Segunda-feira, 20 de Janeiro, 2020
Media

Jornais “online” descobrem novas formas de chegar aos leitores

Os jornais online procuram tirar partido do leque de possibilidades que lhes oferece a tecnologia em que estão disponíveis. Ou na forma de newsletters que façam junto do leitor a síntese do que pode encontrar na edição diária, ou usando ao máximo o vídeo, ou aproveitando a inter-actividade das redes sociais para melhorar o esclarecimento, ou para dar mais espaço ao diálogo com os leitores (ou destes entre si). Quatro exemplos, de títulos europeus conhecidos, ilustram as virtualidades destas novas vias.

O diário francês Le Figaro desenvolveu um primeiro boletim diário, redigido por um jornalista e enviado, às 7h.30, a todos os assinantes. La Lettre du Figaro Premium aparece na manhã dos cinco dias úteis com as notícias do dia, sondagens, outras informações, recomendações de leitura e entretenimento. Foi criado em Abril de 2015 e já conta com 81 mil assinantes. O jornal pensa ultrapassar a barreira dos cem mil em 2018.

O diário digital Mediapart, no mesmo país, já conta com mais de 140 mil assinantes e procura agora diversificar os seus canais de difusão, desenvolvendo a oferta de vídeo fora da Net. O projecto é lançar, para o final de 2018, Mediapart TV, um canal noticioso em contínuo, que poderá ser incluído nos pacotes das operadoras de telecomunicações. 

Por seu lado, a versão francesa do jornal digital Slate renovou a sua página no sentido de disponibilizar conteúdos de gama alta. Segundo Media-tics, que aqui citamos, a sua filosofia é de realizar “conteúdos de qualidade cozinhados a lume brando, que chamem um público leal, que tome o tempo de os ler”. Abriu também um grupo privado no Facebook, Come as you Slate, para conversação “sobre temas que fomentam a convivência”, e está a apostar nos podcasts

A BBC News Lab e a BBC Visual Journalism desenvolveram uma aplicação para que os seus jornalistas possam criar chatbots e integrá-los no corpo dos artigos que redigem. “Muitas vezes” – explica o texto – os jornalistas esquecem-se de que os leitores nem sempre conhecem o contexto dos temas sobre os quais escrevem.” A ideia é, portanto, a de fornecer explicação suplementar para esclarecimento de temas mais complexos.

 

Mais informação em Media-tics

Connosco
Novas ferramentas para gerir os "media online" Ver galeria

O Instituto Internacional de Imprensa (IPI) divulgou uma nova ferramenta para moderadores online dos media lidarem com situações de abuso que ocorrem nas redes sociais. 

As ferramentas e estratégias para gerir os debates no Facebook e no Twitter fazem parte da plataforma do IPI Newsrooms Ontheline, que reúne várias sugestões sobre como combater o assédio online contra jornalistas.

O objectivo é explicar de que forma os moderadores podem gerir as redes sociais e como devem aplicar essas ferramentas, bem como as opções disponíveis pelas próprias plataformas das redes, de forma a conseguirem dar resposta ao abuso online e às ameaças contra os media e jornalistas individuais.
As medidas definidas são o resultado de várias entrevistas com peritos em audiências dos principais media da Europa. Devido à constante evolução, estas estratégias estão sujeitas a revisão e actualização constantes.

A maioria dos peritos, consultados pela IPI, salienta que existem várias ferramentas que podem ser utilizadas para a moderação de mensagens abusivas no Twitter, entre as quais o muting e o bloqueio. 

Em relação ao Facebook, os moderadores podem apagar os comentários, esconder comentários com conteúdo abusivo, banir um utilizador das páginas do medium, remover o utilizador de uma página, desactivar os comentários, bloquear determinadas palavras ou, ainda, reportar uma página ou um post.

Crise gera em Espanha modelos jornalísticos inovadores Ver galeria

A indústria do jornalismo em Espanha está em crise há mais de uma década. O colapso do crescimento económico afectou todas as áreas. Os fabricantes reduziram orçamentos de publicidade, o desemprego reduziu o poder de compra das famílias, que, por sua vez,  diminuíram as suas despesas, incluindo as dos meios de comunicação social.
O autor analisa os novos modelos de projetos que procuram responder aos desafios informativos actuais,  com apostas diferentes dos convencionais, baseados na verificação informativa, no uso dos mecanismos de transparência, na contextualização informativa, no jornalismo de dados ou na visualização.

Os meios de comunicação social também reduziram as suas despesas, entre 2005 e 2008, pelo menos 12 200 empregos foram suprimidos, segundo dados do Relatório da Profissão Jornalística de 2015. E em 2018, o investimento em publicidade ainda era 30% inferior ao de 2008.

O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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Opinião
Apoiar a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral
O Presidente da República voltou a falar na necessidade de o Estado tomar medidas de apoio à comunicação social. Marcelo Rebelo de Sousa discursava na apresentação de um programa do “Público” para dar a estudantes universitários acesso gratuito a assinaturas daquele jornal, com o apoio de entidades privadas que pagam metade dos custos envolvidos. O Presidente entende, e bem, que o Estado tem responsabilidades neste campo e...
A “tabloidizacão” dos media portugueses parece imparável, com as televisões na dianteira, privadas e pública, sejam os canais generalistas ou temáticos. A obsessão pelos “casos” que puxem ao drama, ao pasmo ou à lágrima, tomou conta dos telejornais e da Imprensa. A frenética disputa das audiências nas TVs e a queda continuada das vendas nos jornais são, normalmente, apontadas...
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...