Sábado, 17 de Agosto, 2019
Prémio

Reportagens sobre assédio sexual dominam Prémios Pulitzer 2017

As duas jornalistas Jodi Kantor e Megan Twohey, do diário The New York Times, e o jornalista Ronan Farrow, da revista The New Yorker, receberam o Prémio Pulitzer na sua categoria mais prestigiada, a do “jornalismo de serviço público”, pela cobertura que fizeram das acusações de assédio e abuso sexual ao produtor Harvey Weinstein. Também The Washington Post foi distinguido na categoria de “jornalismo de investigação”, e o colunista John Archibald, do Alabama Media Group, na de “comentário”, por acusações semelhantes, envolvendo o ex-juiz Roy Moore. The New York Times e The Washington Post foram ainda premiados na categoria de “reportagem nacional” pela investigação sobre os eventuais contactos entre os dirigentes da campanha eleitoral de Donald Trump e representantes do Kremlin.

Como recorda o Jornal de Negócios, que aqui citamos, o primeiro artigo de The New York Times foi publicado a 5 de Outubro de 2017, e o da revista The New Yorker cinco dias depois. 

“Nos dois artigos, o magnata do cinema era descrito como um predador sexual, usando do seu poder e beneficiando da compreensão, senão da cumplicidade, de parte dos seus colaboradores. Estas revelações libertaram a palavra a antigas alegadas vítimas de Harvey Weinstein, que já são mais de 100 a ter acusado o produtor.” 

“No seguimento do escândalo sucederam-se várias denúncias em diferentes sectores de actividade, que fizeram cair dezenas de homens com poder no cinema, mas também na política, na televisão e na comunicação social.” (...) 

Quanto aos outros temas distinguidos pelos Prémios Pulitzer, o jornal californiano Press Democrat of Santa Rosa recebeu o galardão na categoria de “breaking news”, pela cobertura dos incêndios naquela região. 

Outros premiados foram o fotógrafo Ryan Kelly, com a foto que fez para The Daily Progress, em Charlottesville, do momento em que um carro atropelou várias pessoas que protestavam contra uma manifestação de supremacistas brancos. 

Uma série de reportagens sobre o impacto do consumo de heroína numa comunidade local permitiu ao Cincinnati Enquirer receber o Pulitzer da “reportagem local”. 

Por último, Andrew Sean Greer recebeu o prémio na categoria de “ficção”, Martyna Majok na de “drama”, Carolyn Fraser na de “biografia”, James Forman Jr na “não ficção”, Jack E. Davis na de “História” e Frank Bidart na “poesia”. O rapper Kendrick Lamar recebeu o prémio na categoria de “música”. 

Os prémios Pulitzer distinguem o melhor jornalismo dos EUA em jornais, revistas e sítios na Internet. Existem 14 categorias para reportagem, fotografia, crítica e comentário. Nas artes, os prémios são atribuídos em sete categorias, incluindo ficção, drama e música.

 

 

Mais informação no Jornal de Negócios, cuja imagem, da EPA/Lusa, aqui incluímos. Também a reportagem de The New York Times e da Columbia Journalism Review

Connosco
História de um editor espanhol de sucesso em tempo de crise Ver galeria

No decorrer de uma década, e em plena crise económica e do jornalismo,  a Spainmedia ocupou o seu lugar de editora de revistas internacionais na área designada por  lifestyle  - trazendo para o mercado espanhol a versão local de marcas como a Esquire e a Forbes, entre outras.  A história do seu êxito neste espaço é também a de um jornalista, Andrés Rodríguez, que se torna um director editorial bem sucedido  -  e é essa, naturalmente, a primeira pergunta da entrevista que lhe é feita por Media-tics.

A sua resposta é que foi na base de “paixão, entusiasmo e inconsciência”, e muito por tentativa e erro. Logo acrescenta:

“Aprendi, também, a dirigir recursos humanos  - e que, se não formos rentáveis, fechamos mais tarde ou mais cedo. Os media podem sobreviver algum tempo sem rentabilidade mas, por fim, impõe-se a conta dos resultados.”

