Sábado, 17 de Agosto, 2019
Tecnologias

Estudo da "Reuters" identifica projectos digitais asiáticos

Algumas das mais recentes inovações e investimento no jornalismo digital estão a passar-se em grandes empresas de países asiáticos, como a China e a Índia. Um estudo do Reuters Institute aponta que as plataformas tecnológicas desta área do mundo estão a desenvolver novas ideias a uma velocidade enorme e identifica três tendências principais: um jornalismo “robotizado”, com ampla utilização da “inteligência artificial” para recolha e distribuição de conteúdos, uma aposta decisiva nos dispositivos móveis e mais tráfego de mensagens e conversação nas redes sociais.

O referido relatório do Instituto Reuters decorre de um inquérito a 194 editores, directores executivos e directores de meios digitais, com o objectivo de identificar quais inovações que vão ter mais impacto no ecossistema mediático na Ásia. 

Uma percentagem muito elevada (72%) dos entrevistados planeia investir mais na “inteligência artificial”. O exemplo sugerido é o da plataforma chinesa Toutiao, com sede em Pequim, que alcança 120 milhões de utentes activos diários, 90% deles menores de 30 anos, e com um tempo médio de permanência diária de 74 minutos. 

Segundo a Media-tics, que aqui citamos, a Toutiao “agrega conteúdos provenientes de 800 mil fontes, 20 mil delas de media tradicionais”, para entregar de modo inteligente e personalizado à medida do interesse de cada utente. 

Por outro lado, 44% dos entrevistados considera que as assinaturas serão de grande importância para os meios digitais. A combinação entre dispositivos móveis e assinaturas será uma das chaves para a rentabilização do sector. 

“A Índia, que só em 2017 já reuniu 420 milhões de utentes de telemóveis, explora esta combinação noutro sector: a empresa BYJU, de Bangalore, oferece oferece aulas personalizadas para que os alunos possam melhorar os temas em que têm carências. Já tem 700 mil assinantes pagos sobre uma base de doze milhões de downloads, e é um modelo que se pode aplicar aos media.” 

Por último, a WeChat (uma espécie de WhatsApp da China) está a tornar-se a primeira fonte de notícias do país. “Esta aplicação do Tencent, um dos gigantes digitais mais em foco, já ultrapassa os 963 milhões de utentes activos mensais, sobretudo porque por meio dela se pode aceder a quase tudo, desde marcar consulta médica até comprar produtos.”

“E isto é uma porta aberta para os editores, que podem cobrar pelos artigos ou receber doações. O articulista He Caitou reconheceu em 2017 à Columbia Journalism Review que ganha mais de 600 dólares por cada artigo que partilha na WeChat. (...)

 

O artigo citado, em Media-tics, e a síntese do Reuters Institute

Connosco
História de um editor espanhol de sucesso em tempo de crise Ver galeria

No decorrer de uma década, e em plena crise económica e do jornalismo,  a Spainmedia ocupou o seu lugar de editora de revistas internacionais na área designada por  lifestyle  - trazendo para o mercado espanhol a versão local de marcas como a Esquire e a Forbes, entre outras.  A história do seu êxito neste espaço é também a de um jornalista, Andrés Rodríguez, que se torna um director editorial bem sucedido  -  e é essa, naturalmente, a primeira pergunta da entrevista que lhe é feita por Media-tics.

A sua resposta é que foi na base de “paixão, entusiasmo e inconsciência”, e muito por tentativa e erro. Logo acrescenta:

“Aprendi, também, a dirigir recursos humanos  - e que, se não formos rentáveis, fechamos mais tarde ou mais cedo. Os media podem sobreviver algum tempo sem rentabilidade mas, por fim, impõe-se a conta dos resultados.”

Reconhece que aprendeu muito na Prisa, mas ficou frustrado com a fronteira marcada entre o sector jornalístico e o financeiro e publicitário. Como explica,  “pensava que para fazer a minha revista eu tinha que poder vender, ter alianças, mas na Prisa isso não podia ser feito por um jornalista”:

“Se alguma coisa corria bem, resultava do êxito do jornalista e do gestor; se corria mal, era resultado do jornalista. Eu queria ser responsável pelo que fizesse mal.”

"Jornalismo de soluções" como mito ou alternativa Ver galeria

Muitos chegam ao jornalismo com o sonho de fazer reportagem que comunique “impacto, conhecimento e inspiração”. Mas quando encontram o espaço ocupado principalmente por notícias negativas, sem caminho de saída, desanimam e chegam a desistir da profissão.

A jornalista argentina Liza Gross conta que passou por isto, tendo deixado o jornalismo “porque estava esgotada a todos os níveis, não só pelo modelo económico como também pelo modo como nós, jornalistas, estávamos a fazer o nosso trabalho”.

O rumo que seguiu levou-a à rede Solutions Journalism Network [Red de Periodismo de Soluciones  nos países de língua espanhola], cujos métodos promove, no sentido de alterar a imagem clássica do jornalista, que deixa de ser apenas o watchdog (“cão de guarda”) que vigia os poderes e denuncia o que está mal, para se tornar o “cão-piloto” capaz de de fazer “a cobertura rigorosa e baseada na evidência de respostas a problemas sociais”.

A reflexão é desenvolvida em dois textos que aqui citamos, da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, que trabalha em parceria com a Red de Periodismo de Soluciones  para dar formação nesta nova disciplina.

O Clube

É tempo de férias. E este site do Clube Português de Imprensa (CPI) não foge à regra e volta a respeitar Agosto,  como o mês mais procurado pelos seus visitantes para uma pausa nos afazeres. Suspendemos, por isso,  a  actualização diária,  a partir do  fim de semana. 

Quando retomarmos a actualização  das nossas páginas, no inicio de Setembro, contamos com a renovação do interesse dos Associados do Clube e dos milhares de outros frequentadores regulares,  que nos acompanham  em número crescente e que  se revêem neste espaço, formatado no rigor e na independência em que todos nos reconhecemos,  como  valor matricial do Clube, desde a sua fundação,  há quase meio século.   


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