Terça-feira, 21 de Agosto, 2018
Opinião

Jornalistas assassinados na UE

por Francisco Sarsfield Cabral

A 3 de Maio celebra-se o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. A ideia de uma organização, patrocinada pela Unesco, para defender a liberdade de informação partiu de um grupo de jornalistas independentes em 1976.
O encontro deste ano, no Ghana, dará especial atenção à independência do sistema judicial e à importância de assegurar que serão legalmente investigados e condenados crimes contra jornalistas. Foi, aliás, criado o prémio Guillermo Cano Isasa, jornalista colombiano assassinado a tiro em 1986, na rua, em frente do seu jornal em Bogotá.


A liberdade de informação tem dado alguns passos atrás. E não só nos regimes ditatoriais em países pouco desenvolvidos. Nem apenas na Rússia de Putin ou na Turquia de Erdogan. É chocante saber que na própria União Europeia essa liberdade está a ser coartada nas chamadas “democracias iliberais” – na Polónia e na Hungria, sobretudo, mas também, embora em menor grau, na Roménia.

 

Mais grave ainda, há países da UE onde jornalistas que investigam casos de corrupção incómodos para os respectivos governos são assassinados. É o caso, nomeadamente, da Eslováquia, onde foram mortos o jornalista Jan Kuciak e a sua noiva, e de Malta, onde foi assassinada à bomba a jornalista Daphne Caruma Galizia. Como já foi aqui noticiado, um grupo de jornalistas de vários países está a prosseguir a investigação que levou ao assassínio de Daphne.

 
Salientou há dias o eurodeputado do PSD Paulo Rangel, na sua coluna no jornal “Público”, que entre nós se fala muito do “iliberalismo” da Polónia e da Hungria, mas quase nada dos homicídios de jornalistas na Eslováquia e em Malta. Tem razão o eurodeputado. É que estes assassinatos representam um alarmante retrocesso de civilização e uma afronta aos valores matrizes da integração europeia.

Por isso não é aceitável a escassa reacção dos dirigentes europeus, das opiniões públicas dos Estados membros da UE e da própria comunicação social europeia a tais crimes.


Connosco
O perigo instrumentalizar a Rede para uma "guerra digital" Ver galeria

A relação entre os poderes instituídos e o novo poder das redes sociais passou por diversas fases. Houve um tempo em que alguns governos temeram a voz do povo na Internet, e fenómenos como as Primaveras Árabes, que derrubaram regimes instalados, levaram ao bloqueio destas plataformas. “Mas agora muitos governos descobriram que é mais útil intoxicar nas redes sociais do que proibi-las. E os trolls encarregam-se do resto.”

É esta a reflexão inicial do jornalista e empreendedor no meio digital Miguel Ossorio Vega, que faz uma síntese do ocorrido neste terreno nos últimos anos, chamando a atenção para o que considera serem os maiores perigos da ciberguerra em curso.

Quando o jornalista tem de mudar de "chip" para fundar um meio digital Ver galeria

No novo ambiente criado pela revolução digital, encontrar um modelo de negócio sustentável para o jornalismo continua a ser uma questão em aberto  - que foi discutida, uma vez mais, numa vídeo-conferência promovida pela International Journalists’ Network. A jornalista brasileira Priscila Brito, fundadora do site Negócio de Jornalista, esteve presente e conta que, em dado momento, uma das participantes mencionou que “uma etapa importante para se obter sucesso nessa tarefa é mudar o chip”:

“Ou seja, é preciso parar de pensar exclusivamente como jornalista e incorporar a lógica dos negócios.”

"É um processo que pode gerar resistência enorme a quem vem programado com o chip de jornalista  -  afinal, aprendemos que editorial e comercial devem (ou deveriam) estar tão separados como devem (ou deveriam estar) Igreja e Estado."
O Clube
O CPI – Clube Português de Imprensa voltou a participar no Prémio  Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018,  instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura,  em cooperação com a Europa Nostra, a principal organização europeia de defesa do património,  que o CNC representa em Portugal.   O Prémio foi atribuído, este ano,  à...

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