Sábado, 25 de Maio, 2019
Media

Nova ferramenta de apoio à leitura digital de notícias

Está a ser desenvolvida, por um grupo de jornalistas, investigadores e designers de ferramentas digitais, um novo modelo de “assistente pessoal” que se propõe “sacudir” o modo displicente, desatento e consumidor de tempo, como hoje muitos utentes da Internet lêem notícias, fazendo scroll nos seus dispositivos.
O objectivo declarado é o de chegar a uma “personalização dirigida por propósitos”, pondo a máquina “firmemente ao serviço do seu utilizador”, para que possa identificar no noticiário que recebe “quaisquer desequilíbrios ou parcialidades indesejadas”.

O produto  - ainda em fase de testes -  projectado pelo grupo NevaLabs será conduzido por uma aplicação, mas esta será “ensinada” a conhecer as preferências e hábitos que definem a identidade do utente. 

Entrevistado para o site da GEN - Global Editors Network, Mark Little, co-fundador da NevaLabs, recusa a comparação com a Netflix, afirmando antes ter-se inspirado mais na “crescente popularidade das aplicações de saúde, fitness e mindfulness, que proporcionam uma carga emocional positiva em torno do comportamento dirigido por propósitos”. (...) 

“Tanto como compreender os temas que os utentes desejam proactivamente buscar, a máquina deveria ajustar-se aos hábitos diários do utente; devia oferecer áudio, e não vídeo, se ele está a conduzir para o trabalho; quanto tempo vai passar nessa ligação? E de que modo é que o seu humor fica diferente na viagem de regresso a casa?” (...) 

“Temos ficado cada vez mais preocupados com a analogia de [que se trata de] uma Netflix ou Spotify para as notícias. Os dados sugerem que os utentes que procuram notícias  - especialmente os mais novos -  estão agora mais disponíveis para pagar por elas porque já se habituaram a pagar pela música e pelos filmes." (...)


"Mas as notícias não são música ou filmes. Não têm o mesmo tempo de vida. Ocupam um lugar muito diferente nas vidas dos indivíduos e da sociedade. As notícias não deviam ser desligadas da autoridade da sua fonte original. E as pessoas querem limites ao tempo que passam nas notícias, não um ‘enfardar’ infindável." (...)

 

Mais informação na Media-tics e na entrevista com Mark Little. A imagem é de um painel explicativo da NevaLabs, explicando a diferença com o modo actual de consumo.

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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