Sábado, 25 de Maio, 2019
Media

"Estação Imagem" premeia jovem fotojornalista

A fotojornalista Patrícia de Melo Moreira foi distinguida com o Prémio Estação Imagem 2018 Coimbra, por “Verão Negro”, uma série de imagens sobre os incêndios florestais do ano passado, no centro do País, que realizou para a Agência France-Presse. Patrícia Moreira, a primeira fotojornalista a vencer o prémio principal deste concurso  - que vai na sua nona edição -  exprimiu o desejo de que mais mulheres se revelem neste ramo do jornalismo mas manifestou, ao mesmo tempo, a sua revolta pelas situações de precariedade que afectam muitos profissionais  - incluindo o seu próprio caso.

O presidente do júri do Estação Imagem, Santiago Lyon  - que foi director de fotografia da agência Associated Press, disse que, “hoje em dia, o fotojornalismo está numa crise. Não acho que seja catastrófico, mas está em constante mudança e é difícil para os fotógrafos e fotojornalistas encontrar trabalho e, em muitos casos, o trabalho e o dinheiro vêm do sector comercial”. (...) 

Questionado pela Lusa  - que aqui citamos do Observador -  Santiago Lyon mostrou-se “impressionado com a qualidade do trabalho” dos fotógrafos portugueses que, em qualquer temática, apresentaram fotografias “de classe mundial”. No júri do concurso deste ano estiveram também os fotojornalistas Sara Naomi Lewkowicz, Marco Longari e Tanya Habjouqa. 

“A Fotografia do Ano foi atribuída ao galego Gabriel Tizon, com ‘O Frio dos Refugiados’, em que retrata um jovem refugiado na fronteira entre a Sérvia e a Croácia, tendo os fotojornalistas Nuno André Ferreira e Filipe Amorim recebido uma menção honrosa por ‘Incêndios’ (sobre os incêndios de Outubro, em Tondela) e ‘Bons Amigos’ (que capta um pontapé de um futebolista a um colega de equipa), respectivamente.”

“Os incêndios de 2017, que afectaram em particular a região Centro do País, estiveram presentes noutras categorias da edição deste ano do Estação Imagem, com a distinção para ‘Um País em Luto’, de Rui Duarte Silva, na categoria de Notícias, e com ‘Incêndios Florestais em Portugal’, de Mariline Alves, na categoria de Ambiente.” (...) 

A Estação Imagem destina-se a premiar reportagens de fotógrafos portugueses, dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e da Galiza, ou feitas por estrangeiros nestes territórios. Coimbra é, pela primeira vez, a anfitriã deste festival de fotojornalismo, que, no passado, decorreu em Mora e em Viana do Castelo. 


Mais informação sobre os prémios atribuídos em outras categorias no Observador e no site de Estação Imagem

 

 

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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