Sábado, 11 de Julho, 2020
Fórum

A liberdade de expressão como contrapeso ao poder político

Liberdade de expressão é poder dizer o que se pensa, sem represálias nem constrangimentos, mas é também “que existam meios para poder exercê-la”.

“Ao sustentarem o jornalismo profissional, as empresas jornalísticas são, aqui e no mundo, um instrumento essencial para exercer essa liberdade estratégica como contrapeso ao poder e como auditoria social”  - declarou o presidente da Comissão de Liberdade de Expressão na Argentina, Martín Etchevers, durante os trabalhos da 166ª Junta de Directores convocada pela ADEPA – Asociación de Entidades Periodísticas Argentinas.

O relatório da Comissão de Liberdade de Expressão, apresentado neste encontro, afirma também que, em vez de estarem em decadência ou retrocesso, as funções da Imprensa são hoje potenciadas por efeito do digital: 

“Grande parte do que se debate apaixonadamente nas redes sociais provém, de um ou outro modo, do trabalho das organizações jornalísticas. E é bom que assim seja. Como não louvar que seja a Imprensa, mesmo com falhas e erros, mas guiada por critérios profissionais e pela busca da verdade, o [melhor] contributo do debate público perante fenómenos que nos angustiam, como as fake news e os ‘factos alternativos’ derivados da propaganda política?” (...) 

Segundo a ADEPA, a Argentina deixou para trás, felizmente, uma política de confrontação oficial contra o jornalismo independente: 

“No entanto, assim como se observa uma evolução positiva nas duas primeiras premissas requeridas para uma efectiva vigência da liberdade de expressão (dizer o que se quer e fazê-lo sem sofrer consequências), continua pendente o terceiro requerimento: como contribuir para preservar a sustentabilidade de um actor da democracia que é chamado a cumprir uma função social e institucional da qual o Estado não se pode dissociar.” 

“Os meios gráficos e digitais vivem, em todo o mundo, um paradoxo que nos dá ao mesmo tempo esperança e desafio. Nunca na história tivémos mais leitores. Com a Internet, multiplicámos por dez a audiência que nos escolhe para saber e compreender, perante o oceano de dados que circula na Web e nas redes sociais, que muitas vezes acabam por gerar desinformação.” 

“Ao mesmo tempo, nunca como antes enfrentamos tal incerteza a respeito da equação económica de um modelo no qual aqueles que produzem os conteúdos  - em última instância, aqueles que financiam o trabalho jornalístico -  não participam proporcionalmente das receitas que gera o tráfego digital nem vêem recompensada de forma justa a propriedade intelectual desses conteúdos”  -  assinala um dos parágrafos do documento. (...) 

Segundo a descrição feita pela ADEPA, esta situação é muito mais grave nos meios da Imprensa local, na sua maioria pequenas e médias empresas, que fazem um esforço sobre-humano para continuarem a proporcionar informação própria às comunidades que servem: 

“Além disso, estes meios são hoje, em muitos casos, a principal fonte de trabalho para os jornalistas nos seus lugares de origem. Por esse motivo requerem uma atenção especial das políticas públicas. Precisam de contar com um regime apropriado e específico que, como noutras indústrias estratégicas, lhes permita continuarem a contratar profissionais de qualidade.” (...) 

Descrita como a instituição mais representativa do jornalismo nacional, na Argentina, a ADEPA é uma organização sem fins lucrativos fundada em 1962, que actualmente reune 180 empresas jornalísticas de todo o pais, entre editoras de diários, outros periódicos, revistas e sites digitais. 


Mais informação no site da ADEPA

Connosco
Quando há códigos éticos associados ao jornalismo Ver galeria

O jornalismo está em constante mudança e, como tal, os códigos éticos associados à profissão deve ser actualizados, em permanência.


Há, contudo, alguns elementos que se vão mantendo, mais ou menos, constantes, como as ideologias associadas aos jornais.

Confrontado com este cenário, Pedro Pablo Bermúdez, um estudante colombiano de jornalismo, decidiu questionar os colaboradores da Fundación Gabo quanto à sua opinião sobre os posicionamentos políticos da imprensa e dos jornalistas.

Feita a consulta, alguns jornalistas da Fundação exprimiram os seus pontos de vista.

Assim, para a jornalista Mónica González, a isenção da imprensa é uma utopia. Assim, os jornais devem tentar ser o mais transparentes possível sobre a sua posição ideológica, para que os leitores consigam distinguir uma notícia de uma falácia construída em detrimento da oposição.

Da mesma forma, as empresas mediáticas deverão revelar quais as suas fontes de financiamento e o nome dos seus investidores.


Agradecer a assinatura como forma de sensibilizar leitores Ver galeria

O modelo de negócio dos “media” está a mudar e cada vez mais títulos estão a optar pela implementação de um plano de subscrição.

Como tal, os editores procuram, naturalmente, conquistar um número crescente de leitores, que pagam, regularmente, pelo consumo dos seus conteúdos.

Ora, um estudo da Citizens and Technology Lab sugere que a forma ideal de alcançar esse objectivo passa, simplesmente, por agradecer aos subscritores pela sua contribuição.

Os responsáveis por este estudo analisaram as interacções no “site” Wikipedia, que depende de uma comunidade internacional, disposta a manter a plataforma actualizada, a custo zero. 


O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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A internet e a liberdade de expressão
Francisco Sarsfield Cabral
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Agenda
27
Jul
Jornalismo ético como garantia de democracia
09:30 @ Universidade de Madrid
14
Set
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague