Quarta-feira, 26 de Junho, 2019
Media

Ser mulher, "Jornalista do mês" e viver em Cachemira

Cachemira é um território disputado entre a Índia e o Paquistão, e Raihana Maqbool, que foi nomeada a “Jornalista do mês” pela IJNet – International Journalists’ Network, descreve as difíceis condições de trabalho que ali são frequentes. Residindo no sector de administração Indiana da Cachemira, conta que, desde que aconteça qualquer coisa como alguém ser morto, ou haver actividade de militantes, a Internet é imediatamente encerrada. Nesse caso, Raihana não pode enviar uma mensagem aos seus editores no Global Press Journal, não pode mandar um artigo, não pode contactar as suas fontes. Em 2016, a Internet chegou a estar bloqueada durante vários meses.

Raihana Maqbool estudou Jornalismo e produção multimédia e tirou depois um mestrado em Jornalismo e Comunicação de Massas. Trabalhou em The Better India, na Radio Kashmir e no Hindustan Times antes de se tornar colaboradora regular do Global Press Journal

Entrevistada pela IJNet, começa por declarar que não se encontram ali muitos jornalistas: 

“Somos muito poucos. E os que trabalham, por vezes acabam por deixar este emprego. Se estivermos a trabalhar para os jornais locais, o salário é muito pequeno. As mulheres ficam desanimadas, porque ganham menos do que os homens. De modo que saem.” (...) 

Sempre que acontece um conflito, as pessoas aparecem e perguntam: “O que está aqui a fazer?” 

“Tornam-se muito protectoras, mas aquilo que não compreendem é que eu estou apenas a fazer o meu trabalho. Sempre que há máquinas fotográficas  - desde que ouçam um click -  as pessoas rodeiam-nos e perguntam: ‘O que está a fazer?’ Isso acontece habitualmente com mulheres jornalistas na Cachemira.” 

Respondendo à pergunta sobre alguma reportagem que a tenha marcado mais, Raihana lembra-se de uma barragem cuja construção está planeada para uma área remota da Cachemira, o distrito de Kishtar. 

“É uma história que me toca muito, porque a barragem que vai ser construída vai deslocar as pessoas de lá. Não é só uma pequena aldeia, são muitas pequenas aldeias nesta área, que vão ser desalojadas. E as pessoas são pobres, não podem ir para outro lugar ou construir casas.” 

Sobre que conselho daria a jovens que queiram ser jornalistas, diz que o mais importante é ter “paixão” por este trabalho: 

“Eu diria aos jovens que se querem tornar jornalistas que comecem cedo. Façam estágios, comecem a escrever, comecem a fotografar  - comecem cedo para ganharem experiência. E claro, paixão é aquilo que nos faz andar.” (...)

 

A hitsória de Raihana Maqbool, na International Journalists’ Network e a sua coluna no Global Press Journal

Connosco
"Metástases" da desinformação espalham-se pelo mundo Ver galeria

O alastrar da desinformação, potenciado pelas capacidades de contágio “viral” da revolução tecnológica, teve um impacto transformador sobre o jornalismo. Nos Estados Unidos, um dos primeiros factos surpreendentes com que os jornalistas tiveram de lidar, logo após a eleição de Donald Trump, foi a noção de que hackers russos, em “fábricas” de conteúdos, podiam semear desordem no eleitorado americano e desacreditar o jornalismo autêntico.

“Por vezes, os leitores encontravam notícias verdadeiras que Trump procurava desacreditar porque não gostava do modo como o faziam parecer;  outras vezes encontravam a deformação intencional da informação para distorcer a verdade;  em muitas ocasiões, o que encontravam era apenas completo absurdo.”  
E deixou de ser um problema local. As “metástases” da desinformação espalham-se pelo mundo e o jornalismo é arrastado para o caos:

“Vimos isso na Birmânia e no Brasil, no Sri Lanka e na Nova Zelândia, por vezes em campanhas orquestradas que trazem a dedada de agentes estatais, por vezes em manifestos individuais de mentes perturbadas. O resultado é sempre o mesmo: relatos falsos envenenam as plataformas que abrigam o verdadeiro jornalismo. Ninguém na Imprensa está a salvo de ver o seu trabalho, sério e diligente, exposto na enxurrada.”
A reflexão é de Kyle Pope, director da Columbia Journalism Review, em “Todo o jornalismo é global”.

O pesadelo dos jornalistas filipinos perseguidos pelo regime Ver galeria

A luta pela liberdade de Imprensa pode ser uma guerra de resistência entre os carcereiros e os candidatos a presos  - que são todos os jornalistas que tenham a coragem de o ser. Num dos mais recentes episódios em que foi detida, em Fevereiro de 2019, a jornalista filipina Maria Ressa, fundadora do site Rappler, comentou ironicamente à saída do tribunal:

“Esta é a sexta vez que pago fiança, e vou pagar mais do que criminosos condenados. Vou pagar mais do que Imelda Marcos.”

Como conta no artigo “Alvos de Duterte”, que aqui citamos, o Presidente das Filipinas, que “foi o primeiro político do meu país a usar as redes sociais para ganhar umas eleições, conduz uma campanha incansável de desinformação (trolling patriótico) para reduzir os críticos ao silêncio”:

“O seu governo vomita mentiras a tal velocidade que o público já não consegue saber o que é realidade. Mesmo os seus próprios membros ficam confusos.”

“Desde Junho de 2016, quando Rodrigo Duterte se tornou Presidente, houve cerca de 27 mil assassínios decorrentes da sua ‘guerra contra a droga’. Este número vem das Nações Unidas, mas não foi muito divulgado. A polícia mantém a sua própria contagem menor, pressionando os órgãos de informação a publicá-la.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


ver mais >
Opinião
Sejam de direita ou de esquerda, há uma verdadeira inflação de políticos no activo - ou supostamente retirados - ,  “vestidos” de comentadores residentes nas televisões, com farto proveito. Alguns deles acumulam mesmo os “plateaux” com os microfones  da rádio ou as colunas de jornais, demonstrando  uma invejável capacidade de desdobramento. O objectivo comum a todos é, naturalmente,  pastorearem...
Ao longo do último ano os jornais britânicos The Times e The Sunday Times têm desenvolvido esforços consideráveis para conseguir manter os assinantes digitais que foram angariando ao longo do tempo. A renovação das assinaturas digitais é uma das crónicas dores de cabeça que os editores de publicações enfrentam, tanto mais que estudos recentes comprovam que uma sólida base de assinantes e leitores...
“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
Lançar notícias falsas sobre adversários políticos ou outros existe há séculos. Mas a internet deu às mentiras uma capacidade de difusão nunca antes vista.  Divulgar no espaço público notícias falsas (“fake news”) é hoje um problema que, com razão, preocupa muita gente. Mas não se pode considerar que este seja um problema novo. Claro que a internet e as redes sociais proporcionam...
Agenda
02
Jul
The Children’s Media Conference
16:00 @ Sheffield,Reino Unido
21
Ago
Edinburgh TV Festival
09:00 @ Edinburgo, Escócia
27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigeria