Quarta-feira, 16 de Janeiro, 2019
Media

O projecto “Red/accion” inova paisagem jornalística argentina

A paisagem jornalística na Argentina mudou, recentemente, com o lançamento de um novo media, de formato inédito. O Red/accion, publicado, à vez, em papel e na Web, pretende dar resposta à “info intoxicação”, palavra-chave que nos remete para o excesso de informação que o publico consome.

Chani Guyot, director do Red/accion, refere queos media argentinos publicam cerca de mil informações por dia e que o novo projecto propõe-se criar um site com três ou quatro assuntos por dia, dando resposta ao “jornalismo de soluções” para resolver um problema”.

Complementarmente, está prevista uma newsletter vespertina, denominada GPS, que se inspira em experiências americanas como VOX Sentences, permitindo o acesso a uma selecção de artigos de outros media “perdidos na massa de informações e que permitirá explicar as grandes problemáticas”, como refere M. Guyot, antigo Secretário-geral do jornal La Nacion.

Teremos assim, uma edição mensal em papel inspirada no semanário francês “Le 1”: um só tema tratado em profundidade sob vários ângulos.

Entretanto, os assinantes terão a possibilidade de dar a sua opinião ou de propor temas.

O Red/accion integra uma equipa de onze pessoas, das quais oito são jornalistas e pretende, ao mesmo tempo, criar uma plataforma de cidadania.

 

Ilustração reproduzida a partir de http://www.neoscientia.com

Connosco
Como os tablóides britânicos condicionaram debate sobre o Brexit Ver galeria

A Imprensa tablóide britânica tem uma longa tradição eurocéptica e eurofóbica, incluindo a promoção de várias “cruzadas” sobre “Euro-mitos” e o uso de títulos muitas vezes grosseiros. Jornais como The Daily Mail, o Sun ou The Daily Express, “foram muito activos a retratar o Reino Unido como vítima da conspiração ‘cosmopolítica’ de Bruxelas que, segundo alguns títulos, iria obrigar o Parlamento a banir as tradicionais cafeteiras ou lâmpadas eléctricas, ou obrigar as senhoras britânicas a devolverem antigos brinquedos sexuais, para se ajustarem às regras da UE”.

O modo como usaram e abusaram do termo “povo” desempenhou um papel crucial no modo como conseguiram “condicionar o debate sobre o referendo do Brexit em torno de dinâmicas tipicamente populistas”. A reflexão é de Franco Zappettini, docente de Comunicação e Media na Universidade de Liverpool, recentemente publicada no Observatório Europeu de Jornalismo.

Será o jornalismo o primeiro ou o segundo "rascunho da História"? Ver galeria

Segundo a citação tornada famosa, o jornalismo é apenas “o primeiro rascunho tosco da História”. Hoje, ultrapassado em velocidade e abundância de material por toda a desinformação que nos chega pela Internet, já nem isso consegue: o “primeiro rascunho”, agora, vem nas redes sociais, cheias de boatos e teorias de conspiração. E os nossos meios de fact-checking não conseguem ganhar a corrida.

“Fazer fact-checking a Donald Trump, por exemplo, é como ligar um detector de mentiras a um artista de stand-up comedy.”
E combater a desinformação pela Internet “é como disparar uma metralhadora contra um bando desordenado de pássaros.”

As imagens citadas são de James Harkin, director do Centre for Investigative Journalism, e a sua sugestão resume-se numa pergunta:

"Por que não tentarmos restaurar a nossa autoridade fazendo menos, mas com mais profundidade e contexto? O resultado seria um tipo mais lento de jornalismo, que assenta na acumulação de detalhes e aponta para as verdades escondidas por baixo. Esta nova abordagem ao jornalismo já está no ar e podemos chamar-lhe segundo rascunho."
O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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Opinião
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