Terça-feira, 21 de Agosto, 2018
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Estudo brasileiro revela que jovens interagem com Imprensa

Um estudo sobre a polarização política nas páginas do Facebook, no Brasil, revela diferenças significativas entre os leitores das páginas mais empenhadas, “que lideram a polarização do debate político”, e as da Imprensa tradicional, que usam “um tom mais neutro nas reportagens”. A surpresa é que, “enquanto o maior grupo de leitores de páginas de esquerda tem mais de 50 anos (26,1%), os de direita são um pouco mais jovens: 30% têm entre 41 e 50 anos; já o maior grupo de leitores de páginas da imprensa tradicional têm de 20 a 30 anos (33,3%)”. Este trabalho é apresentado no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Os dados pareceram tão “contraintuitivos” que os autores do estudo hesitaram em publicá-los. “No entanto, quando comparamos os nossos números com os dados internos de dois grandes sites, um da grande Imprensa e outro da esquerda, nos convencemos de que os resultados são consistentes”  - diz o relatório do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação (Gpopai). O estudo foi feito pela Agência Pública em parceria com alunos da ESPM-Rio e o Gpopai, da Universidade de São Paulo. 

“Outra constatação que chama atenção é a quantidade de leitores com educação superior: são 75,8% dos que interagiram com páginas da Imprensa tradicional, 67,7% dos que interagiram com páginas de direita e 74,1% dos que interagiram com páginas de esquerda. Do total de utentes de Internet no Brasil, apenas 13,1% têm ensino superior, segundo o Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br).” 

“Além disso, os leitores de páginas ‘engajadas’ estão longe da maioria dos utentes da Internet. Segundo o Cetic, 54,2% dos utentes têm menos de 30 anos.” (...) 

“Se pegarmos nas principais páginas que discutem política no Facebook, elas alcançam 12 milhões de perfis, dentre os 100 milhões de utentes do Facebook no Brasil”, diz o professor Pablo Ortellado, coordenador do grupo. Todos os dias, a sua equipa monitora cerca de 5 mil [textos] sobre política nacional, dentro do projecto de pesquisa Monitor do Debate Político no Meio Digital.” 

Trata-se de uma parcela dos utentes, mas que faz bastante barulho. “Não é exactamente uma novidade que tenhamos ‘jornalismo de combate’. O que temos de novo é a combinação de uso de redes sociais com a polarização da sociedade. O problema não é que tenhamos sites ‘engajados’, mas que tenhamos uma sociedade tão polarizada que só difunde informação de combate. Com isso, temos um rebaixamento muito acentuado da qualidade da informação que circula, já que as redes sociais já são a segunda fonte de informação dos brasileiros, depois da TV”  - analisa Ortellado. (...) 

A partir de questionários aplicados durante manifestações, em 2016 e 2017, os pesquisadores do Gpopai tinham verificado que “a crença em boatos crescia com a idade, assim como a identificação dos manifestantes como ‘petistas’ e ‘antipetistas’.”

“Isso significa que os mais velhos estão mais polarizados”, explica Ortellado. Para ele, a polarização nas redes está estruturada em torno de um tema: o ódio ou o amor ao PT. 

“Se a gente olhar para a realidade brasileira, parece que a polarização tem a ver com o PT. Para quem tem mais de 40 anos e viu o PT nascer, é bem provável que ele tenha sido uma fonte de esperança. Neste grupo, há os que estão satisfeitos com as conquistas e os que estão extremamente frustrados com a sua degeneração e limitações. Essa me parece a explicação mais razoável, já que o PT estrutura a polarização.” (...)

 

A apresentação do estudo no Observatório da Imprensa

Connosco
A crise de identidade nos jornais de prestígio e a “anarquia digital” Ver galeria

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“O marco da anarquia digital é 1996, ninguém previu o novo ciclo e ele se inicia para implantar o caos e desorganizar a segurança conservadora, principalmente dos grandes grupos de comunicação.”

A reflexão é do jornalista Luís Sérgio Santos, docente de Desenho Editorial na Universidade Federal do Ceará, e o seu texto multiplica termos como “ameaça”, “abismo”, “conflito”, “incerteza”. Mas trata-se apenas de uma abordagem à “crise de identidade dos jornais de prestígio”  - título que escolheu para este artigo, publicado no Observatório da Imprensa do Brasil.

O perigo de instrumentalizar a Rede para uma "guerra digital" Ver galeria

A relação entre os poderes instituídos e o novo poder das redes sociais passou por diversas fases. Houve um tempo em que alguns governos temeram a voz do povo na Internet, e fenómenos como as Primaveras Árabes, que derrubaram regimes instalados, levaram ao bloqueio destas plataformas. “Mas agora muitos governos descobriram que é mais útil intoxicar nas redes sociais do que proibi-las. E os trolls encarregam-se do resto.”

É esta a reflexão inicial do jornalista e empreendedor no meio digital Miguel Ossorio Vega, que faz uma síntese do ocorrido neste terreno nos últimos anos, chamando a atenção para o que considera serem os maiores perigos da ciberguerra em curso.

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