Sábado, 25 de Maio, 2019
Prémio

Reportagens sobre assédio sexual dominam Prémios Pulitzer 2017

As duas jornalistas Jodi Kantor e Megan Twohey, do diário The New York Times, e o jornalista Ronan Farrow, da revista The New Yorker, receberam o Prémio Pulitzer na sua categoria mais prestigiada, a do “jornalismo de serviço público”, pela cobertura que fizeram das acusações de assédio e abuso sexual ao produtor Harvey Weinstein. Também The Washington Post foi distinguido na categoria de “jornalismo de investigação”, e o colunista John Archibald, do Alabama Media Group, na de “comentário”, por acusações semelhantes, envolvendo o ex-juiz Roy Moore. The New York Times e The Washington Post foram ainda premiados na categoria de “reportagem nacional” pela investigação sobre os eventuais contactos entre os dirigentes da campanha eleitoral de Donald Trump e representantes do Kremlin.

Como recorda o Jornal de Negócios, que aqui citamos, o primeiro artigo de The New York Times foi publicado a 5 de Outubro de 2017, e o da revista The New Yorker cinco dias depois. 

“Nos dois artigos, o magnata do cinema era descrito como um predador sexual, usando do seu poder e beneficiando da compreensão, senão da cumplicidade, de parte dos seus colaboradores. Estas revelações libertaram a palavra a antigas alegadas vítimas de Harvey Weinstein, que já são mais de 100 a ter acusado o produtor.” 

“No seguimento do escândalo sucederam-se várias denúncias em diferentes sectores de actividade, que fizeram cair dezenas de homens com poder no cinema, mas também na política, na televisão e na comunicação social.” (...) 

Quanto aos outros temas distinguidos pelos Prémios Pulitzer, o jornal californiano Press Democrat of Santa Rosa recebeu o galardão na categoria de “breaking news”, pela cobertura dos incêndios naquela região. 

Outros premiados foram o fotógrafo Ryan Kelly, com a foto que fez para The Daily Progress, em Charlottesville, do momento em que um carro atropelou várias pessoas que protestavam contra uma manifestação de supremacistas brancos. 

Uma série de reportagens sobre o impacto do consumo de heroína numa comunidade local permitiu ao Cincinnati Enquirer receber o Pulitzer da “reportagem local”. 

Por último, Andrew Sean Greer recebeu o prémio na categoria de “ficção”, Martyna Majok na de “drama”, Carolyn Fraser na de “biografia”, James Forman Jr na “não ficção”, Jack E. Davis na de “História” e Frank Bidart na “poesia”. O rapper Kendrick Lamar recebeu o prémio na categoria de “música”. 

Os prémios Pulitzer distinguem o melhor jornalismo dos EUA em jornais, revistas e sítios na Internet. Existem 14 categorias para reportagem, fotografia, crítica e comentário. Nas artes, os prémios são atribuídos em sete categorias, incluindo ficção, drama e música.

 

 

Mais informação no Jornal de Negócios, cuja imagem, da EPA/Lusa, aqui incluímos. Também a reportagem de The New York Times e da Columbia Journalism Review

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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