Quarta-feira, 23 de Outubro, 2019
Media

Jornal alemão em modelo cooperativo financiado pelos leitores

Um jornal que é propriedade dos seus leitores. Uma cooperativa que é propriedade dos seus utentes. Uma empresa social que é lucrativa. Uma sociedade cujos membros não recolhem dividendos financeiros das respectivas “acções”, antes os reinvestem no fundo de pensões ou em material novo para a redacção do jornal. Acham que isto funciona? Parece que sim, e é na Alemanha. O jornal tem por título Tageszeitung e a sede em Berlim. A cooperativa começou em 1992 e o diário já fez, naturalmente, a sua evolução para o digital.

“O Taz [abreviatura do título] é propriedade dos seus leitores”  - diz Konny Gellenbeck, que dirige a cooperativa. “Com qualquer outro modelo de negócio não teria sido possível assegurarmos o nosso futuro a longo prazo. Propriedade é o fundamento da nossa cooperativa.” 

O jornal tem mais de dez mil apoiantes que fazem doações regulares para financiar o seu funcionamento; 50 mil assinantes das suas edições impressa e digital; e mais de 17 mil leitores-proprietários que pagam um mínimo de 500 euros só para aderirem à cooperativa Taz. 

“Na altura da sua fundação, o principal objectivo da cooperativa era providenciar uma fonte de notícias alternativa  - com uma perspectiva mais social -  e torná-la amplamente acessível. O objectivo mantém-se o mesmo, apesar de todos os caminhos pelos quais evoluíram os media ao longo destes 25 anos, incluindo a passagem ao digital.” (...) 

“Todos os conteúdos publicados no site do Taz, ou por meio das redes sociais, são de livre acesso. Mas é pedido aos leitores que façam doações voluntárias de acordo com as suas posses. O Taz pede aos leitores que se apoiem uns aos outros, sugerindo que aqueles que podem pagar mais procedam assim, de modo a manter os conteúdos do Taz acessíveis a pessoas de todos os níveis de rendimento.” 

À medida que crescia o número dos contribuintes digitais, os editores compreenderam que precisavam de um sistema de pagamento que incluísse os assinantes digitais. Em 2016, o Google Digital News Initiative Fund atribuíu um fundo ao Taz e à Sourcefabric (desenvolvimento de software para meios de comunicação) para criar um portal de pagamento em open-source, que proporcionasse esta capacidade, continuando a ser de fácil utilização por parte dos leitores. O plano permite uma variedade de modos de pagamento, incluindo débitos directos, pagamentos pelo telemóvel e até por bitcoin

“Que outras lições podem os meios independentes tirar do êxito do Taz com este modo de pagamento à vontade, em vez de com pay-walls? A responsável pelas mudanças digitais, Aline Lüllmann, diz que o foco assenta na relação com os leitores.”

“É uma coisa muito emotiva” – diz. “Mesmo quando as pessoas cancelam a assinatura, telefonam para nós ou escrevem-nos cartas amarguradas.” (...) 

“Mais importante do que vender reportagens ou assinaturas é construir um sentido de valores comuns em torno do modelo de jornalismo independente do Taz.” 

 

O artigo original, que aqui citamos da Global Investigative Journalism Network

Connosco
Jornalistas deverão estar prevenidos para identificar e corrigir notícias falsas... Ver galeria

Existem várias lacunas na pesquisa de desinformação política e os debates contínuos sobre o que constitui as fake news e a sua classificação acabam por ser uma distracção, desviando as atenções das “questões críticas” relacionadas com o problema.

É importante reconhecer que as fake news existem, que estamos expostos a essas falsas informações, mas, se quisermos combatê-las, é indispensável procurar a sua origem, a sua forma de disseminação e analisar as consequências sociais e políticas.

É, ainda, imprescindível que os jornalistas estejam preparados e informados para não colaborarem na propagação deste tipo de informação.

Por vezes, o objectivo que se esconde em algumas fake news é que os media acabem por disseminá-las, acelerando a sua difusão. Por esse motivo, foi identificado o chamado “ponto de inflexão”, que representa o momento em que a história deixa de ser partilhada exclusivamente em “nichos” e acaba por atingir uma dimensão maior, alcançando várias comunidades. 

A jornalista Laura Hazard Owen abordou o tema num texto publicado no NiemanLab, no qual também faz referências à melhor forma de reconhecer os de conteúdos manipulados.

Suspensão de acordo do “Brexit” dividiu a imprensa britânica Ver galeria

Suspensa a aprovação do acordo no Parlamento britânico até que haja a regulamentação apropriada, a imprensa londrina apresentou-se dividida em relação ao Brexit.

Por um lado, a esperança de evitar um “não acordo” e uma saída abrupta, por outro a exaltação em relação à votação. 

Os media ingleses evidenciaram posições antagónicas em relação aos últimos acontecimentos e isso foi claro pela forma como abordaram a situação. 

Enquanto que o Sunday Express assumiu uma postura pró-Brexit e foi mais hostil com os deputados, acusando-os de atrasarem o processo, o Independent preferiu focar-se nas ruas, onde perto de um milhão de cidadãos se manifestaram para exigir que lhes seja dada a palavra final. Por sua vez, o Observer realçou a derrota do primeiro ministro, que se viu forçado a suspender a aprovação do acordo.

Le Monde publicou, entretanto, um texto no qual é feita uma análise dos media britânicos neste contexto.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
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Fotojornalismo e Direitos de Autor
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