Sábado, 30 de Maio, 2020
Tecnologias

Quando o jornalismo se adapta à imersão em Realidade Virtual

A aplicação ao jornalismo das novas tecnologias de Realidade Virtual é uma história ainda muito em princípio. Segundo o texto que aqui citamos, algumas redacções já fizeram “breves experiências, mas estão longe de ter comprado a ideia”. Um dos problemas é a necessidade de dispositivos caros, além de salas especiais com sensores. A transmissão de experiências em Realidade Virtual faz-se principalmente em eventos especializados, ou festivais, mas “nessas feiras de tecnologia, os filmes de ficção e as experiências com games são muito mais numerosas do que as de não-ficção”.

E esse é o segundo problema. Num dos projectos mais criativos a usar a RV em jornalismo, pela empresa Emblematic, o aspecto negativo é que “o encantamento pela tecnologia e pelas novas sensações é tão forte que é fácil se esquecer da mensagem, do que está sendo dito; essa nova fronteira  - o balanço perfeito entre sensação e informação -  é algo que precisa de ser aperfeiçoado pelos produtores de não-ficção imersiva”. A reflexão é de Eduardo Acquarone, criador de projectos digitais jornalísticos na TV Globo, no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

A sua proposta é uma espécie de “visita guiada” a cinco grandes experiências (mais duas de bónus) em Realidade Virtual que conhece, e das quais fornece os links de acesso.  

A primeira, acima citada, é a da Emblematic, cujos primeiros projectos, “bastante experimentais”, foram suficientemente fortes para consciencializarem o Fórum Económico Mundial sobre a questão síria ou porem questões sobre o que fazer quando alguém se começa a sentir mal numa fila de distribuição de comida em Lons Angeles. “As perguntas são difíceis e as respostas também.” 

Em 2017, a Emblematic iniciou “uma parceria com o premiado programa Dateline, da PBS americana, que já resultou em dois projectos: After Solitary e Greenland Melting”. 

“O projecto da Gronelândia é uma compilação de novas tecnologias, onde o termo ‘imersivo’ começa realmente a ser algo real e não apenas uma jogada de marketing. Tirando o frio, é possível a uma pessoa imaginar-se no local. Mas para isso, o ideal é ver o vídeo numa sala [preparada] com sensores de movimento.” (...) 

A segunda é que torna a RV uma “máquina de empatia”, de nos colocar na situação e “na pele” do outro, por exemplo um imigrante que procura asilo, a vida numa prisão ou outras experiências extremas. 

A terceira é apresentada no Newseum, em Washington, que já exibia um pedaço real do Muro de Berlim e, desde 2017, tem também uma experiência em RV onde é possível vivenciar a divisão entre as Alemanhas. “Com um quê de aventura, é possível andar numa rua deserta do lado Oriental, esconder-se dos guardas que impedem a passagem para o outro lado e, usando os controlos do Vive, quebrar um pedaço do muro para atingir a liberdade”. (...) 

A quarta é mais um projecto de Realidade Mista, que mistura duas tecnologias. “Mas a principal ferramenta usada nos vídeos criados pela Left Field, uma divisão da NBC, é o Tilt Brush. (...) Através de uma interessante mistura de gráficos preparados anteriormente com textos e desenhos feitos ao vivo, a equipa do Left Field conseguiu realmente inovar no velho mundo da TV, ao criar gráficos em 3D que tem a cara de algo novo, desafiador?  -  com o bónus de ter coragem de colocar a repórter usando um visor de RV enquanto fala com o público”. (...) 

“Em quinto lugar na lista, um vídeo histórico, que já tem mais de dois anos: uma entrevista de Michelle Obama para a Verge, captada com câmaras de 360 graus. (...) É possível ver, num curto espaço de tempo, como a tecnologia e narrativa já evoluíram. Mas, ao mesmo tempo, impossível deixar de notar que os recursos usados pela Verge, há longínquos 24 meses atrás, ainda são um sonho para qualquer redacção brasileira.” (...) 

O autor do artigo que citamos menciona depois dois projectos de ficção, My Brother’s Keeper e Ghosbusters, talvez mais úteis ao cinema de efeitos especiais do que ao jornalismo, mas que ajudam a pensar como as fronteiras da Realidade Virtual se estão a expandir. 

Aduardo Acquarone apresenta depois mais cinco narrativas em Realidade Aumentada, já experimentadas por jornais como The New York Times e The Washington Post. Expõe também a experiência de “imersão” criada pelo correspondente de guerra belga-tunisino Karim Ben Khelifa, para “contar uma história mostrando os vários lados do conflito e ainda fazer com que o público se coloque na posição dos combatentes”. 

“O projecto The Enemy é uma instalação artística e também uma poderosa narrativa jornalística para que o público entenda a guerra. É interessante como Khelifa, entrevistando os soldados, percebeu que eles têm muito em comum, independentemente do lado por que lutam, e isso é possível perceber ao usar o aplicativo de RA. De repente, estamos no meio de uma sala, entre dois soldados adversários, que vão contar um pouco da sua vida e história, e de como chegaram até lá.” (...) 

 

O texto citado, na íntegra, no Observatório da Imprensa do Brasil

Connosco
Na era digital a máquina é o “braço direito” do jornalista ... Ver galeria

A era digital fez-se acompanhar de uma profunda alteração nos modelos de actividade e de negócio, entre os quais se destaca o sector mediático, segundo aponta o mais recente relatório do Obercom.

De acordo com o estudo, essas mudanças caracterizam-se, sobretudo, pela implementação de algoritmos e pela automatização dos sistemas.

Se, por um lado, a digitalização trouxe alguns problemas ao sector mediático, que, durante décadas estudou a adaptação a um mundo globalizado, onde a informação nunca pára, por outro, veio facilitar o trabalho aos jornalistas.

Este fenómeno é, aparentemente, paradoxal, mas a verdade é que os processos automáticos ajudam os profissionais a responderem, eficazmente, à necessidade da produção “sôfrega” de conteúdos noticiosos.

Trocando por miúdos: se as máquinas existem, porque não “pedir-lhes ajuda”?

Assim, os “media” actuais dependem, cada vez mais, de algoritmos que permitem analisar a preferências dos leitores, bem como de sistemas que facilitam a actualização de “websites” ao minuto.

A urgência de proteger jornalistas em países onde falha a liberdade de imprensa Ver galeria

A violência contra os jornalistas é uma realidade cada vez mais presente no mundo contemporâneo, já que várias entidades, insatisfeitas com a sua independência, estão a desenvolver novos mecanismos para impedir a publicação de artigos incómodos para o poder instituído.

Os atentados mais graves contra a liberdade de imprensa ocorrem em países onde esta está condicionada, mas, igualmente, noutros onde era suposto haver protecção para o trabalho jornalístico.

De acordo com um artigo do “Guardian”, esta realidade distópica ficou  mais evidente com o aparecimento do coronavírus.

A título de exemplo, alguns governos criaram medidas extraordinárias, visando a restrição do trabalho jornalístico. Foi o caso da Hungria, onde Viktor Órban instituiu a lei “coronavírus”, que criminaliza a difusão de “notícias falsas” sobre a pandemia. 

Da mesma forma, tanto a China como o Irão censuraram a informação respeitante aos surtos nestes países.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas