Sábado, 21 de Julho, 2018
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Jornalismo de investigação é a melhor arma contra a propaganda

O combate à desinformação online tornou-se o tema incontornável de todos os encontros de jornalistas. Mas um dos painéis realizados na mais recente edição do Festival Internacional de Jornalismo, em Perugia, Itália, escutou intervenções que sugerem uma atitude menos confrontacional. A ideia é que resulta melhor investir num jornalismo de investigação no terreno, mesmo que tome mais tempo, do que tentar a batalha sempre perdida de aguentar o ritmo de produção das grandes máquinas de propaganda. Falaram neste sentido vozes experimentadas, de jornalistas como Galina Timchenko, russa, fundadora e directora do website Meduza, e Natalia Anteleva, georgiana, co-fundadora e editora de Coda Story.

“Eu não luto contra a máquina de propaganda do Kremlin; eu luto para ganhar a confiança da minha audiência”  - afirmou Galina Timchenko, que fundou Meduza em Outubro de 2014, com vários jornalistas despedidos, como ela, do site onde trabalhavam, Lenta.ru

Segundo o artigo que citamos, da International Journalists’ Network, comunicar com a audiência em termos simples e claros, evitando tom de superioridade, são os pontos fortes da Meduza. “Enquanto a cobertura dos media ocidentais tende a focar-se nas maquinações de Putin, a Meduza investe muito em fazer reportagem no terreno, com correspondentes viajando até às mais remotas regiões da Rússia.” [A sede deste website fica em Riga, na Letónia]  

Natalia Anteleva concorda com esta abordagem, explicando que a reportagem no terreno, a ritmo lento, faz com que bons trabalhos possam emergir da massa de desinformação de alta velocidade. 

“Quando um repórter está no campo, e a mandar constantemente notícias, isso compromete a sua capacidade de se distinguir do ruído informativo” – afirma. É por este motivo que os jornalistas da Coda “investem longos períodos de tempo em casos que recebem cobertura superficial dos grandes media; em vez de se focarem sobre as afirmações dos políticos, vão para o terreno comprovar eles mesmos os factos”. (...) 

Segundo Galina Timchenko, a presente desconfiança global em relação aos media tem raízes fundas na sociedade russa, devido ao impacto duradouro da propaganda soviética: 

“A União Soviética produziu fake news durante muitas décadas”  - disse. “Nós vivemos todas as nossas vidas num ambiente cheio de mentiras. A indiferença e apatia da nossa audiência é o resultado disso: as pessoas não acreditam em nada.”

Outra consequência é que este cinismo espalhou-se muito para além das fronteiras russas, promovendo a narrativa de um mundo cheio de mentiras, onde “nada é verdade, mas tudo é possível”. (...) 

 

O texto citado, na íntegra, na International Journalists’ Network

Connosco
Estudioso da gestão dos Media avalia prós e contras do apoio estatal... Ver galeria

A ideia de um apoio estatal aos meios de comunicação, em nome do interesse público e sem exercer influência editorial, não é um conceito novo, e tem exemplos em muitos países europeus, mas foi sempre um terreno altamente polémico. Partindo do princípio de que alguma regulação é necessária, para corrigir “práticas de mercado ineficientes ou não equitativas”, a verdade é que “fazê-lo de um modo que satisfaça todas as partes interessadas é uma tarefa muito difícil, senão mesmo impossível”. É esta a reflexão inicial de Paul Clemens Murschetz, formado em Economia e Gestão pela Universidade de Viena e autor de estudos sobre esta matéria sensível. O artigo que citamos vem publicado no European Journalism Observatory.

... enquanto o audiovisual francês prova a “poção amarga” dos cortes Ver galeria

O governo francês definiu o esforço orçamental que terão de realizar, até 2022, a France Télévisions, Radio France, Arte, o INA, France 24, a RFI e France Médias Monde. A dotação orçamental será reduzida em 190 milhões de euros, ao mesmo tempo que as empresas terão de investir mais 150 milhões no digital e assumir a progressão dos custos, nomeadamente dos salários, o que significa outros 160 milhões de euros.
Confirma-se também a supressão dos canais France 4 e France Ô. Uma “poção amarga” para o audiovisual público, como explica Le Monde, que aqui citamos.

O Clube
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