Quinta-feira, 21 de Março, 2019
Tecnologias

Quando o jornalismo se adapta à imersão em Realidade Virtual

A aplicação ao jornalismo das novas tecnologias de Realidade Virtual é uma história ainda muito em princípio. Segundo o texto que aqui citamos, algumas redacções já fizeram “breves experiências, mas estão longe de ter comprado a ideia”. Um dos problemas é a necessidade de dispositivos caros, além de salas especiais com sensores. A transmissão de experiências em Realidade Virtual faz-se principalmente em eventos especializados, ou festivais, mas “nessas feiras de tecnologia, os filmes de ficção e as experiências com games são muito mais numerosas do que as de não-ficção”.

E esse é o segundo problema. Num dos projectos mais criativos a usar a RV em jornalismo, pela empresa Emblematic, o aspecto negativo é que “o encantamento pela tecnologia e pelas novas sensações é tão forte que é fácil se esquecer da mensagem, do que está sendo dito; essa nova fronteira  - o balanço perfeito entre sensação e informação -  é algo que precisa de ser aperfeiçoado pelos produtores de não-ficção imersiva”. A reflexão é de Eduardo Acquarone, criador de projectos digitais jornalísticos na TV Globo, no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

A sua proposta é uma espécie de “visita guiada” a cinco grandes experiências (mais duas de bónus) em Realidade Virtual que conhece, e das quais fornece os links de acesso.  

A primeira, acima citada, é a da Emblematic, cujos primeiros projectos, “bastante experimentais”, foram suficientemente fortes para consciencializarem o Fórum Económico Mundial sobre a questão síria ou porem questões sobre o que fazer quando alguém se começa a sentir mal numa fila de distribuição de comida em Lons Angeles. “As perguntas são difíceis e as respostas também.” 

Em 2017, a Emblematic iniciou “uma parceria com o premiado programa Dateline, da PBS americana, que já resultou em dois projectos: After Solitary e Greenland Melting”. 

“O projecto da Gronelândia é uma compilação de novas tecnologias, onde o termo ‘imersivo’ começa realmente a ser algo real e não apenas uma jogada de marketing. Tirando o frio, é possível a uma pessoa imaginar-se no local. Mas para isso, o ideal é ver o vídeo numa sala [preparada] com sensores de movimento.” (...) 

A segunda é que torna a RV uma “máquina de empatia”, de nos colocar na situação e “na pele” do outro, por exemplo um imigrante que procura asilo, a vida numa prisão ou outras experiências extremas. 

A terceira é apresentada no Newseum, em Washington, que já exibia um pedaço real do Muro de Berlim e, desde 2017, tem também uma experiência em RV onde é possível vivenciar a divisão entre as Alemanhas. “Com um quê de aventura, é possível andar numa rua deserta do lado Oriental, esconder-se dos guardas que impedem a passagem para o outro lado e, usando os controlos do Vive, quebrar um pedaço do muro para atingir a liberdade”. (...) 

A quarta é mais um projecto de Realidade Mista, que mistura duas tecnologias. “Mas a principal ferramenta usada nos vídeos criados pela Left Field, uma divisão da NBC, é o Tilt Brush. (...) Através de uma interessante mistura de gráficos preparados anteriormente com textos e desenhos feitos ao vivo, a equipa do Left Field conseguiu realmente inovar no velho mundo da TV, ao criar gráficos em 3D que tem a cara de algo novo, desafiador?  -  com o bónus de ter coragem de colocar a repórter usando um visor de RV enquanto fala com o público”. (...) 

“Em quinto lugar na lista, um vídeo histórico, que já tem mais de dois anos: uma entrevista de Michelle Obama para a Verge, captada com câmaras de 360 graus. (...) É possível ver, num curto espaço de tempo, como a tecnologia e narrativa já evoluíram. Mas, ao mesmo tempo, impossível deixar de notar que os recursos usados pela Verge, há longínquos 24 meses atrás, ainda são um sonho para qualquer redacção brasileira.” (...) 

O autor do artigo que citamos menciona depois dois projectos de ficção, My Brother’s Keeper e Ghosbusters, talvez mais úteis ao cinema de efeitos especiais do que ao jornalismo, mas que ajudam a pensar como as fronteiras da Realidade Virtual se estão a expandir. 

Aduardo Acquarone apresenta depois mais cinco narrativas em Realidade Aumentada, já experimentadas por jornais como The New York Times e The Washington Post. Expõe também a experiência de “imersão” criada pelo correspondente de guerra belga-tunisino Karim Ben Khelifa, para “contar uma história mostrando os vários lados do conflito e ainda fazer com que o público se coloque na posição dos combatentes”. 

“O projecto The Enemy é uma instalação artística e também uma poderosa narrativa jornalística para que o público entenda a guerra. É interessante como Khelifa, entrevistando os soldados, percebeu que eles têm muito em comum, independentemente do lado por que lutam, e isso é possível perceber ao usar o aplicativo de RA. De repente, estamos no meio de uma sala, entre dois soldados adversários, que vão contar um pouco da sua vida e história, e de como chegaram até lá.” (...) 

 

O texto citado, na íntegra, no Observatório da Imprensa do Brasil

Connosco
Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

Quando há leitores menos interessados na independência do jornal Ver galeria

Mais de 33 mil leitores do jornal espanhol eldiario.es  são assinantes, o que significa que pagam 60 euros por ano para ler os mesmos textos que são lidos de graça por oito milhões de pessoas por mês, sem pagarem um cêntimo.

“Supõe-se que o fazem por convicção, por apoio a um projecto digital que pertence exclusivamente a jornalistas, sem grandes empresas ou bancos entre os accionistas. Sem um grupo mediático por detrás.” (...) “Supõe-se que o fazem porque, graças a esse dinheiro, existe uma plataforma mediática independente que tem orgulho na sua independência e que aposta em conteúdos de qualidade.”

No entanto, quando eldiário.es publicou uma revelação embaraçosa para uma ministra do Governo do PSOE, houve quem suspendesse a assinatura, acusando o jornal de estar “a fazer o jogo da direita”.

O que remete para a pergunta que faz o título do artigo sobre uma entrevista que Ignacio Escolar, fundador e director do jornal referido, fez ao jornalista Iñaki Gabilondo: “E se os leitores não quiserem media livres?”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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