Quarta-feira, 23 de Outubro, 2019
Media

Jornais “online” descobrem novas formas de chegar aos leitores

Os jornais online procuram tirar partido do leque de possibilidades que lhes oferece a tecnologia em que estão disponíveis. Ou na forma de newsletters que façam junto do leitor a síntese do que pode encontrar na edição diária, ou usando ao máximo o vídeo, ou aproveitando a inter-actividade das redes sociais para melhorar o esclarecimento, ou para dar mais espaço ao diálogo com os leitores (ou destes entre si). Quatro exemplos, de títulos europeus conhecidos, ilustram as virtualidades destas novas vias.

O diário francês Le Figaro desenvolveu um primeiro boletim diário, redigido por um jornalista e enviado, às 7h.30, a todos os assinantes. La Lettre du Figaro Premium aparece na manhã dos cinco dias úteis com as notícias do dia, sondagens, outras informações, recomendações de leitura e entretenimento. Foi criado em Abril de 2015 e já conta com 81 mil assinantes. O jornal pensa ultrapassar a barreira dos cem mil em 2018.

O diário digital Mediapart, no mesmo país, já conta com mais de 140 mil assinantes e procura agora diversificar os seus canais de difusão, desenvolvendo a oferta de vídeo fora da Net. O projecto é lançar, para o final de 2018, Mediapart TV, um canal noticioso em contínuo, que poderá ser incluído nos pacotes das operadoras de telecomunicações. 

Por seu lado, a versão francesa do jornal digital Slate renovou a sua página no sentido de disponibilizar conteúdos de gama alta. Segundo Media-tics, que aqui citamos, a sua filosofia é de realizar “conteúdos de qualidade cozinhados a lume brando, que chamem um público leal, que tome o tempo de os ler”. Abriu também um grupo privado no Facebook, Come as you Slate, para conversação “sobre temas que fomentam a convivência”, e está a apostar nos podcasts

A BBC News Lab e a BBC Visual Journalism desenvolveram uma aplicação para que os seus jornalistas possam criar chatbots e integrá-los no corpo dos artigos que redigem. “Muitas vezes” – explica o texto – os jornalistas esquecem-se de que os leitores nem sempre conhecem o contexto dos temas sobre os quais escrevem.” A ideia é, portanto, a de fornecer explicação suplementar para esclarecimento de temas mais complexos.

 

Mais informação em Media-tics

Connosco
Jornalistas deverão estar prevenidos para identificar e corrigir notícias falsas... Ver galeria

Existem várias lacunas na pesquisa de desinformação política e os debates contínuos sobre o que constitui as fake news e a sua classificação acabam por ser uma distracção, desviando as atenções das “questões críticas” relacionadas com o problema.

É importante reconhecer que as fake news existem, que estamos expostos a essas falsas informações, mas, se quisermos combatê-las, é indispensável procurar a sua origem, a sua forma de disseminação e analisar as consequências sociais e políticas.

É, ainda, imprescindível que os jornalistas estejam preparados e informados para não colaborarem na propagação deste tipo de informação.

Por vezes, o objectivo que se esconde em algumas fake news é que os media acabem por disseminá-las, acelerando a sua difusão. Por esse motivo, foi identificado o chamado “ponto de inflexão”, que representa o momento em que a história deixa de ser partilhada exclusivamente em “nichos” e acaba por atingir uma dimensão maior, alcançando várias comunidades. 

A jornalista Laura Hazard Owen abordou o tema num texto publicado no NiemanLab, no qual também faz referências à melhor forma de reconhecer os de conteúdos manipulados.

Suspensão de acordo do “Brexit” dividiu a imprensa britânica Ver galeria

Suspensa a aprovação do acordo no Parlamento britânico até que haja a regulamentação apropriada, a imprensa londrina apresentou-se dividida em relação ao Brexit.

Por um lado, a esperança de evitar um “não acordo” e uma saída abrupta, por outro a exaltação em relação à votação. 

Os media ingleses evidenciaram posições antagónicas em relação aos últimos acontecimentos e isso foi claro pela forma como abordaram a situação. 

Enquanto que o Sunday Express assumiu uma postura pró-Brexit e foi mais hostil com os deputados, acusando-os de atrasarem o processo, o Independent preferiu focar-se nas ruas, onde perto de um milhão de cidadãos se manifestaram para exigir que lhes seja dada a palavra final. Por sua vez, o Observer realçou a derrota do primeiro ministro, que se viu forçado a suspender a aprovação do acordo.

Le Monde publicou, entretanto, um texto no qual é feita uma análise dos media britânicos neste contexto.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
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Francisco Sarsfield Cabral
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Fotojornalismo e Direitos de Autor
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21
Nov