Terça-feira, 11 de Dezembro, 2018
Mundo

Investigação do "Channel 4" revela utilização abusiva do Facebook

O Governo britânico manifestou a sua grande preocupação pela revelação do acesso, por parte da empresa de marketing e análise Cambridge Analytica, aos dados pessoais de 50 milhões de perfis de utentes do Facebook, que terão sido depois utilizados pela campanha de Donald Trump. O Presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, declarou que a instituição vai proceder a uma investigação completa deste caso, que foi revelado pela cadeia de televisão Channel 4 conjuntamente com o semanário The Observer (a edição dominical de The Guardian), a partir de revelações de um ex-funcionário da Cambridge Analytica. Executivos da mesma empresa foram filmados por um jornalista do Channel 4 a admitir "terem tramado políticos com subornos e recorrendo a mulheres ucranianas".

Segundo o Observador, que aqui citamos, "sem saber que estava a ser filmado, o presidente da Cambridge Analytica, Alexander Nix, diz que a empresa trabalha secretamente em eleições e revela algumas das tácticas ilegais ao repórter, que julga ser um cliente."


Chistopher Wylie, o responsável pela fuga de informação da Cambridge Analytica, já informou, por meio do Twitter, que a sua conta do Facebook foi “desactivada”, assim como a do Instagram (detido pelo Facebook) foi banida por “violar os termos” da empresa. 

Segundo The Guardian, o secretário britânico da Cultura, Matt Hancock, declarou no Parlamento sentir-se “chocado” pela rapidez com que o Facebook procedeu neste caso: 

“O Facebook tem que responder aqui a algumas questões sérias, e contará o seu lado da história. O facto de responderem bloqueando uma conta, quando nós sabemos que não são suficientemente rápidos a bloquear outras contas de comportamento evidentemente ultrajante  -  isso revela que, quando lhes convém, sabem bloquear as coisas de forma incrivelmente rápida, e vão ter de fazer mais disso.” 

“No entanto, Hancock disse não ter visto qualquer evidência de que as actividades tenham tido efeito sobre os resultados de qualquer eleição ou referendo. Stephen Kinnock, do Partido Trabalhista, afirmou que, se for provado que a Cambridge Analytica esteve ‘em violação flagrante das nossas regras eleitorais, isso colocaria um enorme ponto de interrogação sobre o resultado do referendo’.” 

“O deputado [Conservador] Damian Collins, que tem a responsabilidade da comissão do Digital, Cultura, Media e Desportos, disse que vai chamar os dirigentes de ambas as empresas, Mark Zuckerberg e Alexander Nix, para prestarem mais informações.” 

“Precisamos de ouvir pessoas que possam falar do Facebook numa posição de autoridade, que exija delas que contem a verdade”  - disse Collins. “Alguém tem de assumir responsabilidade por isto. Já é tempo de Zuckerberg deixar de se esconder por trás da sua página de Facebook.” (...) 

Segundo o Expresso-Economia, “Semana começou mal nas bolsas. Facebook foi o fósforo, mas riscos mundiais dominam.” O texto que tem este título começa pelo efeito das revelações sobre a cotação da grande plataforma, mas descreve o desenvolvimento posterior e as consequências sobre outras empresas e mercados. 

O Público dedica a este tema a sua reportagem de fundo, com três páginas de texto e o editorial, mais o título de primeira página “Roubo de perfis – O Facebook é um risco para a democracia?” 


Mais informação em The Guardian, o Observador  e Expresso 

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Estratégia mediática da China usa "barcos emprestados" para "autenticar" a propaganda... Ver galeria

Durante décadas, a estratégia de imagem da China foi defensiva, de resposta, e apontada sobretudo à sua audiência interna. O efeito mais visível era o desaparecimento de conteúdos: revistas estrangeiras com páginas arrancadas, ou as emissões da BBC que ficavam escuras quando tratavam de temas sensíveis, como o Tibete, Taiwan ou o massacre de Tienanmen.

Mas nos últimos anos a China desenvolveu uma estratégia mais sofisticada e assertiva, apontada às audiências internacionais. E Pequim está a fazê-lo com grande investimento financeiro  - que inclui cobertura jornalística patrocinada.

Um dos exemplos mais ostensivos é agora a contratação de jornalistas ocidentais para a China Global Television Network  - o ramo internacional da Televisão Central da China -  com estúdios em Chiswick, Londres. O objectivo deste esforço é, nas palavras do Presidente Xi Jinping, “contar bem a história da China”. E não faltam candidatos. A informação consta de uma reportagem extensa, em The Guardian.

Jornais perdem publicidade e a democracia qualidade Ver galeria

A receita proveniente da publicidade nos diários impressos está a desaparecer num movimento que parece inexorável. Acontece em todos os mercados, e nomeadamente no dos EUA, que pode servir de aviso aos outros: neste caso, a receita da publicidade de todos os diários foi de 13.330 milhões de dólares em 2016, de 9.760 neste ano de 2018, quase a acabar, e será de apenas 4.400 milhões em 2022, segundo a mais recente projecção da eMarketer.

Na Espanha, e segundo os dados da InfoAdex sobre os nove primeiros meses de 2018, regista-se uma queda generalizada de 6,1% no investimento na Imprensa escrita, depois de onze anos de descida sem fim. O balanço é de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics, que conclui: “A desinformação instala-se à vontade e é urgente fazer qualquer coisa. Não abandonemos os editores, ou a qualidade da democracia irá pelo mesmo ralo por onde se escoa a conta de resultados dos meios de comunicação.”

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