Quarta-feira, 18 de Julho, 2018
Fórum

Controlar os abusos “online” sem ferir a liberdade de expressão

A moderação de conteúdos falsos, abusivos ou ilegais, não é um problema exclusivo das plataformas que operam as grandes redes sociais  -  mas, à medida que elas cresceram, assim aumentou também a respectiva dimensão. É verdade que têm estado a tentar responder ao problema, mas as suas estratégias parecem inconsistentes e muitas vezes incompreensíveis às pessoas que servem. Para complicar as coisas, os utentes, as plataformas e os governos, todos têm “agendas” diferentes sobre o assunto.
Não é fácil encontrar consenso sobre o melhor modo de fazer moderação de conteúdos online, como ficou claro numa recente mesa redonda entre especialistas da tecnologia digital, jornalistas, juristas e académicos, realizada numa escola de Jornalismo da Califórnia e intitulada “Controlling the Conversation: The Ethics of Social Platforms and Content Moderation”.

As dificuldades começam, desde logo, pela enorme quantidade de material que circula nas redes. Como explicou Sarah Roberts, da Universidade de Los Angeles, muitos problemas “podiam ter sido evitados se as plataformas tivessem crescido de modo mais responsável e transparente”. A moderação de conteúdos complicados “devia ter sido inserida nos seus produtos, em vez de ser tratada como uma questão a ver depois”. 

Jack Dorsey, um dos criadores do Twitter, pronunciou-se recentemente (numa série de tweets) sobre o desejo da sua empresa de “melhorar a saúde colectiva, abertura e civilidade da conversação pública” que a plataforma opera, e de assumir as suas responsabilidades públicas neste sentido. O artigo que citamos conta que não é a primeira vez que o Twitter procura “controlar os conteúdos abusivos, e os esforços anteriores tiveram resultados diversos”. 

Também Abhi Chaudhuri, da Google, declara o desejo de construir ferramentas para “conter o discurso de ódio e os conteúdos tóxicos”, mantendo a diversidade de opiniões e empatia entre as pessoas. 

Mas as plataformas são apenas uma parte da equação. Os intervenientes convidados para esta conferência propuseram diversos caminhos para que tanto os utentes como os editores e os governos possam contribuir para melhorar a qualidade da conversação online

Na Europa, vários governos estão a dar passos no sentido da regulação das plataformas  - e a própria Comissão Europeia se pronunciou recentemente sobre esta matéria, como aqui referimos. 

Mas a América, como disse com ironia Emily Bell, continua a funcionar na confiança de que “o mercado livre vai proteger uma pluralidade de vozes nos media e elevar o que é bom acima do que é mau”...    

Por último, é preciso ver em que condições trabalham os referidos moderadores de conteúdos. Alguns estão instalados em escritórios em Silicon Valley, mas muitos outros em espaços de call center na Índia ou nas Filipinas: 

“O seu trabalho tende a ser mal pago, de baixo estatuto e mentalmente exigente, enquanto os moderadores vêem o que há de pior na Internet. Como disse Anita Gupta, da revista The Atlantic, os operadores devem planear fluxos de material que tenham tudo isto em conta (para que as partes mais difíceis do trabalho sejam partilhadas) e providenciar recursos adequados de saúde mental para evitar o esgotamento.”

 

O artigo citado, na Columbia Journalism Review

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Aumentam assinaturas pagas de meios digitais com algumas surpresas... Ver galeria

As assinaturas pagas são a “tábua de salvação” dos jornais digitais, mas cobrar pelas notícias, neste terreno, é uma estratégia difícil de implementar. Muitos meios de comunicação hesitam em dar este passo, pelo receio de perderem leitores. No entanto, dezenas de outros tiveram êxito, seguindo estratégias diferentes e, também, com diversos graus de sucesso. A FIPP  - Federação Internacional da Imprensa Periódica -  editou recentemente o seu primeiro Global Digital Subscription Snapshot, que permite consultar a tabela com os principais meios online, comparar os seus números de assinantes e preços cobrados e, assim, obter ideias úteis para os que procuram chegar ao desejado equilíbrio financeiro sem terem de perder público.

Como captar audiência e ser fiel ao bom jornalismo Ver galeria

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Portanto, uma espécie de “contrato social”, pelo lado do meio de comunicação e dos seus jornalistas, e uma espécie de “conversão pessoal”, pelo lado dos leitores. É esta a linha desenvolvida por um recente estudo do Tow Center for Digital Journalism, da Universidade de Columbia, nos EUA, aqui comentado em artigo publicado na 36ª edição de Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

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