Quinta-feira, 19 de Abril, 2018
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Estudo brasileiro revela que jovens interagem com Imprensa

Um estudo sobre a polarização política nas páginas do Facebook, no Brasil, revela diferenças significativas entre os leitores das páginas mais empenhadas, “que lideram a polarização do debate político”, e as da Imprensa tradicional, que usam “um tom mais neutro nas reportagens”. A surpresa é que, “enquanto o maior grupo de leitores de páginas de esquerda tem mais de 50 anos (26,1%), os de direita são um pouco mais jovens: 30% têm entre 41 e 50 anos; já o maior grupo de leitores de páginas da imprensa tradicional têm de 20 a 30 anos (33,3%)”. Este trabalho é apresentado no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Os dados pareceram tão “contraintuitivos” que os autores do estudo hesitaram em publicá-los. “No entanto, quando comparamos os nossos números com os dados internos de dois grandes sites, um da grande Imprensa e outro da esquerda, nos convencemos de que os resultados são consistentes”  - diz o relatório do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação (Gpopai). O estudo foi feito pela Agência Pública em parceria com alunos da ESPM-Rio e o Gpopai, da Universidade de São Paulo. 

“Outra constatação que chama atenção é a quantidade de leitores com educação superior: são 75,8% dos que interagiram com páginas da Imprensa tradicional, 67,7% dos que interagiram com páginas de direita e 74,1% dos que interagiram com páginas de esquerda. Do total de utentes de Internet no Brasil, apenas 13,1% têm ensino superior, segundo o Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br).” 

“Além disso, os leitores de páginas ‘engajadas’ estão longe da maioria dos utentes da Internet. Segundo o Cetic, 54,2% dos utentes têm menos de 30 anos.” (...) 

“Se pegarmos nas principais páginas que discutem política no Facebook, elas alcançam 12 milhões de perfis, dentre os 100 milhões de utentes do Facebook no Brasil”, diz o professor Pablo Ortellado, coordenador do grupo. Todos os dias, a sua equipa monitora cerca de 5 mil [textos] sobre política nacional, dentro do projecto de pesquisa Monitor do Debate Político no Meio Digital.” 

Trata-se de uma parcela dos utentes, mas que faz bastante barulho. “Não é exactamente uma novidade que tenhamos ‘jornalismo de combate’. O que temos de novo é a combinação de uso de redes sociais com a polarização da sociedade. O problema não é que tenhamos sites ‘engajados’, mas que tenhamos uma sociedade tão polarizada que só difunde informação de combate. Com isso, temos um rebaixamento muito acentuado da qualidade da informação que circula, já que as redes sociais já são a segunda fonte de informação dos brasileiros, depois da TV”  - analisa Ortellado. (...) 

A partir de questionários aplicados durante manifestações, em 2016 e 2017, os pesquisadores do Gpopai tinham verificado que “a crença em boatos crescia com a idade, assim como a identificação dos manifestantes como ‘petistas’ e ‘antipetistas’.”

“Isso significa que os mais velhos estão mais polarizados”, explica Ortellado. Para ele, a polarização nas redes está estruturada em torno de um tema: o ódio ou o amor ao PT. 

“Se a gente olhar para a realidade brasileira, parece que a polarização tem a ver com o PT. Para quem tem mais de 40 anos e viu o PT nascer, é bem provável que ele tenha sido uma fonte de esperança. Neste grupo, há os que estão satisfeitos com as conquistas e os que estão extremamente frustrados com a sua degeneração e limitações. Essa me parece a explicação mais razoável, já que o PT estrutura a polarização.” (...)

 

A apresentação do estudo no Observatório da Imprensa

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site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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