Sábado, 17 de Novembro, 2018
Media

Promoção de uma ética jornalística em nome da transparência

A proliferação de “notícias falsas” veio revalorizar a importância da ética jornalística entre os profissionais da Informação, mas também entre os leitores a quem se dirige o seu trabalho.
“A promoção de uma ética jornalística ‘aberta’ instigaria o leitor a posicionar-se, não apenas em relação aos valores morais que regem a prática da profissão, mas também a tomar conhecimento sobre as técnicas utilizadas na construção de reportagens, por exemplo. Tornar estes procedimentos mais transparentes pode ser o passo inicial de uma educação voltada para os media.” É esta a reflexão inicial do Comentário da Semana de ObjEthos, o Observatório da Ética Jornalística do Brasil.

A questão de fundo  - segundo o autor, Dairan Paul -  “não tem necessariamente a intenção de ‘capacitar’ estas pessoas [os leitores] com técnicas de apuração. Afinal, quem tem tempo para verificar todas as informações que recebe, senão o próprio jornalista?” 

“A questão me parece anterior: é preciso argumentar sobre a importância de uma informação bem apurada, e demonstrar isto na prática. Parece-me mais significativo o alto percentual de pessoas que verificam a veracidade de uma notícia mesmo após consumi-la em meios jornalísticos, do que aqueles que não o fazem com mensagens de aplicativos. Em suma, estamos tratando de uma crise de credibilidade.” (...) 

O artigo que citamos refere-se a uma pesquisa  recente, sobre o consumo de informações online, realizada pelo site brasileiro Aos Factos. “Quando questionados sobre quais características podem levantar dúvidas sobre a veracidade de uma notícia, a segunda resposta mais recorrente, entre os 805 participantes, é  - ‘jornalista não explicou como chegou a tal informação’ (29,8%). Em primeiro lugar, uma sugestão direta: ‘falta de citações para fontes ou referências’ (42,5%).” 

O autor sublinha ainda os dados sobre a verificação pelos próprios leitores: “62% questionam a veracidade de informações quando consomem notícias directamente em sites de meios tradicionais da imprensa; já 40% não se mobilizam para verificar o conteúdo que recebem via redes sociais ou aplicativos de mensagens”. 

“Este ponto é interessante à medida que parece existir uma ‘cultura de desconfiança’ mais acentuada naqueles que já têm o hábito de aceder com certa frequência a sites de meios jornalísticos. O mesmo não ocorre nas outras plataformas, normalmente aquelas que servem de prato cheio para a disseminação de rumores e boatos em grupos fechados.” (...) 

Dairan Paul cita ainda outro estudo muito recente, desta vez nos Estados Unidos  - mas comentado num site brasileiro, do Farol Jornalismo -  onde se confirma que a “alfabetização mediática” (media literacy) pode, de facto, capacitar o cidadão para uma leitura mais crítica das informações que recebe, mas isso não isenta de responsabilidades os próprios media

“Ou seja, mesmo munidos de chaves, o acesso à caixa preta do jornalismo não depende apenas dos cidadãos. É preciso focar em treinamentos de alfabetização mediática, sem dúvidas. No entanto, a campanha desenfreada de grandes meios no combate às ‘notícias falsas’ aparenta passar ao largo da sua própria responsabilidade, como se diversos factoides [fake news] não tivessem já sido fabricados por jornais outrora mais prestigiados.” 

“Os dados de Aos Factos sobre o alto número de pessoas que verificam informações provenientes de jornais parecem apontar para algo: uma revisão de valores e o pedido para que as fake news sejam combatidas não apenas pelos leitores, mas também no interior das empresas.”

 

O artigo citado, em ObjEthos, que contém os links para ambos os estudos referidos

Connosco
Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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