Segunda-feira, 10 de Dezembro, 2018
Estudo

Compromisso e lealdade dos leitores são a nova "métrica" dos Media

É um facto que a corrida pelas audiências, nos jornais online, levou a dar mais importância à quantidade do que à qualidade.
Os próprios anunciantes acabaram por compreender que tinham mais interesse em abordar um público “comprometido”, com gostos concretos, do que um número muito grande de utentes que até podem ser tráfego fictício. “Fica para trás o tempo em que o êxito de um jornal se media pela quantidade de tráfego que registava, e os utentes que visitavam o site eram autênticos desconhecidos.” É esta a reflexão inicial de um artigo em Media-tics, sobre as novas métricas que procuram identificar o nível de “compromisso” do leitor.  

O ponto a que se pretende chegar é o de uma relação mais próxima com os utentes, que permita uma aproximação ao seu nível de “lealdade”. As ferramentas tradicionais continuam a ter importância, mas agora, em vez de se concentrarem no número de visitas, nos clicks e nos likes, “os editores estão a fixar-se no tempo que o leitor gasta no site, bem como na frequência dessas visitas”.

 

O texto que citamos anuncia o painel online que se vai realizar a 18 de Abril, patrocinado pela Content Insights e colocando os jornalistas e editores interessados neste tema dos novos “indicadores de participação” em contacto com os consultores da MediaShift, WhereBy.Us e Dallas Morning News

O mesmo artigo refere várias ferramentas, como as usadas pela Vox Media, ou a Facebook Group Insights, que fazem análise web “para medir e aumentar a lealdade do leitor” ou chegar a “entender profundamente as necessidades, preferências e hábitos da sua audiência”, examinando o seu nível de “compromisso” post-by-post

Este tipo de insistência na captura da atenção e do tempo de presença do leitor acaba por ter efeitos, necessariamente, sobre os ritmos de trabalho dos jornalistas, como descreve o texto com o exemplo do jornal The New Tropic, de Miami. Foram oferecidas a dez membros da população local visitas guiadas ao Museu de Ciências, o que “permitiu aos repórteres darem-se conta de quais eram os interesses destas pessoas”. (...) 

Também os responsáveis pelo boletim local do WhereBy.Us medem o compromisso analisando o trabalho dos seus jornalistas. “Juntamente com as métricas tradicionais, como o tamanho da lista e a taxa de abertura, têm em conta a quantidade de respostas às chamadas e a assistência a eventos.”

 

 

Mais informação em Media-tics e sobre o painel online

Connosco
O fascínio pelas imagens de motins como nova cultura dos Media Ver galeria

Um pequeno video das manifestações em Paris, feito na manhã de 2 de Dezembro e colocado no Twitter, mostra umas dezenas de indivíduos de capuz, a correr na rua, com um fogo em segundo plano. Uma legenda diz que os desordeiros [casseurs, no original] põem a polícia em fuga. Três horas depois de ser publicada, a sequência já teve 45 mil visualizações. À tarde, o contador regista 145 mil e no dia seguinte o dobro, sem contar com a sua reprodução nos media. No YouTube, no Reddit e outros meios semelhantes, estes vídeos chegam facilmente aos milhões.

“Este fascínio pelas imagens de motins  - ou de revolta, segundo o ponto de vista -  é agora chamado riot porn  - designando o prazer (um pouco culpado) de ver ou partilhar um certo tipo de imagens, como o food porn, de pratos de comida, ou o sky porn para imagens do céu e de cenas de pôr-de-sol.”

A reflexão é de Emilie Tôn, em L’Express, num trabalho que aborda o voyeurisme da violência nas ruas, em que todos podemos ser protagonistas, mesmo que involuntários, espectadores ou realizadores de documentário, com um telemóvel na mão.

A “missão impossível” dos repórteres árabes de investigação Ver galeria

A auto-confiança com que actuaram os executores de Jamal Khashoggi tem várias razões, e uma delas tem a ver connosco, jornalistas. Quando chegou, finalmente, a admissão do crime, jornalistas por todo o mundo árabe vieram em defesa de Riade. “Eles não sabiam nada  - mas escreveram o que lhes foi dito que escrevessem. E de cada vez que mudava a versão oficial, eles mudavam a sua para se ajustar, sem embaraço ou hesitação.”

“E não estavam sozinhos. Os sauditas tinham uma segunda linha de defesa: um grupo menor, mas não menos influente, de jornalistas do Ocidente, que tinham passado mais de um ano a contar a história de uma Arábia Saudita reformista, acabada de retocar, de ventos de mudança soprando no deserto, com as suas visões e ambições comoventes louvadas por todo o mundo.”

A reflexão é da jornalista jordana Rana Sabbagh, que está à frente da Rede de Jornalismo de Investigação Árabe (membro da Global Investigative Journalism Network) e foi a primeira mulher árabe a dirigir um jornal político no Médio Oriente, o Jordan Times.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
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