Terça-feira, 23 de Outubro, 2018
Media

Nova ferramenta de apoio à leitura digital de notícias

Está a ser desenvolvida, por um grupo de jornalistas, investigadores e designers de ferramentas digitais, um novo modelo de “assistente pessoal” que se propõe “sacudir” o modo displicente, desatento e consumidor de tempo, como hoje muitos utentes da Internet lêem notícias, fazendo scroll nos seus dispositivos.
O objectivo declarado é o de chegar a uma “personalização dirigida por propósitos”, pondo a máquina “firmemente ao serviço do seu utilizador”, para que possa identificar no noticiário que recebe “quaisquer desequilíbrios ou parcialidades indesejadas”.

O produto  - ainda em fase de testes -  projectado pelo grupo NevaLabs será conduzido por uma aplicação, mas esta será “ensinada” a conhecer as preferências e hábitos que definem a identidade do utente. 

Entrevistado para o site da GEN - Global Editors Network, Mark Little, co-fundador da NevaLabs, recusa a comparação com a Netflix, afirmando antes ter-se inspirado mais na “crescente popularidade das aplicações de saúde, fitness e mindfulness, que proporcionam uma carga emocional positiva em torno do comportamento dirigido por propósitos”. (...) 

“Tanto como compreender os temas que os utentes desejam proactivamente buscar, a máquina deveria ajustar-se aos hábitos diários do utente; devia oferecer áudio, e não vídeo, se ele está a conduzir para o trabalho; quanto tempo vai passar nessa ligação? E de que modo é que o seu humor fica diferente na viagem de regresso a casa?” (...) 

“Temos ficado cada vez mais preocupados com a analogia de [que se trata de] uma Netflix ou Spotify para as notícias. Os dados sugerem que os utentes que procuram notícias  - especialmente os mais novos -  estão agora mais disponíveis para pagar por elas porque já se habituaram a pagar pela música e pelos filmes." (...)


"Mas as notícias não são música ou filmes. Não têm o mesmo tempo de vida. Ocupam um lugar muito diferente nas vidas dos indivíduos e da sociedade. As notícias não deviam ser desligadas da autoridade da sua fonte original. E as pessoas querem limites ao tempo que passam nas notícias, não um ‘enfardar’ infindável." (...)

 

Mais informação na Media-tics e na entrevista com Mark Little. A imagem é de um painel explicativo da NevaLabs, explicando a diferença com o modo actual de consumo.

Connosco
Jornalista e historiador de Macau vencem Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia Ver galeria

O Júri dos Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia, instituídos pelo Jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, escolheu, por unanimidade, na primeira categoria, o trabalho "Ler sem limites", da jornalista Catarina Brites Soares, publicado no semanário Plataforma, em Macau.

Na categoria Ensaio, atribuída este ano pela primeira vez, foi distinguido o original do historiador António Aresta, de Macau, intitulado "Miguel Torga: um poeta português em Macau".
A Acta do Júri destaca, no primeiro caso, que Catarina Brito Soares  consegue desenhar com o seu texto “uma panorâmica das leituras mais frequentes em Macau, com um levantamento de livros e autores que circulam livremente no território, incluindo alguns que, por diferentes razões, têm limites de acesso fora da RAEM”.
O semanário Plataforma Macau é publicado em Macau, em português e chinês. 

Na categoria Ensaio, o Júri deliberou, também por unanimidade, atribuir o Prémio ao trabalho de António Aresta, considerando tratar-se de “uma narrativa consequente sobre a visita histórica do grande poeta a Macau, com passagem por Cantão e Hong Kong”.

Universidades apoiam e investem no jornalismo de investigação Ver galeria

A sociedade necessita de um jornalismo de investigação que fica caro, e esta necessidade “chega num momento de grande tensão financeira para uma indústria maciçamente perturbada pelas novas tecnologias e alterações económicas”.

“Acreditamos que este tipo de jornalismo, em defesa do povo americano, é mais importante do que nunca na presente cacofonia de informação confusa, contraditória e enganadora, já para não falar de cepticismo  - ou por vezes rejeição absoluta -  dos factos.”

Esta reflexão é assinada por Christopher Callahan e Leonard Downie Jr., docentes na Universidade Estatal do Arizona, sobre a criação de dois centros de ensino de jornalismo de investigação, um na Universidade referida, outro na de Maryland. Tendo em conta a “proliferação de centros de reportagem de investigação independentes, sem objectivo de lucro, em grande parte financiados por [mecenato] filantrópico”, as universidades “estão prontas a assumir funções de liderança neste novo ecossistema de jornalismo de investigação”  - afirmam no seu texto.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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Opinião
Como está o papel?
Manuel Falcão
Durante muitos anos a imprensa – jornais e revistas – captava a segunda maior fatia do investimento publicitário, logo a seguir à televisão, que sensivelmente fica com metade do total do bolo publicitário. Mas desde o princípio desta década a queda do investimento em imprensa foi sempre aumentando e, agora, desceu para a quinta posição, atrás, por esta ordem, da TV, digital, outdoor e rádio. Ao ritmo a que...

Na edição de 15 de Setembro o Expresso inseria como manchete, ao alto da primeira página, o seguinte titulo: “Acordo à vista para manter a PGR”. Como se viu, o semanário, habitualmente tido por bem informado, falhou redondamente.

Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

Trump contra o jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
Numa iniciativa inédita, mais de 300 órgãos de comunicação dos EUA manifestaram na quinta-feira repúdio contra os violentos ataques de Trump ao jornalismo.  Como jornalista com muitos anos de profissão, tenho pena de reconhecer que a qualidade do produto jornalístico baixou ao longo das últimas décadas. Mas importa perceber porquê. No século XIX o jornalismo resumia-se a… jornais impressos....
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