Quinta-feira, 21 de Junho, 2018
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As redacções devem ser “Comunidades de Prática”

O jornalismo da era digital enfrenta os problemas de se adaptar a novas formas de produzir informações, a novas funções da notícia e a novos dispositivos electrónicos que alteram radicalmente “as normas, rotinas e valores tradicionais da profissão”. Por outro lado, “a facilidade de publicação de material informativo gerou uma grande oferta jornalística, onde a sobrevivência depende da diversificação de linhas editoriais  - o que exige pesquisa, estudo, aprendizagem e conhecimentos”.

A necessidade de responder a estas questões está a dar origem, em universidades norte-americanas e de países nórdicos da Europa, à transformação das redacções em Comunidades de Prática, nas quais “o conhecimento e a inovação resultam de uma aprendizagem desenvolvida de forma colectiva e em situações específicas”. Esta reflexão é de Carlos Castilho, jornalista e pesquisador associado do ObjEthos, no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

As Comunidades de Prática “permitem que repórteres, editores, designers e programadores troquem informações sobre a melhor forma de [adaptar] as novas tecnologias à realidade de cada redacção e às especificidades do público alvo da publicação”. 

Trata-se, no fundo, de retomar o espírito de equipa e entreajuda que vigorava nas melhores redacções, em que os mais velhos eram tutores dos mais novos e o ofício se aprendia todos os dias  - mas desta vez diante de problemas inteiramente novos e sem soluções prontas a servir.   

O autor dá um exemplo brasileiro, do GPS-Jor – Novos Rumos para o Jornalismo, “desenvolvido conjuntamente pela UFSC e pelo IELUSC, de Joinville, [que] incluiu a formação de uma Comunidade de Prática entre os instrumentos usados para desenvolver colectivamente conhecimentos sobre governança em projectos jornalísticos na era digital. Trata-se de um tema ainda pouco estudado, onde os pesquisadores recorrem à produção colectiva de conhecimentos, a partir de experiências individuais”. 

Carlos Castilho parte da constatação de que “a maior parte dos resultados do processamento digital de notícias é perdido devido a dois tipos de distorções existentes dentro das redações”: 

“A primeira delas é causada pelo sistema industrial de produção em grandes e médias empresas jornalísticas, onde as redacções acabaram se transformando em ‘linhas de montagem’ de notícias. A outra distorção, surgida já na era do jornalismo digital, é o enorme desperdício de dados e informações provocado pela ausência de políticas de produção de conhecimento nas redacções.” (...) 

“Actualmente  - como afirma - as redacções vivem o conflito entre uma produção informativa socialmente relevante e a manutenção do sistema industrial, voltando para a venda da notícia como commodity [bem de consumo].” (...)

 

O artigo citado, no Observatório da Imprensa, incluindo o link para uma apresentação do conceito actual de Comunidades de Prática

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