Sábado, 17 de Novembro, 2018
Media

O papel dos jornais e a questão do desencontro com os leitores

Vão acabar os jornais em papel? E trata-se apenas de “um problema de suporte ou há um desencontro mais profundo entre leitores e jornais?” São perguntas que se fazem todos os dias entre jornalistas, gestores das empresas de media, docentes e estudantes de jornalismo e o público a quem os jornais são destinados. Neste caso, são algumas das questões iniciais de um extenso trabalho de Alexandra Prado Coelho, na revista P2 do Público de 4 de Março, que identifica os problemas de fundo e recolhe, dos seus entrevistados, a sugestão das alternativas possíveis. Faz ainda outro esforço  - mais difícil em plena crise de mudanças aceleradas -  o de esclarecer equívocos.

Sobre a questão da qualidade, Paula Ribeiro, editora da revista UP, da TAP, combate o equívoco de que “ninguém quer ler”. O que se cria, como diz, é “uma pescadinha de rabo na boca, em que o jornal piora porque custa caro fazer bom, e os leitores não compram porque está pior”. 

Sobre a questão do suporte, associada a esta, Paulo Moura, jornalista e docente de Jornalismo, afirma: “Dantes, o que os jornais produziam era um bem escasso e valioso e as pessoas estavam dispostas a pagar por ele. Hoje [a informação] é um bem abundante e pouco valorizado.” Os jornais poderiam fazer a diferença em relação à pouca credibilidade de sites ou outras plataformas feitas sem critérios jornalísticos mas, para isso, “era preciso que fossem credíveis”. (…) 

Ainda sobre a viabilidade do jornal impresso, Paulo Moura é taxativo: “É um produto obsoleto, que corresponde a uma outra época, a da revolução industrial e que até em termos tecnológicos não faz qualquer sentido. Tem a ver com ritmos do passado.” 

Mas é verdade que os diferentes suportes determinam diferentes ritmos de leitura e de envolvimento do leitor. Miguel Taveira, estudante, lembra que “no computador estão sempre a acontecer milhares de coisas e a há intromissões constantes no texto que estamos a ler”. 

Mesmo alguns alunos entrevistados, do curso em que Paulo Moura é professor, sublinham essa diferença:  no online “sou constantemente distraída por outras comunicações”;  “quando lemos em papel, dedicamos mais tempo só a isso, é como ler um livro”. 

A jornalista e docente Helena Ferro de Gouveia afirma: 

“É preciso devolver a lentidão ao jornalismo. É preferível sacrificar algumas notícias, mas perder tempo a contar outras bem contadas. Infantilizaram-se os leitores, achando que eles não querem ler, mas as pessoas não são tolas e querem saber as coisas. Essa infantilização é dramática para o jornalismo. E penso que o caminho é a humanização.” (…) 

E o historiador e analista político José Pacheco Pereira sublinha a necessidade de rigor deontológico e qualidade profissional, lamentando que os jornalistas “façam muito jornalismo por telefone, tenham fontes muito escassas, estejam muito dependentes das agências de comunicação, tenham falta de imaginação e façam todos as mesmas coisas, (…) “com jornalistas a citar o Facebook e o Twitter, o que é uma coisa suicidária”. Há, diz por fim, “uma cultura do deslumbramento tecnológico que os próprios jornais alimentam”. 


No suplemento P2 do Público, a reportagem sobre o futuro dos jornais em papel.

Connosco
Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

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O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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