Quinta-feira, 19 de Abril, 2018
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Agência Pública como espaço de inovação para o jornalismo brasileiro

A Casa Pública, no Rio de Janeiro, e a Agência Pública, em São Paulo, são duas expressões de um mesmo projecto, que procura reflectir sobre o jornalismo brasileiro no sentido dos três is: ser inovador, inspirador e independente. Acrescente-se o que lhe está ligado desde a fundação: ser investigativo. Criada há cinco anos, a Agência Pública é membro da Global Investigative Journalism Network  - de cujo site citamos a reportagem que conta esta história. E a sua mais importante contribuição, num ambiente político “ultra-polarizado”, é a de expandir o projecto de fact-checking chamado Truco, para verificar diariamente, em pelo menos oito Estados brasileiros, as afirmações dos candidatos que se apresentem às próximas eleições de Outubro.

Esta operação já tinha sido posta à prova durante as eleições municipais de 2016, em cinco capitais. Para as que vêm neste ano, a equipa da Agência, em São Paulo, vai dar formação a jornalistas independentes, de todo o país, na sua metodologia de fact-checking

“Considero o fact-checking um género do jornalismo de investigação”  -  afirma Natália Viana, uma das co-fundadoras da Agência, que começou a sua carreira sempre com esta marca. Em 2006, quando fazia o mestrado em jornalismo radiofónico, em Londres, adquiriu essa formação pelo Center for Investigative Journalism (CIJ). 

Quanto à Casa Pública, nasceu como um centro cultural, de debate e celebração do jornalismo, e ao mesmo tempo um porto de abrigo para jornalistas brasileiros ou estrangeiros de passagem. Foi lá que foi lançada a ideia do Festival dos 3 is, o primeiro deles realizado em Novembro de 2017. 

A escolha desta cidade decorre de dois grandes acontecimentos ali ocorridos: a Taça do Mundo, em 2014, e as Olimpíadas de Verão em 2016. Logo neste meso ano, na sequência do impeachment de Dilma Roussef, foi organizado no local um debate com o ponto de vista dos jornalistas estrangeiros sobre o sucedido. Como conta Natália Viana, houve uma fila de 400 pessoas a quererem entrar numa sala que só é confortável para umas 70. 

“Assim, por um lado, as pessoas precisavam de um lugar para falar, Pelo outro, os estudantes e mais pessoas interessadas no jornalismo tinham falta de um espaço para discutirem o ‘novo jornalismo’, um debate que não é a respeito da ‘crise do jornalismo’, ou do ‘fim do jornalismo’, ou dos fracos salários”  -  disse ainda. 

“Este é um espaço para experimentarmos, revigorarmos e celebrarmos o novo jornalismo”  - que define em vários pontos: empresas nativas-digitais, dirigidas por jornalistas cujo primeiro projecto é o de fazerem jornalismo, e que o fazem com o objectivo de alcançarem estabilidade e sustentabilidade de longo prazo. 

A própria Agência Pública tem o seu problema de sustentabilidade, que é descrito nesta reportagem pela outra co-fundadora, Marina Amaral. No lançamento da Casa Pública, no Rio, procuraram algum mecenato, e houve fundações, como a Ford, Porticus, Oak Foundation e a Open Society Foundation, que fizeram doações temporárias. Três delas mantiveram este apoio por mais um ano. Estes e outros doadores são citados na página Transparency, no site da Agência. 

Esta assume-se mais como “uma agência e não uma publicadora”. Na prática, os media podem republicar as reportagens da Pública sob uma licença Creative Commons. Em resultado disto, 700 websites republicaram trabalhos da Pública em 2017, segundo Natália Viana, incluindo The Guardian, El País, a Folha de S.Paulo, o Valor Económico e o blog Santarém do Pará

“Nada do que fazemos resulta de uma ideia louca que nasce da noite para o dia. Marina e eu temos uma regra: se não nos parece seguro, não o divulgamos ao mundo. Vamos pensar nisso mais um pouco. Fazemos tudo com calma e muito cuidado.” (…)

 

 
O texto aqui citado, na Global Investigative Journalism Network, de cujo projecto de fact-checking incluímos a imagem

Connosco
As “Histórias Proibidas” dos jornalistas assassinados voltam a ser lidas Ver galeria

Em Outubro de 2017, a jornalista Daphne Caruana Galizia, que investigava as ligações políticas perigosas da corrupção na ilha de Malta, foi morta num atentado à bomba. Hoje, uma equipa de 45 jornalistas, de 18 órgãos de comunicação de todo o mundo, está a trabalhar no Projecto Daphne, uma série de artigos que possam completar a sua investigação. Este projecto inscreve-se na missão de Forbidden Stories, cujo fundador, o realizador francês Laurent Richard, reafirmou em artigo recente em The Guardian: “Vocês mataram o mesageiro, mas não conseguirão matar a mensagem.”

Jornalismo de investigação é a melhor arma contra a propaganda Ver galeria

O combate à desinformação online tornou-se o tema incontornável de todos os encontros de jornalistas. Mas um dos painéis realizados na mais recente edição do Festival Internacional de Jornalismo, em Perugia, Itália, escutou intervenções que sugerem uma atitude menos confrontacional. A ideia é que resulta melhor investir num jornalismo de investigação no terreno, mesmo que tome mais tempo, do que tentar a batalha sempre perdida de aguentar o ritmo de produção das grandes máquinas de propaganda. Falaram neste sentido vozes experimentadas, de jornalistas como Galina Timchenko, russa, fundadora e directora do website Meduza, e Natalia Anteleva, georgiana, co-fundadora e editora de Coda Story.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
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O Poder do Dever
Luís Queirós
No passado dia 14 de março, Maria Joana Raposo Marques Vidal foi falar ao Grémio Literário no ciclo que ali decorre sob o tema: "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções", uma iniciativa do Clube de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e com o Grémio Literário. Na sua longa  intervenção  falou  do Ministério Público e de Justiça e ajudou os leigos na matéria - como...
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Social Media Week New York 2018
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24
Abr
Social Media Strategies Summit Chicago 2018
22:00 @ Union League Club, Chicago
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Abr
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09:00 @ Sala de Conferências da Faculdade de Ciências de Informação, Universidade de Madrid
28
Abr
Google Analytics para Jornalistas
09:00 @ Cenjor, Lisboa