Segunda-feira, 18 de Fevereiro, 2019
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Estudo brasileiro revela que jovens interagem com Imprensa

Um estudo sobre a polarização política nas páginas do Facebook, no Brasil, revela diferenças significativas entre os leitores das páginas mais empenhadas, “que lideram a polarização do debate político”, e as da Imprensa tradicional, que usam “um tom mais neutro nas reportagens”. A surpresa é que, “enquanto o maior grupo de leitores de páginas de esquerda tem mais de 50 anos (26,1%), os de direita são um pouco mais jovens: 30% têm entre 41 e 50 anos; já o maior grupo de leitores de páginas da imprensa tradicional têm de 20 a 30 anos (33,3%)”. Este trabalho é apresentado no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Os dados pareceram tão “contraintuitivos” que os autores do estudo hesitaram em publicá-los. “No entanto, quando comparamos os nossos números com os dados internos de dois grandes sites, um da grande Imprensa e outro da esquerda, nos convencemos de que os resultados são consistentes”  - diz o relatório do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação (Gpopai). O estudo foi feito pela Agência Pública em parceria com alunos da ESPM-Rio e o Gpopai, da Universidade de São Paulo. 

“Outra constatação que chama atenção é a quantidade de leitores com educação superior: são 75,8% dos que interagiram com páginas da Imprensa tradicional, 67,7% dos que interagiram com páginas de direita e 74,1% dos que interagiram com páginas de esquerda. Do total de utentes de Internet no Brasil, apenas 13,1% têm ensino superior, segundo o Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br).” 

“Além disso, os leitores de páginas ‘engajadas’ estão longe da maioria dos utentes da Internet. Segundo o Cetic, 54,2% dos utentes têm menos de 30 anos.” (...) 

“Se pegarmos nas principais páginas que discutem política no Facebook, elas alcançam 12 milhões de perfis, dentre os 100 milhões de utentes do Facebook no Brasil”, diz o professor Pablo Ortellado, coordenador do grupo. Todos os dias, a sua equipa monitora cerca de 5 mil [textos] sobre política nacional, dentro do projecto de pesquisa Monitor do Debate Político no Meio Digital.” 

Trata-se de uma parcela dos utentes, mas que faz bastante barulho. “Não é exactamente uma novidade que tenhamos ‘jornalismo de combate’. O que temos de novo é a combinação de uso de redes sociais com a polarização da sociedade. O problema não é que tenhamos sites ‘engajados’, mas que tenhamos uma sociedade tão polarizada que só difunde informação de combate. Com isso, temos um rebaixamento muito acentuado da qualidade da informação que circula, já que as redes sociais já são a segunda fonte de informação dos brasileiros, depois da TV”  - analisa Ortellado. (...) 

A partir de questionários aplicados durante manifestações, em 2016 e 2017, os pesquisadores do Gpopai tinham verificado que “a crença em boatos crescia com a idade, assim como a identificação dos manifestantes como ‘petistas’ e ‘antipetistas’.”

“Isso significa que os mais velhos estão mais polarizados”, explica Ortellado. Para ele, a polarização nas redes está estruturada em torno de um tema: o ódio ou o amor ao PT. 

“Se a gente olhar para a realidade brasileira, parece que a polarização tem a ver com o PT. Para quem tem mais de 40 anos e viu o PT nascer, é bem provável que ele tenha sido uma fonte de esperança. Neste grupo, há os que estão satisfeitos com as conquistas e os que estão extremamente frustrados com a sua degeneração e limitações. Essa me parece a explicação mais razoável, já que o PT estrutura a polarização.” (...)

 

A apresentação do estudo no Observatório da Imprensa

Connosco
Os "clicks" são um sismógrafo de pouca confiança... Ver galeria

Num ambiente mediático saturado de notícias, os leitores valorizam mais as que lhes são pessoalmente pertinentes  - e isto não pode ser definido, numa redacção, medindo os clicks.

“As pessoas abrem frequentemente artigos que são divertidos, ou triviais, ou estranhos, sem sentido cívico evidente. Mas mantêm uma noção clara da diferença entre o que é trivial e o que é importante. De modo geral, querem estar informadas sobre o que se passa à sua volta, a nível local, nacional e internacional.”

A reflexão é de Kim Christian Schroder, um investigador dinamarquês que passou metade do ano de 2018 em Oxford, fazendo para o Reuters Institute um estudo sobre a relevância das notícias para os leitores  - e o que isso aconselha às redacções.

“Na medida em que queiram dar prioridade às notícias com valor cívico, os jornalistas fazem melhor em confiar no seu instinto do que nesse sismógrafo de pouca confiança que são as listas dos textos ‘mais lidos’.”

Jorge Soares em Fevereiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

Prossegue a 27  Fevereiro o ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, promovido pelo CPI, em parceria com o CNC e o Grémio Literário, tendo como orador convidado o Prof. Jorge Soares, que preside ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, desde 2016, preenchendo o lugar deixado vago por morte de João Lobo Antunes.  

Director do Programa Gulbenkian Inovar em Saúde, da Fundação Calouste Gulbenkian, Jorge Soares já fazia parte daquele Conselho, antes de ser eleito para a sua presidência .

O seu currículo é vasto. Presidiu também à  Comissão Externa para Avaliação da Qualidade do Ensino, e, mais tarde,  assumiu a vice-presidência da Comissão de Ética da Fundação Champalimaud, e, a partir de 2016, foi presidente da Comissão Nacional dos Centros de Referência. É Perito Nacional na União Europeia do 3rd Programme “EuropeAgainst Cancer” .

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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