Segunda-feira, 20 de Janeiro, 2020
Media

Jornal alemão em modelo cooperativo financiado pelos leitores

Um jornal que é propriedade dos seus leitores. Uma cooperativa que é propriedade dos seus utentes. Uma empresa social que é lucrativa. Uma sociedade cujos membros não recolhem dividendos financeiros das respectivas “acções”, antes os reinvestem no fundo de pensões ou em material novo para a redacção do jornal. Acham que isto funciona? Parece que sim, e é na Alemanha. O jornal tem por título Tageszeitung e a sede em Berlim. A cooperativa começou em 1992 e o diário já fez, naturalmente, a sua evolução para o digital.

“O Taz [abreviatura do título] é propriedade dos seus leitores”  - diz Konny Gellenbeck, que dirige a cooperativa. “Com qualquer outro modelo de negócio não teria sido possível assegurarmos o nosso futuro a longo prazo. Propriedade é o fundamento da nossa cooperativa.” 

O jornal tem mais de dez mil apoiantes que fazem doações regulares para financiar o seu funcionamento; 50 mil assinantes das suas edições impressa e digital; e mais de 17 mil leitores-proprietários que pagam um mínimo de 500 euros só para aderirem à cooperativa Taz. 

“Na altura da sua fundação, o principal objectivo da cooperativa era providenciar uma fonte de notícias alternativa  - com uma perspectiva mais social -  e torná-la amplamente acessível. O objectivo mantém-se o mesmo, apesar de todos os caminhos pelos quais evoluíram os media ao longo destes 25 anos, incluindo a passagem ao digital.” (...) 

“Todos os conteúdos publicados no site do Taz, ou por meio das redes sociais, são de livre acesso. Mas é pedido aos leitores que façam doações voluntárias de acordo com as suas posses. O Taz pede aos leitores que se apoiem uns aos outros, sugerindo que aqueles que podem pagar mais procedam assim, de modo a manter os conteúdos do Taz acessíveis a pessoas de todos os níveis de rendimento.” 

À medida que crescia o número dos contribuintes digitais, os editores compreenderam que precisavam de um sistema de pagamento que incluísse os assinantes digitais. Em 2016, o Google Digital News Initiative Fund atribuíu um fundo ao Taz e à Sourcefabric (desenvolvimento de software para meios de comunicação) para criar um portal de pagamento em open-source, que proporcionasse esta capacidade, continuando a ser de fácil utilização por parte dos leitores. O plano permite uma variedade de modos de pagamento, incluindo débitos directos, pagamentos pelo telemóvel e até por bitcoin

“Que outras lições podem os meios independentes tirar do êxito do Taz com este modo de pagamento à vontade, em vez de com pay-walls? A responsável pelas mudanças digitais, Aline Lüllmann, diz que o foco assenta na relação com os leitores.”

“É uma coisa muito emotiva” – diz. “Mesmo quando as pessoas cancelam a assinatura, telefonam para nós ou escrevem-nos cartas amarguradas.” (...) 

“Mais importante do que vender reportagens ou assinaturas é construir um sentido de valores comuns em torno do modelo de jornalismo independente do Taz.” 

 

O artigo original, que aqui citamos da Global Investigative Journalism Network

Connosco
Novas ferramentas para gerir os "media online" Ver galeria

O Instituto Internacional de Imprensa (IPI) divulgou uma nova ferramenta para moderadores online dos media lidarem com situações de abuso que ocorrem nas redes sociais. 

As ferramentas e estratégias para gerir os debates no Facebook e no Twitter fazem parte da plataforma do IPI Newsrooms Ontheline, que reúne várias sugestões sobre como combater o assédio online contra jornalistas.

O objectivo é explicar de que forma os moderadores podem gerir as redes sociais e como devem aplicar essas ferramentas, bem como as opções disponíveis pelas próprias plataformas das redes, de forma a conseguirem dar resposta ao abuso online e às ameaças contra os media e jornalistas individuais.
As medidas definidas são o resultado de várias entrevistas com peritos em audiências dos principais media da Europa. Devido à constante evolução, estas estratégias estão sujeitas a revisão e actualização constantes.

A maioria dos peritos, consultados pela IPI, salienta que existem várias ferramentas que podem ser utilizadas para a moderação de mensagens abusivas no Twitter, entre as quais o muting e o bloqueio. 

Em relação ao Facebook, os moderadores podem apagar os comentários, esconder comentários com conteúdo abusivo, banir um utilizador das páginas do medium, remover o utilizador de uma página, desactivar os comentários, bloquear determinadas palavras ou, ainda, reportar uma página ou um post.

Crise gera em Espanha modelos jornalísticos inovadores Ver galeria

A indústria do jornalismo em Espanha está em crise há mais de uma década. O colapso do crescimento económico afectou todas as áreas. Os fabricantes reduziram orçamentos de publicidade, o desemprego reduziu o poder de compra das famílias, que, por sua vez,  diminuíram as suas despesas, incluindo as dos meios de comunicação social.
O autor analisa os novos modelos de projetos que procuram responder aos desafios informativos actuais,  com apostas diferentes dos convencionais, baseados na verificação informativa, no uso dos mecanismos de transparência, na contextualização informativa, no jornalismo de dados ou na visualização.

Os meios de comunicação social também reduziram as suas despesas, entre 2005 e 2008, pelo menos 12 200 empregos foram suprimidos, segundo dados do Relatório da Profissão Jornalística de 2015. E em 2018, o investimento em publicidade ainda era 30% inferior ao de 2008.

O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


ver mais >
Opinião
Apoiar a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral
O Presidente da República voltou a falar na necessidade de o Estado tomar medidas de apoio à comunicação social. Marcelo Rebelo de Sousa discursava na apresentação de um programa do “Público” para dar a estudantes universitários acesso gratuito a assinaturas daquele jornal, com o apoio de entidades privadas que pagam metade dos custos envolvidos. O Presidente entende, e bem, que o Estado tem responsabilidades neste campo e...
A “tabloidizacão” dos media portugueses parece imparável, com as televisões na dianteira, privadas e pública, sejam os canais generalistas ou temáticos. A obsessão pelos “casos” que puxem ao drama, ao pasmo ou à lágrima, tomou conta dos telejornais e da Imprensa. A frenética disputa das audiências nas TVs e a queda continuada das vendas nos jornais são, normalmente, apontadas...
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...