Quarta-feira, 19 de Setembro, 2018
Prémio

Reportagens sobre assédio sexual dominam Prémios Pulitzer 2017

As duas jornalistas Jodi Kantor e Megan Twohey, do diário The New York Times, e o jornalista Ronan Farrow, da revista The New Yorker, receberam o Prémio Pulitzer na sua categoria mais prestigiada, a do “jornalismo de serviço público”, pela cobertura que fizeram das acusações de assédio e abuso sexual ao produtor Harvey Weinstein. Também The Washington Post foi distinguido na categoria de “jornalismo de investigação”, e o colunista John Archibald, do Alabama Media Group, na de “comentário”, por acusações semelhantes, envolvendo o ex-juiz Roy Moore. The New York Times e The Washington Post foram ainda premiados na categoria de “reportagem nacional” pela investigação sobre os eventuais contactos entre os dirigentes da campanha eleitoral de Donald Trump e representantes do Kremlin.

Como recorda o Jornal de Negócios, que aqui citamos, o primeiro artigo de The New York Times foi publicado a 5 de Outubro de 2017, e o da revista The New Yorker cinco dias depois. 

“Nos dois artigos, o magnata do cinema era descrito como um predador sexual, usando do seu poder e beneficiando da compreensão, senão da cumplicidade, de parte dos seus colaboradores. Estas revelações libertaram a palavra a antigas alegadas vítimas de Harvey Weinstein, que já são mais de 100 a ter acusado o produtor.” 

“No seguimento do escândalo sucederam-se várias denúncias em diferentes sectores de actividade, que fizeram cair dezenas de homens com poder no cinema, mas também na política, na televisão e na comunicação social.” (...) 

Quanto aos outros temas distinguidos pelos Prémios Pulitzer, o jornal californiano Press Democrat of Santa Rosa recebeu o galardão na categoria de “breaking news”, pela cobertura dos incêndios naquela região. 

Outros premiados foram o fotógrafo Ryan Kelly, com a foto que fez para The Daily Progress, em Charlottesville, do momento em que um carro atropelou várias pessoas que protestavam contra uma manifestação de supremacistas brancos. 

Uma série de reportagens sobre o impacto do consumo de heroína numa comunidade local permitiu ao Cincinnati Enquirer receber o Pulitzer da “reportagem local”. 

Por último, Andrew Sean Greer recebeu o prémio na categoria de “ficção”, Martyna Majok na de “drama”, Carolyn Fraser na de “biografia”, James Forman Jr na “não ficção”, Jack E. Davis na de “História” e Frank Bidart na “poesia”. O rapper Kendrick Lamar recebeu o prémio na categoria de “música”. 

Os prémios Pulitzer distinguem o melhor jornalismo dos EUA em jornais, revistas e sítios na Internet. Existem 14 categorias para reportagem, fotografia, crítica e comentário. Nas artes, os prémios são atribuídos em sete categorias, incluindo ficção, drama e música.

 

 

Mais informação no Jornal de Negócios, cuja imagem, da EPA/Lusa, aqui incluímos. Também a reportagem de The New York Times e da Columbia Journalism Review

Connosco
Plataformas tecnológicas estão a sentar-se no coração do jornalismo Ver galeria

Na relação difícil que se tem desenvolvido, nestes últimos anos, entre as plataformas tecnológicas e os publishers dos media, a iniciativa foi sempre das primeiras e a intimidade nunca foi tanta como agora, com as plataformas “a tomarem mais decisões deliberadas que afectam o jornalismo e a colocação e distribuição das notícias”. Embora já haja editores a praticarem um “desacoplamento consciente” da sua dependência das plataformas, do lado destas vem um movimento muito claro de se envolverem cada vez mais no “apoio financeiro directo a determinados tipos de jornalismo”. Isto significa que plataformas “movidas pelo lucro” estão a “sentar-se desconfortavelmente no coração do jornalismo e das notícias”.

É esta a reflexão inicial de Emily Bell, directora do Tow Center for Digital Journalism  - que esteve em Lisboa, na cimeira da Global Editors Network -  no texto de apresentação de um relatório sobre o estado das relações entre publishers e plataformas.

Empresas de Media alimentam monstros que as fazem passar fome... Ver galeria

Tanto a Google como o Facebook têm estado a enviar dinheiro para apoio a projectos jornalísticos. Só nestes últimos três anos, as duas empresas juntas já destinaram mais de 500 milhões de dólares a vários programas ou parcerias com os media. Estas mega plataformas contam-se agora entre as maiores financiadoras do jornalismo. A ironia é que foi o desmantelamento da publicidade tradicional, em grande parte cometido por elas, que deixou as empresas jornalísticas neste sufoco de necessidade. O resultado é uma aliança disfuncional. Mesmo os que recebem estes apoios acham que as doações são “dinheiro culpado”, enquanto as gigantes tecnológicas procuram melhorar a imagem e conquistar amigos numa comunidade jornalística que  - sobretudo agora -  parece abertamente hostil.

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