Quarta-feira, 16 de Janeiro, 2019
Media

"Estação Imagem" premeia jovem fotojornalista

A fotojornalista Patrícia de Melo Moreira foi distinguida com o Prémio Estação Imagem 2018 Coimbra, por “Verão Negro”, uma série de imagens sobre os incêndios florestais do ano passado, no centro do País, que realizou para a Agência France-Presse. Patrícia Moreira, a primeira fotojornalista a vencer o prémio principal deste concurso  - que vai na sua nona edição -  exprimiu o desejo de que mais mulheres se revelem neste ramo do jornalismo mas manifestou, ao mesmo tempo, a sua revolta pelas situações de precariedade que afectam muitos profissionais  - incluindo o seu próprio caso.

O presidente do júri do Estação Imagem, Santiago Lyon  - que foi director de fotografia da agência Associated Press, disse que, “hoje em dia, o fotojornalismo está numa crise. Não acho que seja catastrófico, mas está em constante mudança e é difícil para os fotógrafos e fotojornalistas encontrar trabalho e, em muitos casos, o trabalho e o dinheiro vêm do sector comercial”. (...) 

Questionado pela Lusa  - que aqui citamos do Observador -  Santiago Lyon mostrou-se “impressionado com a qualidade do trabalho” dos fotógrafos portugueses que, em qualquer temática, apresentaram fotografias “de classe mundial”. No júri do concurso deste ano estiveram também os fotojornalistas Sara Naomi Lewkowicz, Marco Longari e Tanya Habjouqa. 

“A Fotografia do Ano foi atribuída ao galego Gabriel Tizon, com ‘O Frio dos Refugiados’, em que retrata um jovem refugiado na fronteira entre a Sérvia e a Croácia, tendo os fotojornalistas Nuno André Ferreira e Filipe Amorim recebido uma menção honrosa por ‘Incêndios’ (sobre os incêndios de Outubro, em Tondela) e ‘Bons Amigos’ (que capta um pontapé de um futebolista a um colega de equipa), respectivamente.”

“Os incêndios de 2017, que afectaram em particular a região Centro do País, estiveram presentes noutras categorias da edição deste ano do Estação Imagem, com a distinção para ‘Um País em Luto’, de Rui Duarte Silva, na categoria de Notícias, e com ‘Incêndios Florestais em Portugal’, de Mariline Alves, na categoria de Ambiente.” (...) 

A Estação Imagem destina-se a premiar reportagens de fotógrafos portugueses, dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e da Galiza, ou feitas por estrangeiros nestes territórios. Coimbra é, pela primeira vez, a anfitriã deste festival de fotojornalismo, que, no passado, decorreu em Mora e em Viana do Castelo. 


Mais informação sobre os prémios atribuídos em outras categorias no Observador e no site de Estação Imagem

 

 

Connosco
Como os tablóides britânicos condicionaram debate sobre o Brexit Ver galeria

A Imprensa tablóide britânica tem uma longa tradição eurocéptica e eurofóbica, incluindo a promoção de várias “cruzadas” sobre “Euro-mitos” e o uso de títulos muitas vezes grosseiros. Jornais como The Daily Mail, o Sun ou The Daily Express, “foram muito activos a retratar o Reino Unido como vítima da conspiração ‘cosmopolítica’ de Bruxelas que, segundo alguns títulos, iria obrigar o Parlamento a banir as tradicionais cafeteiras ou lâmpadas eléctricas, ou obrigar as senhoras britânicas a devolverem antigos brinquedos sexuais, para se ajustarem às regras da UE”.

O modo como usaram e abusaram do termo “povo” desempenhou um papel crucial no modo como conseguiram “condicionar o debate sobre o referendo do Brexit em torno de dinâmicas tipicamente populistas”. A reflexão é de Franco Zappettini, docente de Comunicação e Media na Universidade de Liverpool, recentemente publicada no Observatório Europeu de Jornalismo.

Será o jornalismo o primeiro ou o segundo "rascunho da História"? Ver galeria

Segundo a citação tornada famosa, o jornalismo é apenas “o primeiro rascunho tosco da História”. Hoje, ultrapassado em velocidade e abundância de material por toda a desinformação que nos chega pela Internet, já nem isso consegue: o “primeiro rascunho”, agora, vem nas redes sociais, cheias de boatos e teorias de conspiração. E os nossos meios de fact-checking não conseguem ganhar a corrida.

“Fazer fact-checking a Donald Trump, por exemplo, é como ligar um detector de mentiras a um artista de stand-up comedy.”
E combater a desinformação pela Internet “é como disparar uma metralhadora contra um bando desordenado de pássaros.”

As imagens citadas são de James Harkin, director do Centre for Investigative Journalism, e a sua sugestão resume-se numa pergunta:

"Por que não tentarmos restaurar a nossa autoridade fazendo menos, mas com mais profundidade e contexto? O resultado seria um tipo mais lento de jornalismo, que assenta na acumulação de detalhes e aponta para as verdades escondidas por baixo. Esta nova abordagem ao jornalismo já está no ar e podemos chamar-lhe segundo rascunho."
O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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