Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Media

Promoção de uma ética jornalística em nome da transparência

A proliferação de “notícias falsas” veio revalorizar a importância da ética jornalística entre os profissionais da Informação, mas também entre os leitores a quem se dirige o seu trabalho.
“A promoção de uma ética jornalística ‘aberta’ instigaria o leitor a posicionar-se, não apenas em relação aos valores morais que regem a prática da profissão, mas também a tomar conhecimento sobre as técnicas utilizadas na construção de reportagens, por exemplo. Tornar estes procedimentos mais transparentes pode ser o passo inicial de uma educação voltada para os media.” É esta a reflexão inicial do Comentário da Semana de ObjEthos, o Observatório da Ética Jornalística do Brasil.

A questão de fundo  - segundo o autor, Dairan Paul -  “não tem necessariamente a intenção de ‘capacitar’ estas pessoas [os leitores] com técnicas de apuração. Afinal, quem tem tempo para verificar todas as informações que recebe, senão o próprio jornalista?” 

“A questão me parece anterior: é preciso argumentar sobre a importância de uma informação bem apurada, e demonstrar isto na prática. Parece-me mais significativo o alto percentual de pessoas que verificam a veracidade de uma notícia mesmo após consumi-la em meios jornalísticos, do que aqueles que não o fazem com mensagens de aplicativos. Em suma, estamos tratando de uma crise de credibilidade.” (...) 

O artigo que citamos refere-se a uma pesquisa  recente, sobre o consumo de informações online, realizada pelo site brasileiro Aos Factos. “Quando questionados sobre quais características podem levantar dúvidas sobre a veracidade de uma notícia, a segunda resposta mais recorrente, entre os 805 participantes, é  - ‘jornalista não explicou como chegou a tal informação’ (29,8%). Em primeiro lugar, uma sugestão direta: ‘falta de citações para fontes ou referências’ (42,5%).” 

O autor sublinha ainda os dados sobre a verificação pelos próprios leitores: “62% questionam a veracidade de informações quando consomem notícias directamente em sites de meios tradicionais da imprensa; já 40% não se mobilizam para verificar o conteúdo que recebem via redes sociais ou aplicativos de mensagens”. 

“Este ponto é interessante à medida que parece existir uma ‘cultura de desconfiança’ mais acentuada naqueles que já têm o hábito de aceder com certa frequência a sites de meios jornalísticos. O mesmo não ocorre nas outras plataformas, normalmente aquelas que servem de prato cheio para a disseminação de rumores e boatos em grupos fechados.” (...) 

Dairan Paul cita ainda outro estudo muito recente, desta vez nos Estados Unidos  - mas comentado num site brasileiro, do Farol Jornalismo -  onde se confirma que a “alfabetização mediática” (media literacy) pode, de facto, capacitar o cidadão para uma leitura mais crítica das informações que recebe, mas isso não isenta de responsabilidades os próprios media

“Ou seja, mesmo munidos de chaves, o acesso à caixa preta do jornalismo não depende apenas dos cidadãos. É preciso focar em treinamentos de alfabetização mediática, sem dúvidas. No entanto, a campanha desenfreada de grandes meios no combate às ‘notícias falsas’ aparenta passar ao largo da sua própria responsabilidade, como se diversos factoides [fake news] não tivessem já sido fabricados por jornais outrora mais prestigiados.” 

“Os dados de Aos Factos sobre o alto número de pessoas que verificam informações provenientes de jornais parecem apontar para algo: uma revisão de valores e o pedido para que as fake news sejam combatidas não apenas pelos leitores, mas também no interior das empresas.”

 

O artigo citado, em ObjEthos, que contém os links para ambos os estudos referidos

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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