null, 26 de Maio, 2019
Estudo

Compromisso e lealdade dos leitores são a nova "métrica" dos Media

É um facto que a corrida pelas audiências, nos jornais online, levou a dar mais importância à quantidade do que à qualidade.
Os próprios anunciantes acabaram por compreender que tinham mais interesse em abordar um público “comprometido”, com gostos concretos, do que um número muito grande de utentes que até podem ser tráfego fictício. “Fica para trás o tempo em que o êxito de um jornal se media pela quantidade de tráfego que registava, e os utentes que visitavam o site eram autênticos desconhecidos.” É esta a reflexão inicial de um artigo em Media-tics, sobre as novas métricas que procuram identificar o nível de “compromisso” do leitor.  

O ponto a que se pretende chegar é o de uma relação mais próxima com os utentes, que permita uma aproximação ao seu nível de “lealdade”. As ferramentas tradicionais continuam a ter importância, mas agora, em vez de se concentrarem no número de visitas, nos clicks e nos likes, “os editores estão a fixar-se no tempo que o leitor gasta no site, bem como na frequência dessas visitas”.

 

O texto que citamos anuncia o painel online que se vai realizar a 18 de Abril, patrocinado pela Content Insights e colocando os jornalistas e editores interessados neste tema dos novos “indicadores de participação” em contacto com os consultores da MediaShift, WhereBy.Us e Dallas Morning News

O mesmo artigo refere várias ferramentas, como as usadas pela Vox Media, ou a Facebook Group Insights, que fazem análise web “para medir e aumentar a lealdade do leitor” ou chegar a “entender profundamente as necessidades, preferências e hábitos da sua audiência”, examinando o seu nível de “compromisso” post-by-post

Este tipo de insistência na captura da atenção e do tempo de presença do leitor acaba por ter efeitos, necessariamente, sobre os ritmos de trabalho dos jornalistas, como descreve o texto com o exemplo do jornal The New Tropic, de Miami. Foram oferecidas a dez membros da população local visitas guiadas ao Museu de Ciências, o que “permitiu aos repórteres darem-se conta de quais eram os interesses destas pessoas”. (...) 

Também os responsáveis pelo boletim local do WhereBy.Us medem o compromisso analisando o trabalho dos seus jornalistas. “Juntamente com as métricas tradicionais, como o tamanho da lista e a taxa de abertura, têm em conta a quantidade de respostas às chamadas e a assistência a eventos.”

 

 

Mais informação em Media-tics e sobre o painel online

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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