null, 20 de Maio, 2018
Media

O papel dos jornais e a questão do desencontro com os leitores

Vão acabar os jornais em papel? E trata-se apenas de “um problema de suporte ou há um desencontro mais profundo entre leitores e jornais?” São perguntas que se fazem todos os dias entre jornalistas, gestores das empresas de media, docentes e estudantes de jornalismo e o público a quem os jornais são destinados. Neste caso, são algumas das questões iniciais de um extenso trabalho de Alexandra Prado Coelho, na revista P2 do Público de 4 de Março, que identifica os problemas de fundo e recolhe, dos seus entrevistados, a sugestão das alternativas possíveis. Faz ainda outro esforço  - mais difícil em plena crise de mudanças aceleradas -  o de esclarecer equívocos.

Sobre a questão da qualidade, Paula Ribeiro, editora da revista UP, da TAP, combate o equívoco de que “ninguém quer ler”. O que se cria, como diz, é “uma pescadinha de rabo na boca, em que o jornal piora porque custa caro fazer bom, e os leitores não compram porque está pior”. 

Sobre a questão do suporte, associada a esta, Paulo Moura, jornalista e docente de Jornalismo, afirma: “Dantes, o que os jornais produziam era um bem escasso e valioso e as pessoas estavam dispostas a pagar por ele. Hoje [a informação] é um bem abundante e pouco valorizado.” Os jornais poderiam fazer a diferença em relação à pouca credibilidade de sites ou outras plataformas feitas sem critérios jornalísticos mas, para isso, “era preciso que fossem credíveis”. (…) 

Ainda sobre a viabilidade do jornal impresso, Paulo Moura é taxativo: “É um produto obsoleto, que corresponde a uma outra época, a da revolução industrial e que até em termos tecnológicos não faz qualquer sentido. Tem a ver com ritmos do passado.” 

Mas é verdade que os diferentes suportes determinam diferentes ritmos de leitura e de envolvimento do leitor. Miguel Taveira, estudante, lembra que “no computador estão sempre a acontecer milhares de coisas e a há intromissões constantes no texto que estamos a ler”. 

Mesmo alguns alunos entrevistados, do curso em que Paulo Moura é professor, sublinham essa diferença:  no online “sou constantemente distraída por outras comunicações”;  “quando lemos em papel, dedicamos mais tempo só a isso, é como ler um livro”. 

A jornalista e docente Helena Ferro de Gouveia afirma: 

“É preciso devolver a lentidão ao jornalismo. É preferível sacrificar algumas notícias, mas perder tempo a contar outras bem contadas. Infantilizaram-se os leitores, achando que eles não querem ler, mas as pessoas não são tolas e querem saber as coisas. Essa infantilização é dramática para o jornalismo. E penso que o caminho é a humanização.” (…) 

E o historiador e analista político José Pacheco Pereira sublinha a necessidade de rigor deontológico e qualidade profissional, lamentando que os jornalistas “façam muito jornalismo por telefone, tenham fontes muito escassas, estejam muito dependentes das agências de comunicação, tenham falta de imaginação e façam todos as mesmas coisas, (…) “com jornalistas a citar o Facebook e o Twitter, o que é uma coisa suicidária”. Há, diz por fim, “uma cultura do deslumbramento tecnológico que os próprios jornais alimentam”. 


No suplemento P2 do Público, a reportagem sobre o futuro dos jornais em papel.

Connosco
Conferência a 22 de Maio com ministro Mário Centeno Ver galeria

Mário Centeno, Ministro das Finanças e Presidente do Eurogrupo, é o nosso orador convidado para o jantar-debate do próximo dia 22 de Maio, promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema que tem presidido a esta série  - “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”.

Mário José Gomes de Freitas Centeno nasceu em Olhão, em Dezembro de 1966, e fez o seu percurso académico em Lisboa, para onde veio morar, com os pais e irmãos, quando tinha 15 anos. Obteve no ISEG  - Instituto Superior de Economia e Gestão a sua licenciatura em Economia, em 1990, seguida de um mestrado em Matemática Aplicada na mesma escola superior.


Livro de memórias de Pedro Rolo Duarte sem ser autobiografia Ver galeria

Pedro Rolo Duarte, que nos deixou em Novembro de 2017, deixou também um conjunto de textos agora reunidos e publicados em livro. O título, “Não Respire”, vai direito a um tema incontornável, que o autor assume e é continuado logo abaixo, na mesma capa: “Tudo começou cedo demais (e quando dei por isso era tarde)”.
O Observador, que publica excertos de momentos marcantes da sua vida, explica que “a autobiografia póstuma do jornalista, que a editora Manuscrito acabou de publicar, fala naturalmente da doença, mas não só”. O primeiro desses excertos é “o vício do tabaco”. Mas as 296 páginas “estão repletas de histórias de uma vida cheia. Nelas, Rolo Duarte recordou os melhores tempos de uma carreira com mais de 30 anos (a fundação d’O Independente, do DNA), os amigos, as paixões e os vícios. Sempre com grande saudade mas sem uma ponta de pessimismo.”

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
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Agenda
24
Mai
24
Mai
Conferência Internacional Literacia de Media e Informação
09:00 @ Faculdade de Letras - Universidade de Coimbra
30
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The GEN Summit 2018
19:00 @ Pátio da Galé, Lisboa
01
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09:00 @ Thessaloniki, Grécia
04
Jun
Fotojornalismo e Direitos de Autor
09:00 @ Cenjor, Lisboa