Quarta-feira, 19 de Setembro, 2018
Tecnologias

Estudo da "Reuters" identifica projectos digitais asiáticos

Algumas das mais recentes inovações e investimento no jornalismo digital estão a passar-se em grandes empresas de países asiáticos, como a China e a Índia. Um estudo do Reuters Institute aponta que as plataformas tecnológicas desta área do mundo estão a desenvolver novas ideias a uma velocidade enorme e identifica três tendências principais: um jornalismo “robotizado”, com ampla utilização da “inteligência artificial” para recolha e distribuição de conteúdos, uma aposta decisiva nos dispositivos móveis e mais tráfego de mensagens e conversação nas redes sociais.

O referido relatório do Instituto Reuters decorre de um inquérito a 194 editores, directores executivos e directores de meios digitais, com o objectivo de identificar quais inovações que vão ter mais impacto no ecossistema mediático na Ásia. 

Uma percentagem muito elevada (72%) dos entrevistados planeia investir mais na “inteligência artificial”. O exemplo sugerido é o da plataforma chinesa Toutiao, com sede em Pequim, que alcança 120 milhões de utentes activos diários, 90% deles menores de 30 anos, e com um tempo médio de permanência diária de 74 minutos. 

Segundo a Media-tics, que aqui citamos, a Toutiao “agrega conteúdos provenientes de 800 mil fontes, 20 mil delas de media tradicionais”, para entregar de modo inteligente e personalizado à medida do interesse de cada utente. 

Por outro lado, 44% dos entrevistados considera que as assinaturas serão de grande importância para os meios digitais. A combinação entre dispositivos móveis e assinaturas será uma das chaves para a rentabilização do sector. 

“A Índia, que só em 2017 já reuniu 420 milhões de utentes de telemóveis, explora esta combinação noutro sector: a empresa BYJU, de Bangalore, oferece oferece aulas personalizadas para que os alunos possam melhorar os temas em que têm carências. Já tem 700 mil assinantes pagos sobre uma base de doze milhões de downloads, e é um modelo que se pode aplicar aos media.” 

Por último, a WeChat (uma espécie de WhatsApp da China) está a tornar-se a primeira fonte de notícias do país. “Esta aplicação do Tencent, um dos gigantes digitais mais em foco, já ultrapassa os 963 milhões de utentes activos mensais, sobretudo porque por meio dela se pode aceder a quase tudo, desde marcar consulta médica até comprar produtos.”

“E isto é uma porta aberta para os editores, que podem cobrar pelos artigos ou receber doações. O articulista He Caitou reconheceu em 2017 à Columbia Journalism Review que ganha mais de 600 dólares por cada artigo que partilha na WeChat. (...)

 

O artigo citado, em Media-tics, e a síntese do Reuters Institute

Connosco
Plataformas tecnológicas estão a sentar-se no coração do jornalismo Ver galeria

Na relação difícil que se tem desenvolvido, nestes últimos anos, entre as plataformas tecnológicas e os publishers dos media, a iniciativa foi sempre das primeiras e a intimidade nunca foi tanta como agora, com as plataformas “a tomarem mais decisões deliberadas que afectam o jornalismo e a colocação e distribuição das notícias”. Embora já haja editores a praticarem um “desacoplamento consciente” da sua dependência das plataformas, do lado destas vem um movimento muito claro de se envolverem cada vez mais no “apoio financeiro directo a determinados tipos de jornalismo”. Isto significa que plataformas “movidas pelo lucro” estão a “sentar-se desconfortavelmente no coração do jornalismo e das notícias”.

É esta a reflexão inicial de Emily Bell, directora do Tow Center for Digital Journalism  - que esteve em Lisboa, na cimeira da Global Editors Network -  no texto de apresentação de um relatório sobre o estado das relações entre publishers e plataformas.

Empresas de Media alimentam monstros que as fazem passar fome... Ver galeria

Tanto a Google como o Facebook têm estado a enviar dinheiro para apoio a projectos jornalísticos. Só nestes últimos três anos, as duas empresas juntas já destinaram mais de 500 milhões de dólares a vários programas ou parcerias com os media. Estas mega plataformas contam-se agora entre as maiores financiadoras do jornalismo. A ironia é que foi o desmantelamento da publicidade tradicional, em grande parte cometido por elas, que deixou as empresas jornalísticas neste sufoco de necessidade. O resultado é uma aliança disfuncional. Mesmo os que recebem estes apoios acham que as doações são “dinheiro culpado”, enquanto as gigantes tecnológicas procuram melhorar a imagem e conquistar amigos numa comunidade jornalística que  - sobretudo agora -  parece abertamente hostil.

O Clube

Lançado em Novembro de 2015, este site do Clube Português de Imprensa tem desenvolvido, desde então, um trabalho de acompanhamento das tendências dominantes, quer no mercado de Imprensa, quer nos media audiovisuais em geral e na Internet em particular.

Interessa-nos, também, debater o jornalismo e o modo como é exercido, em Portugal e fora de fronteiras,  cumprindo um objectivo que está na génese desta Associação.


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