Segunda-feira, 19 de Agosto, 2019
Media

Governo turco exerce controlo completo sobre 90% dos Media

Confirma-se a aquisição, pelo milionário Erdogan Demirören  -  próximo do Presidente Recep Erdogan -  da holding Dogan, o maior grupo de Imprensa na Turquia e o único que ainda não estava sob a alçada do governo. A partir de agora, “90% dos media do país estão nas mãos do executivo”  - afirma a jornalista Ayrsenur Arslan, antiga colaboradora. O representante dos Repórteres sem Fronteiras na Turquia, Erol Önderoglu, define o que está a acontecer como “a morte do pluralismo e do jornalismo independente no seio da grande Imprensa na Turquia”.
“Na aproximação das eleições gerais de 2019, o poder do governo sobre os media é agora completo. Enquanto uma repressão sem precedentes se abate sobre a sociedade civil e a oposição, só resta um punhado de jornais de fraca tiragem para fazer ouvir algo que não seja a propaganda oficial”  - afirmou ainda Önderoglu. 

Segundo Le Monde, “no seguimento de negociações discretas, o grupo Demirören, presente na energia, na construção e no turismo, adquiriu por 1,1 biliões de dólares (890 milhões de euros) os diários Hürriyet, Posta e Fanatik, bem como a agência de Imprensa Dogan e as cadeias de televisão KanalD e CNN-Türk; de acordo com o site de informação T24, para consumar a aquisição, a holding de Demirören beneficiou de um crédito proveniente de um consórcio bancário, incluindo a empresa pública Ziraat Bank”.

 

Depois de ter dominado a cena mediática turca durante 40 anos, o milionário Aydin Dogan, fundador do grupo com o seu nome, despediu-se no dia 22 de Março. 

“Tenho 81 anos. Neste ponto decidi, por mim próprio, cessar a minha actividade nos media”  - declarou num discurso de adeus aos seus empregados. Ao insistir na natureza voluntária da venda, o magnata contava, visivelmente, silenciar os boatos segundo os quais teria finalmente cedido os seus activos por pressão do governo.”

 

Do outro lado, o Cumhüriyet, “um jornal de centro-esquerda, considerado de referência, viu o seu director e metade dos seus jornalistas serem presos e acusados ao abrigo do estado de emergência e de uma lei contra o terrorismo que a União Europeia e outras entidades dizem não cumprir os requisitos do Estado de direito”. 

“Juntamente com outros jornais de esquerda, como o Evrensel e o BirGun, não chegam a vender 45 mil exemplares diariamente”  - disse à Deutsche Welle Christian Mihr, também dos RSF

Segundo o Público, que aqui citamos, “após a venda, 21 dos 29 diários turcos serão controlados por empresas que apoiam Erdogan”. 

“O grupo Dogan foi multado em 2,5 mil milhões de dólares (2,03 mil milhões de euros) em 2009 por não ter pago impostos – algo que foi visto na altura como uma tentativa de forçar o grupo a calar críticas a Erdogan.” 

O seu proprietário, Aydin Dogan, “foi na altura obrigado a vender os jornais Milliyet e Vatan à Demirören – uma holding que tem como principais interesses a energia, a construção e o turismo. Os dois jornais tornaram-se fervorosos apoiantes de Erdogan depois de terem sido vendidos”.  

Mais informação em  The Guardian  e Repórteres sem Fronteiras

Connosco
História de um editor espanhol de sucesso em tempo de crise Ver galeria

No decorrer de uma década, e em plena crise económica e do jornalismo,  a Spainmedia ocupou o seu lugar de editora de revistas internacionais na área designada por  lifestyle  - trazendo para o mercado espanhol a versão local de marcas como a Esquire e a Forbes, entre outras.  A história do seu êxito neste espaço é também a de um jornalista, Andrés Rodríguez, que se torna um director editorial bem sucedido  -  e é essa, naturalmente, a primeira pergunta da entrevista que lhe é feita por Media-tics.

A sua resposta é que foi na base de “paixão, entusiasmo e inconsciência”, e muito por tentativa e erro. Logo acrescenta:

“Aprendi, também, a dirigir recursos humanos  - e que, se não formos rentáveis, fechamos mais tarde ou mais cedo. Os media podem sobreviver algum tempo sem rentabilidade mas, por fim, impõe-se a conta dos resultados.”

Reconhece que aprendeu muito na Prisa, mas ficou frustrado com a fronteira marcada entre o sector jornalístico e o financeiro e publicitário. Como explica,  “pensava que para fazer a minha revista eu tinha que poder vender, ter alianças, mas na Prisa isso não podia ser feito por um jornalista”:

“Se alguma coisa corria bem, resultava do êxito do jornalista e do gestor; se corria mal, era resultado do jornalista. Eu queria ser responsável pelo que fizesse mal.”

"Jornalismo de soluções" como mito ou alternativa Ver galeria

Muitos chegam ao jornalismo com o sonho de fazer reportagem que comunique “impacto, conhecimento e inspiração”. Mas quando encontram o espaço ocupado principalmente por notícias negativas, sem caminho de saída, desanimam e chegam a desistir da profissão.

A jornalista argentina Liza Gross conta que passou por isto, tendo deixado o jornalismo “porque estava esgotada a todos os níveis, não só pelo modelo económico como também pelo modo como nós, jornalistas, estávamos a fazer o nosso trabalho”.

O rumo que seguiu levou-a à rede Solutions Journalism Network [Red de Periodismo de Soluciones  nos países de língua espanhola], cujos métodos promove, no sentido de alterar a imagem clássica do jornalista, que deixa de ser apenas o watchdog (“cão de guarda”) que vigia os poderes e denuncia o que está mal, para se tornar o “cão-piloto” capaz de de fazer “a cobertura rigorosa e baseada na evidência de respostas a problemas sociais”.

A reflexão é desenvolvida em dois textos que aqui citamos, da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, que trabalha em parceria com a Red de Periodismo de Soluciones  para dar formação nesta nova disciplina.

O Clube

É tempo de férias. E este site do Clube Português de Imprensa (CPI) não foge à regra e volta a respeitar Agosto,  como o mês mais procurado pelos seus visitantes para uma pausa nos afazeres. Suspendemos, por isso,  a  actualização diária,  a partir do  fim de semana. 

Quando retomarmos a actualização  das nossas páginas, no inicio de Setembro, contamos com a renovação do interesse dos Associados do Clube e dos milhares de outros frequentadores regulares,  que nos acompanham  em número crescente e que  se revêem neste espaço, formatado no rigor e na independência em que todos nos reconhecemos,  como  valor matricial do Clube, desde a sua fundação,  há quase meio século.   


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