Reconhece que aprendeu muito na Prisa, mas ficou frustrado com a fronteira marcada entre o sector jornalístico e o financeiro e publicitário. Como explica,  “pensava que para fazer a minha revista eu tinha que poder vender, ter alianças, mas na Prisa isso não podia ser feito por um jornalista”:

“Se alguma coisa corria bem, resultava do êxito do jornalista e do gestor; se corria mal, era resultado do jornalista. Eu queria ser responsável pelo que fizesse mal.”

"Jornalismo de soluções" como mito ou alternativa Ver galeria

Muitos chegam ao jornalismo com o sonho de fazer reportagem que comunique “impacto, conhecimento e inspiração”. Mas quando encontram o espaço ocupado principalmente por notícias negativas, sem caminho de saída, desanimam e chegam a desistir da profissão.

A jornalista argentina Liza Gross conta que passou por isto, tendo deixado o jornalismo “porque estava esgotada a todos os níveis, não só pelo modelo económico como também pelo modo como nós, jornalistas, estávamos a fazer o nosso trabalho”.

O rumo que seguiu levou-a à rede Solutions Journalism Network [Red de Periodismo de Soluciones  nos países de língua espanhola], cujos métodos promove, no sentido de alterar a imagem clássica do jornalista, que deixa de ser apenas o watchdog (“cão de guarda”) que vigia os poderes e denuncia o que está mal, para se tornar o “cão-piloto” capaz de de fazer “a cobertura rigorosa e baseada na evidência de respostas a problemas sociais”.

A reflexão é desenvolvida em dois textos que aqui citamos, da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, que trabalha em parceria com a Red de Periodismo de Soluciones  para dar formação nesta nova disciplina.

O Clube

É tempo de férias. E este site do Clube Português de Imprensa (CPI) não foge à regra e volta a respeitar Agosto,  como o mês mais procurado pelos seus visitantes para uma pausa nos afazeres. Suspendemos, por isso,  a  actualização diária,  a partir do  fim de semana. 

Quando retomarmos a actualização  das nossas páginas, no inicio de Setembro, contamos com a renovação do interesse dos Associados do Clube e dos milhares de outros frequentadores regulares,  que nos acompanham  em número crescente e que  se revêem neste espaço, formatado no rigor e na independência em que todos nos reconhecemos,  como  valor matricial do Clube, desde a sua fundação,  há quase meio século.   


ver mais >
Opinião
Os jornalistas e os incêndios
Francisco Sarsfield Cabral
Nos terríveis incêndios florestais de 2017 ouviram-se críticas à maneira sensacionalista como a comunicação social, ou parte dela, havia tratado essa tragédia. Julgo que, de facto, demasiadas vezes houve, então, uma exploração algo abusiva do que se estava a passar. As imagens televisivas de grandes fogos, sobretudo de noite, são muito atractivas. Mas podem induzir potenciais pirómanos a passarem à...
O descalabro do Grupo Global Media era uma questão de tempo. Alienada a sede patrimonial do Diário de Notícias  - o histórico edifício projectado por Pardal Monteiro, no topo da avenida da Liberdade, entregue sem preconceitos à gula imobiliária, perante a indiferença do Municipio e do Governo  - o plano inclinado ficou à vista.Se ao centenário DN foi destinado um comodato  nas Torres Lisboa,  ao Jornal de...
Um relatório recente sobre os princípios de actuação mais frequentes dos maiores publishers digitais dá algumas indicações que vale a pena ter em conta. O estudo “Digital Publishers Report”, divulgado pelo site Digiday, analisa as práticas de uma centena de editores e destaca alguns factores que, na sua opinião, permitem obter os melhores resultados. O estudo estima que as receitas provenientes de conteúdo digital...
Agenda
21
Ago
Edinburgh TV Festival
09:00 @ Edinburgo, Escócia
27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigéria
04
Set
Infocomm China
09:00 @ Chengdu, Sichuan Province, China
09
Set
Facebook Ads Summit 2019
09:00 @ Online