Sábado, 25 de Maio, 2019
Opinião

Jornalistas assassinados na UE

por Francisco Sarsfield Cabral

A 3 de Maio celebra-se o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. A ideia de uma organização, patrocinada pela Unesco, para defender a liberdade de informação partiu de um grupo de jornalistas independentes em 1976.
O encontro deste ano, no Ghana, dará especial atenção à independência do sistema judicial e à importância de assegurar que serão legalmente investigados e condenados crimes contra jornalistas. Foi, aliás, criado o prémio Guillermo Cano Isasa, jornalista colombiano assassinado a tiro em 1986, na rua, em frente do seu jornal em Bogotá.


A liberdade de informação tem dado alguns passos atrás. E não só nos regimes ditatoriais em países pouco desenvolvidos. Nem apenas na Rússia de Putin ou na Turquia de Erdogan. É chocante saber que na própria União Europeia essa liberdade está a ser coartada nas chamadas “democracias iliberais” – na Polónia e na Hungria, sobretudo, mas também, embora em menor grau, na Roménia.

 

Mais grave ainda, há países da UE onde jornalistas que investigam casos de corrupção incómodos para os respectivos governos são assassinados. É o caso, nomeadamente, da Eslováquia, onde foram mortos o jornalista Jan Kuciak e a sua noiva, e de Malta, onde foi assassinada à bomba a jornalista Daphne Caruma Galizia. Como já foi aqui noticiado, um grupo de jornalistas de vários países está a prosseguir a investigação que levou ao assassínio de Daphne.

 
Salientou há dias o eurodeputado do PSD Paulo Rangel, na sua coluna no jornal “Público”, que entre nós se fala muito do “iliberalismo” da Polónia e da Hungria, mas quase nada dos homicídios de jornalistas na Eslováquia e em Malta. Tem razão o eurodeputado. É que estes assassinatos representam um alarmante retrocesso de civilização e uma afronta aos valores matrizes da integração europeia.

Por isso não é aceitável a escassa reacção dos dirigentes europeus, das opiniões públicas dos Estados membros da UE e da própria comunicação social europeia a tais crimes.


Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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