Segunda-feira, 10 de Dezembro, 2018
Media

Nova ferramenta de apoio à leitura digital de notícias

Está a ser desenvolvida, por um grupo de jornalistas, investigadores e designers de ferramentas digitais, um novo modelo de “assistente pessoal” que se propõe “sacudir” o modo displicente, desatento e consumidor de tempo, como hoje muitos utentes da Internet lêem notícias, fazendo scroll nos seus dispositivos.
O objectivo declarado é o de chegar a uma “personalização dirigida por propósitos”, pondo a máquina “firmemente ao serviço do seu utilizador”, para que possa identificar no noticiário que recebe “quaisquer desequilíbrios ou parcialidades indesejadas”.

O produto  - ainda em fase de testes -  projectado pelo grupo NevaLabs será conduzido por uma aplicação, mas esta será “ensinada” a conhecer as preferências e hábitos que definem a identidade do utente. 

Entrevistado para o site da GEN - Global Editors Network, Mark Little, co-fundador da NevaLabs, recusa a comparação com a Netflix, afirmando antes ter-se inspirado mais na “crescente popularidade das aplicações de saúde, fitness e mindfulness, que proporcionam uma carga emocional positiva em torno do comportamento dirigido por propósitos”. (...) 

“Tanto como compreender os temas que os utentes desejam proactivamente buscar, a máquina deveria ajustar-se aos hábitos diários do utente; devia oferecer áudio, e não vídeo, se ele está a conduzir para o trabalho; quanto tempo vai passar nessa ligação? E de que modo é que o seu humor fica diferente na viagem de regresso a casa?” (...) 

“Temos ficado cada vez mais preocupados com a analogia de [que se trata de] uma Netflix ou Spotify para as notícias. Os dados sugerem que os utentes que procuram notícias  - especialmente os mais novos -  estão agora mais disponíveis para pagar por elas porque já se habituaram a pagar pela música e pelos filmes." (...)


"Mas as notícias não são música ou filmes. Não têm o mesmo tempo de vida. Ocupam um lugar muito diferente nas vidas dos indivíduos e da sociedade. As notícias não deviam ser desligadas da autoridade da sua fonte original. E as pessoas querem limites ao tempo que passam nas notícias, não um ‘enfardar’ infindável." (...)

 

Mais informação na Media-tics e na entrevista com Mark Little. A imagem é de um painel explicativo da NevaLabs, explicando a diferença com o modo actual de consumo.

Connosco
O fascínio pelas imagens de motins como nova cultura dos Media Ver galeria

Um pequeno video das manifestações em Paris, feito na manhã de 2 de Dezembro e colocado no Twitter, mostra umas dezenas de indivíduos de capuz, a correr na rua, com um fogo em segundo plano. Uma legenda diz que os desordeiros [casseurs, no original] põem a polícia em fuga. Três horas depois de ser publicada, a sequência já teve 45 mil visualizações. À tarde, o contador regista 145 mil e no dia seguinte o dobro, sem contar com a sua reprodução nos media. No YouTube, no Reddit e outros meios semelhantes, estes vídeos chegam facilmente aos milhões.

“Este fascínio pelas imagens de motins  - ou de revolta, segundo o ponto de vista -  é agora chamado riot porn  - designando o prazer (um pouco culpado) de ver ou partilhar um certo tipo de imagens, como o food porn, de pratos de comida, ou o sky porn para imagens do céu e de cenas de pôr-de-sol.”

A reflexão é de Emilie Tôn, em L’Express, num trabalho que aborda o voyeurisme da violência nas ruas, em que todos podemos ser protagonistas, mesmo que involuntários, espectadores ou realizadores de documentário, com um telemóvel na mão.

A “missão impossível” dos repórteres árabes de investigação Ver galeria

A auto-confiança com que actuaram os executores de Jamal Khashoggi tem várias razões, e uma delas tem a ver connosco, jornalistas. Quando chegou, finalmente, a admissão do crime, jornalistas por todo o mundo árabe vieram em defesa de Riade. “Eles não sabiam nada  - mas escreveram o que lhes foi dito que escrevessem. E de cada vez que mudava a versão oficial, eles mudavam a sua para se ajustar, sem embaraço ou hesitação.”

“E não estavam sozinhos. Os sauditas tinham uma segunda linha de defesa: um grupo menor, mas não menos influente, de jornalistas do Ocidente, que tinham passado mais de um ano a contar a história de uma Arábia Saudita reformista, acabada de retocar, de ventos de mudança soprando no deserto, com as suas visões e ambições comoventes louvadas por todo o mundo.”

A reflexão é da jornalista jordana Rana Sabbagh, que está à frente da Rede de Jornalismo de Investigação Árabe (membro da Global Investigative Journalism Network) e foi a primeira mulher árabe a dirigir um jornal político no Médio Oriente, o Jordan Times.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
O Presidente Marcelo é um dos poucos políticos portugueses com legitimidade para colocar a questão dos apoios do estado à produção jornalística porque ele é produtor e produto do sistema mediático.A sua biografia confunde-se com a liberdade de imprensa e a pergunta que Marcelo faz é, para ele, uma questão de consciência presidencial.Dito isto, pergunto:O que diríamos nós se fosse Donald Trump a...
Perante a bem conhecida e infelizmente bem real crise da comunicação social o Presidente da República questionou, há dias, se o Estado não tem a obrigação de intervir. Para Marcelo Rebelo de Sousa há uma "situação de emergência", que já constitui um problema democrático e de regime. A crise está longe de ser apenas portuguesa: é mundial. E tem sobretudo a ver com o facto de cada vez mais...
Há, na ideia de uma comunicação social estatizada ou ajudada pelo governo, uma contradição incontornável: como pode a imprensa depender da entidade que mais se queixa da imprensa? Uma parte da comunicação social portuguesa – televisão, rádio, imprensa escrita — é deficitária, está endividada e admite “problemas de tesouraria”. Mas acima desse, há outro problema, mais grave:...
O jornalismo estará a render-se à subjetividade, rainha e senhora de certas redes sociais. As ‘fake news’ e o futuro dos media foram dos temas mais falados na edição de 2018, da Web Summit. Usadas como arma de arremesso político e de intoxicação, as notícias falsas são uma praga. Invadem o espaço público, distorcem os factos, desviam a atenção, comprometem a reflexão. E pelo caminho...
1.Segundo um estudo da Marktest sobre a utilização que os portugueses fazem das redes sociais 65.9% dos inquiridos referem o Facebook, 16.4% indicam o Instagram, 8.3% oWhatsApp, 4% o Youtube e 5.4% outras redes. O estudo sublinha que esta predominância do Facebook não é transversal a toda a população: “Entre os jovens utilizadores de redes sociais, os resultados de 2018 mostram uma inversão das redes visitadas com mais...