Quinta-feira, 17 de Janeiro, 2019
Opinião

Jornalistas assassinados na UE

por Francisco Sarsfield Cabral

A 3 de Maio celebra-se o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. A ideia de uma organização, patrocinada pela Unesco, para defender a liberdade de informação partiu de um grupo de jornalistas independentes em 1976.
O encontro deste ano, no Ghana, dará especial atenção à independência do sistema judicial e à importância de assegurar que serão legalmente investigados e condenados crimes contra jornalistas. Foi, aliás, criado o prémio Guillermo Cano Isasa, jornalista colombiano assassinado a tiro em 1986, na rua, em frente do seu jornal em Bogotá.


A liberdade de informação tem dado alguns passos atrás. E não só nos regimes ditatoriais em países pouco desenvolvidos. Nem apenas na Rússia de Putin ou na Turquia de Erdogan. É chocante saber que na própria União Europeia essa liberdade está a ser coartada nas chamadas “democracias iliberais” – na Polónia e na Hungria, sobretudo, mas também, embora em menor grau, na Roménia.

 

Mais grave ainda, há países da UE onde jornalistas que investigam casos de corrupção incómodos para os respectivos governos são assassinados. É o caso, nomeadamente, da Eslováquia, onde foram mortos o jornalista Jan Kuciak e a sua noiva, e de Malta, onde foi assassinada à bomba a jornalista Daphne Caruma Galizia. Como já foi aqui noticiado, um grupo de jornalistas de vários países está a prosseguir a investigação que levou ao assassínio de Daphne.

 
Salientou há dias o eurodeputado do PSD Paulo Rangel, na sua coluna no jornal “Público”, que entre nós se fala muito do “iliberalismo” da Polónia e da Hungria, mas quase nada dos homicídios de jornalistas na Eslováquia e em Malta. Tem razão o eurodeputado. É que estes assassinatos representam um alarmante retrocesso de civilização e uma afronta aos valores matrizes da integração europeia.

Por isso não é aceitável a escassa reacção dos dirigentes europeus, das opiniões públicas dos Estados membros da UE e da própria comunicação social europeia a tais crimes.


Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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