Terça-feira, 17 de Maio, 2022
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Carta aberta de fundador da Web contra a degradação e controlo da Rede

O cientista britânico que criou a World Wide Web, Sir Timothy Berners-Lee, aproveitou o 29º aniversário da sua fundação para divulgar uma carta aberta em que manifesta preocupação pelo facto de “um punhado de empresas controlar o modo como as ideias e opiniões são partilhadas” e reafirma os valores a que permanece fiel  - de garantir que a Web seja “um espaço livre, aberto e criativo para todas as pessoas”. Para conseguir este objectivo fundador, e contrariar a tendência para ser usada como arma, admite que seja necessária uma entidade reguladora.

O seu texto começa por sublinhar outra efeméride associada à primeira: 2018 é o ano em que, pela primeira vez, mais de metade do mundo já tem ligação online. Mas deixa duas perguntas:

  1. – Como vamos tornar conectada a outra metade do mundo?
  2. – E temos a certeza de que o resto do mundo se quer conectar à Web que temos hoje?

A questão, como explica a seguir, é que as pessoas têm maior probabilidade de ficar offline “se forem mulheres, ou pobres, ou viverem numa área rural ou num país de baixo nível de vida, ou em qualquer combinação das condicionantes citadas”. E recorda que as Nações Unidas declararam, em 2016, “o acesso à Internet como um direito humano, ao nível do acesso à água potável, à electricidade, à habitação e ao alimento”. 

“Estar hoje offline significa ser excluído de oportunidades de aprender e ganhar [dinheiro], de ter acesso a serviços valiosos e de participar no debate democrático. Se não investirmos seriamente na extinção desta fronteira, os últimos mil milhões não estarão conectados antes de 2042. É toda uma geração deixada para trás.” (...) 

Tim Berners-Lee menciona também “dois mitos que limitam a nossa imaginação colectiva: o mito de que a publicidade é o único modelo de negócios possível para as empresas online e o mito de que é tarde demais para mudar o modo como funcionam as plataformas [digitais]. Em ambos os pontos  - afirma -  precisamos de ser um pouco mais criativos.” 

Sobre a concentração de poder nessas plataformas dominantes, adverte que elas têm a capacidade de se fecharem na sua posição criando barreiras aos concorrentes. “Elas adquirem as start-ups que as defrontam, compram as inovações e empregam os talentos de topo da indústria. Acrescente-se a isto a vantagem competitiva que lhes conferem os dados dos seus utentes e podemos esperar que os próximos vinte anos vão ser muito menos inovadores do que os últimos.” (...) 

A concluir, afirma: 

“Hoje quero desafiar-nos a todos para que tenhamos maiores ambições para a Web. Quero que a Web seja um reflexo das nossas esperanças e possa cumprir os nossos sonhos, em vez de aumentar os nossos medos e cavar as nossas divisões.” (...)

“Vamos reunir as mentes mais brilhantes das empresas, da tecnologia, do governo, da sociedade civil, das artes e das universidades, para lidarem com as ameaças ao futuro da Web. Na Web Foundation, estamos prontos para cumprir a nossa parte nesta missão e construir a Web que todos desejamos. Trabalhemos juntos para a tornar possível.”

 

Mais informação em The Guardian, que inclui o texto da carta aberta

Connosco
Jornalistas enfrentam “período negro” com risco de vida Ver galeria

O mês de Maio tem sido negro para os jornalistas, com o assassinato de quatro mulheres  jornalistas em apenas sete dias.

Conforme apontou o “Guardian”, dois dos homicídios ocorreram no México, um dos países mais perigosos para o exercício jornalístico. As vítimas foram Yesenia Mollinedo Falconi e Sheila Johana García Olivera, do “site”  “El Veraz”.

Semanas antes da sua morte, Yesenia Mollinedo Falconi, havia recebido ameaças de morte, na sequência das suas investigações sobre crime e corrupção. Ainda assim, aquela jornalista estava confiante de que não corria perigo.

Dois dias após a morte das profissionais mexicanas, foi noticiada outra tragédia: o assassinato de Shireen Abu Akleh, uma correspondente da Al Jazeera, que acompanhava o conflito israelo-árabe há vários anos.

O Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU mostrou-se “chocado” com a morte deste profissional e exigiu, entretanto,  uma “investigação independente e transparente” sobre o sucedido.

Também a directora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, se juntou no apelo a uma “investigação completa” à morte da jornalista.

“O assassinato de uma jornalista claramente identificada, numa zona de conflito, é uma violação do direito internacional“, disse Azoulay em comunicado, pedindo uma investigação para levar “os responsáveis à justiça”.

No dia a seguir, ficou conhecido o homicídio da jornalista colombiana Francisca Sandoval, morta durante a cobertura noticiosa de uma manifestação.


“Media” polacos apostam em conteúdos em ucraniano Ver galeria

Na Polónia, várias empresas mediáticas começaram a lançar produtos noticiosos em ucraniano, como forma de responder às necessidades dos três milhões de refugiados que chegaram ao país desde o início da guerra.

Conforme apontou o “Nieman Lab”, a Agência Noticiosa Polaca (Polska Agencja Prasowa, ou PAP) foi uma das primeiras organizações a partilhar artigos em ucraniano, graças a uma equipa de cinco jornalistas, que têm vindo a dedicar-se à tradução e produção de conteúdos.

Este serviço em ucraniano foi criado em apenas uma semana, e publica artigos diários sobre a invasão da Ucrânia.

“Esta guerra mudou tudo”, disse Jaros?aw Junko, coordenador dos serviços ucraniano e russo daquela agência noticiosa. “Todos os ‘sites’ informativos polacos de renome começaram a oferecer produtos em ucraniano. Esta é uma mudança importante, e mostra que a Polónia está a respeitar os ‘vizinhos’ que chegam ao país”.

Agora, a PAP quer expandir a editoria ucraniana, passando a incluir conteúdos sobre apoio legal, e ajuda económica para refugiados.

Outra das publicações que apostou em conteúdos ucranianos foi a “Onet” que, agora, partilha dez artigos diários sobre o conflito e, ainda, sobre a adaptação à vida na Polónia.

“Fazemos o nosso melhor para sermos um guia sobre a vida neste país”, explicou Kamil Turecki, coordenador da “Onet”.

Também o Grupo RMF decidiu ajudar esta causa, lançando uma nova estação de rádio em ucraniano, com frequências nas cidades fronteiriças de Przemysl e Hrubieszow.

O Clube


Os ciberataques passaram a fazer parte da paisagem mediática portuguesa. Depois do Grupo Impresa ter sido seriamente afectado, juntamente com a Cofina, embora esta em menor grau de exposição, chegou a vez do Grupo Trust in News, que detém o antigo portfólio de revistas de Balsemão, como é o caso do semanário “Visão”.
Outras empresas foram igualmente visadas, em maior ou menor escala, desde a multinacional Vodafone aos laboratórios Germano de Sousa.
Não cabe neste espaço qualquer comentário especializado a tal respeito, mas não nos isentamos de manifestar uma profunda preocupação relativamente à continuidade - e aparente impunidade - destes actos ilegais, que estão a pôr a nu as vulnerabilidades dos sistemas e redes, tanto públicos como privados.
Recorde-se que este site do Clube Português de Imprensa já foi alvo, também, de intrusões pontuais que bloquearam a sua actualização regular, o que voltou a acontecer, embora de uma forma indirecta, como consequência da inoperacionalidade do operador de telecomunicações atingido.

Oxalá estes ataques de “hackers”, já com um carácter mais “profissional”, tenha contribuído para alertar os especialistas e as autoridades competentes em cibersegurança no sentido de adoptarem as medidas de protecção que se impõem.
As fragilidades ficaram bem à vista.

 


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2022 Collaborative Journalism Summit
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25
Jun
LinkedIn para Jornalistas
10:00 @ Cenjor
27
Jun
12th World Conference of Science Journalists
10:00 @ Medellín, Colômbia
10
Jul
Washington Journalism and Media Conference (WJMC)
10:00 @ Universidade George Mason