null, 24 de Março, 2019
Mundo

Investigação do "Channel 4" revela utilização abusiva do Facebook

O Governo britânico manifestou a sua grande preocupação pela revelação do acesso, por parte da empresa de marketing e análise Cambridge Analytica, aos dados pessoais de 50 milhões de perfis de utentes do Facebook, que terão sido depois utilizados pela campanha de Donald Trump. O Presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, declarou que a instituição vai proceder a uma investigação completa deste caso, que foi revelado pela cadeia de televisão Channel 4 conjuntamente com o semanário The Observer (a edição dominical de The Guardian), a partir de revelações de um ex-funcionário da Cambridge Analytica. Executivos da mesma empresa foram filmados por um jornalista do Channel 4 a admitir "terem tramado políticos com subornos e recorrendo a mulheres ucranianas".

Segundo o Observador, que aqui citamos, "sem saber que estava a ser filmado, o presidente da Cambridge Analytica, Alexander Nix, diz que a empresa trabalha secretamente em eleições e revela algumas das tácticas ilegais ao repórter, que julga ser um cliente."


Chistopher Wylie, o responsável pela fuga de informação da Cambridge Analytica, já informou, por meio do Twitter, que a sua conta do Facebook foi “desactivada”, assim como a do Instagram (detido pelo Facebook) foi banida por “violar os termos” da empresa. 

Segundo The Guardian, o secretário britânico da Cultura, Matt Hancock, declarou no Parlamento sentir-se “chocado” pela rapidez com que o Facebook procedeu neste caso: 

“O Facebook tem que responder aqui a algumas questões sérias, e contará o seu lado da história. O facto de responderem bloqueando uma conta, quando nós sabemos que não são suficientemente rápidos a bloquear outras contas de comportamento evidentemente ultrajante  -  isso revela que, quando lhes convém, sabem bloquear as coisas de forma incrivelmente rápida, e vão ter de fazer mais disso.” 

“No entanto, Hancock disse não ter visto qualquer evidência de que as actividades tenham tido efeito sobre os resultados de qualquer eleição ou referendo. Stephen Kinnock, do Partido Trabalhista, afirmou que, se for provado que a Cambridge Analytica esteve ‘em violação flagrante das nossas regras eleitorais, isso colocaria um enorme ponto de interrogação sobre o resultado do referendo’.” 

“O deputado [Conservador] Damian Collins, que tem a responsabilidade da comissão do Digital, Cultura, Media e Desportos, disse que vai chamar os dirigentes de ambas as empresas, Mark Zuckerberg e Alexander Nix, para prestarem mais informações.” 

“Precisamos de ouvir pessoas que possam falar do Facebook numa posição de autoridade, que exija delas que contem a verdade”  - disse Collins. “Alguém tem de assumir responsabilidade por isto. Já é tempo de Zuckerberg deixar de se esconder por trás da sua página de Facebook.” (...) 

Segundo o Expresso-Economia, “Semana começou mal nas bolsas. Facebook foi o fósforo, mas riscos mundiais dominam.” O texto que tem este título começa pelo efeito das revelações sobre a cotação da grande plataforma, mas descreve o desenvolvimento posterior e as consequências sobre outras empresas e mercados. 

O Público dedica a este tema a sua reportagem de fundo, com três páginas de texto e o editorial, mais o título de primeira página “Roubo de perfis – O Facebook é um risco para a democracia?” 


Mais informação em The Guardian, o Observador  e Expresso 

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O jornalismo entre os "apóstolos da certeza" e a "política da dúvida" Ver galeria

Há uma grande diferença entre um jornalismo “de elite” e aquele que vive dependente do clickbait. Há uma grande diferença, temporal, entre o que se faz hoje e o que se fazia há poucos anos  - tratando-se de tecnologia digital, “o que aconteceu há cinco anos é história”. E há uma grande diferença entre entender o que está a acontecer aos jornalistas e entender o que os jornalistas acham que lhes está a acontecer.

A reflexão inicial é de C.W. Anderson, que se define como um etnógrafo dedicado a estudar o modo como o jornalismo está a mudar com o tempo. Foi co-autor, com Emily Bell e Clay Shirky, do Relatório do Jornalismo Pós-Industrial, em 2012, na Universidade de Columbia. O seu trabalho mais recente é Apóstolos da Certeza: Jornalismo de Dados e a Política da Dúvida, livro em que analisa como a ideia de jornalismo de dados mudou ao longo do tempo.

Cidadão dos EUA, C.W. Anderson é hoje professor na Escola de Jornalismo da Universidade de Leeds, no Reino Unido. A entrevista que aqui citamos foi publicada no Farol Jornalismo, do Medium, e reproduzida no Obervatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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