Sexta-feira, 22 de Fevereiro, 2019
Jantares-debate

Mário Centeno: “Há sempre alternativas”, mas “os riscos estão sempre presentes”

O exercício de cargos de governo “é uma missão de serviço público” e, portanto, de “representação de escolhas colectivas”, as quais devem ser feitas entre opções bem clarificadas perante a sociedade. Porque “há sempre alternativas”. Mas é também verdade que a alternativa pode significar opções de “regresso a algo por que Portugal já passou”, sabendo que “os riscos estão sempre presentes”. Foi esta a linha de discurso de Mário Centeno, Ministro das Finanças, orador convidado no jantar-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema que tem presidido a esta série - “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”.

Tendo iniciado a sua palestra com uma evocação de António Arnaut como exemplo elevado desse espírito de serviço público, Mário Centeno sublinhou que “devemos sempre clarificar as diferentes opções e guiar a escolha pela que melhor traduz o debate que a sociedade faz em seu torno; uma sociedade sem debate destas opções é uma sociedade menor”.

 

E prosseguiu afirmando que “as escolhas que foram feitas têm vindo a permitir o desenvolvimento gradual, mas seguro, do País”: 

 

“Hoje temos, felizmente, mais portugueses com emprego, diria mesmo com melhores empregos e melhores salários; nós quebrámos o maior ciclo, desde a década de 60 do século passado, de emigração em Portugal  - de uma emigração qualificada, que reduzia a dimensão do nosso mercado de trabalho, daqueles que mais poderiam fazer pelo futuro do País. (...) E hoje Portugal enfrenta o futuro, nesta perspectiva, de uma forma muito mais positiva.” (...)

 

Sobre esta matéria, recordou o seguinte:

 

“Muitas vezes, falando com estrangeiros, e em particular do centro da Europa, refiro uma sondagem que passou muito desapercebida em Portugal, em Junho de 2017, em que se perguntou, sobre três eventos, qual o que mais aumentou a auto-estima dos portugueses. Esses três eventos eram: termos ganho o Campeonato da Europa de Futebol, em 2016, termos ganho o concurso da Eurovisão em Maio de 2017, e termos saído do procedimento por défices excessivos, em Abril de 2017.”

 

“E a verdade é que, com quase metade dos votos, o que ganhou foi a saída do procedimento por défices excessivos. (...) Até na ‘sub-amostra’ dos homens a saída do PDE ganhou ao futebol, e isto reflecte a consciência, a importância que a sociedade portuguesa dá hoje às questões de sustentabilidade, do trajecto que tivémos de fazer, das dificuldades que tivémos de enfrentar, e só com critérios de sustentabilidade conseguimos projectar o futuro.” (...)

 

Mário Centeno lembrou ainda que “passámos por um período em que a existência de alternativas era colocada em dúvida, mas não devemos  - e muito menos, seguramente, no âmbito de uma conversa como a que vamos estabelecer aqui -  pôr em causa a existência de alternativas. Há sempre alternativas”.

 

“Mas a alternativa pode significar opções que representem aquilo que eu também referi como sendo o regresso a algo por que Portugal já passou. (...)

“E na verdade, se alguma coisa esta última década e meia mostrou às nossas sociedades  - à sociedade europeia, que está em construção, e bem -  é que os riscos estão sempre presentes. E às vezes são maiores do que aquilo que parecem, principalmente quando (numa atitude porventura normal no comportamento dos homens, que a economia estuda) com alguma complacência nos possamos afastar da definição desses riscos.” (...)

 

É por esse motivo  - prosseguiu -  que “queremos colocar Portugal numa posição de equilíbrio orçamental, que é uma condição essencial para que o Estado, as famílias e as empresas possam enfrentar o futuro com mais confiança”. (...)

 

“É para isso que o Estado é chamado. E o desígnio de governar, de gerir, deve ser exercido com este sentido de equilíbrio  -  porque o Estado deve desempenhar as funções de soberania, que todos sabemos listar, mas também as funções sociais, que elegemos como prioritárias e que são absolutamente essenciais à coesão da sociedade portuguesa nas suas diferentes dimensões.” (...)

 

Tendo sido citada, na apresentação do orador, a sua participação na feitura, em 2015, do programa que acabou por ser a base do Programa do Governo actual, Mário Centeno recordou que esse texto apresentava “de forma muito clara, à sociedade portuguesa, um conjunto de opções e as consequências económicas e financeiras dessas opções”.

 

“Passados três anos, podemos olhar para essas propostas, para essas alternativas, e avaliar se o cenário que então desenhámos está ou não a ser seguido. E a verdade é que temos hoje os indicadores macro-económicos com uma proximidade muito significativa àqueles que na altura propusémos.” (...)

 

“O modelo que propusémos, e as propostas que fizémos, eram de uma economia em que o rendimento crescesse, e que fosse distribuído, quer por empresas, quer por famílias, que permitisse o aumento do investimento, em que o Estado tinha o seu papel nos serviços públicos  -  e, três anos depois, podemos avaliar essa trajectória.” (...)

 

“O carácter pioneiro deste exercício deixa-me, se me é permitido, de certa forma orgulhoso, mas nós sabemos que é necessário fazer opções, continuar a fazê-las de forma responsável, porque é o único caminho que é possível ter para construir um País melhor.”

 

A concluir, Mário Centeno exprimiu o desejo de que este caminho “possa ter continuidade”, sendo sempre debatidas “abertamente todas as opções”:

 

“Foi isso que tentámos fazer, para o bem da democracia em Portugal, é verdade que também a solução governativa foi inovadora, do ponto de vista do seu espectro partidário, e são esses os momentos que robustecem as sociedades e eu gostaria de partilhar convosco a importância que isso tem para o futuro de Portugal.”
Connosco
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“Esperamos respostas tão breve quanto possível, porque ainda há muitas questões”  - afirmou.
Prémios do World Press Photo 2019 já têm candidatos escolhidos... Ver galeria

Um fotojornalista português, Mário Cruz, da Agência Lusa, figura entre os nomeados para o World Press Photo 2019, o mais prestigiado prémio de fotojornalismo do mundo, cuja identidade e trabalhos a concurso foram agora conhecidos. A Fundação organizadora introduziu também uma nova categoria a ser premiada, a História do Ano, destinada a “fotógrafos cuja criatividade e habilidades visuais produziram uma história com excelente edição e sequenciamento, que captura ou representa um evento ou assunto de grande importância jornalística”.

A imagem de Mário Cruz, intitulada “Viver entre o que foi deixado para trás”, mostra uma criança recolhendo material reciclável, deitada num colchão cercado por lixo, enquanto flutua no rio Pasig, em Manila, nas Filipinas.

Os vencedores do concurso serão conhecidos na cerimónia marcada para 11 de Abril, em Amesterdão, na Holanda.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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