Sábado, 25 de Maio, 2019
Media

"Le Monde" cresce e averba ganhos em contraciclo

O diário francês Le Monde divulga as suas contas de 2017 falando de um ano de crescimento e consolidação do grupo, e sublinhando um aumento de 5,6% na circulação paga, devido, sobretudo, a uma subida de 44% nas assinaturas digitais. Segundo o texto publicado, este progresso, “que se mantém a um ritmo elevado neste começo de ano, é tal que as assinaturas digitais são agora a primeira fonte de difusão de Le Monde, seguidas pelas assinaturas da edição impressa e, finalmente, pelas vendas por exemplar”. O crescimento “recompensa o importante investimento nos meios redactoriais”, tendo o número de jornalistas passado de 310 para 430, entre 2010 e 2017.

“As nossas publicações souberam tirar partido, em 2017, de um ano especialmente fértil em acontecimentos, a começar pela campanha presidencial. Conseguiram fazê-lo graças ao nosso investimento num jornalismo de alta qualidade e a uma estratégia digital agora bem firmada.” (...) 

O artigo que citamos, assinado pelo director de Le Monde, Jérôme Fenoglio, e pelo presidente do conselho de direcção, Louis Dreyfus, adianta que os magazines do grupo “mantiveram uma estrutura de difusão mais clássica, essencialmente suportada em papel e nomeadamente pelas assinaturas, mas mantendo uma rentabilidade que fortifica o conjunto, com grande difusão, tanto do M du Monde (274 mil exemplares), como de Télérama (523 mil), como do Courrier International (180 mil), que viu crescer a sua circulação em 2017 graças a um desenvolvimento importante das assinaturas digitais (+ 31%), que são agora superiores às vendas por exemplar”. 

“Finalmente, Le monde Diplomatique teve uma progressão de 3% nas vendas, também com uma subida notável da difusão digital (+ 24%).” (...) 

“Entre os projectos mais notáveis, citamos por exemplo os que se têm desenvolvido no digital: o Huffington Post (que é o 8º site francês de actualidade e o 6º nos dispositivos móveis), lançado há cinco anos, ou, desde há um ano e meio, a edição do Monde no Snapchat, que é seguida todos os dias por mais de 900 mil jovens.” (...) 

A concluir, o texto afirma que estes bons resultados “contrariam duas ideias feitas que circulam, sobre a situação da informação em França”: 

“A crise do jornal impresso [de la presse écrite, no original] não é uma fatalidade: a muito clara subida da circulação paga do Monde em França, ao longo de todo o ano passado, demonstra que o sucesso do digital, em vez de nos enfraquecer, proporciona variados meios para nos dirigirmos a novos leitores e convencer um número crescente deles a fazerem uma assinatura.” 

“A desconfiança entre os cidadãos e os jornalistas não é geral. Os leitores das publicações do grupo Le Monde são cada vez mais numerosos a confiarem na nossa informação, produzida de modo não partidário e independente por redacções protegidas de toda a pressão dos poderes políticos e económicos, pela nossa direcção [notre gouvernance], por dispositivos que se tornaram estatutários, por uma exigência quotidiana e uma história de mais de 62 anos.” 

O texto citado, na íntegra, em Le Monde

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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