Sexta-feira, 22 de Fevereiro, 2019
Estudo

Estudo europeu valoriza jornalismo português no feminino

A cobertura noticiosa, na Europa, é dominada por jornalistas e comentadores masculinos, que usam a maior parte do tempo a escrever sobre outros homens. Esta supremacia dos homens na reportagem e mesmo na agenda noticiosa mantém-se, apesar de, em muitos países, as mulheres já constituírem metade dos profissionais, e de haver mais mulheres do que homens a escolherem o jornalismo como carreira. A única excepção é Portugal, onde os trabalhos assinados por mulheres ultrapassam os dos homens, numa relação de 31% para 20%. “Mas mesmo aqui, a utilização de fotografias de homens menoriza as de mulheres, de 49% para 12%.” Estes dados são de um levantamento feito pelo Observatório Europeu de Jornalismo, em Janeiro e Fevereiro de 2018, sobre dois jornais impressos e dois online de cada um de onze países europeus.

No total dos onze países onde foi feita a análise, os homens escreveram 41% dos artigos, em comparação com apenas 23% escritos por mulheres, enquanto quase metade de todas as imagens (43%) publicadas eram apenas de homens, comparadas com apenas 15% de mulheres. Os restantes artigos ou não tinham autor explícito ou provinham de uma agência noticiosa. O estudo descobriu que o desequilíbrio de género era geralmente mais óbvio nos media impressos tradicionais. (...) 

Os países que demonstraram maior desequilíbrio entre géneros foram a Itália e a Alemanha. Na Alemanha, 58% dos artigos tinham como autores jornalistas do sexo masculino e apenas 16% do sexo feminino, enquanto na Itália, 63% (a maior percentagem entre os onze países) pertenciam a homens e apenas 21% a mulheres. 

A Ucrânia foi o país onde o número das fotografias de homens foi o mais elevado, com 49% das fotos a apresentarem apenas homens, em comparação com 10% que apresentavam apenas mulheres. (...) 

O estudo, conduzido pelo Observatório Europeu de Jornalismo (EJO), baseou-se na análise das secções de notícias, comentários e negócios de dois jornais impressos e dois jornais digitais de cada país, nos mesmos dois dias da semana, durante quatro semanas, entre Janeiro e Fevereiro deste ano. Os países analisados foram a Alemanha, Espanha, Itália, Letónia, Polónia, Portugal, Reino Unido, República Checa, Roménia, Suíça e Ucrânia. 

Com o objectivo de conseguir uniformidade, foram analisadas apenas as primeiras 15 páginas de cada jornal impresso, uma vez que elas normalmente apresentam os assuntos mais importantes. No caso dos jornais digitais, foram analisadas as primeiras 20 reportagens das homepages nas editorias de notícias, política e negócios. Temas como saúde, artes, lifestyle e moda, foram omitidos, assim como as secções de desporto. (...) 

Portugal foi a excepção entre os meios de comunicação social da Europa: o número de artigos escritos por mulheres nos meios de comunicação analisados (Público, Correio da Manhã, Observador e Notícias ao Minuto) foi de 31%, em comparação com 20% por homens. A supremacia feminina foi ainda maior nos jornais impressos, com as mulheres a escrever 37% das notícias, contra 18% escritas por homens. 

Os conteúdos das agências de notícias dominaram os meios online, especialmente no caso do Notícias ao Minuto, onde quase metade das notícias vieram de agências (principalmente a LUSA, a agência noticiosa portuguesa). Aqui, a autoria dos artigos era mais equilibrada: 22% para homens e 24% para mulheres. 

Não é claro porque em Portugal, entre todos os países analisados, haja mais mulheres a assinar artigos. Um estudo recente mostrou que 52% dos jornalistas portugueses são homens e 48% são mulheres. 

O mesmo estudo revelou que os jornalistas do sexo masculino tendiam a receber mais que as mulheres, deixando mais mulheres menos satisfeitas com os seus salários do que os homens (37% das mulheres disseram estar muito insatisfeitas, com 30% dos homens dizendo o mesmo). Estas disparidades salariais persistem, apesar de 54% das mulheres jornalistas em Portugal possuírem um curso universitário, contra 34% dos homens. 

O facto de haver mais trabalhos assinados por mulheres poderia sugerir que os homens ocupam lugares mais altos na hierarquia, no papel de directores, editores ou outros e, portanto, escrevem menos artigos ou nenhum. A confirmar esta teoria, pode citar-se um facto: no Congresso dos Jornalistas, que teve lugar o ano passado, num painel composto pelos directores dos principais meios de comunicação social, entre 19 pessoas, apenas duas eram mulheres. (...)

O estudo do Observatório Europeu de Jornalismo, em português e em inglês. Também referido no NiemanLab.

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“Esperamos respostas tão breve quanto possível, porque ainda há muitas questões”  - afirmou.
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Um fotojornalista português, Mário Cruz, da Agência Lusa, figura entre os nomeados para o World Press Photo 2019, o mais prestigiado prémio de fotojornalismo do mundo, cuja identidade e trabalhos a concurso foram agora conhecidos. A Fundação organizadora introduziu também uma nova categoria a ser premiada, a História do Ano, destinada a “fotógrafos cuja criatividade e habilidades visuais produziram uma história com excelente edição e sequenciamento, que captura ou representa um evento ou assunto de grande importância jornalística”.

A imagem de Mário Cruz, intitulada “Viver entre o que foi deixado para trás”, mostra uma criança recolhendo material reciclável, deitada num colchão cercado por lixo, enquanto flutua no rio Pasig, em Manila, nas Filipinas.

Os vencedores do concurso serão conhecidos na cerimónia marcada para 11 de Abril, em Amesterdão, na Holanda.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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