Quarta-feira, 16 de Janeiro, 2019
Prémio

"Foto do Ano" é um manifestante em confrontos na Venezuela

O júri do concurso World Press Photo atribuíu o prémio da Foto do Ano de 2017 à imagem de um manifestante venezuelano, atingido pelas chamas de uma moto da Guarda Nacional que se incendiara nos confrontos com a polícia, em Caracas, no auge dos protestos contra o Presidente Nicolás Maduro. O seu autor é o fotojornalista Ronaldo Schemidt, venezuelano a residir no México, que estava no local ao serviço da Agência France-Presse e foi alertado quando sentiu “o calor das chamas” atrás de si e se voltou rapidamente, obtendo a imagem de José Victor Balza em fuga. O jovem sobreviveu, com queimaduras de primeiro e segundo grau, e aparece também na terceira fotografia premiada, na categoria de Notícia.

A lista final a concurso, que aqui apresentámos quando foi disponibilizada pelo júri, inclui imagens da fuga dos Rohingya à perseguição do regime birmanês, o retrato de uma jovem raptada pelo Boko Haram, uma imagem dos socorros prestados a uma senhora ferida num dos atentados de Londres e duas outras das condições de luta diária pela sobrevivência da população de Mossul. 

O vencedor deste ano, Ronaldo Schemidt, descreveu ao British Journal of Photography as condições em que conseguiu a imagem: 

“Tudo se passou em poucos segundos, por isso eu não sabia o que estava a fotografar. Guiei-me pelo instinto, foi tudo muito rápido. Não parei de disparar até perceber o que é que estava a acontecer. Uma pessoa em chamas corria na minha direcção.” (...)

 

Mais informação no site da World Press Photo e no Observador, que inclui uma galeria de 51 das fotos que estiveram a concurso.

Connosco
Como os tablóides britânicos condicionaram debate sobre o Brexit Ver galeria

A Imprensa tablóide britânica tem uma longa tradição eurocéptica e eurofóbica, incluindo a promoção de várias “cruzadas” sobre “Euro-mitos” e o uso de títulos muitas vezes grosseiros. Jornais como The Daily Mail, o Sun ou The Daily Express, “foram muito activos a retratar o Reino Unido como vítima da conspiração ‘cosmopolítica’ de Bruxelas que, segundo alguns títulos, iria obrigar o Parlamento a banir as tradicionais cafeteiras ou lâmpadas eléctricas, ou obrigar as senhoras britânicas a devolverem antigos brinquedos sexuais, para se ajustarem às regras da UE”.

O modo como usaram e abusaram do termo “povo” desempenhou um papel crucial no modo como conseguiram “condicionar o debate sobre o referendo do Brexit em torno de dinâmicas tipicamente populistas”. A reflexão é de Franco Zappettini, docente de Comunicação e Media na Universidade de Liverpool, recentemente publicada no Observatório Europeu de Jornalismo.

Será o jornalismo o primeiro ou o segundo "rascunho da História"? Ver galeria

Segundo a citação tornada famosa, o jornalismo é apenas “o primeiro rascunho tosco da História”. Hoje, ultrapassado em velocidade e abundância de material por toda a desinformação que nos chega pela Internet, já nem isso consegue: o “primeiro rascunho”, agora, vem nas redes sociais, cheias de boatos e teorias de conspiração. E os nossos meios de fact-checking não conseguem ganhar a corrida.

“Fazer fact-checking a Donald Trump, por exemplo, é como ligar um detector de mentiras a um artista de stand-up comedy.”
E combater a desinformação pela Internet “é como disparar uma metralhadora contra um bando desordenado de pássaros.”

As imagens citadas são de James Harkin, director do Centre for Investigative Journalism, e a sua sugestão resume-se numa pergunta:

"Por que não tentarmos restaurar a nossa autoridade fazendo menos, mas com mais profundidade e contexto? O resultado seria um tipo mais lento de jornalismo, que assenta na acumulação de detalhes e aponta para as verdades escondidas por baixo. Esta nova abordagem ao jornalismo já está no ar e podemos chamar-lhe segundo rascunho."
O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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