Quarta-feira, 26 de Junho, 2019
Media

Português,"homem-sombra" da Altice, retratado por "Le Monde"

A ausência de Armando Pereira na conferência de Imprensa de 20 de Março, na nova sede parisiense do Grupo SFR  - de que é o director-geral delegado -  é notada pelo diário Le Monde, que lhe chama, em título, «o secreto número dois da Altice». Foram os outros cinco responsáveis que deram a cara pela explicação dos maus resultados do Grupo sentidos no final de 2017  - com a queda vertiginosa das acções da casa-mãe Altice. Mas «este autodidacta»  - diz ainda Le Monde -  «está hoje à frente da primeira fortuna de Portugal». Segundo Alain Weill, director-geral do sector de Media, «ele não gosta de se mostrar».

«Velho companheiro de estrada de Patrick Drahi, Armando Pereira, que não aparece nos documentos oficiais da empresa, seria detentor de 5% da Altice, segundo a Challenges. Desde que se conheceram num café do Drugstore Publicis, nos Campos Elíseos, em 1991, os dois homens selaram os respectivos destinos. Armando Pereira tornou-se o subcontratante de Patrick Drahi, que iniciava a sua aventura no terreno do cabo. Em 2002, entrou para a Altice. ‘Patrick Drahi disse-me um dia que via Armando como irmão de sangue’  - recorda um antigo colaborador.» (…) 

Ainda segundo Le Monde, Patrick Drahi ocupa-se das finanças e do marketing e Armando Pereira dirige a técnica e os custos.

A história da sua ascensão recente é contada noutra reportagem de Le Monde, aquando da referida crise financeira em Novembro de 2017, de que aqui também fizémos eco. Já nessa altura lhe chamava «homem da sombra» e, quanto à sua função na gestão de custos, usava a designação inglesa de cost-killer

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"Metástases" da desinformação espalham-se pelo mundo Ver galeria

O alastrar da desinformação, potenciado pelas capacidades de contágio “viral” da revolução tecnológica, teve um impacto transformador sobre o jornalismo. Nos Estados Unidos, um dos primeiros factos surpreendentes com que os jornalistas tiveram de lidar, logo após a eleição de Donald Trump, foi a noção de que hackers russos, em “fábricas” de conteúdos, podiam semear desordem no eleitorado americano e desacreditar o jornalismo autêntico.

“Por vezes, os leitores encontravam notícias verdadeiras que Trump procurava desacreditar porque não gostava do modo como o faziam parecer;  outras vezes encontravam a deformação intencional da informação para distorcer a verdade;  em muitas ocasiões, o que encontravam era apenas completo absurdo.”  
E deixou de ser um problema local. As “metástases” da desinformação espalham-se pelo mundo e o jornalismo é arrastado para o caos:

“Vimos isso na Birmânia e no Brasil, no Sri Lanka e na Nova Zelândia, por vezes em campanhas orquestradas que trazem a dedada de agentes estatais, por vezes em manifestos individuais de mentes perturbadas. O resultado é sempre o mesmo: relatos falsos envenenam as plataformas que abrigam o verdadeiro jornalismo. Ninguém na Imprensa está a salvo de ver o seu trabalho, sério e diligente, exposto na enxurrada.”
A reflexão é de Kyle Pope, director da Columbia Journalism Review, em “Todo o jornalismo é global”.

O pesadelo dos jornalistas filipinos perseguidos pelo regime Ver galeria

A luta pela liberdade de Imprensa pode ser uma guerra de resistência entre os carcereiros e os candidatos a presos  - que são todos os jornalistas que tenham a coragem de o ser. Num dos mais recentes episódios em que foi detida, em Fevereiro de 2019, a jornalista filipina Maria Ressa, fundadora do site Rappler, comentou ironicamente à saída do tribunal:

“Esta é a sexta vez que pago fiança, e vou pagar mais do que criminosos condenados. Vou pagar mais do que Imelda Marcos.”

Como conta no artigo “Alvos de Duterte”, que aqui citamos, o Presidente das Filipinas, que “foi o primeiro político do meu país a usar as redes sociais para ganhar umas eleições, conduz uma campanha incansável de desinformação (trolling patriótico) para reduzir os críticos ao silêncio”:

“O seu governo vomita mentiras a tal velocidade que o público já não consegue saber o que é realidade. Mesmo os seus próprios membros ficam confusos.”

“Desde Junho de 2016, quando Rodrigo Duterte se tornou Presidente, houve cerca de 27 mil assassínios decorrentes da sua ‘guerra contra a droga’. Este número vem das Nações Unidas, mas não foi muito divulgado. A polícia mantém a sua própria contagem menor, pressionando os órgãos de informação a publicá-la.”

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Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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