Quarta-feira, 18 de Julho, 2018
Media

"Le Monde" cresce e averba ganhos em contraciclo

O diário francês Le Monde divulga as suas contas de 2017 falando de um ano de crescimento e consolidação do grupo, e sublinhando um aumento de 5,6% na circulação paga, devido, sobretudo, a uma subida de 44% nas assinaturas digitais. Segundo o texto publicado, este progresso, “que se mantém a um ritmo elevado neste começo de ano, é tal que as assinaturas digitais são agora a primeira fonte de difusão de Le Monde, seguidas pelas assinaturas da edição impressa e, finalmente, pelas vendas por exemplar”. O crescimento “recompensa o importante investimento nos meios redactoriais”, tendo o número de jornalistas passado de 310 para 430, entre 2010 e 2017.

“As nossas publicações souberam tirar partido, em 2017, de um ano especialmente fértil em acontecimentos, a começar pela campanha presidencial. Conseguiram fazê-lo graças ao nosso investimento num jornalismo de alta qualidade e a uma estratégia digital agora bem firmada.” (...) 

O artigo que citamos, assinado pelo director de Le Monde, Jérôme Fenoglio, e pelo presidente do conselho de direcção, Louis Dreyfus, adianta que os magazines do grupo “mantiveram uma estrutura de difusão mais clássica, essencialmente suportada em papel e nomeadamente pelas assinaturas, mas mantendo uma rentabilidade que fortifica o conjunto, com grande difusão, tanto do M du Monde (274 mil exemplares), como de Télérama (523 mil), como do Courrier International (180 mil), que viu crescer a sua circulação em 2017 graças a um desenvolvimento importante das assinaturas digitais (+ 31%), que são agora superiores às vendas por exemplar”. 

“Finalmente, Le monde Diplomatique teve uma progressão de 3% nas vendas, também com uma subida notável da difusão digital (+ 24%).” (...) 

“Entre os projectos mais notáveis, citamos por exemplo os que se têm desenvolvido no digital: o Huffington Post (que é o 8º site francês de actualidade e o 6º nos dispositivos móveis), lançado há cinco anos, ou, desde há um ano e meio, a edição do Monde no Snapchat, que é seguida todos os dias por mais de 900 mil jovens.” (...) 

A concluir, o texto afirma que estes bons resultados “contrariam duas ideias feitas que circulam, sobre a situação da informação em França”: 

“A crise do jornal impresso [de la presse écrite, no original] não é uma fatalidade: a muito clara subida da circulação paga do Monde em França, ao longo de todo o ano passado, demonstra que o sucesso do digital, em vez de nos enfraquecer, proporciona variados meios para nos dirigirmos a novos leitores e convencer um número crescente deles a fazerem uma assinatura.” 

“A desconfiança entre os cidadãos e os jornalistas não é geral. Os leitores das publicações do grupo Le Monde são cada vez mais numerosos a confiarem na nossa informação, produzida de modo não partidário e independente por redacções protegidas de toda a pressão dos poderes políticos e económicos, pela nossa direcção [notre gouvernance], por dispositivos que se tornaram estatutários, por uma exigência quotidiana e uma história de mais de 62 anos.” 

O texto citado, na íntegra, em Le Monde

Connosco
Aumentam assinaturas pagas de meios digitais com algumas surpresas... Ver galeria

As assinaturas pagas são a “tábua de salvação” dos jornais digitais, mas cobrar pelas notícias, neste terreno, é uma estratégia difícil de implementar. Muitos meios de comunicação hesitam em dar este passo, pelo receio de perderem leitores. No entanto, dezenas de outros tiveram êxito, seguindo estratégias diferentes e, também, com diversos graus de sucesso. A FIPP  - Federação Internacional da Imprensa Periódica -  editou recentemente o seu primeiro Global Digital Subscription Snapshot, que permite consultar a tabela com os principais meios online, comparar os seus números de assinantes e preços cobrados e, assim, obter ideias úteis para os que procuram chegar ao desejado equilíbrio financeiro sem terem de perder público.

Como captar audiência e ser fiel ao bom jornalismo Ver galeria

A crise que tem atingido os meios de comunicação, nos últimos anos, com a queda constante das receitas da publicidade e a dependência incerta da adesão dos leitores, tem conduzido editores e jornalistas a apostarem sobretudo nesta segunda direcção. Reatar relações de confiança e construir “audiências leais em torno de um jornalismo de qualidade”, parece ser o único caminho sólido, mesmo que não seja fácil. Os fundamentos da próxima geração de modelos sustentáveis de receita para os media “serão contribuições directas da sua audiência, apoiados por altos níveis de compromisso dos leitores”.

Portanto, uma espécie de “contrato social”, pelo lado do meio de comunicação e dos seus jornalistas, e uma espécie de “conversão pessoal”, pelo lado dos leitores. É esta a linha desenvolvida por um recente estudo do Tow Center for Digital Journalism, da Universidade de Columbia, nos EUA, aqui comentado em artigo publicado na 36ª edição de Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube
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