Quinta-feira, 13 de Dezembro, 2018
Media

Ser mulher, "Jornalista do mês" e viver em Cachemira

Cachemira é um território disputado entre a Índia e o Paquistão, e Raihana Maqbool, que foi nomeada a “Jornalista do mês” pela IJNet – International Journalists’ Network, descreve as difíceis condições de trabalho que ali são frequentes. Residindo no sector de administração Indiana da Cachemira, conta que, desde que aconteça qualquer coisa como alguém ser morto, ou haver actividade de militantes, a Internet é imediatamente encerrada. Nesse caso, Raihana não pode enviar uma mensagem aos seus editores no Global Press Journal, não pode mandar um artigo, não pode contactar as suas fontes. Em 2016, a Internet chegou a estar bloqueada durante vários meses.

Raihana Maqbool estudou Jornalismo e produção multimédia e tirou depois um mestrado em Jornalismo e Comunicação de Massas. Trabalhou em The Better India, na Radio Kashmir e no Hindustan Times antes de se tornar colaboradora regular do Global Press Journal

Entrevistada pela IJNet, começa por declarar que não se encontram ali muitos jornalistas: 

“Somos muito poucos. E os que trabalham, por vezes acabam por deixar este emprego. Se estivermos a trabalhar para os jornais locais, o salário é muito pequeno. As mulheres ficam desanimadas, porque ganham menos do que os homens. De modo que saem.” (...) 

Sempre que acontece um conflito, as pessoas aparecem e perguntam: “O que está aqui a fazer?” 

“Tornam-se muito protectoras, mas aquilo que não compreendem é que eu estou apenas a fazer o meu trabalho. Sempre que há máquinas fotográficas  - desde que ouçam um click -  as pessoas rodeiam-nos e perguntam: ‘O que está a fazer?’ Isso acontece habitualmente com mulheres jornalistas na Cachemira.” 

Respondendo à pergunta sobre alguma reportagem que a tenha marcado mais, Raihana lembra-se de uma barragem cuja construção está planeada para uma área remota da Cachemira, o distrito de Kishtar. 

“É uma história que me toca muito, porque a barragem que vai ser construída vai deslocar as pessoas de lá. Não é só uma pequena aldeia, são muitas pequenas aldeias nesta área, que vão ser desalojadas. E as pessoas são pobres, não podem ir para outro lugar ou construir casas.” 

Sobre que conselho daria a jovens que queiram ser jornalistas, diz que o mais importante é ter “paixão” por este trabalho: 

“Eu diria aos jovens que se querem tornar jornalistas que comecem cedo. Façam estágios, comecem a escrever, comecem a fotografar  - comecem cedo para ganharem experiência. E claro, paixão é aquilo que nos faz andar.” (...)

 

A hitsória de Raihana Maqbool, na International Journalists’ Network e a sua coluna no Global Press Journal

Connosco
Redes sociais destronam jornais como fonte de informação nos EUA Ver galeria

A fronteira foi passada para o lado das redes sociais. Segundo os dados mais recentes do Pew Research Center, 20% dos leitores dos EUA procuram agora, “regularmente”, informação nas redes sociais, e só 16% nos jornais impressos. Os números estavam equilibrados em 2017 e, no ano anterior, os 20% continuavam do lado dos jornais em papel, com 18% nas redes sociais.

As causas são conhecidas. A Imprensa norte-americana não está de boa saúde, e o fecho sucessivo de diários e semanários locais, nos últimos anos, criou autênticos “desertos mediáticos” em vários territórios. Por seu lado, os grandes jornais reforçaram a sua componente digital, o que também se sente no estudo aqui citado: 33% dos leitores visitam regularmente esses sites, quando eram 28% em 2016.

A televisão continua, com quase metade do universo consultado (49%), a ocupar o primeiro lugar entre os meios de informação nos Estados Unidos. As estações locais são as mais procuradas (37%), à frente das redes por cabo (30%) e dos noticiários das grandes cadeias nacionais (25%).

Porque querem os milionários comprar jornais em vez de canais de TV Ver galeria

Por que motivo é que alguns milionários que fizeram as maiores fortunas do mundo se põem a comprar jornais e revistas à beira da falência e sem modelo de negócio rentável? Por que não compram antes canais de televisão, que têm melhor saúde financeira? A pergunta é do jornalista Miguel Ángel Ossorio Vega, que apresenta meia dúzia de exemplos recentes, com Jeff Bezos à cabeça: em 2013, o fundador e proprietário da Amazon pagou 190 milhões de dólares por The Washington Post, um jornal em papel.

A moda pegou e seguiram-se outros: Marc Benioff, fundador da Salesforce, comprou a revista Time; Craig Newmark, fundador da Craiglist, tem doado grandes somas a várias iniciativas na área do jornalismo, entre elas a ProPublica e o Poynter Institute, bem como à Escola de Jornalismo da Universidade de Nova Iorque; Patrick Soon-Shiong comprou Los Angeles Times.

O autor desta reflexão lembra que os meios tradicionais continuam a ser mais influentes do que os digitais, salvo honrosas excepções, e segue esta pista citando as três componentes da estratificação social, de Max Weber, que expõe as diferenças entre os conceitos de riqueza, prestígio e poder.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
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