Segunda-feira, 18 de Fevereiro, 2019
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Carta aberta de fundador da Web contra a degradação e controlo da Rede

O cientista britânico que criou a World Wide Web, Sir Timothy Berners-Lee, aproveitou o 29º aniversário da sua fundação para divulgar uma carta aberta em que manifesta preocupação pelo facto de “um punhado de empresas controlar o modo como as ideias e opiniões são partilhadas” e reafirma os valores a que permanece fiel  - de garantir que a Web seja “um espaço livre, aberto e criativo para todas as pessoas”. Para conseguir este objectivo fundador, e contrariar a tendência para ser usada como arma, admite que seja necessária uma entidade reguladora.

O seu texto começa por sublinhar outra efeméride associada à primeira: 2018 é o ano em que, pela primeira vez, mais de metade do mundo já tem ligação online. Mas deixa duas perguntas:

  1. – Como vamos tornar conectada a outra metade do mundo?
  2. – E temos a certeza de que o resto do mundo se quer conectar à Web que temos hoje?

A questão, como explica a seguir, é que as pessoas têm maior probabilidade de ficar offline “se forem mulheres, ou pobres, ou viverem numa área rural ou num país de baixo nível de vida, ou em qualquer combinação das condicionantes citadas”. E recorda que as Nações Unidas declararam, em 2016, “o acesso à Internet como um direito humano, ao nível do acesso à água potável, à electricidade, à habitação e ao alimento”. 

“Estar hoje offline significa ser excluído de oportunidades de aprender e ganhar [dinheiro], de ter acesso a serviços valiosos e de participar no debate democrático. Se não investirmos seriamente na extinção desta fronteira, os últimos mil milhões não estarão conectados antes de 2042. É toda uma geração deixada para trás.” (...) 

Tim Berners-Lee menciona também “dois mitos que limitam a nossa imaginação colectiva: o mito de que a publicidade é o único modelo de negócios possível para as empresas online e o mito de que é tarde demais para mudar o modo como funcionam as plataformas [digitais]. Em ambos os pontos  - afirma -  precisamos de ser um pouco mais criativos.” 

Sobre a concentração de poder nessas plataformas dominantes, adverte que elas têm a capacidade de se fecharem na sua posição criando barreiras aos concorrentes. “Elas adquirem as start-ups que as defrontam, compram as inovações e empregam os talentos de topo da indústria. Acrescente-se a isto a vantagem competitiva que lhes conferem os dados dos seus utentes e podemos esperar que os próximos vinte anos vão ser muito menos inovadores do que os últimos.” (...) 

A concluir, afirma: 

“Hoje quero desafiar-nos a todos para que tenhamos maiores ambições para a Web. Quero que a Web seja um reflexo das nossas esperanças e possa cumprir os nossos sonhos, em vez de aumentar os nossos medos e cavar as nossas divisões.” (...)

“Vamos reunir as mentes mais brilhantes das empresas, da tecnologia, do governo, da sociedade civil, das artes e das universidades, para lidarem com as ameaças ao futuro da Web. Na Web Foundation, estamos prontos para cumprir a nossa parte nesta missão e construir a Web que todos desejamos. Trabalhemos juntos para a tornar possível.”

 

Mais informação em The Guardian, que inclui o texto da carta aberta

Connosco
Os "clicks" são um sismógrafo de pouca confiança... Ver galeria

Num ambiente mediático saturado de notícias, os leitores valorizam mais as que lhes são pessoalmente pertinentes  - e isto não pode ser definido, numa redacção, medindo os clicks.

“As pessoas abrem frequentemente artigos que são divertidos, ou triviais, ou estranhos, sem sentido cívico evidente. Mas mantêm uma noção clara da diferença entre o que é trivial e o que é importante. De modo geral, querem estar informadas sobre o que se passa à sua volta, a nível local, nacional e internacional.”

A reflexão é de Kim Christian Schroder, um investigador dinamarquês que passou metade do ano de 2018 em Oxford, fazendo para o Reuters Institute um estudo sobre a relevância das notícias para os leitores  - e o que isso aconselha às redacções.

“Na medida em que queiram dar prioridade às notícias com valor cívico, os jornalistas fazem melhor em confiar no seu instinto do que nesse sismógrafo de pouca confiança que são as listas dos textos ‘mais lidos’.”

Jorge Soares em Fevereiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

Prossegue a 27  Fevereiro o ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, promovido pelo CPI, em parceria com o CNC e o Grémio Literário, tendo como orador convidado o Prof. Jorge Soares, que preside ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, desde 2016, preenchendo o lugar deixado vago por morte de João Lobo Antunes.  

Director do Programa Gulbenkian Inovar em Saúde, da Fundação Calouste Gulbenkian, Jorge Soares já fazia parte daquele Conselho, antes de ser eleito para a sua presidência .

O seu currículo é vasto. Presidiu também à  Comissão Externa para Avaliação da Qualidade do Ensino, e, mais tarde,  assumiu a vice-presidência da Comissão de Ética da Fundação Champalimaud, e, a partir de 2016, foi presidente da Comissão Nacional dos Centros de Referência. É Perito Nacional na União Europeia do 3rd Programme “EuropeAgainst Cancer” .

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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