Sondagens recentes, feitas nos EUA, revelam que um em cada três norte-americanos não sabe quais são os direitos garantidos pela Primeira Emenda; que mais de um terço dos Republicanos acha que a liberdade de Imprensa “faz mais mal do que bem”, e só menos de metade pensa que ela é importante para manter uma democracia forte. Para rematar, um inquérito da Monmouth University afirma que “mais de três, em cada quatro americanos, acreditam que as tradicionais grandes cadeias de televisão e empresas jornalísticas emitem fake news”.
Estes números são “assustadores” - diz o artigo que citamos - mas não parece que a própria “indústria” da Informação esteja a fazer muito a seu respeito. Os Provedores do Leitor, ou Ombudsmen, são uma “espécie em vias de extinção”, segundo um relatório do site Politico, de 2015.
O autor, o jornalista freelance Philip Eil, critica a falta de esclarecimento sobre os procedimentos de uma informação responsável, presente nos próprios media:
“Artigos baseados em fontes anónimas dão pouca explicação sobre a fundamentação ou o propósito por detrás desta prática. Conteúdo patrocinado é marcado sponsored com pouca ou nenhuma explicação sobre o que isso realmente significa. (Que percentagem de leitores acham que são capazes de dar uma boa definição de native-advertising?) As páginas de opinião publicam editoriais, artigos e comentários pessoais sem explicarem aquilo que distingue todo o conteúdo de opinião do noticiário não opinativo, muito menos aquilo que separa uma da outra estas categorias aparentemente misturadas.” (...)
“Continuamos a fazer isto por nosso próprio risco. Uma das muitas lições da era de Trump é que a liberdade de Imprensa e a confiança das audiências não são recursos naturais inesgotáveis. Vão esgotar-se um dia destes, a menos que sejam preservados e cultivados. E por muito sobrecarregados e tensos e mal-pagos e bombardeados com ácido, como são todos os jornalistas, uma grande parte desta responsabilidade recai sobre nós.” (...)
Philip Eil propõe cinco passos para ajudar a recuperar a confiança dos leitores:
“Esclarecer as pessoas sobre o jornalismo devia tornar-se um procedimento tão vital como o fact-checking.”
O artigo citado, na íntegra, na Columbia Journalism Review
A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.
Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.
Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.
Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.
Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.
No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.
Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.
Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.
Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.
Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.
Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.
A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.