Quarta-feira, 19 de Junho, 2019
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Polémica na protecção de dados entre o poder de escolha e a exclusão

O que sucedeu com a entrada em vigor do Regulamento Geral de Protecção de Dados foi que, de um dia para o outro, todo o ciber-espaço teve de adaptar o seu funcionamento aos direitos dos mais de 500 milhões de cidadãos dos Estados membros da União Europeia. Esteja onde estiver um website, desde que um cidadão europeu o visite, tem de se encontrar adaptado à nova norma. Alguns media norte-americanos reagiram suspendendo o acesso, mas outros gastaram o tempo que foi preciso até definirem o que faltava fazer para serem cumpridores rigorosos do RGPD. Foi o caso de Oath, o grupo resultante da fusão da AOL com a Yahoo. O modo como se explicam aos seus utentes é um exemplo que nos pode ser útil. O trabalho que citamos é de Miguel Ángel Ossorio Veja, em Media-tics.

Agora, ao entrar no espaço da Oath, é solicitado ao utente o consentimento para instalar cookies no dispositivo que utiliza, “para utilizar os seus dados de busca, localização e navegação para entender os seus interesses e personalizar e medir anúncios aos nossos produtos”. 

Até recentemente, as mensagens sobre cookies explicavam apenas que se fazia uso delas e que era necessária a sua aceitação para continuar no site

A empresa vai ao ponto de explicar ao visitante que, quando este pesquisa um filme, por exemplo, a sua localização é utilizada para lhe serem mostrados os cinemas mais próximos… 

A Oath explica que “quando deslizas os dedos pelos nossos sites e aplicações, começamos a tomar conhecimento dos teus gostos e vamos melhorando progressivamente as histórias, os vídeos e os anúncios que te mostramos”. 

O autor do artigo que citamos acrescenta: 

“A priori, parece uma explicação superficial, mas é possível chegar a pormenores que, por um lado, metem medo (embora já soubéssemos que tudo isto acontecia), mas, por outro, demonstram que, pela primeira vez em muito tempo, voltamos a ter algum poder sobre os nossos dados.” (…) 

Ossorio Veja faz uma lista de pontos sobre os quais esta vigilância incide  -  a pessoa do utente, os dispositivos que está a utilizar, a sua localização, os clicks que faz, e fontes terceiras  -  para demonstrar até que ponto podemos, agora com conhecimento de causa, tomar decisões que nos interessem e nos defendam. 

E como tudo isto começou quando os utentes passaram a ser olhados mais como consumidores do que como cidadãos, vale a pena saberem que podem, finalmente, “escolher” os anúncios que não se importam de receber. 

Mas até neste pormenor o autor reserva a sua opinião até ver melhor o que vai acontecer, com novas empresas a serem anunciadas em espaços já “autorizados” para outras: 

“Só o tempo dirá como vai ser, realmente, implementado o RGPD”. 


O artigo citado, na íntegra, em Media-tics.

Connosco
António Carrapatoso: concorrência distorcida em comunicação social fraca Ver galeria

O País “que vai a votos” não está bem, segundo António Carrapatoso, e a sua comunicação social também não está.
Nosso mais recente convidado, o gestor e empresário António Carrapatoso afirmou que o País “não está bem” porque a forma como a sociedade está organizada e funciona “não permite aproveitar e desenvolver as capacidades dos portugueses”.

Quanto à comunicação social que temos, definiu-a como “uma instituição fraca, que não cumpre suficientemente o seu papel do ponto de vista do interesse do cidadão” , por não ser suficentemente independente, inovadora e diversificada.
“A sua qualidade, acutilância, capacidade de investigação, de escrutínio e explicativa, estão aquém do desejável”  - disse.

Sobre as causas desta situação, a seguir à reduzida dimensão do mercado, apontou a “concorrência distorcida”, as deficiências da regulação e legislação e motivos de outra ordem:

Em sua opinião, não se faz mais para mudar porque “muitos partidos e líderes políticos estão contentes com a situação actual, não querem uma comunicação social verdadeiramente independente, investigadora, escrutinadora e qualificada”;  e ainda porque os próprios cidadãos “não ligam assim tanto à importância da comunicação social”  - motivo porque também "não fazem subscrições que poderiam fazer".
ERC aprova e Rádio Observador vai começar a emitir "muito em breve" Ver galeria

A Rádio Observador, cujo lançamento esteve previsto para a data do quinto aniversário do diário digital com o mesmo título, a 22 de Maio, vai finalmente entrar em funcionamento. Segundo notícia que citamos do jornal Observador, a transmissão será em 98.7 FM, na Grande Lisboa, “a curto prazo também no Porto e noutras zonas do país, e online”.

Conforme também aqui foi referido, o projecto já estava pronto naquela data, “faltando apenas o ‘visto’ da ERC, entidade à qual compete por lei autorizar a nova estação”. Poucos dias depois, a 28 de Maio, era assinada a Deliberação ERC/2019/150 [AUT-R], que autoriza as alterações solicitadas pela sociedade Observador on Time, S.A., para criar a Rádio Observador, a partir da antiga Rádio Baía – Sociedade de Radiodifusão, Lda.

A notícia do Observador não indica ainda a data exacta do início de emissão, mas conclui que “muito em breve teremos mais novidades. Estamos quase no ar.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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