Sábado, 25 de Maio, 2019
Tecnologias

Estudo da "Reuters" identifica projectos digitais asiáticos

Algumas das mais recentes inovações e investimento no jornalismo digital estão a passar-se em grandes empresas de países asiáticos, como a China e a Índia. Um estudo do Reuters Institute aponta que as plataformas tecnológicas desta área do mundo estão a desenvolver novas ideias a uma velocidade enorme e identifica três tendências principais: um jornalismo “robotizado”, com ampla utilização da “inteligência artificial” para recolha e distribuição de conteúdos, uma aposta decisiva nos dispositivos móveis e mais tráfego de mensagens e conversação nas redes sociais.

O referido relatório do Instituto Reuters decorre de um inquérito a 194 editores, directores executivos e directores de meios digitais, com o objectivo de identificar quais inovações que vão ter mais impacto no ecossistema mediático na Ásia. 

Uma percentagem muito elevada (72%) dos entrevistados planeia investir mais na “inteligência artificial”. O exemplo sugerido é o da plataforma chinesa Toutiao, com sede em Pequim, que alcança 120 milhões de utentes activos diários, 90% deles menores de 30 anos, e com um tempo médio de permanência diária de 74 minutos. 

Segundo a Media-tics, que aqui citamos, a Toutiao “agrega conteúdos provenientes de 800 mil fontes, 20 mil delas de media tradicionais”, para entregar de modo inteligente e personalizado à medida do interesse de cada utente. 

Por outro lado, 44% dos entrevistados considera que as assinaturas serão de grande importância para os meios digitais. A combinação entre dispositivos móveis e assinaturas será uma das chaves para a rentabilização do sector. 

“A Índia, que só em 2017 já reuniu 420 milhões de utentes de telemóveis, explora esta combinação noutro sector: a empresa BYJU, de Bangalore, oferece oferece aulas personalizadas para que os alunos possam melhorar os temas em que têm carências. Já tem 700 mil assinantes pagos sobre uma base de doze milhões de downloads, e é um modelo que se pode aplicar aos media.” 

Por último, a WeChat (uma espécie de WhatsApp da China) está a tornar-se a primeira fonte de notícias do país. “Esta aplicação do Tencent, um dos gigantes digitais mais em foco, já ultrapassa os 963 milhões de utentes activos mensais, sobretudo porque por meio dela se pode aceder a quase tudo, desde marcar consulta médica até comprar produtos.”

“E isto é uma porta aberta para os editores, que podem cobrar pelos artigos ou receber doações. O articulista He Caitou reconheceu em 2017 à Columbia Journalism Review que ganha mais de 600 dólares por cada artigo que partilha na WeChat. (...)

 

O artigo citado, em Media-tics, e a síntese do Reuters Institute

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


ver mais >
Opinião
“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
Lançar notícias falsas sobre adversários políticos ou outros existe há séculos. Mas a internet deu às mentiras uma capacidade de difusão nunca antes vista.  Divulgar no espaço público notícias falsas (“fake news”) é hoje um problema que, com razão, preocupa muita gente. Mas não se pode considerar que este seja um problema novo. Claro que a internet e as redes sociais proporcionam...
A celebração do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa  constitui o pretexto e o convite para uma reflexão que não nos exclui. Com os jornais em contínua degradação de vendas em banca, obrigando  já a soluções extremas  - como se verificou com o centenário  “Diário de Noticias”, que passou a ser semanário, embora sem inverter o plano inclinado -,  a apatia...
A Google trouxe a Lisboa Mark Howe, um veterano da publicidade no Reino Unido. Actualmente responsável da Google pela relação com as agências de meios na Europa, Mark Howe contou uma história que mostra bem a importância de as marcas comunicarem de forma continuada – mesmo que o objectivo não seja as vendas imediatamente. A situação passou-se no Reino Unido e nos EUA durante a II Grande Guerra. Por iniciativa dos governos foi...
Agenda
27
Mai
DW Global Media Forum
09:00 @ Bona, Alemanha
02
Jun
"The Children’s Media Conference"
11:00 @ Sheffield, Reino Unido
14
Jun
14
Jun
21
Jun
Social Media Day: Halifax
09:00 @ Halifax, Nova Escócia, Canadá