Segunda-feira, 21 de Maio, 2018
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“Conteúdos patrocinados” entre o cifrão e a polémica...

A expressão branded content tornou-se corrente, nos meios de comunicação, para designar o que também é chamado jornalismo de marca, ou de empresa, em que determinados textos promovem produtos ou mensagens de uma forma semelhante à do jornalismo  - sendo patrocinados pela empresa interessada. A sua importância actual decorre da crise económica de 2007 e suas consequências no jornalismo tradicional, com a queda das receitas da publicidade que sustentava os media. Curiosamente, a prática é mais antiga, e o estudo que citamos, de Cuadernos de Periodistas, recorda como os produtores de espinafres souberam, nos EUA, divulgar o seu protudo com filmes de animação protagonizados por uma figura que se tornou popular em todo o mundo: o invencível Popeye.

Hoje temos “conteúdos patrocinados” em muitos jornais, mesmo os considerados de referência, como fonte de receita alternativa à publicidade perdida. O que suscita debates sérios de deontologia profissional: trata-se ou não de publicidade encapotada? De que modo deve ser marcada a diferença entre géneros? O tema é desenvolvido por Rocío Hernández, jornalista especializada em publicidade e marketing, na edição nº 35 da revista Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

A autora começa por apresentar a definição de branded content usada pelo ramo espanhol da Branded Content Marketing Association (BCMA Spain), como sendo “qualquer conteúdo, total ou parcialmente produzido pelo proprietário legal de uma marca, que promova os seus valores e faça com que a audiência escolha comprometer-se voluntariamente com ela, garaças à sua importância e à capacidade de entretenimento, de informação ou dos valores educacionais do referido conteúdo”. 

Vários jornais, nos EUA, não só usam esta prática há anos, como têm gabinetes especializados para a produção dos referidos conteúdos: The New York Times com o T Brand Studio, Huffington Post com o Partner Studio e The Washington Post com o WP Brand Studio

Também os grandes grupos de media espanhóis, como a Prisa, Unidad Editorial e Vocento, já dispõem de departamentos cuja missão é a de desenvolverem conteúdos deste tipo, e os jornais digitais El Confidencial e El Español aderiram recentemente a esta corrente, criando os seus próprios departamentos. 

Rocío Hernández descreve extensamente os modos de trabalho de La Factoría, da Prisa Revistas, do UEstudio (Unidad Editorial) e da Content Factory (Vocento). Faz o mesmo, a seguir, sobre a EC Brands, de El Confidencial, e do departamento de Marcas con Ñ, do El Español

Cita por fim o III Estudio sobre la Profesión Periodística (2016), promovido pela Gas Natural em parceria com a Asociación de Periodistas de Información Económica (APIE), segundo o qual “os jornalistas que se posicionam a favor dos conteúdos patrocinados por marcas argumentam que se trata de uma importante fonte de recursos económicos que as empresas utilizam para abordar os clientes sem intenção de venda, baseada num modelo não intrusivo. Consideram, além disso, que os referidos conteúdos trazem consigo valor acrescentado, isto é, são úteis para a audiência e que, de modo geral, têm informação muito trabalhada e rigorosa, e normalmente diferente da que se transmite por meio da publicidade tradicional”. (...)

Pelo outro lado, os que se mostram contra entendem que com isto “as empresas querem influenciar demasiado os conteúdos e se perde rigor jornalístico”. Existe também “a percepção de que se trata de publicidade encoberta, de informação ‘comprada’.”

“Outros motivos para a sua oposição entendem que se pode confundir a audiência e gerar reacções adversas, ou afectar a credibilidade do meio de comunicação; que o jornalista não tem completa liberdade para exercer o seu trabalho e que, por vezes, os conteúdos não são atraentes, por trazerem demasiada informação.” (...) 

Ambos os grupos estão de acordo em que é fundamental distinguir a informação jornalística dos conteúdos patrocinados por empresas, sendo que “a postura mais ética e respeitadora do leitor será a de avisar sempre, de forma clara, que por detrás de determinado conteúdo se encontra uma marca”. (...)

 

O artigo citado, na íntegra, em Cuadernos de Periodistas

Connosco
Conferência a 22 de Maio com ministro Mário Centeno Ver galeria

Mário Centeno, Ministro das Finanças e Presidente do Eurogrupo, é o nosso orador convidado para o jantar-debate do próximo dia 22 de Maio, promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema que tem presidido a esta série  - “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”.

Mário José Gomes de Freitas Centeno nasceu em Olhão, em Dezembro de 1966, e fez o seu percurso académico em Lisboa, para onde veio morar, com os pais e irmãos, quando tinha 15 anos. Obteve no ISEG  - Instituto Superior de Economia e Gestão a sua licenciatura em Economia, em 1990, seguida de um mestrado em Matemática Aplicada na mesma escola superior.


Livro de memórias de Pedro Rolo Duarte sem ser autobiografia Ver galeria

Pedro Rolo Duarte, que nos deixou em Novembro de 2017, deixou também um conjunto de textos agora reunidos e publicados em livro. O título, “Não Respire”, vai direito a um tema incontornável, que o autor assume e é continuado logo abaixo, na mesma capa: “Tudo começou cedo demais (e quando dei por isso era tarde)”.
O Observador, que publica excertos de momentos marcantes da sua vida, explica que “a autobiografia póstuma do jornalista, que a editora Manuscrito acabou de publicar, fala naturalmente da doença, mas não só”. O primeiro desses excertos é “o vício do tabaco”. Mas as 296 páginas “estão repletas de histórias de uma vida cheia. Nelas, Rolo Duarte recordou os melhores tempos de uma carreira com mais de 30 anos (a fundação d’O Independente, do DNA), os amigos, as paixões e os vícios. Sempre com grande saudade mas sem uma ponta de pessimismo.”

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
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A 3 de Maio celebra-se o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. A ideia de uma organização, patrocinada pela Unesco, para defender a liberdade de informação partiu de um grupo de jornalistas independentes em 1976.O encontro deste ano, no Ghana, dará especial atenção à independência do sistema judicial e à importância de assegurar que serão legalmente investigados e condenados crimes contra jornalistas. Foi,...
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