Quinta-feira, 21 de Junho, 2018
Media

Jornal alemão em modelo cooperativo financiado pelos leitores

Um jornal que é propriedade dos seus leitores. Uma cooperativa que é propriedade dos seus utentes. Uma empresa social que é lucrativa. Uma sociedade cujos membros não recolhem dividendos financeiros das respectivas “acções”, antes os reinvestem no fundo de pensões ou em material novo para a redacção do jornal. Acham que isto funciona? Parece que sim, e é na Alemanha. O jornal tem por título Tageszeitung e a sede em Berlim. A cooperativa começou em 1992 e o diário já fez, naturalmente, a sua evolução para o digital.

“O Taz [abreviatura do título] é propriedade dos seus leitores”  - diz Konny Gellenbeck, que dirige a cooperativa. “Com qualquer outro modelo de negócio não teria sido possível assegurarmos o nosso futuro a longo prazo. Propriedade é o fundamento da nossa cooperativa.” 

O jornal tem mais de dez mil apoiantes que fazem doações regulares para financiar o seu funcionamento; 50 mil assinantes das suas edições impressa e digital; e mais de 17 mil leitores-proprietários que pagam um mínimo de 500 euros só para aderirem à cooperativa Taz. 

“Na altura da sua fundação, o principal objectivo da cooperativa era providenciar uma fonte de notícias alternativa  - com uma perspectiva mais social -  e torná-la amplamente acessível. O objectivo mantém-se o mesmo, apesar de todos os caminhos pelos quais evoluíram os media ao longo destes 25 anos, incluindo a passagem ao digital.” (...) 

“Todos os conteúdos publicados no site do Taz, ou por meio das redes sociais, são de livre acesso. Mas é pedido aos leitores que façam doações voluntárias de acordo com as suas posses. O Taz pede aos leitores que se apoiem uns aos outros, sugerindo que aqueles que podem pagar mais procedam assim, de modo a manter os conteúdos do Taz acessíveis a pessoas de todos os níveis de rendimento.” 

À medida que crescia o número dos contribuintes digitais, os editores compreenderam que precisavam de um sistema de pagamento que incluísse os assinantes digitais. Em 2016, o Google Digital News Initiative Fund atribuíu um fundo ao Taz e à Sourcefabric (desenvolvimento de software para meios de comunicação) para criar um portal de pagamento em open-source, que proporcionasse esta capacidade, continuando a ser de fácil utilização por parte dos leitores. O plano permite uma variedade de modos de pagamento, incluindo débitos directos, pagamentos pelo telemóvel e até por bitcoin

“Que outras lições podem os meios independentes tirar do êxito do Taz com este modo de pagamento à vontade, em vez de com pay-walls? A responsável pelas mudanças digitais, Aline Lüllmann, diz que o foco assenta na relação com os leitores.”

“É uma coisa muito emotiva” – diz. “Mesmo quando as pessoas cancelam a assinatura, telefonam para nós ou escrevem-nos cartas amarguradas.” (...) 

“Mais importante do que vender reportagens ou assinaturas é construir um sentido de valores comuns em torno do modelo de jornalismo independente do Taz.” 

 

O artigo original, que aqui citamos da Global Investigative Journalism Network

Connosco
Historiadora Bettany Hughes distinguida com Prémio Europeu Helena Vaz da Silva 2018 Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, também editora e apresentadora de programas de televisão e rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018, segundo foi anunciado pelo respectivo júri. A escolha “tem por objectivo homenagear a personalidade excepcional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante”, tendo ainda em conta a necessidade “vital de construir uma visão da nossa identidade multifacetada”, numa era de nacionalismos e populismos, como se lê na declaração agora divulgada. A cerimónia de entrega do Prémio realiza-se no dia 15 de Novembro deste ano na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Abecedário para combater vulnerabilidade à desinformação Ver galeria

A facilidade com que se propaga a desinformação nas redes sociais tem vindo a ser objecto de estudo, para identificar as suas causas e propor um antídoto eficaz. O simples facto de os conteúdos de fraca qualidade se espalharem tão depressa sugere que, tanto as pessoas como os algoritmos na estrutura das plataformas, são vulneráveis à manipulação. Dois investigadores na Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, procuraram identificar três tipos dominantes de preconceito, ou tendenciosismo, e os seus espaços de actuação, para desenvolverem depois as ferramentas tecnológicas indicadas para tornar as pessoas conscientes desses perigos e agirem em conformidade. 

O Clube
O CPI – Clube Português de Imprensa voltou a participar no Prémio  Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018,  instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura,  em cooperação com a Europa Nostra, a principal organização europeia de defesa do património,  que o CNC representa em Portugal.   O Prémio foi atribuído, este ano,  à...

ver mais >
Opinião
Ao ler no centenário “Diário de Noticias” a noticia da extinção formal da sua edição em papel, de Segunda–Feira a Sábado , a partir de Julho, fica a saber-se que o seu actual director, o  jornalista Ferreira Fernandes, entrou em “oito cafés(…) a caminho do cinema S. Jorge onde decorreu a apresentação do novo jornal” e só “contou três pessoas a ler o jornal em...
O optimismo de Centeno
Luís Queirós
"A economia da zona Euro cresce há 20 trimestres consecutivos", disse Mário Centeno no Grémio Literário, na palestra, proferida no passado dia 22 de Maio passado, integrada no ciclo que ali decorre subordinado ao tema  "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções", uma iniciativa do Clube de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e com o Grémio Literário. O Ministro das Finanças de Portugal e presidente do...
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
Jornalistas assassinados na UE
Francisco Sarsfield Cabral
A 3 de Maio celebra-se o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. A ideia de uma organização, patrocinada pela Unesco, para defender a liberdade de informação partiu de um grupo de jornalistas independentes em 1976.O encontro deste ano, no Ghana, dará especial atenção à independência do sistema judicial e à importância de assegurar que serão legalmente investigados e condenados crimes contra jornalistas. Foi,...
Para Joana Marques Vidal, todo o seu mérito se resume a “ter impresso a uma pesada máquina em movimento um novo funcionamento”, mais “eficaz, mais oleado, mais interdependente entre as várias equipas especializadas, e mais responsabilizado e onde deixa transparecer uma grande proximidade entre a hierarquia e as várias instâncias envolvidas. Joana Marques Vidal nunca recebeu telefonemas de Rui Rio, ao contrário do seu antecessor. Mas...
Agenda
25
Jun
Oficina de Reportagem
09:00 @ Cenjor,Lisboa
25
Jun
Women in Industry Forum
09:00 @ San Diego,EUA
26
Jun
VI Congresso Internacional da AE-IC “Comunicação e Conhecimento”.
09:00 @ Universidade de Salamanca, Salamanca, Espanha
26
Jun
BroadcastAsia
09:00 @ Suntec,Singapura
02
Jul