Sábado, 20 de Abril, 2019
Media

Governo turco exerce controlo completo sobre 90% dos Media

Confirma-se a aquisição, pelo milionário Erdogan Demirören  -  próximo do Presidente Recep Erdogan -  da holding Dogan, o maior grupo de Imprensa na Turquia e o único que ainda não estava sob a alçada do governo. A partir de agora, “90% dos media do país estão nas mãos do executivo”  - afirma a jornalista Ayrsenur Arslan, antiga colaboradora. O representante dos Repórteres sem Fronteiras na Turquia, Erol Önderoglu, define o que está a acontecer como “a morte do pluralismo e do jornalismo independente no seio da grande Imprensa na Turquia”.
“Na aproximação das eleições gerais de 2019, o poder do governo sobre os media é agora completo. Enquanto uma repressão sem precedentes se abate sobre a sociedade civil e a oposição, só resta um punhado de jornais de fraca tiragem para fazer ouvir algo que não seja a propaganda oficial”  - afirmou ainda Önderoglu. 

Segundo Le Monde, “no seguimento de negociações discretas, o grupo Demirören, presente na energia, na construção e no turismo, adquiriu por 1,1 biliões de dólares (890 milhões de euros) os diários Hürriyet, Posta e Fanatik, bem como a agência de Imprensa Dogan e as cadeias de televisão KanalD e CNN-Türk; de acordo com o site de informação T24, para consumar a aquisição, a holding de Demirören beneficiou de um crédito proveniente de um consórcio bancário, incluindo a empresa pública Ziraat Bank”.

 

Depois de ter dominado a cena mediática turca durante 40 anos, o milionário Aydin Dogan, fundador do grupo com o seu nome, despediu-se no dia 22 de Março. 

“Tenho 81 anos. Neste ponto decidi, por mim próprio, cessar a minha actividade nos media”  - declarou num discurso de adeus aos seus empregados. Ao insistir na natureza voluntária da venda, o magnata contava, visivelmente, silenciar os boatos segundo os quais teria finalmente cedido os seus activos por pressão do governo.”

 

Do outro lado, o Cumhüriyet, “um jornal de centro-esquerda, considerado de referência, viu o seu director e metade dos seus jornalistas serem presos e acusados ao abrigo do estado de emergência e de uma lei contra o terrorismo que a União Europeia e outras entidades dizem não cumprir os requisitos do Estado de direito”. 

“Juntamente com outros jornais de esquerda, como o Evrensel e o BirGun, não chegam a vender 45 mil exemplares diariamente”  - disse à Deutsche Welle Christian Mihr, também dos RSF

Segundo o Público, que aqui citamos, “após a venda, 21 dos 29 diários turcos serão controlados por empresas que apoiam Erdogan”. 

“O grupo Dogan foi multado em 2,5 mil milhões de dólares (2,03 mil milhões de euros) em 2009 por não ter pago impostos – algo que foi visto na altura como uma tentativa de forçar o grupo a calar críticas a Erdogan.” 

O seu proprietário, Aydin Dogan, “foi na altura obrigado a vender os jornais Milliyet e Vatan à Demirören – uma holding que tem como principais interesses a energia, a construção e o turismo. Os dois jornais tornaram-se fervorosos apoiantes de Erdogan depois de terem sido vendidos”.  

Mais informação em  The Guardian  e Repórteres sem Fronteiras

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Agravam-se as restrições à liberdade de Imprensa - segundo os RSF Ver galeria

A situação da liberdade de Imprensa continua a degradar-se em muitos países, por todo o mundo. O ódio aos jornalistas degenerou em violência, o que leva a um aumento do medo na profissão.
É esta a síntese inicial da edição de 2019 do Ranking Mundial da Liberdade da Imprensa, dos Repórteres sem Fronteiras, agora divulgada.

“Se o debate político desliza, de forma discreta ou evidente, para uma atmosfera de guerra civil, onde os jornalistas se tornam bodes expiatórios, os modelos democráticos passam a estar em grande perigo”  - afirma Christophe Deloire, secretário-geral da referida ONG.

“O número de países onde os jornalistas podem exercer com total segurança a actividade profissional continua a diminuir, enquanto os regimes autoritários reforçam o controlo sobre os meios de comunicação.” De acordo com este relatório, apenas 24% dos 180 países e territórios analisados apresentam uma situação considerada “boa” ou “relativamente boa”.

A Noruega mantém, pelo terceiro ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking, com a Finlândia na segunda posição e a Suécia na terceira. Portugal subiu para o 12º lugar, ficando imediatamente acima da Alemanha, da Islândia e da Irlanda.
José Ribeiro e Castro: "Sofremos de uma periferia mental" Ver galeria

Portugal precisa de fazer três reformas atrasadas, e a primeira é a reforma eleitoral, para “devolver a democracia à cidadania, resgatar e salvar a democracia do declínio em que está e que nós sentimos, eleição após eleição”  -  afirmou José Ribeiro e Castro no ciclo de jantares-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema “Portugal: Que País vai a votos?”.

As outras duas são a do território, num País que é “um deserto administrativo”, e a do Estado, para o tornar “mais barato e eficiente” e realmente “dimensionado às capacidades do País”.

Segundo o nosso convidado, Portugal precisa ainda de dois propósitos, o mais urgente do combate à pobreza, o mais ambicioso de “atingir a média europeia em vinte anos”.

Finalmente, precisamos de realizar estes projectos assumindo a nossa condição europeia, em relação à qual continuamos a sofrer de uma “periferia mental”, que "é pior do que a geográfica, porque aqui não há auto-estrada que valha".
O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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