Segunda-feira, 23 de Setembro, 2019
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Organização recupera “Histórias Proibidas” de jornalistas assassinados

Em Outubro de 2017, a jornalista Daphne Caruana Galizia, que investigava as ligações políticas perigosas da corrupção na ilha de Malta, foi morta num atentado à bomba. Hoje, uma equipa de 45 jornalistas, de 18 órgãos de comunicação de todo o mundo, está a trabalhar no Projecto Daphne, uma série de artigos que possam completar a sua investigação. Este projecto inscreve-se na missão de Forbidden Stories, cujo fundador, o realizador francês Laurent Richard, reafirmou em artigo recente em The Guardian: “Vocês mataram o mesageiro, mas não conseguirão matar a mensagem.”

Richard Laurent trabalhava numa porta ao lado do Charlie Hebdo e foi a primeira pessoa a entrar, logo a seguir ao atentado terrorista que vitimou doze jornalistas, em 2015. A experiência foi traumática, mas também o motivou no sentido de um comprometimento em relação ao trabalho dos jornalistas que são mortos. Com dois outros repórteres franceses, Jules Giraudat e Rémi Labed, lançou o projecto em Setembro de 2017. 

Segundo o texto da International Journalists’ Network, que aqui citamos, “a missão de Forbidden Stories vai em três direcções: chamar a atenção para os trabalhos de jornalistas que são presos ou mortos, por meio de pequenos vídeos; proteger os documentos e as fontes de jornalistas de investigação que estão a trabalhar em temas delicados: e produzir investigações próprias, colaborativas, de longa duração  - a primeira das quais é este Projecto Daphne”. 

Já existem, no site de Forbidden Stories, três pequenos vídeos sobre o trabalho de jornalistas mexicanos mortos em 2017.

Jornalistas que tenham motivo para recearem pela sua segurança, ou estejam preocupados quanto à capacidade de completarem a sua investigação, têm modos de enviar as suas mensagens e material para a Forbidden Stories, usando circuitos encriptados. 

Os trabalhos do Projecto Daphne já estão a ser publicados em Le Monde, The Times of Malta, The Guardian e outros jornais.

“Estou muito impressionado pelo empenhamento e a qualidade do trabalho de todos os parceiros envolvidos” – afirma Laurent Richard. “Temos mesmo de acreditar neste modo de derrotar a censura.”  

 

 

O artigo citado, na International Journalists’ Network,  e mais informação no Observador  e em The Guardian.
O site de Forbidden Stories.

Connosco
Estudo revela cepticismo sobre cobrança generalizada de conteúdos Ver galeria

Num relatório da KMPG intitulado “Presente e futuro do sector intermediário”, os empresários de media concordam que, a transição progressiva para um sistema de pagamento de conteúdos é necessária.

No entanto, apenas 38% desses executivos estão convencidos de que a cobrança pelos conteúdos digitais será generalizada nos próximos três anos. Entretanto, 62% acreditam que o modelo aberto e de pagamento coexistirá nesse período.

O relatório vem publicado no site da APM com quem a CPI tem um acordo de parceria.
Segundo o mesmo relatório, as cinco tendências que marcarão a agenda do sector dos media são as seguintes: a busca de um modelo de negócios rentável e sustentável, o potencial da publicidade digital, o compromisso com a qualidade, a análise de dados e alianças entre empresas jornalísticas.
A necessidade proteger o jornalismo do discurso inflamado Ver galeria

Os media e os jornalistas, parecem ter sido dominados pela energia estonteante dos discursos inflamados, da ofensa ao adversário e da mentira persuasiva que apelam á emoção em vez da razão, defende José Antonio Zarzalejos , nos  Cuadernos de Periodismo  da  APM, com a qual o CPI tem um acordo de parceria.

Especialmente, em período de eleições, a transmissão de mensagens “tornou-se um exercício de impostura e num território onde tudo é permitido, incluindo o insulto e a mentira”.

Nesta lógica comunicacional,  a transformação do estrangeiro em inimigo, e da dissidência em dissidente, são procedimentos  na arena política, segundo  o autor.
A receptividade para acolher  argumentos contrários  ou partilhar pensamentos diversos,  de acordo com   Zarzalejos, passou a ser entendido como uma abordagem fraca, sem convicção.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
Uma das coisas em que a informação sobre o mercado publicitário português peca é na análise das contas que são ganhas pelas agências de meios aqui em Portugal. Volta e meia vejo notícias do género a marca X decidiu atribuir a sua conta de publicidade em Portugal à agência Y. Quando se vai a ver, o que aconteceu é que a marca internacional X decidiu num qualquer escritório em Londres, Paris ou Berlim,...
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