Quarta-feira, 26 de Junho, 2019
Cartoon

"World Press Cartoon" no Centro Cultural das Caldas da Rainha

Uma artista italiana, Marilena Nardi, é a vencedora do Grande Prémio do World Press Cartoon 2018. A ilustração premiada representa uma tesoura em forma humana, que não tem palavras no espaço do “balão” que habitualmente as contém, na banda desenhada. Esta imagem foi capa, em Dezembro do ano passado, de uma publicação intitulada Illegal Times, da Catalunha. Os dois segundos prémios, nas categorias de Cartoon Editorial e Desenho de Humor, vão ambos para artistas brasileiros, Cau Gomez e Mello.

Esta foi a 13ª edição do World Press Cartoon, que se realiza nas Caldas da Rainha desde 2017, depois de não ter havido em 2016, por dificuldades financeiras.

Os prémios foram anunciados na noite de sábado, 2 de Junho, e entre os nove “cartoonistas” distinguidos encontram-se, além de Marilena Nardi e dos dois brasileiros mencionados, outros seis artistas, da Holanda, Bélgica, Noruega, Sérvia, Turquia e Índia. 

Os ‘cartoonistas’ escolheram como alvo principal os líderes mundiais de vários países, como Donald Trump, Vladimir Putin e Kim Jong-Un. 

Segundo o DN, que aqui citamos, “à edição de 2018 concorreram mais de 600 trabalhos e, destes, foram seleccionados 281, que vão ficar, até 28 de Junho, em exposição no Centro Cultural das Caldas da Rainha”. A entrada é livre. 

“Os premiados foram seleccionados por um júri internacional de ‘cartoonistas’ que reuniu nas Caldas da Rainha em Fevereiro e que integrou, para além do director do salão, o português António Antunes, Rayma Suprani, da Venezuela, Michael Kountouris, da Grécia, Robert Rousso, da França, e Saad Hajo, da Suécia.” 

“A grande novidade deste ano foi o facto de o WPC ter aberto a participação a ‘cartoonistas’ com desenhos na Internet, e isso vai aumentar o número de trabalhos concorrentes, o que ainda não se verificou este ano, porque abrimos o concurso tarde’, explicou à agência Lusa o cartoonista António Antunes, organizador do World Press Cartoon (WPC). 

Mais informação no DN e no site do World Press Cartoon, com descrição mais pormenorizada das obras premiadas.

Connosco
"Metástases" da desinformação espalham-se pelo mundo Ver galeria

O alastrar da desinformação, potenciado pelas capacidades de contágio “viral” da revolução tecnológica, teve um impacto transformador sobre o jornalismo. Nos Estados Unidos, um dos primeiros factos surpreendentes com que os jornalistas tiveram de lidar, logo após a eleição de Donald Trump, foi a noção de que hackers russos, em “fábricas” de conteúdos, podiam semear desordem no eleitorado americano e desacreditar o jornalismo autêntico.

“Por vezes, os leitores encontravam notícias verdadeiras que Trump procurava desacreditar porque não gostava do modo como o faziam parecer;  outras vezes encontravam a deformação intencional da informação para distorcer a verdade;  em muitas ocasiões, o que encontravam era apenas completo absurdo.”  
E deixou de ser um problema local. As “metástases” da desinformação espalham-se pelo mundo e o jornalismo é arrastado para o caos:

“Vimos isso na Birmânia e no Brasil, no Sri Lanka e na Nova Zelândia, por vezes em campanhas orquestradas que trazem a dedada de agentes estatais, por vezes em manifestos individuais de mentes perturbadas. O resultado é sempre o mesmo: relatos falsos envenenam as plataformas que abrigam o verdadeiro jornalismo. Ninguém na Imprensa está a salvo de ver o seu trabalho, sério e diligente, exposto na enxurrada.”
A reflexão é de Kyle Pope, director da Columbia Journalism Review, em “Todo o jornalismo é global”.

O pesadelo dos jornalistas filipinos perseguidos pelo regime Ver galeria

A luta pela liberdade de Imprensa pode ser uma guerra de resistência entre os carcereiros e os candidatos a presos  - que são todos os jornalistas que tenham a coragem de o ser. Num dos mais recentes episódios em que foi detida, em Fevereiro de 2019, a jornalista filipina Maria Ressa, fundadora do site Rappler, comentou ironicamente à saída do tribunal:

“Esta é a sexta vez que pago fiança, e vou pagar mais do que criminosos condenados. Vou pagar mais do que Imelda Marcos.”

Como conta no artigo “Alvos de Duterte”, que aqui citamos, o Presidente das Filipinas, que “foi o primeiro político do meu país a usar as redes sociais para ganhar umas eleições, conduz uma campanha incansável de desinformação (trolling patriótico) para reduzir os críticos ao silêncio”:

“O seu governo vomita mentiras a tal velocidade que o público já não consegue saber o que é realidade. Mesmo os seus próprios membros ficam confusos.”

“Desde Junho de 2016, quando Rodrigo Duterte se tornou Presidente, houve cerca de 27 mil assassínios decorrentes da sua ‘guerra contra a droga’. Este número vem das Nações Unidas, mas não foi muito divulgado. A polícia mantém a sua própria contagem menor, pressionando os órgãos de informação a publicá-la.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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