Sábado, 17 de Agosto, 2019
Mundo

Investigação do "Channel 4" revela utilização abusiva do Facebook

O Governo britânico manifestou a sua grande preocupação pela revelação do acesso, por parte da empresa de marketing e análise Cambridge Analytica, aos dados pessoais de 50 milhões de perfis de utentes do Facebook, que terão sido depois utilizados pela campanha de Donald Trump. O Presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, declarou que a instituição vai proceder a uma investigação completa deste caso, que foi revelado pela cadeia de televisão Channel 4 conjuntamente com o semanário The Observer (a edição dominical de The Guardian), a partir de revelações de um ex-funcionário da Cambridge Analytica. Executivos da mesma empresa foram filmados por um jornalista do Channel 4 a admitir "terem tramado políticos com subornos e recorrendo a mulheres ucranianas".

Segundo o Observador, que aqui citamos, "sem saber que estava a ser filmado, o presidente da Cambridge Analytica, Alexander Nix, diz que a empresa trabalha secretamente em eleições e revela algumas das tácticas ilegais ao repórter, que julga ser um cliente."


Chistopher Wylie, o responsável pela fuga de informação da Cambridge Analytica, já informou, por meio do Twitter, que a sua conta do Facebook foi “desactivada”, assim como a do Instagram (detido pelo Facebook) foi banida por “violar os termos” da empresa. 

Segundo The Guardian, o secretário britânico da Cultura, Matt Hancock, declarou no Parlamento sentir-se “chocado” pela rapidez com que o Facebook procedeu neste caso: 

“O Facebook tem que responder aqui a algumas questões sérias, e contará o seu lado da história. O facto de responderem bloqueando uma conta, quando nós sabemos que não são suficientemente rápidos a bloquear outras contas de comportamento evidentemente ultrajante  -  isso revela que, quando lhes convém, sabem bloquear as coisas de forma incrivelmente rápida, e vão ter de fazer mais disso.” 

“No entanto, Hancock disse não ter visto qualquer evidência de que as actividades tenham tido efeito sobre os resultados de qualquer eleição ou referendo. Stephen Kinnock, do Partido Trabalhista, afirmou que, se for provado que a Cambridge Analytica esteve ‘em violação flagrante das nossas regras eleitorais, isso colocaria um enorme ponto de interrogação sobre o resultado do referendo’.” 

“O deputado [Conservador] Damian Collins, que tem a responsabilidade da comissão do Digital, Cultura, Media e Desportos, disse que vai chamar os dirigentes de ambas as empresas, Mark Zuckerberg e Alexander Nix, para prestarem mais informações.” 

“Precisamos de ouvir pessoas que possam falar do Facebook numa posição de autoridade, que exija delas que contem a verdade”  - disse Collins. “Alguém tem de assumir responsabilidade por isto. Já é tempo de Zuckerberg deixar de se esconder por trás da sua página de Facebook.” (...) 

Segundo o Expresso-Economia, “Semana começou mal nas bolsas. Facebook foi o fósforo, mas riscos mundiais dominam.” O texto que tem este título começa pelo efeito das revelações sobre a cotação da grande plataforma, mas descreve o desenvolvimento posterior e as consequências sobre outras empresas e mercados. 

O Público dedica a este tema a sua reportagem de fundo, com três páginas de texto e o editorial, mais o título de primeira página “Roubo de perfis – O Facebook é um risco para a democracia?” 


Mais informação em The Guardian, o Observador  e Expresso 

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História de um editor espanhol de sucesso em tempo de crise Ver galeria

No decorrer de uma década, e em plena crise económica e do jornalismo,  a Spainmedia ocupou o seu lugar de editora de revistas internacionais na área designada por  lifestyle  - trazendo para o mercado espanhol a versão local de marcas como a Esquire e a Forbes, entre outras.  A história do seu êxito neste espaço é também a de um jornalista, Andrés Rodríguez, que se torna um director editorial bem sucedido  -  e é essa, naturalmente, a primeira pergunta da entrevista que lhe é feita por Media-tics.

A sua resposta é que foi na base de “paixão, entusiasmo e inconsciência”, e muito por tentativa e erro. Logo acrescenta:

“Aprendi, também, a dirigir recursos humanos  - e que, se não formos rentáveis, fechamos mais tarde ou mais cedo. Os media podem sobreviver algum tempo sem rentabilidade mas, por fim, impõe-se a conta dos resultados.”

Reconhece que aprendeu muito na Prisa, mas ficou frustrado com a fronteira marcada entre o sector jornalístico e o financeiro e publicitário. Como explica,  “pensava que para fazer a minha revista eu tinha que poder vender, ter alianças, mas na Prisa isso não podia ser feito por um jornalista”:

“Se alguma coisa corria bem, resultava do êxito do jornalista e do gestor; se corria mal, era resultado do jornalista. Eu queria ser responsável pelo que fizesse mal.”

"Jornalismo de soluções" como mito ou alternativa Ver galeria

Muitos chegam ao jornalismo com o sonho de fazer reportagem que comunique “impacto, conhecimento e inspiração”. Mas quando encontram o espaço ocupado principalmente por notícias negativas, sem caminho de saída, desanimam e chegam a desistir da profissão.

A jornalista argentina Liza Gross conta que passou por isto, tendo deixado o jornalismo “porque estava esgotada a todos os níveis, não só pelo modelo económico como também pelo modo como nós, jornalistas, estávamos a fazer o nosso trabalho”.

O rumo que seguiu levou-a à rede Solutions Journalism Network [Red de Periodismo de Soluciones  nos países de língua espanhola], cujos métodos promove, no sentido de alterar a imagem clássica do jornalista, que deixa de ser apenas o watchdog (“cão de guarda”) que vigia os poderes e denuncia o que está mal, para se tornar o “cão-piloto” capaz de de fazer “a cobertura rigorosa e baseada na evidência de respostas a problemas sociais”.

A reflexão é desenvolvida em dois textos que aqui citamos, da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, que trabalha em parceria com a Red de Periodismo de Soluciones  para dar formação nesta nova disciplina.

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É tempo de férias. E este site do Clube Português de Imprensa (CPI) não foge à regra e volta a respeitar Agosto,  como o mês mais procurado pelos seus visitantes para uma pausa nos afazeres. Suspendemos, por isso,  a  actualização diária,  a partir do  fim de semana. 

Quando retomarmos a actualização  das nossas páginas, no inicio de Setembro, contamos com a renovação do interesse dos Associados do Clube e dos milhares de outros frequentadores regulares,  que nos acompanham  em número crescente e que  se revêem neste espaço, formatado no rigor e na independência em que todos nos reconhecemos,  como  valor matricial do Clube, desde a sua fundação,  há quase meio século.   


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