Segunda-feira, 25 de Junho, 2018
Opinião

Um conselho inútil

por Manuel Falcão

Pouca gente terá reparado que o Governo andou a fazer uma luta surda com a RTP até conseguir o que queria - ter uma palavra a dizer na composição do conselho de administração da empresa concessionária do serviço público de Rádio e Televisão.

O caso deu-se graças a uma das maiores asneiras do ministro Poiares Maduro, no anterior governo, que foi a criação do Conselho Geral Independente (CGI).Maduro criou um órgão de supervisão, que ele próprio nomeou, e que integrou vários bonzos que em comum tinham o facto de pouco ou nada perceberem de comunicação e muito menos de audiovisual.


O Conselho Geral Independente foi inspirado por um órgão da BBC que, nessa altura, já estava em desuso e debaixo de crítica.

Este grupo de bonzos, que no léxico comum rapidamente se tornou conhecido por Conselho Geral Inútil, cumpriu o caderno de encargos que recebeu, afastou Alberto da Ponte e introduziu uma nova equipa que escolheu com o óbvio "agreement" - se não inspiração - do ministro Maduro.

Ao longo dos anos que leva de vida, conhece-se-lhe pouca obra, nenhuma recomendação inovadora e interessante.

Há meses, decidiu fazer prova de vida e apontou o caminho da porta a Nuno Artur Silva com base numa situação que se arrastava há anos e que tinha que ver com a sua participação accionista numa empresa de produção e num canal de cabo - tudo isto já existia antes de o próprio CGI o convidar a ir para a RTP.

O CGI teve a ilusão de que escolhe quem quiser, esquecendo-se de que, pelo menos na área do administrador com o pelouro financeiro, há que haver o acordo do Governo.

Não o procurou e Centeno deixou ficar a coisa a aboborar, fazendo finca-pé em ser ele a dar o nome. Foi o que agora aconteceu. Do CGI, como de costume, não se ouviu um ai. Cumpriram e calaram - na sua génese está o não fazer nada.

É este espírito que mata o serviço público de rádio e televisão.


(Este texto foi publicado originalmente no “Jornal de Negócios”)


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