null, 21 de Julho, 2019
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A confiança dos leitores não é recurso inesgotável e deve ser cultivada

Sondagens recentes, feitas nos EUA, revelam que um em cada três norte-americanos não sabe quais são os direitos garantidos pela Primeira Emenda; que mais de um terço dos Republicanos acha que a liberdade de Imprensa “faz mais mal do que bem”, e só menos de metade pensa que ela é importante para manter uma democracia forte. Para rematar, um inquérito da Monmouth University afirma que “mais de três, em cada quatro americanos, acreditam que as tradicionais grandes cadeias de televisão e empresas jornalísticas emitem fake news”.

Estes números são “assustadores”  - diz o artigo que citamos -  mas não parece que a própria “indústria” da Informação esteja a fazer muito a seu respeito. Os Provedores do Leitor, ou Ombudsmen, são uma “espécie em vias de extinção”, segundo um relatório do site Politico, de 2015. 

O autor, o jornalista freelance Philip Eil, critica a falta de esclarecimento sobre os procedimentos de uma informação responsável, presente nos próprios media

“Artigos baseados em fontes anónimas dão pouca explicação sobre a fundamentação ou o propósito por detrás desta prática. Conteúdo patrocinado é marcado sponsored com pouca ou nenhuma explicação sobre o que isso realmente significa. (Que percentagem de leitores acham que são capazes de dar uma boa definição de native-advertising?) As páginas de opinião publicam editoriais, artigos e comentários pessoais sem explicarem aquilo que distingue todo o conteúdo de opinião do noticiário não opinativo, muito menos aquilo que separa uma da outra estas categorias aparentemente misturadas.” (...) 

“Continuamos a fazer isto por nosso próprio risco. Uma das muitas lições da era de Trump é que a liberdade de Imprensa e a confiança das audiências não são recursos naturais inesgotáveis. Vão esgotar-se um dia destes, a menos que sejam preservados e cultivados. E por muito sobrecarregados e tensos e mal-pagos e bombardeados com ácido, como são todos os jornalistas, uma grande parte desta responsabilidade recai sobre nós.” (...) 

Philip Eil propõe cinco passos para ajudar a recuperar a confiança dos leitores:

  1. – Contratar mais Provedores do Público. Todas as empresas que tenham meios para sustentar um ombudsman deviam fazê-lo imediatamente. Quer acreditemos ou não que a crise de confiança no jornalismo é por nossa culpa, precisamos, pelo menos, de reconhecer que ela existe e pôr em prática algumas soluções de senso comum para a resolver.
  2. – Fazer dessa Provedoria um trabalho de equipa. Os jornalistas devem interrogar-se, individualmente, sobre o que estão a fazer a respeito dessa crise de confiança. O trabalho não deve ficar todo a nível da administração e do ombudsman. (O próprio autor relata que faz pedagogia sobre o que é o jornalismo, nas escolas e junto dos jovens em geral).
  3. Nem toda a gente sabe o que é jornalismo. Não assumam isso como garantido. Mas é raro ver as empresas de comunicação porem essas questões de modo claro, às vezes por receio de parecer que estão a ofender a inteligência dos leitores.
  4. – Nem toda a gente conhece os procedimentos do jornalismo. Não dêem isso por garantido, também. Qualquer artigo anónimo devia ter o link para uma página que explique o propósito de usar uma fonte anónima. Qualquer texto marcado como de opinião devia levar a uma página onde se explique a exacta diferença entre opinião e notícia.
  5. – Somos todos professores e embaixadores  - assumam esta ideia e sejam proactivos. Por que não organizar, a nível de jornais de pequena ou média dimensão, sessões públicas de debate com a comunidade, com os seus editores presentes para aceitarem perguntas e explicarem o que fazem? O autor sugere que mais jornalistas deviam envolver-se nesse esforço de pedagogia, sobretudo a nível dos estabelecimentos de ensino, para mostrar “o rosto humano desta muito denegrida profissão”.

“Esclarecer as pessoas sobre o jornalismo devia tornar-se um procedimento tão vital como o fact-checking.” 

 

O artigo citado, na íntegra, na Columbia Journalism Review

Connosco
A formação académica do jornalismo profisional em debate Ver galeria

A FAPE – Federación de Asociaciones de Periodistas de España, que reune mais de 19 mil associados, declarou em Junho de 2019 que vai deixar de admitir nesta qualidade jornalistas que não estejam habilitados com um título académico de jornalismo, mesmo que estejam exercendo a profissão. O seu presidente, Nemesio Rodriguez, disse a eldiario.es  que o objectivo era “valorizar o título de jornalista e resolver o problema da intrusão”.

Uma consequência inesperada, entre várias críticas chegadas, foi a desvinculação, da sua pertença à FAPE, decidida pela AECC – Asociación Española de Comunicación Científica, cujos profissionais, especializados na comunicação científica, detêm maioritariamente outras licenciaturas. O seu presidente, Antonio Calvo, declarou que não fazia sentido “continuar a pertencer a uma associação onde não podem entrar metade dos nossos sócios”.

Este episódio reacendeu um debate que se alarga à própria vocação das associações de jornalistas. Sobre ambas as questões, e outras relacionadas, a  Red Ética da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano  organizou um tweet-debate marcado para 18 de Julho, de cujas conclusões daremos conta quando forem publicadas.

Apelo de investigadores contra "fake news" em divulgação científica Ver galeria

Será que a ciência é “distorcida” pelos media, por incapacidade de fazerem uma divulgação rigorosa, ou por qualquer outro motivo?
É para responder a este problema que o colectivo denominado NoFakeScience, composto por duas dezenas de cientistas e especialistas na divulgação de ciência, redigiu e publica no diário francês L’Opinion um texto que apela a um “trabalho de mãos dadas” entre jornalistas e cientistas. Juntaram-se a eles outros 230 grandes nomes da investigação, de todo o mundo, perfazendo assim um total de 250 signatários deste apelo.

“Nesta hora em que a desconfiança nos media e nas instituições chega ao extremo, apelamos a um questionamento profundo de toda a cadeia de informação, para que os temas de natureza científica possam ser restituídos a todos sem deformação sensacionalista nem ideológica, e para que a confiança possa ser, a longo prazo, restaurada entre os cientistas, os meios de comunicação e os cidadãos”  -  afirma o primeiro parágrafo do texto.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
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Agenda
01
Ago
Composição Fotográfica
09:00 @ Cenjor,Lisboa
21
Ago
Edinburgh TV Festival
09:00 @ Edinburgo, Escócia
27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigéria
04
Set
Infocomm China
09:00 @ Chengdu, Sichuan Province, China