando deslizas os dedos pelos nossos sites e aplicações, começamos a tomar conhecimento dos teus gostos e vamos melhorando progressivamente as histórias, os vídeos e os anúncios que te mostramos”. 

O autor do artigo que citamos acrescenta: 

“A priori, parece uma explicação superficial, mas é possível chegar a pormenores que, por um lado, metem medo (embora já soubéssemos que tudo isto acontecia), mas, por outro, demonstram que, pela primeira vez em muito tempo, voltamos a ter algum poder sobre os nossos dados.” (…) 

Ossorio Veja faz uma lista de pontos sobre os quais esta vigilância incide  -  a pessoa do utente, os dispositivos que está a utilizar, a sua localização, os clicks que faz, e fontes terceiras  -  para demonstrar até que ponto podemos, agora com conhecimento de causa, tomar decisões que nos interessem e nos defendam. 

E como tudo isto começou quando os utentes passaram a ser olhados mais como consumidores do que como cidadãos, vale a pena saberem que podem, finalmente, “escolher” os anúncios que não se importam de receber. 

Mas até neste pormenor o autor reserva a sua opinião até ver melhor o que vai acontecer, com novas empresas a serem anunciadas em espaços já “autorizados” para outras: 

“Só o tempo dirá como vai ser, realmente, implementado o RGPD”. 


O artigo citado, na íntegra, em Media-tics.

Connosco
Jornalista e historiador de Macau vencem Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia Ver galeria

O Júri dos Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia, instituídos pelo Jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, escolheu, por unanimidade, na primeira categoria, o trabalho "Ler sem limites", da jornalista Catarina Brites Soares, publicado no semanário Plataforma, em Macau.

Na categoria Ensaio, atribuída este ano pela primeira vez, foi distinguido o original do historiador António Aresta, de Macau, intitulado "Miguel Torga: um poeta português em Macau".
A Acta do Júri destaca, no primeiro caso, que Catarina Brito Soares  consegue desenhar com o seu texto “uma panorâmica das leituras mais frequentes em Macau, com um levantamento de livros e autores que circulam livremente no território, incluindo alguns que, por diferentes razões, têm limites de acesso fora da RAEM”.
O semanário Plataforma Macau é publicado em Macau, em português e chinês. 

Na categoria Ensaio, o Júri deliberou, também por unanimidade, atribuir o Prémio ao trabalho de António Aresta, considerando tratar-se de “uma narrativa consequente sobre a visita histórica do grande poeta a Macau, com passagem por Cantão e Hong Kong”.

Universidades apoiam e investem no jornalismo de investigação Ver galeria

A sociedade necessita de um jornalismo de investigação que fica caro, e esta necessidade “chega num momento de grande tensão financeira para uma indústria maciçamente perturbada pelas novas tecnologias e alterações económicas”.

“Acreditamos que este tipo de jornalismo, em defesa do povo americano, é mais importante do que nunca na presente cacofonia de informação confusa, contraditória e enganadora, já para não falar de cepticismo  - ou por vezes rejeição absoluta -  dos factos.”

Esta reflexão é assinada por Christopher Callahan e Leonard Downie Jr., docentes na Universidade Estatal do Arizona, sobre a criação de dois centros de ensino de jornalismo de investigação, um na Universidade referida, outro na de Maryland. Tendo em conta a “proliferação de centros de reportagem de investigação independentes, sem objectivo de lucro, em grande parte financiados por [mecenato] filantrópico”, as universidades “estão prontas a assumir funções de liderança neste novo ecossistema de jornalismo de investigação”  - afirmam no seu texto.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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Opinião
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Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

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