null, 23 de Setembro, 2018
Colectânea

Controlar os abusos “online” sem ferir a liberdade de expressão

A moderação de conteúdos falsos, abusivos ou ilegais, não é um problema exclusivo das plataformas que operam as grandes redes sociais  -  mas, à medida que elas cresceram, assim aumentou também a respectiva dimensão. É verdade que têm estado a tentar responder ao problema, mas as suas estratégias parecem inconsistentes e muitas vezes incompreensíveis às pessoas que servem. Para complicar as coisas, os utentes, as plataformas e os governos, todos têm “agendas” diferentes sobre o assunto.
Não é fácil encontrar consenso sobre o melhor modo de fazer moderação de conteúdos online, como ficou claro numa recente mesa redonda entre especialistas da tecnologia digital, jornalistas, juristas e académicos, realizada numa escola de Jornalismo da Califórnia e intitulada “Controlling the Conversation: The Ethics of Social Platforms and Content Moderation”.

As dificuldades começam, desde logo, pela enorme quantidade de material que circula nas redes. Como explicou Sarah Roberts, da Universidade de Los Angeles, muitos problemas “podiam ter sido evitados se as plataformas tivessem crescido de modo mais responsável e transparente”. A moderação de conteúdos complicados “devia ter sido inserida nos seus produtos, em vez de ser tratada como uma questão a ver depois”. 

Jack Dorsey, um dos criadores do Twitter, pronunciou-se recentemente (numa série de tweets) sobre o desejo da sua empresa de “melhorar a saúde colectiva, abertura e civilidade da conversação pública” que a plataforma opera, e de assumir as suas responsabilidades públicas neste sentido. O artigo que citamos conta que não é a primeira vez que o Twitter procura “controlar os conteúdos abusivos, e os esforços anteriores tiveram resultados diversos”. 

Também Abhi Chaudhuri, da Google, declara o desejo de construir ferramentas para “conter o discurso de ódio e os conteúdos tóxicos”, mantendo a diversidade de opiniões e empatia entre as pessoas. 

Mas as plataformas são apenas uma parte da equação. Os intervenientes convidados para esta conferência propuseram diversos caminhos para que tanto os utentes como os editores e os governos possam contribuir para melhorar a qualidade da conversação online

Na Europa, vários governos estão a dar passos no sentido da regulação das plataformas  - e a própria Comissão Europeia se pronunciou recentemente sobre esta matéria, como aqui referimos. 

Mas a América, como disse com ironia Emily Bell, continua a funcionar na confiança de que “o mercado livre vai proteger uma pluralidade de vozes nos media e elevar o que é bom acima do que é mau”...    

Por último, é preciso ver em que condições trabalham os referidos moderadores de conteúdos. Alguns estão instalados em escritórios em Silicon Valley, mas muitos outros em espaços de call center na Índia ou nas Filipinas: 

“O seu trabalho tende a ser mal pago, de baixo estatuto e mentalmente exigente, enquanto os moderadores vêem o que há de pior na Internet. Como disse Anita Gupta, da revista The Atlantic, os operadores devem planear fluxos de material que tenham tudo isto em conta (para que as partes mais difíceis do trabalho sejam partilhadas) e providenciar recursos adequados de saúde mental para evitar o esgotamento.”

 

O artigo citado, na Columbia Journalism Review

Connosco
CPI e "Tribuna de Macau" instituem Prémios de Ensaio e de Jornalismo da Lusofonia Ver galeria

O Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído há um ano por iniciativa do jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, com o patrocínio da Fundação Jorge Álvares e o apoio do JL – Jornal de Artes, Letras e Ideias, reparte-se, nesta sua segunda edição, por dois: um aberto a textos originais, que passa a designar-se o Prémio Ensaio da Lusofonia, e outro que mantém o título de Prémio de Jornalismo da Lusofonia, destinado a textos já publicados, em suporte papel ou digital.

Mantém-se o espírito original de distinguir trabalhos “no quadro do desejado aprofundamento de todos os aspectos ligados à Língua Portuguesa, com relevo para a singularidade do posicionamento de Macau no seu papel de plataforma de ligação entre países de Língua Oficial Portuguesa”.

O Regulamento do Prémio de Lusofonia vem incluído na segunda imagem que acompanha este texto.

O efeito da revolução digital sobre a arquitectura das redacções Ver galeria

A transformação, no jornalismo, é tão rápida que até os novos termos ficam desactualizados sem que demos conta disso. Pior ainda, sem que os tenhamos sequer assimilado correctamente. É o caso da “convergência redaccional”, ou integração dos vários elementos da redacção no seu espaço reajustado. Esta reflexão é desenvolvida por Félix Bahón, jornalista, docente e investigador do Instituto para la Innovación Periodística, e foi publicada no nº 22 de Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

Lançado em Novembro de 2015, este site do Clube Português de Imprensa tem desenvolvido, desde então, um trabalho de acompanhamento das tendências dominantes, quer no mercado de Imprensa, quer nos media audiovisuais em geral e na Internet em particular.

Interessa-nos, também, debater o jornalismo e o modo como é exercido, em Portugal e fora de fronteiras,  cumprindo um objectivo que está na génese desta Associação.


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