Segunda-feira, 10 de Dezembro, 2018
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Estudo brasileiro revela que jovens interagem com Imprensa

Um estudo sobre a polarização política nas páginas do Facebook, no Brasil, revela diferenças significativas entre os leitores das páginas mais empenhadas, “que lideram a polarização do debate político”, e as da Imprensa tradicional, que usam “um tom mais neutro nas reportagens”. A surpresa é que, “enquanto o maior grupo de leitores de páginas de esquerda tem mais de 50 anos (26,1%), os de direita são um pouco mais jovens: 30% têm entre 41 e 50 anos; já o maior grupo de leitores de páginas da imprensa tradicional têm de 20 a 30 anos (33,3%)”. Este trabalho é apresentado no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Os dados pareceram tão “contraintuitivos” que os autores do estudo hesitaram em publicá-los. “No entanto, quando comparamos os nossos números com os dados internos de dois grandes sites, um da grande Imprensa e outro da esquerda, nos convencemos de que os resultados são consistentes”  - diz o relatório do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação (Gpopai). O estudo foi feito pela Agência Pública em parceria com alunos da ESPM-Rio e o Gpopai, da Universidade de São Paulo. 

“Outra constatação que chama atenção é a quantidade de leitores com educação superior: são 75,8% dos que interagiram com páginas da Imprensa tradicional, 67,7% dos que interagiram com páginas de direita e 74,1% dos que interagiram com páginas de esquerda. Do total de utentes de Internet no Brasil, apenas 13,1% têm ensino superior, segundo o Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br).” 

“Além disso, os leitores de páginas ‘engajadas’ estão longe da maioria dos utentes da Internet. Segundo o Cetic, 54,2% dos utentes têm menos de 30 anos.” (...) 

“Se pegarmos nas principais páginas que discutem política no Facebook, elas alcançam 12 milhões de perfis, dentre os 100 milhões de utentes do Facebook no Brasil”, diz o professor Pablo Ortellado, coordenador do grupo. Todos os dias, a sua equipa monitora cerca de 5 mil [textos] sobre política nacional, dentro do projecto de pesquisa Monitor do Debate Político no Meio Digital.” 

Trata-se de uma parcela dos utentes, mas que faz bastante barulho. “Não é exactamente uma novidade que tenhamos ‘jornalismo de combate’. O que temos de novo é a combinação de uso de redes sociais com a polarização da sociedade. O problema não é que tenhamos sites ‘engajados’, mas que tenhamos uma sociedade tão polarizada que só difunde informação de combate. Com isso, temos um rebaixamento muito acentuado da qualidade da informação que circula, já que as redes sociais já são a segunda fonte de informação dos brasileiros, depois da TV”  - analisa Ortellado. (...) 

A partir de questionários aplicados durante manifestações, em 2016 e 2017, os pesquisadores do Gpopai tinham verificado que “a crença em boatos crescia com a idade, assim como a identificação dos manifestantes como ‘petistas’ e ‘antipetistas’.”

“Isso significa que os mais velhos estão mais polarizados”, explica Ortellado. Para ele, a polarização nas redes está estruturada em torno de um tema: o ódio ou o amor ao PT. 

“Se a gente olhar para a realidade brasileira, parece que a polarização tem a ver com o PT. Para quem tem mais de 40 anos e viu o PT nascer, é bem provável que ele tenha sido uma fonte de esperança. Neste grupo, há os que estão satisfeitos com as conquistas e os que estão extremamente frustrados com a sua degeneração e limitações. Essa me parece a explicação mais razoável, já que o PT estrutura a polarização.” (...)

 

A apresentação do estudo no Observatório da Imprensa

Connosco
O fascínio pelas imagens de motins como nova cultura dos Media Ver galeria

Um pequeno video das manifestações em Paris, feito na manhã de 2 de Dezembro e colocado no Twitter, mostra umas dezenas de indivíduos de capuz, a correr na rua, com um fogo em segundo plano. Uma legenda diz que os desordeiros [casseurs, no original] põem a polícia em fuga. Três horas depois de ser publicada, a sequência já teve 45 mil visualizações. À tarde, o contador regista 145 mil e no dia seguinte o dobro, sem contar com a sua reprodução nos media. No YouTube, no Reddit e outros meios semelhantes, estes vídeos chegam facilmente aos milhões.

“Este fascínio pelas imagens de motins  - ou de revolta, segundo o ponto de vista -  é agora chamado riot porn  - designando o prazer (um pouco culpado) de ver ou partilhar um certo tipo de imagens, como o food porn, de pratos de comida, ou o sky porn para imagens do céu e de cenas de pôr-de-sol.”

A reflexão é de Emilie Tôn, em L’Express, num trabalho que aborda o voyeurisme da violência nas ruas, em que todos podemos ser protagonistas, mesmo que involuntários, espectadores ou realizadores de documentário, com um telemóvel na mão.

A “missão impossível” dos repórteres árabes de investigação Ver galeria

A auto-confiança com que actuaram os executores de Jamal Khashoggi tem várias razões, e uma delas tem a ver connosco, jornalistas. Quando chegou, finalmente, a admissão do crime, jornalistas por todo o mundo árabe vieram em defesa de Riade. “Eles não sabiam nada  - mas escreveram o que lhes foi dito que escrevessem. E de cada vez que mudava a versão oficial, eles mudavam a sua para se ajustar, sem embaraço ou hesitação.”

“E não estavam sozinhos. Os sauditas tinham uma segunda linha de defesa: um grupo menor, mas não menos influente, de jornalistas do Ocidente, que tinham passado mais de um ano a contar a história de uma Arábia Saudita reformista, acabada de retocar, de ventos de mudança soprando no deserto, com as suas visões e ambições comoventes louvadas por todo o mundo.”

A reflexão é da jornalista jordana Rana Sabbagh, que está à frente da Rede de Jornalismo de Investigação Árabe (membro da Global Investigative Journalism Network) e foi a primeira mulher árabe a dirigir um jornal político no Médio Oriente, o Jordan Times.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
O Presidente Marcelo é um dos poucos políticos portugueses com legitimidade para colocar a questão dos apoios do estado à produção jornalística porque ele é produtor e produto do sistema mediático.A sua biografia confunde-se com a liberdade de imprensa e a pergunta que Marcelo faz é, para ele, uma questão de consciência presidencial.Dito isto, pergunto:O que diríamos nós se fosse Donald Trump a...
Perante a bem conhecida e infelizmente bem real crise da comunicação social o Presidente da República questionou, há dias, se o Estado não tem a obrigação de intervir. Para Marcelo Rebelo de Sousa há uma "situação de emergência", que já constitui um problema democrático e de regime. A crise está longe de ser apenas portuguesa: é mundial. E tem sobretudo a ver com o facto de cada vez mais...
Há, na ideia de uma comunicação social estatizada ou ajudada pelo governo, uma contradição incontornável: como pode a imprensa depender da entidade que mais se queixa da imprensa? Uma parte da comunicação social portuguesa – televisão, rádio, imprensa escrita — é deficitária, está endividada e admite “problemas de tesouraria”. Mas acima desse, há outro problema, mais grave:...
O jornalismo estará a render-se à subjetividade, rainha e senhora de certas redes sociais. As ‘fake news’ e o futuro dos media foram dos temas mais falados na edição de 2018, da Web Summit. Usadas como arma de arremesso político e de intoxicação, as notícias falsas são uma praga. Invadem o espaço público, distorcem os factos, desviam a atenção, comprometem a reflexão. E pelo caminho...
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