null, 26 de Maio, 2019
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As redacções devem ser “Comunidades de Prática”

O jornalismo da era digital enfrenta os problemas de se adaptar a novas formas de produzir informações, a novas funções da notícia e a novos dispositivos electrónicos que alteram radicalmente “as normas, rotinas e valores tradicionais da profissão”. Por outro lado, “a facilidade de publicação de material informativo gerou uma grande oferta jornalística, onde a sobrevivência depende da diversificação de linhas editoriais  - o que exige pesquisa, estudo, aprendizagem e conhecimentos”.

A necessidade de responder a estas questões está a dar origem, em universidades norte-americanas e de países nórdicos da Europa, à transformação das redacções em Comunidades de Prática, nas quais “o conhecimento e a inovação resultam de uma aprendizagem desenvolvida de forma colectiva e em situações específicas”. Esta reflexão é de Carlos Castilho, jornalista e pesquisador associado do ObjEthos, no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

As Comunidades de Prática “permitem que repórteres, editores, designers e programadores troquem informações sobre a melhor forma de [adaptar] as novas tecnologias à realidade de cada redacção e às especificidades do público alvo da publicação”. 

Trata-se, no fundo, de retomar o espírito de equipa e entreajuda que vigorava nas melhores redacções, em que os mais velhos eram tutores dos mais novos e o ofício se aprendia todos os dias  - mas desta vez diante de problemas inteiramente novos e sem soluções prontas a servir.   

O autor dá um exemplo brasileiro, do GPS-Jor – Novos Rumos para o Jornalismo, “desenvolvido conjuntamente pela UFSC e pelo IELUSC, de Joinville, [que] incluiu a formação de uma Comunidade de Prática entre os instrumentos usados para desenvolver colectivamente conhecimentos sobre governança em projectos jornalísticos na era digital. Trata-se de um tema ainda pouco estudado, onde os pesquisadores recorrem à produção colectiva de conhecimentos, a partir de experiências individuais”. 

Carlos Castilho parte da constatação de que “a maior parte dos resultados do processamento digital de notícias é perdido devido a dois tipos de distorções existentes dentro das redações”: 

“A primeira delas é causada pelo sistema industrial de produção em grandes e médias empresas jornalísticas, onde as redacções acabaram se transformando em ‘linhas de montagem’ de notícias. A outra distorção, surgida já na era do jornalismo digital, é o enorme desperdício de dados e informações provocado pela ausência de políticas de produção de conhecimento nas redacções.” (...) 

“Actualmente  - como afirma - as redacções vivem o conflito entre uma produção informativa socialmente relevante e a manutenção do sistema industrial, voltando para a venda da notícia como commodity [bem de consumo].” (...)

 

O artigo citado, no Observatório da Imprensa, incluindo o link para uma apresentação do conceito actual de Comunidades de Prática

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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