Sábado, 20 de Abril, 2019
Media

Jornais “online” descobrem novas formas de chegar aos leitores

Os jornais online procuram tirar partido do leque de possibilidades que lhes oferece a tecnologia em que estão disponíveis. Ou na forma de newsletters que façam junto do leitor a síntese do que pode encontrar na edição diária, ou usando ao máximo o vídeo, ou aproveitando a inter-actividade das redes sociais para melhorar o esclarecimento, ou para dar mais espaço ao diálogo com os leitores (ou destes entre si). Quatro exemplos, de títulos europeus conhecidos, ilustram as virtualidades destas novas vias.

O diário francês Le Figaro desenvolveu um primeiro boletim diário, redigido por um jornalista e enviado, às 7h.30, a todos os assinantes. La Lettre du Figaro Premium aparece na manhã dos cinco dias úteis com as notícias do dia, sondagens, outras informações, recomendações de leitura e entretenimento. Foi criado em Abril de 2015 e já conta com 81 mil assinantes. O jornal pensa ultrapassar a barreira dos cem mil em 2018.

O diário digital Mediapart, no mesmo país, já conta com mais de 140 mil assinantes e procura agora diversificar os seus canais de difusão, desenvolvendo a oferta de vídeo fora da Net. O projecto é lançar, para o final de 2018, Mediapart TV, um canal noticioso em contínuo, que poderá ser incluído nos pacotes das operadoras de telecomunicações. 

Por seu lado, a versão francesa do jornal digital Slate renovou a sua página no sentido de disponibilizar conteúdos de gama alta. Segundo Media-tics, que aqui citamos, a sua filosofia é de realizar “conteúdos de qualidade cozinhados a lume brando, que chamem um público leal, que tome o tempo de os ler”. Abriu também um grupo privado no Facebook, Come as you Slate, para conversação “sobre temas que fomentam a convivência”, e está a apostar nos podcasts

A BBC News Lab e a BBC Visual Journalism desenvolveram uma aplicação para que os seus jornalistas possam criar chatbots e integrá-los no corpo dos artigos que redigem. “Muitas vezes” – explica o texto – os jornalistas esquecem-se de que os leitores nem sempre conhecem o contexto dos temas sobre os quais escrevem.” A ideia é, portanto, a de fornecer explicação suplementar para esclarecimento de temas mais complexos.

 

Mais informação em Media-tics

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Agravam-se as restrições à liberdade de Imprensa - segundo os RSF Ver galeria

A situação da liberdade de Imprensa continua a degradar-se em muitos países, por todo o mundo. O ódio aos jornalistas degenerou em violência, o que leva a um aumento do medo na profissão.
É esta a síntese inicial da edição de 2019 do Ranking Mundial da Liberdade da Imprensa, dos Repórteres sem Fronteiras, agora divulgada.

“Se o debate político desliza, de forma discreta ou evidente, para uma atmosfera de guerra civil, onde os jornalistas se tornam bodes expiatórios, os modelos democráticos passam a estar em grande perigo”  - afirma Christophe Deloire, secretário-geral da referida ONG.

“O número de países onde os jornalistas podem exercer com total segurança a actividade profissional continua a diminuir, enquanto os regimes autoritários reforçam o controlo sobre os meios de comunicação.” De acordo com este relatório, apenas 24% dos 180 países e territórios analisados apresentam uma situação considerada “boa” ou “relativamente boa”.

A Noruega mantém, pelo terceiro ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking, com a Finlândia na segunda posição e a Suécia na terceira. Portugal subiu para o 12º lugar, ficando imediatamente acima da Alemanha, da Islândia e da Irlanda.
José Ribeiro e Castro: "Sofremos de uma periferia mental" Ver galeria

Portugal precisa de fazer três reformas atrasadas, e a primeira é a reforma eleitoral, para “devolver a democracia à cidadania, resgatar e salvar a democracia do declínio em que está e que nós sentimos, eleição após eleição”  -  afirmou José Ribeiro e Castro no ciclo de jantares-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema “Portugal: Que País vai a votos?”.

As outras duas são a do território, num País que é “um deserto administrativo”, e a do Estado, para o tornar “mais barato e eficiente” e realmente “dimensionado às capacidades do País”.

Segundo o nosso convidado, Portugal precisa ainda de dois propósitos, o mais urgente do combate à pobreza, o mais ambicioso de “atingir a média europeia em vinte anos”.

Finalmente, precisamos de realizar estes projectos assumindo a nossa condição europeia, em relação à qual continuamos a sofrer de uma “periferia mental”, que "é pior do que a geográfica, porque aqui não há auto-estrada que valha".
O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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