Segunda-feira, 22 de Outubro, 2018
Opinião

Jornalistas assassinados na UE

por Francisco Sarsfield Cabral

A 3 de Maio celebra-se o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. A ideia de uma organização, patrocinada pela Unesco, para defender a liberdade de informação partiu de um grupo de jornalistas independentes em 1976.
O encontro deste ano, no Ghana, dará especial atenção à independência do sistema judicial e à importância de assegurar que serão legalmente investigados e condenados crimes contra jornalistas. Foi, aliás, criado o prémio Guillermo Cano Isasa, jornalista colombiano assassinado a tiro em 1986, na rua, em frente do seu jornal em Bogotá.


A liberdade de informação tem dado alguns passos atrás. E não só nos regimes ditatoriais em países pouco desenvolvidos. Nem apenas na Rússia de Putin ou na Turquia de Erdogan. É chocante saber que na própria União Europeia essa liberdade está a ser coartada nas chamadas “democracias iliberais” – na Polónia e na Hungria, sobretudo, mas também, embora em menor grau, na Roménia.

 

Mais grave ainda, há países da UE onde jornalistas que investigam casos de corrupção incómodos para os respectivos governos são assassinados. É o caso, nomeadamente, da Eslováquia, onde foram mortos o jornalista Jan Kuciak e a sua noiva, e de Malta, onde foi assassinada à bomba a jornalista Daphne Caruma Galizia. Como já foi aqui noticiado, um grupo de jornalistas de vários países está a prosseguir a investigação que levou ao assassínio de Daphne.

 
Salientou há dias o eurodeputado do PSD Paulo Rangel, na sua coluna no jornal “Público”, que entre nós se fala muito do “iliberalismo” da Polónia e da Hungria, mas quase nada dos homicídios de jornalistas na Eslováquia e em Malta. Tem razão o eurodeputado. É que estes assassinatos representam um alarmante retrocesso de civilização e uma afronta aos valores matrizes da integração europeia.

Por isso não é aceitável a escassa reacção dos dirigentes europeus, das opiniões públicas dos Estados membros da UE e da própria comunicação social europeia a tais crimes.


Connosco
Editorial de Khashoggi defende liberdade de expressão no mundo árabe Ver galeria

O mundo árabe “encheu-se de esperança durante a Primavera de 2011; jornalistas, académicos e a população estavam cheios de entusiasmo por uma sociedade árabe livre nos seus países”, mas as expectativas foram frustradas e “estas sociedades voltaram ao antigo status quo, ou tiveram que enfrentar condições ainda mais duras do que tinham antes”.

É esta a reflexão do último editorial de Jamal Khashoggi, o jornalista saudita interrogado e morto no consulado do seu país em Istambul, segundo apontam cada vez mais as informações que vão chegando. A editora de opinião do jornal The Washington Post, do qual era colaborador regular há um ano, conta que recebeu o texto do seu tradutor e ajudante, um dia depois do desaparecimento. Foi decidido adiar a publicação, na esperança de que ele voltasse e a edição final fosse feita por ambos. Segundo Karen Attiah, o texto “capta na perfeição a sua dedicação e paixão pela liberdade no mundo árabe, uma liberdade pela qual, aparentemente, deu a sua vida”.

Como vivem (e bem) da publicidade os “sites” de desinformação Ver galeria

Os sites que usam e abusam da desinformação são sustentados, em última instância, pela mesma publicidade que todos desejam conservar, incluindo os media tradicionais. Postas as coisas nestes termos, a situação parece paradoxal. Mas uma investigação feita pela equipa Décodex, do diário francês Le Monde, revela que, “mesmo sendo apontados a dedo como nocivos ao debate público, os sites de desinformação não têm dificuldades em encontrar parceiros comerciais”.

Em consequência das mutações ocorridas no funcionamento do mercado digital, “em França há centenas de anunciantes que ainda pagam para aparecerem em sites de desinformação”  - sem necessariamente terem consciência disso, como explica Pierre-Albert Ruquier, da empresa Storyzy. Alertadas por Le Monde, pelo menos duas redes publicitárias, Ligatus e Taboola, declararam ter cortado colaboração com um dos mais populares sites desta natureza, o Santeplusmag.com.

Mas há muito trabalho a fazer, porque os actores do mercado têm relutância em intervir a montante do problema  - fazendo-o, sobretudo, quando são apanhados.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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