Segunda-feira, 18 de Fevereiro, 2019
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Polémica na protecção de dados entre o poder de escolha e a exclusão

O que sucedeu com a entrada em vigor do Regulamento Geral de Protecção de Dados foi que, de um dia para o outro, todo o ciber-espaço teve de adaptar o seu funcionamento aos direitos dos mais de 500 milhões de cidadãos dos Estados membros da União Europeia. Esteja onde estiver um website, desde que um cidadão europeu o visite, tem de se encontrar adaptado à nova norma. Alguns media norte-americanos reagiram suspendendo o acesso, mas outros gastaram o tempo que foi preciso até definirem o que faltava fazer para serem cumpridores rigorosos do RGPD. Foi o caso de Oath, o grupo resultante da fusão da AOL com a Yahoo. O modo como se explicam aos seus utentes é um exemplo que nos pode ser útil. O trabalho que citamos é de Miguel Ángel Ossorio Veja, em Media-tics.

Agora, ao entrar no espaço da Oath, é solicitado ao utente o consentimento para instalar cookies no dispositivo que utiliza, “para utilizar os seus dados de busca, localização e navegação para entender os seus interesses e personalizar e medir anúncios aos nossos produtos”. 

Até recentemente, as mensagens sobre cookies explicavam apenas que se fazia uso delas e que era necessária a sua aceitação para continuar no site

A empresa vai ao ponto de explicar ao visitante que, quando este pesquisa um filme, por exemplo, a sua localização é utilizada para lhe serem mostrados os cinemas mais próximos… 

A Oath explica que “quando deslizas os dedos pelos nossos sites e aplicações, começamos a tomar conhecimento dos teus gostos e vamos melhorando progressivamente as histórias, os vídeos e os anúncios que te mostramos”. 

O autor do artigo que citamos acrescenta: 

“A priori, parece uma explicação superficial, mas é possível chegar a pormenores que, por um lado, metem medo (embora já soubéssemos que tudo isto acontecia), mas, por outro, demonstram que, pela primeira vez em muito tempo, voltamos a ter algum poder sobre os nossos dados.” (…) 

Ossorio Veja faz uma lista de pontos sobre os quais esta vigilância incide  -  a pessoa do utente, os dispositivos que está a utilizar, a sua localização, os clicks que faz, e fontes terceiras  -  para demonstrar até que ponto podemos, agora com conhecimento de causa, tomar decisões que nos interessem e nos defendam. 

E como tudo isto começou quando os utentes passaram a ser olhados mais como consumidores do que como cidadãos, vale a pena saberem que podem, finalmente, “escolher” os anúncios que não se importam de receber. 

Mas até neste pormenor o autor reserva a sua opinião até ver melhor o que vai acontecer, com novas empresas a serem anunciadas em espaços já “autorizados” para outras: 

“Só o tempo dirá como vai ser, realmente, implementado o RGPD”. 


O artigo citado, na íntegra, em Media-tics.

Connosco
Os "clicks" são um sismógrafo de pouca confiança... Ver galeria

Num ambiente mediático saturado de notícias, os leitores valorizam mais as que lhes são pessoalmente pertinentes  - e isto não pode ser definido, numa redacção, medindo os clicks.

“As pessoas abrem frequentemente artigos que são divertidos, ou triviais, ou estranhos, sem sentido cívico evidente. Mas mantêm uma noção clara da diferença entre o que é trivial e o que é importante. De modo geral, querem estar informadas sobre o que se passa à sua volta, a nível local, nacional e internacional.”

A reflexão é de Kim Christian Schroder, um investigador dinamarquês que passou metade do ano de 2018 em Oxford, fazendo para o Reuters Institute um estudo sobre a relevância das notícias para os leitores  - e o que isso aconselha às redacções.

“Na medida em que queiram dar prioridade às notícias com valor cívico, os jornalistas fazem melhor em confiar no seu instinto do que nesse sismógrafo de pouca confiança que são as listas dos textos ‘mais lidos’.”

Jorge Soares em Fevereiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

Prossegue a 27  Fevereiro o ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, promovido pelo CPI, em parceria com o CNC e o Grémio Literário, tendo como orador convidado o Prof. Jorge Soares, que preside ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, desde 2016, preenchendo o lugar deixado vago por morte de João Lobo Antunes.  

Director do Programa Gulbenkian Inovar em Saúde, da Fundação Calouste Gulbenkian, Jorge Soares já fazia parte daquele Conselho, antes de ser eleito para a sua presidência .

O seu currículo é vasto. Presidiu também à  Comissão Externa para Avaliação da Qualidade do Ensino, e, mais tarde,  assumiu a vice-presidência da Comissão de Ética da Fundação Champalimaud, e, a partir de 2016, foi presidente da Comissão Nacional dos Centros de Referência. É Perito Nacional na União Europeia do 3rd Programme “EuropeAgainst Cancer” .

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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