Terça-feira, 21 de Agosto, 2018
Estudo

Compromisso e lealdade dos leitores são a nova "métrica" dos Media

É um facto que a corrida pelas audiências, nos jornais online, levou a dar mais importância à quantidade do que à qualidade.
Os próprios anunciantes acabaram por compreender que tinham mais interesse em abordar um público “comprometido”, com gostos concretos, do que um número muito grande de utentes que até podem ser tráfego fictício. “Fica para trás o tempo em que o êxito de um jornal se media pela quantidade de tráfego que registava, e os utentes que visitavam o site eram autênticos desconhecidos.” É esta a reflexão inicial de um artigo em Media-tics, sobre as novas métricas que procuram identificar o nível de “compromisso” do leitor.  

O ponto a que se pretende chegar é o de uma relação mais próxima com os utentes, que permita uma aproximação ao seu nível de “lealdade”. As ferramentas tradicionais continuam a ter importância, mas agora, em vez de se concentrarem no número de visitas, nos clicks e nos likes, “os editores estão a fixar-se no tempo que o leitor gasta no site, bem como na frequência dessas visitas”.

 

O texto que citamos anuncia o painel online que se vai realizar a 18 de Abril, patrocinado pela Content Insights e colocando os jornalistas e editores interessados neste tema dos novos “indicadores de participação” em contacto com os consultores da MediaShift, WhereBy.Us e Dallas Morning News

O mesmo artigo refere várias ferramentas, como as usadas pela Vox Media, ou a Facebook Group Insights, que fazem análise web “para medir e aumentar a lealdade do leitor” ou chegar a “entender profundamente as necessidades, preferências e hábitos da sua audiência”, examinando o seu nível de “compromisso” post-by-post

Este tipo de insistência na captura da atenção e do tempo de presença do leitor acaba por ter efeitos, necessariamente, sobre os ritmos de trabalho dos jornalistas, como descreve o texto com o exemplo do jornal The New Tropic, de Miami. Foram oferecidas a dez membros da população local visitas guiadas ao Museu de Ciências, o que “permitiu aos repórteres darem-se conta de quais eram os interesses destas pessoas”. (...) 

Também os responsáveis pelo boletim local do WhereBy.Us medem o compromisso analisando o trabalho dos seus jornalistas. “Juntamente com as métricas tradicionais, como o tamanho da lista e a taxa de abertura, têm em conta a quantidade de respostas às chamadas e a assistência a eventos.”

 

 

Mais informação em Media-tics e sobre o painel online

Connosco
O perigo instrumentalizar a Rede para uma "guerra digital" Ver galeria

A relação entre os poderes instituídos e o novo poder das redes sociais passou por diversas fases. Houve um tempo em que alguns governos temeram a voz do povo na Internet, e fenómenos como as Primaveras Árabes, que derrubaram regimes instalados, levaram ao bloqueio destas plataformas. “Mas agora muitos governos descobriram que é mais útil intoxicar nas redes sociais do que proibi-las. E os trolls encarregam-se do resto.”

É esta a reflexão inicial do jornalista e empreendedor no meio digital Miguel Ossorio Vega, que faz uma síntese do ocorrido neste terreno nos últimos anos, chamando a atenção para o que considera serem os maiores perigos da ciberguerra em curso.

Quando o jornalista tem de mudar de "chip" para fundar um meio digital Ver galeria

No novo ambiente criado pela revolução digital, encontrar um modelo de negócio sustentável para o jornalismo continua a ser uma questão em aberto  - que foi discutida, uma vez mais, numa vídeo-conferência promovida pela International Journalists’ Network. A jornalista brasileira Priscila Brito, fundadora do site Negócio de Jornalista, esteve presente e conta que, em dado momento, uma das participantes mencionou que “uma etapa importante para se obter sucesso nessa tarefa é mudar o chip”:

“Ou seja, é preciso parar de pensar exclusivamente como jornalista e incorporar a lógica dos negócios.”

"É um processo que pode gerar resistência enorme a quem vem programado com o chip de jornalista  -  afinal, aprendemos que editorial e comercial devem (ou deveriam) estar tão separados como devem (ou deveriam estar) Igreja e Estado."
O Clube
O CPI – Clube Português de Imprensa voltou a participar no Prémio  Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018,  instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura,  em cooperação com a Europa Nostra, a principal organização europeia de defesa do património,  que o CNC representa em Portugal.   O Prémio foi atribuído, este ano,  à...

ver mais >
Opinião
Trump contra o jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
Numa iniciativa inédita, mais de 300 órgãos de comunicação dos EUA manifestaram na quinta-feira repúdio contra os violentos ataques de Trump ao jornalismo.  Como jornalista com muitos anos de profissão, tenho pena de reconhecer que a qualidade do produto jornalístico baixou ao longo das últimas décadas. Mas importa perceber porquê. No século XIX o jornalismo resumia-se a… jornais impressos....
É inegável a importância da tomada de posição conjunta de 350 jornais americanos que, respondendo a um apelo do The Boston Globe, assinaram  editoriais simultâneos, rejeitando a política de hostilidade desencadeada pelo presidente Trump contra os media. A data de 16 de Agosto ficará para a História da Imprensa  americana ao assumir esta iniciativa solidária e absolutamente inédita, que mobilizou grandes...
O optimismo de Centeno
Luís Queirós
"A economia da zona Euro cresce há 20 trimestres consecutivos", disse Mário Centeno no Grémio Literário, na palestra, proferida no passado dia 22 de Maio passado, integrada no ciclo que ali decorre subordinado ao tema  "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções", uma iniciativa do Clube de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e com o Grémio Literário. O Ministro das Finanças de Portugal e presidente do...
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...