Segunda-feira, 18 de Fevereiro, 2019
Media

Jornais “online” descobrem novas formas de chegar aos leitores

Os jornais online procuram tirar partido do leque de possibilidades que lhes oferece a tecnologia em que estão disponíveis. Ou na forma de newsletters que façam junto do leitor a síntese do que pode encontrar na edição diária, ou usando ao máximo o vídeo, ou aproveitando a inter-actividade das redes sociais para melhorar o esclarecimento, ou para dar mais espaço ao diálogo com os leitores (ou destes entre si). Quatro exemplos, de títulos europeus conhecidos, ilustram as virtualidades destas novas vias.

O diário francês Le Figaro desenvolveu um primeiro boletim diário, redigido por um jornalista e enviado, às 7h.30, a todos os assinantes. La Lettre du Figaro Premium aparece na manhã dos cinco dias úteis com as notícias do dia, sondagens, outras informações, recomendações de leitura e entretenimento. Foi criado em Abril de 2015 e já conta com 81 mil assinantes. O jornal pensa ultrapassar a barreira dos cem mil em 2018.

O diário digital Mediapart, no mesmo país, já conta com mais de 140 mil assinantes e procura agora diversificar os seus canais de difusão, desenvolvendo a oferta de vídeo fora da Net. O projecto é lançar, para o final de 2018, Mediapart TV, um canal noticioso em contínuo, que poderá ser incluído nos pacotes das operadoras de telecomunicações. 

Por seu lado, a versão francesa do jornal digital Slate renovou a sua página no sentido de disponibilizar conteúdos de gama alta. Segundo Media-tics, que aqui citamos, a sua filosofia é de realizar “conteúdos de qualidade cozinhados a lume brando, que chamem um público leal, que tome o tempo de os ler”. Abriu também um grupo privado no Facebook, Come as you Slate, para conversação “sobre temas que fomentam a convivência”, e está a apostar nos podcasts

A BBC News Lab e a BBC Visual Journalism desenvolveram uma aplicação para que os seus jornalistas possam criar chatbots e integrá-los no corpo dos artigos que redigem. “Muitas vezes” – explica o texto – os jornalistas esquecem-se de que os leitores nem sempre conhecem o contexto dos temas sobre os quais escrevem.” A ideia é, portanto, a de fornecer explicação suplementar para esclarecimento de temas mais complexos.

 

Mais informação em Media-tics

Connosco
Os "clicks" são um sismógrafo de pouca confiança... Ver galeria

Num ambiente mediático saturado de notícias, os leitores valorizam mais as que lhes são pessoalmente pertinentes  - e isto não pode ser definido, numa redacção, medindo os clicks.

“As pessoas abrem frequentemente artigos que são divertidos, ou triviais, ou estranhos, sem sentido cívico evidente. Mas mantêm uma noção clara da diferença entre o que é trivial e o que é importante. De modo geral, querem estar informadas sobre o que se passa à sua volta, a nível local, nacional e internacional.”

A reflexão é de Kim Christian Schroder, um investigador dinamarquês que passou metade do ano de 2018 em Oxford, fazendo para o Reuters Institute um estudo sobre a relevância das notícias para os leitores  - e o que isso aconselha às redacções.

“Na medida em que queiram dar prioridade às notícias com valor cívico, os jornalistas fazem melhor em confiar no seu instinto do que nesse sismógrafo de pouca confiança que são as listas dos textos ‘mais lidos’.”

Jorge Soares em Fevereiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

Prossegue a 27  Fevereiro o ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, promovido pelo CPI, em parceria com o CNC e o Grémio Literário, tendo como orador convidado o Prof. Jorge Soares, que preside ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, desde 2016, preenchendo o lugar deixado vago por morte de João Lobo Antunes.  

Director do Programa Gulbenkian Inovar em Saúde, da Fundação Calouste Gulbenkian, Jorge Soares já fazia parte daquele Conselho, antes de ser eleito para a sua presidência .

O seu currículo é vasto. Presidiu também à  Comissão Externa para Avaliação da Qualidade do Ensino, e, mais tarde,  assumiu a vice-presidência da Comissão de Ética da Fundação Champalimaud, e, a partir de 2016, foi presidente da Comissão Nacional dos Centros de Referência. É Perito Nacional na União Europeia do 3rd Programme “EuropeAgainst Cancer” .

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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