O cientista britânico que criou a World Wide Web, Sir Timothy Berners-Lee, aproveitou o 29º aniversário da sua fundação para divulgar uma carta aberta em que manifesta preocupação pelo facto de “um punhado de empresas controlar o modo como as ideias e opiniões são partilhadas” e reafirma os valores a que permanece fiel - de garantir que a Web seja “um espaço livre, aberto e criativo para todas as pessoas”. Para conseguir este objectivo fundador, e contrariar a tendência para ser usada como arma, admite que seja necessária uma entidade reguladora.
O seu texto começa por sublinhar outra efeméride associada à primeira: 2018 é o ano em que, pela primeira vez, mais de metade do mundo já tem ligação online. Mas deixa duas perguntas:
A questão, como explica a seguir, é que as pessoas têm maior probabilidade de ficar offline “se forem mulheres, ou pobres, ou viverem numa área rural ou num país de baixo nível de vida, ou em qualquer combinação das condicionantes citadas”. E recorda que as Nações Unidas declararam, em 2016, “o acesso à Internet como um direito humano, ao nível do acesso à água potável, à electricidade, à habitação e ao alimento”.
“Estar hoje offline significa ser excluído de oportunidades de aprender e ganhar [dinheiro], de ter acesso a serviços valiosos e de participar no debate democrático. Se não investirmos seriamente na extinção desta fronteira, os últimos mil milhões não estarão conectados antes de 2042. É toda uma geração deixada para trás.” (...)
Tim Berners-Lee menciona também “dois mitos que limitam a nossa imaginação colectiva: o mito de que a publicidade é o único modelo de negócios possível para as empresas online e o mito de que é tarde demais para mudar o modo como funcionam as plataformas [digitais]. Em ambos os pontos - afirma - precisamos de ser um pouco mais criativos.”
Sobre a concentração de poder nessas plataformas dominantes, adverte que elas têm a capacidade de se fecharem na sua posição criando barreiras aos concorrentes. “Elas adquirem as start-ups que as defrontam, compram as inovações e empregam os talentos de topo da indústria. Acrescente-se a isto a vantagem competitiva que lhes conferem os dados dos seus utentes e podemos esperar que os próximos vinte anos vão ser muito menos inovadores do que os últimos.” (...)
A concluir, afirma:
“Hoje quero desafiar-nos a todos para que tenhamos maiores ambições para a Web. Quero que a Web seja um reflexo das nossas esperanças e possa cumprir os nossos sonhos, em vez de aumentar os nossos medos e cavar as nossas divisões.” (...)
“Vamos reunir as mentes mais brilhantes das empresas, da tecnologia, do governo, da sociedade civil, das artes e das universidades, para lidarem com as ameaças ao futuro da Web. Na Web Foundation, estamos prontos para cumprir a nossa parte nesta missão e construir a Web que todos desejamos. Trabalhemos juntos para a tornar possível.”
Mais informação em The Guardian, que inclui o texto da carta aberta
A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.
Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.
Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.
Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.
Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.
No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.
Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.
Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.
Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.
Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.
Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.
A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.