Terça-feira, 23 de Outubro, 2018
Media

Jornal alemão em modelo cooperativo financiado pelos leitores

Um jornal que é propriedade dos seus leitores. Uma cooperativa que é propriedade dos seus utentes. Uma empresa social que é lucrativa. Uma sociedade cujos membros não recolhem dividendos financeiros das respectivas “acções”, antes os reinvestem no fundo de pensões ou em material novo para a redacção do jornal. Acham que isto funciona? Parece que sim, e é na Alemanha. O jornal tem por título Tageszeitung e a sede em Berlim. A cooperativa começou em 1992 e o diário já fez, naturalmente, a sua evolução para o digital.

“O Taz [abreviatura do título] é propriedade dos seus leitores”  - diz Konny Gellenbeck, que dirige a cooperativa. “Com qualquer outro modelo de negócio não teria sido possível assegurarmos o nosso futuro a longo prazo. Propriedade é o fundamento da nossa cooperativa.” 

O jornal tem mais de dez mil apoiantes que fazem doações regulares para financiar o seu funcionamento; 50 mil assinantes das suas edições impressa e digital; e mais de 17 mil leitores-proprietários que pagam um mínimo de 500 euros só para aderirem à cooperativa Taz. 

“Na altura da sua fundação, o principal objectivo da cooperativa era providenciar uma fonte de notícias alternativa  - com uma perspectiva mais social -  e torná-la amplamente acessível. O objectivo mantém-se o mesmo, apesar de todos os caminhos pelos quais evoluíram os media ao longo destes 25 anos, incluindo a passagem ao digital.” (...) 

“Todos os conteúdos publicados no site do Taz, ou por meio das redes sociais, são de livre acesso. Mas é pedido aos leitores que façam doações voluntárias de acordo com as suas posses. O Taz pede aos leitores que se apoiem uns aos outros, sugerindo que aqueles que podem pagar mais procedam assim, de modo a manter os conteúdos do Taz acessíveis a pessoas de todos os níveis de rendimento.” 

À medida que crescia o número dos contribuintes digitais, os editores compreenderam que precisavam de um sistema de pagamento que incluísse os assinantes digitais. Em 2016, o Google Digital News Initiative Fund atribuíu um fundo ao Taz e à Sourcefabric (desenvolvimento de software para meios de comunicação) para criar um portal de pagamento em open-source, que proporcionasse esta capacidade, continuando a ser de fácil utilização por parte dos leitores. O plano permite uma variedade de modos de pagamento, incluindo débitos directos, pagamentos pelo telemóvel e até por bitcoin

“Que outras lições podem os meios independentes tirar do êxito do Taz com este modo de pagamento à vontade, em vez de com pay-walls? A responsável pelas mudanças digitais, Aline Lüllmann, diz que o foco assenta na relação com os leitores.”

“É uma coisa muito emotiva” – diz. “Mesmo quando as pessoas cancelam a assinatura, telefonam para nós ou escrevem-nos cartas amarguradas.” (...) 

“Mais importante do que vender reportagens ou assinaturas é construir um sentido de valores comuns em torno do modelo de jornalismo independente do Taz.” 

 

O artigo original, que aqui citamos da Global Investigative Journalism Network

Connosco
Jornalista e historiador de Macau vencem Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia Ver galeria

O Júri dos Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia, instituídos pelo Jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, escolheu, por unanimidade, na primeira categoria, o trabalho "Ler sem limites", da jornalista Catarina Brites Soares, publicado no semanário Plataforma, em Macau.

Na categoria Ensaio, atribuída este ano pela primeira vez, foi distinguido o original do historiador António Aresta, de Macau, intitulado "Miguel Torga: um poeta português em Macau".
A Acta do Júri destaca, no primeiro caso, que Catarina Brito Soares  consegue desenhar com o seu texto “uma panorâmica das leituras mais frequentes em Macau, com um levantamento de livros e autores que circulam livremente no território, incluindo alguns que, por diferentes razões, têm limites de acesso fora da RAEM”.
O semanário Plataforma Macau é publicado em Macau, em português e chinês. 

Na categoria Ensaio, o Júri deliberou, também por unanimidade, atribuir o Prémio ao trabalho de António Aresta, considerando tratar-se de “uma narrativa consequente sobre a visita histórica do grande poeta a Macau, com passagem por Cantão e Hong Kong”.

Universidades apoiam e investem no jornalismo de investigação Ver galeria

A sociedade necessita de um jornalismo de investigação que fica caro, e esta necessidade “chega num momento de grande tensão financeira para uma indústria maciçamente perturbada pelas novas tecnologias e alterações económicas”.

“Acreditamos que este tipo de jornalismo, em defesa do povo americano, é mais importante do que nunca na presente cacofonia de informação confusa, contraditória e enganadora, já para não falar de cepticismo  - ou por vezes rejeição absoluta -  dos factos.”

Esta reflexão é assinada por Christopher Callahan e Leonard Downie Jr., docentes na Universidade Estatal do Arizona, sobre a criação de dois centros de ensino de jornalismo de investigação, um na Universidade referida, outro na de Maryland. Tendo em conta a “proliferação de centros de reportagem de investigação independentes, sem objectivo de lucro, em grande parte financiados por [mecenato] filantrópico”, as universidades “estão prontas a assumir funções de liderança neste novo ecossistema de jornalismo de investigação”  - afirmam no seu texto.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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Na edição de 15 de Setembro o Expresso inseria como manchete, ao alto da primeira página, o seguinte titulo: “Acordo à vista para manter a PGR”. Como se viu, o semanário, habitualmente tido por bem informado, falhou redondamente.

Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

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