Segunda-feira, 19 de Agosto, 2019
Media

Jornais “online” descobrem novas formas de chegar aos leitores

Os jornais online procuram tirar partido do leque de possibilidades que lhes oferece a tecnologia em que estão disponíveis. Ou na forma de newsletters que façam junto do leitor a síntese do que pode encontrar na edição diária, ou usando ao máximo o vídeo, ou aproveitando a inter-actividade das redes sociais para melhorar o esclarecimento, ou para dar mais espaço ao diálogo com os leitores (ou destes entre si). Quatro exemplos, de títulos europeus conhecidos, ilustram as virtualidades destas novas vias.

O diário francês Le Figaro desenvolveu um primeiro boletim diário, redigido por um jornalista e enviado, às 7h.30, a todos os assinantes. La Lettre du Figaro Premium aparece na manhã dos cinco dias úteis com as notícias do dia, sondagens, outras informações, recomendações de leitura e entretenimento. Foi criado em Abril de 2015 e já conta com 81 mil assinantes. O jornal pensa ultrapassar a barreira dos cem mil em 2018.

O diário digital Mediapart, no mesmo país, já conta com mais de 140 mil assinantes e procura agora diversificar os seus canais de difusão, desenvolvendo a oferta de vídeo fora da Net. O projecto é lançar, para o final de 2018, Mediapart TV, um canal noticioso em contínuo, que poderá ser incluído nos pacotes das operadoras de telecomunicações. 

Por seu lado, a versão francesa do jornal digital Slate renovou a sua página no sentido de disponibilizar conteúdos de gama alta. Segundo Media-tics, que aqui citamos, a sua filosofia é de realizar “conteúdos de qualidade cozinhados a lume brando, que chamem um público leal, que tome o tempo de os ler”. Abriu também um grupo privado no Facebook, Come as you Slate, para conversação “sobre temas que fomentam a convivência”, e está a apostar nos podcasts

A BBC News Lab e a BBC Visual Journalism desenvolveram uma aplicação para que os seus jornalistas possam criar chatbots e integrá-los no corpo dos artigos que redigem. “Muitas vezes” – explica o texto – os jornalistas esquecem-se de que os leitores nem sempre conhecem o contexto dos temas sobre os quais escrevem.” A ideia é, portanto, a de fornecer explicação suplementar para esclarecimento de temas mais complexos.

 

Mais informação em Media-tics

Connosco
História de um editor espanhol de sucesso em tempo de crise Ver galeria

No decorrer de uma década, e em plena crise económica e do jornalismo,  a Spainmedia ocupou o seu lugar de editora de revistas internacionais na área designada por  lifestyle  - trazendo para o mercado espanhol a versão local de marcas como a Esquire e a Forbes, entre outras.  A história do seu êxito neste espaço é também a de um jornalista, Andrés Rodríguez, que se torna um director editorial bem sucedido  -  e é essa, naturalmente, a primeira pergunta da entrevista que lhe é feita por Media-tics.

A sua resposta é que foi na base de “paixão, entusiasmo e inconsciência”, e muito por tentativa e erro. Logo acrescenta:

“Aprendi, também, a dirigir recursos humanos  - e que, se não formos rentáveis, fechamos mais tarde ou mais cedo. Os media podem sobreviver algum tempo sem rentabilidade mas, por fim, impõe-se a conta dos resultados.”

Reconhece que aprendeu muito na Prisa, mas ficou frustrado com a fronteira marcada entre o sector jornalístico e o financeiro e publicitário. Como explica,  “pensava que para fazer a minha revista eu tinha que poder vender, ter alianças, mas na Prisa isso não podia ser feito por um jornalista”:

“Se alguma coisa corria bem, resultava do êxito do jornalista e do gestor; se corria mal, era resultado do jornalista. Eu queria ser responsável pelo que fizesse mal.”

"Jornalismo de soluções" como mito ou alternativa Ver galeria

Muitos chegam ao jornalismo com o sonho de fazer reportagem que comunique “impacto, conhecimento e inspiração”. Mas quando encontram o espaço ocupado principalmente por notícias negativas, sem caminho de saída, desanimam e chegam a desistir da profissão.

A jornalista argentina Liza Gross conta que passou por isto, tendo deixado o jornalismo “porque estava esgotada a todos os níveis, não só pelo modelo económico como também pelo modo como nós, jornalistas, estávamos a fazer o nosso trabalho”.

O rumo que seguiu levou-a à rede Solutions Journalism Network [Red de Periodismo de Soluciones  nos países de língua espanhola], cujos métodos promove, no sentido de alterar a imagem clássica do jornalista, que deixa de ser apenas o watchdog (“cão de guarda”) que vigia os poderes e denuncia o que está mal, para se tornar o “cão-piloto” capaz de de fazer “a cobertura rigorosa e baseada na evidência de respostas a problemas sociais”.

A reflexão é desenvolvida em dois textos que aqui citamos, da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, que trabalha em parceria com a Red de Periodismo de Soluciones  para dar formação nesta nova disciplina.

O Clube

É tempo de férias. E este site do Clube Português de Imprensa (CPI) não foge à regra e volta a respeitar Agosto,  como o mês mais procurado pelos seus visitantes para uma pausa nos afazeres. Suspendemos, por isso,  a  actualização diária,  a partir do  fim de semana. 

Quando retomarmos a actualização  das nossas páginas, no inicio de Setembro, contamos com a renovação do interesse dos Associados do Clube e dos milhares de outros frequentadores regulares,  que nos acompanham  em número crescente e que  se revêem neste espaço, formatado no rigor e na independência em que todos nos reconhecemos,  como  valor matricial do Clube, desde a sua fundação,  há quase meio século.   


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