Sábado, 17 de Novembro, 2018
Media

A “Monocle” continua a gostar do papel e de contar boas histórias...

A revista britânica Monocle, com pouco mais de uma década no mercado, permanece fiel à sua edição em papel, desmentindo  - ou contrariando -  a tendência dominante. E explica porquê. Não será, talvez, um exemplo “exportável” em todas as direcções, nem um modelo de “salvação” para os media que “ficaram presos numa relação complicada com o digital e não estão a contar boas histórias”. Também não pretende sê-lo, mas dá que pensar. O seu editor, Andrew Tuck, um dos fundadores da Monocle, esteve em Lisboa e foi entrevistado para o suplemento P2 do Público.

O trabalho que aqui citamos explica a originalidade desta revista mensal “pelo seu design e pelo casamento harmonioso dos temas da actualidade e lifestyle  – sempre com uma abordagem global e um foco local”. 

“Por ano, chegam às bancas dez edições, além das revistas especiais, a The Forecast e a The Escapist. Com sede em Londres e correspondentes em várias partes do mundo, os produtos do universo Monocle são criados por pouco mais de uma centena de pessoas. Para além dos títulos em papel, tem no ar a Monocle Radio, com podcasts diários e semanais para todos os gostos. (...) 

“Com uma base de leitores fiéis à marca e uma circulação crescente  – actualmente de 82,5 mil exemplares mensais, 5% acima do ano anterior –, a Monocle continua a ser uma publicação de nicho, que fala para um público com uma ‘identidade internacional’. Os temas vão do empreendedorismo ao urbanismo, passando pela cultura e design.” 

“Agora que se aproxima da adolescência, a empresa começa a testar novas ideias dentro do seu formato de eleição, o papel. No Verão do ano passado, lançou pela primeira vez um semanário de quatro edições, aproveitando a altura em que a revista está em bancas durante dois meses (Julho-Agosto) e apostando nos seus temas tradicionais, mas com mais actualidade. A aposta correu bem. Repetiu-se no Inverno e agora está em cima da mesa a possibilidade de surgirem edições deste tipo várias vezes por ano.” (...) 

O próprio Andrew Tuck define a sua revista deste modo: 

“Queremos que a Monocle seja um relatório global: casar bons textos com o melhor em fotografia e ilustração; ter uma perspectiva verdadeiramente global. Queremos ser uma das marcas mais credíveis na língua inglesa. Os media mais antigos ficaram presos numa relação complicada com o digital e não estão a contar boas histórias. Demasiadas marcas grandes estão dependentes de copiar notícias das agências.” (...) 

“A Monocle é pequena, mas nunca encontrarão uma história que venha de agência. Toda a fotografia é feita por nós. [Noutros meios] já não é assim. [Na Monocle] fazemos menos histórias, mas tentamos fazer de uma maneira que é original.” (...) 

Concretamente sobre o seu modelo de negócio, e sobre a possibilidade de apostarem num modelo de assinatura digital, responde: 

“Temos sido cautelosos, porque ainda ganhamos a maior parte do nosso dinheiro por publicidade em papel tradicional. Não acreditamos que marcas do nosso tamanho consigam atrair receitas suficientes online ou em plataformas digitais para construir um negócio. Já perdemos esta batalha: 60% a 70% [da receita dos meios de comunicação britânicos] vai para o Facebook e a Google. Eles têm essa indústria. Por isso, temos de encontrar outras formas de fazer dinheiro: fazer com que as pessoas doem, comprem bilhetes para eventos... (…) 

“Tomamos conta das pessoas que entram no nosso mundo, oferecemos-lhes uma experiência mais interessante. Todos os meses 82 mil pessoas compram a revista, pagam, não a damos de graça. São pessoas apaixonadas pelo que fazemos: é um público mais valioso do que aquele que está de passagem (…) como quando acontece com um artigo com muitas visualizações.” (…) 

Andrew Tuck interessa-se pela divulgação ao nível dos quiosques de rua, pelo modo como os jornais em papel são expostos ou escondidos atrás de outras coisas, e admite a hipótese de abordar os próprios distribuidores com sugestões de parceria: 

“É [importante] garantir que as pessoas compreendam o valor que estamos a oferecer. Acho que o papel é moderno e adaptável. E outra coisa: acho que a conversa sobre novos media e velhos media é mesmo, mesmo uma seca. Agora só há media. Muitas marcas antigas de media são bem mais modernas do que as startups.” (...) 

Interrogado sobre a possibilidade de abrir um escritório em Portugal, admite: 

“Lisboa é muito interessante para nós. Já considerámos no passado, por várias razões: tem boas ligações, via TAP; um grande número de pessoas fala inglês e a qualidade de vida é atractiva. Portugal tem sido nos últimos anos uma das nações top 10 para nós [em termos de número de leitores]. Tivemos discussões e, se aparecesse alguma coisa interessante, no lado de retalho ou de escritório, seria com certeza considerado.” 

E sobre a forma como fazem a cobertura de Lisboa: 

“Quando chegámos há cinco anos, havia uma conversa incrível a nível nacional sobre o que Portugal precisava de fazer. Apesar de muitos países se terem livrado do que significa ser uma nação de manufactura, Portugal ainda tinha isso, desde empresas de calçado à indústria de cortiça, passado pelo mundo das startups. Todo esse ADN estava aqui pronto a ser activado. A cidade e o país parecem estar com outro ritmo. Provavelmente poderíamos encher uma boa percentagem da revista [com temas de Lisboa] todos os meses.” 

 

A entrevista com Andrew Tuck, pela jornalista Catarina Moura, no Público

Connosco
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A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

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O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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