Sábado, 25 de Maio, 2019
Prémio

"Foto do Ano" é um manifestante em confrontos na Venezuela

O júri do concurso World Press Photo atribuíu o prémio da Foto do Ano de 2017 à imagem de um manifestante venezuelano, atingido pelas chamas de uma moto da Guarda Nacional que se incendiara nos confrontos com a polícia, em Caracas, no auge dos protestos contra o Presidente Nicolás Maduro. O seu autor é o fotojornalista Ronaldo Schemidt, venezuelano a residir no México, que estava no local ao serviço da Agência France-Presse e foi alertado quando sentiu “o calor das chamas” atrás de si e se voltou rapidamente, obtendo a imagem de José Victor Balza em fuga. O jovem sobreviveu, com queimaduras de primeiro e segundo grau, e aparece também na terceira fotografia premiada, na categoria de Notícia.

A lista final a concurso, que aqui apresentámos quando foi disponibilizada pelo júri, inclui imagens da fuga dos Rohingya à perseguição do regime birmanês, o retrato de uma jovem raptada pelo Boko Haram, uma imagem dos socorros prestados a uma senhora ferida num dos atentados de Londres e duas outras das condições de luta diária pela sobrevivência da população de Mossul. 

O vencedor deste ano, Ronaldo Schemidt, descreveu ao British Journal of Photography as condições em que conseguiu a imagem: 

“Tudo se passou em poucos segundos, por isso eu não sabia o que estava a fotografar. Guiei-me pelo instinto, foi tudo muito rápido. Não parei de disparar até perceber o que é que estava a acontecer. Uma pessoa em chamas corria na minha direcção.” (...)

 

Mais informação no site da World Press Photo e no Observador, que inclui uma galeria de 51 das fotos que estiveram a concurso.

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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