Segunda-feira, 20 de Janeiro, 2020
Media

Governo turco exerce controlo completo sobre 90% dos Media

Confirma-se a aquisição, pelo milionário Erdogan Demirören  -  próximo do Presidente Recep Erdogan -  da holding Dogan, o maior grupo de Imprensa na Turquia e o único que ainda não estava sob a alçada do governo. A partir de agora, “90% dos media do país estão nas mãos do executivo”  - afirma a jornalista Ayrsenur Arslan, antiga colaboradora. O representante dos Repórteres sem Fronteiras na Turquia, Erol Önderoglu, define o que está a acontecer como “a morte do pluralismo e do jornalismo independente no seio da grande Imprensa na Turquia”.
“Na aproximação das eleições gerais de 2019, o poder do governo sobre os media é agora completo. Enquanto uma repressão sem precedentes se abate sobre a sociedade civil e a oposição, só resta um punhado de jornais de fraca tiragem para fazer ouvir algo que não seja a propaganda oficial”  - afirmou ainda Önderoglu. 

Segundo Le Monde, “no seguimento de negociações discretas, o grupo Demirören, presente na energia, na construção e no turismo, adquiriu por 1,1 biliões de dólares (890 milhões de euros) os diários Hürriyet, Posta e Fanatik, bem como a agência de Imprensa Dogan e as cadeias de televisão KanalD e CNN-Türk; de acordo com o site de informação T24, para consumar a aquisição, a holding de Demirören beneficiou de um crédito proveniente de um consórcio bancário, incluindo a empresa pública Ziraat Bank”.

 

Depois de ter dominado a cena mediática turca durante 40 anos, o milionário Aydin Dogan, fundador do grupo com o seu nome, despediu-se no dia 22 de Março. 

“Tenho 81 anos. Neste ponto decidi, por mim próprio, cessar a minha actividade nos media”  - declarou num discurso de adeus aos seus empregados. Ao insistir na natureza voluntária da venda, o magnata contava, visivelmente, silenciar os boatos segundo os quais teria finalmente cedido os seus activos por pressão do governo.”

 

Do outro lado, o Cumhüriyet, “um jornal de centro-esquerda, considerado de referência, viu o seu director e metade dos seus jornalistas serem presos e acusados ao abrigo do estado de emergência e de uma lei contra o terrorismo que a União Europeia e outras entidades dizem não cumprir os requisitos do Estado de direito”. 

“Juntamente com outros jornais de esquerda, como o Evrensel e o BirGun, não chegam a vender 45 mil exemplares diariamente”  - disse à Deutsche Welle Christian Mihr, também dos RSF

Segundo o Público, que aqui citamos, “após a venda, 21 dos 29 diários turcos serão controlados por empresas que apoiam Erdogan”. 

“O grupo Dogan foi multado em 2,5 mil milhões de dólares (2,03 mil milhões de euros) em 2009 por não ter pago impostos – algo que foi visto na altura como uma tentativa de forçar o grupo a calar críticas a Erdogan.” 

O seu proprietário, Aydin Dogan, “foi na altura obrigado a vender os jornais Milliyet e Vatan à Demirören – uma holding que tem como principais interesses a energia, a construção e o turismo. Os dois jornais tornaram-se fervorosos apoiantes de Erdogan depois de terem sido vendidos”.  

Mais informação em  The Guardian  e Repórteres sem Fronteiras

Connosco
Novas ferramentas para gerir os "media online" Ver galeria

O Instituto Internacional de Imprensa (IPI) divulgou uma nova ferramenta para moderadores online dos media lidarem com situações de abuso que ocorrem nas redes sociais. 

As ferramentas e estratégias para gerir os debates no Facebook e no Twitter fazem parte da plataforma do IPI Newsrooms Ontheline, que reúne várias sugestões sobre como combater o assédio online contra jornalistas.

O objectivo é explicar de que forma os moderadores podem gerir as redes sociais e como devem aplicar essas ferramentas, bem como as opções disponíveis pelas próprias plataformas das redes, de forma a conseguirem dar resposta ao abuso online e às ameaças contra os media e jornalistas individuais.
As medidas definidas são o resultado de várias entrevistas com peritos em audiências dos principais media da Europa. Devido à constante evolução, estas estratégias estão sujeitas a revisão e actualização constantes.

A maioria dos peritos, consultados pela IPI, salienta que existem várias ferramentas que podem ser utilizadas para a moderação de mensagens abusivas no Twitter, entre as quais o muting e o bloqueio. 

Em relação ao Facebook, os moderadores podem apagar os comentários, esconder comentários com conteúdo abusivo, banir um utilizador das páginas do medium, remover o utilizador de uma página, desactivar os comentários, bloquear determinadas palavras ou, ainda, reportar uma página ou um post.

Crise gera em Espanha modelos jornalísticos inovadores Ver galeria

A indústria do jornalismo em Espanha está em crise há mais de uma década. O colapso do crescimento económico afectou todas as áreas. Os fabricantes reduziram orçamentos de publicidade, o desemprego reduziu o poder de compra das famílias, que, por sua vez,  diminuíram as suas despesas, incluindo as dos meios de comunicação social.
O autor analisa os novos modelos de projetos que procuram responder aos desafios informativos actuais,  com apostas diferentes dos convencionais, baseados na verificação informativa, no uso dos mecanismos de transparência, na contextualização informativa, no jornalismo de dados ou na visualização.

Os meios de comunicação social também reduziram as suas despesas, entre 2005 e 2008, pelo menos 12 200 empregos foram suprimidos, segundo dados do Relatório da Profissão Jornalística de 2015. E em 2018, o investimento em publicidade ainda era 30% inferior ao de 2008.

O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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Opinião
Apoiar a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral
O Presidente da República voltou a falar na necessidade de o Estado tomar medidas de apoio à comunicação social. Marcelo Rebelo de Sousa discursava na apresentação de um programa do “Público” para dar a estudantes universitários acesso gratuito a assinaturas daquele jornal, com o apoio de entidades privadas que pagam metade dos custos envolvidos. O Presidente entende, e bem, que o Estado tem responsabilidades neste campo e...
A “tabloidizacão” dos media portugueses parece imparável, com as televisões na dianteira, privadas e pública, sejam os canais generalistas ou temáticos. A obsessão pelos “casos” que puxem ao drama, ao pasmo ou à lágrima, tomou conta dos telejornais e da Imprensa. A frenética disputa das audiências nas TVs e a queda continuada das vendas nos jornais são, normalmente, apontadas...
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